Nome incontornável do underground nacional, os SIMBIOSE têm pautado a sua carreira pela honestidade e espírito de sacrifício que vai dando finalmente os seus frutos e colocando a banda no lugar que lhe pertence. Associados à Major Label Industries editaram recentemente «evolution?», provavelmente o álbum mais ambicioso da sua carreira sobre o qual o OPUSKULO não quis perder a oportunidade de trocar algumas palavras com o vocalista Hugo.

Os Simbiose parecem finalmente ter apanhado o ritmo das edições regulares. Estarei a exagerar se disser que atravessam actualmente o melhor momento da vossa carreira?
Não é nenhum exagero, também sentimos que é o melhor momento da nossa existência. Apesar de haver um distanciamento de 2/3 anos entre cada álbum, há muitos concertos e lançamentos de outra envergadura nesse período. Como elementos da banda não temos um sentimento exterior àquilo que a banda representa no meio. Parece estranho mas é verdade, não temos noção da dimensão ( grande ou pequena) do que a banda possa representar, porque temos pouco feedback das nossas acções. Tem havido maior manifestação por parte do público que nos tem feito sentir mais seguros e convincentes que realmente algo está a crescer de forma positiva e que a nossa música atinge objectivos mais elevados que há alguns anos.
Mesmo apesar de todas alterações de line-up registadas nos últimos tempos no seio da banda isso parece não ter afectado minimamente a evolução positiva que se vinha a registar de álbum para álbum. Julgo que isto revela uma enorme coesão e determinação…
Mesmo depois das enormes dificuldades e pressões que sentimos após algumas alterações de line up a banda não vacilou e conseguiu manter-se “ por cima das ondas “, pois foi precisamente isso aconteceu em vésperas de uma tour na europa e logo a seguir houve mais alterações em vésperas de gravar o novo álbum.
Neste momento a coesão expande-se aos seis elementos, parece haver harmonia entre todos e essa paz é muito importante para fazer o que queremos, uma vez que os seis remam para o mesmo lado. A determinação vem muito do amor á camisola, seja problemas internos, seja adversidades externas, estamos sempre com vontade de elevar a bandeira do nosso crust o mais alto possível. Há muito espírito de sacrifício, nem tudo é um mar de rosas, tivemos durante anos problemas internos, mas penso que houve sempre maturidade para sentar-mos á mesa e falar sobre o que nos atormenta. Nos dias de hoje encontrámos a vitalidade necessária para chegar-mos ainda mais longe.
Esta é uma formação para dar alguma estabilidade aos Simbiose ou contam com mais alterações até um próximo disco?
Esta é sem dúvida a estabilidade que procurávamos e isso depende de não haver constantes alterações de formação. Por nós, nos próximos 20 discos não haverá alterações.
Associaram-se agora à Major Label Industries. O que vos levou a tomar essa decisão? Acham que esta editora vos poderá criar condições para uma maior divulgação da banda?
Na altura do ‘Bounded..’ já tínhamos a ideia de procurar outra editora, não que tivéssemos insatisfeitos com a Anti-Corpos, muito pelo contrário, mas entre várias razões, queríamos sair mais da casca, ter outra projecção, ter outra força motivadora e queríamos tirar o estigma de que Simbiose e Anti-Corpos eram a mesma entidade ( nunca o foi ). Com a MLI o nosso sonho realiza-se, a projecção e divulgação está muito mais á frente do que alguma vez imaginávamos. Estamos numa satisfação enorme com a atitude da editora perante a banda, deram-nos total liberdade e apoio para fazer as coisas ao nosso gosto, desde o inicio acreditaram totalmente nas nossas capacidades e nas nossas ideias. A simbiose é perfeita!
Recorreram ao João Pedro Sarrufo e aos Crossover Studios, uma referência a nível nacional neste tipo de sonoridade. Não sentem a necessidade de procurar um estúdio ou um produtor estrangeiro?
Era excelente passar por essa experiência, sem dúvida. Mas os estúdios Crossover desde a última vez que estivemos em gravação melhoraram o equipamento, o Sarrufo evoluiu como produtor e não vimos necessidade de procurar no estrangeiro algo que temos já aqui ao virar da esquina. Jogámos em casa com um “know how” adquirido em experiência anterior e o resultado é nitidamente notório!
Acho que mais que uma necessidade, existe uma curiosidade de experimentar um estudio e um produtor noutro país, de preferência familiarizado com este tipo de som… veremos o que o futuro nos reserva.
Contam com a participação do João Gordo e do Dean Jones. Imagino que tenha sido como que um realizar de um sonho? Como chegaram a estas ilustres colaborações?
É mais que realizar um sonho, nem tenho palavras para este privilégio. Em ’89 conheci o “Holocaust in Your Head” e desde então a minha vida nunca mais foi a mesma, se Simbiose tem dois vocais é principalmente por culpa dos ENT, o Dean é para mim um icon na cena crust, é uma felicidade enorme tê-lo a cantar numa malha nossa! O mesmo se pode dizer em relação aos RDP, todos nós ouvíamos RDP quando éramos putos. São bandas que marcaram enormemente a puberdade de qualquer um de nós e ter o Gordo e o Dean no nosso álbum é realmente um feito brutal para a banda com um valor inestimável e que mostra bem que estas pessoas são acessíveis e que o que fazem, fazem-no com espírito para a música e com amor à música. A participação do Gordo vem de uma ideia estabelecida há algum tempo, o Johnnie já tinha amizade com ele e as coisas foram combinadas com tempo. O Gordo sempre mostrou muita empatia á banda e sempre nos deu uma força lá no Brasil, ele curte do som e daí até ele aceitar em participar foi um pequeno passo. O Dean teve um contacto directo connosco quando tocamos em Mangualde, com eles e os Driller Killer. Ficou possesso com a nossa actuação e com o nosso som, desde aí que mantivemos contacto, por isso as coisas também correram naturalmente no sentido de ele berrar para uma música nossa. O que só vem mostrar o espírito dentro deste tipo de som, não há posers, snobismos, nem elitismos, ninguém é superior a ninguém. A união, a colaboração, o espírito punk está todo cá!!!
Em termos líricos, do que trata «Evolution?» ?. A crítica político social que sempre vos caracterizou continua acesa neste disco?
Nem fazia sentido se fosse de outra forma. A chama sobre assuntos socio-políticos estará e sempre esteve acesa nas nossas músicas, mas uma das características do crust é isso mesmo, a inspiração lirica vem da merda, do podre e do lado negro da humanidade! O titulo “evolution?”, é isso mesmo, evolução? Sim tecnologicamente há evolução, mas quanto mais evoluído tecnologicamente, o homem é, mais capacidade de destruição do meio envolvente ele tem. Daí o ponto de interrogação no titulo. O homem branco chama de primitivos aos índios norte americanos, mas a nossa capacidade evolutiva tecnológica regride-nos para uma espiritualidade inferior à dos índios. Será que a humanidade evolui em continuar com as presente agressões ao planeta e a si próprio? Olha para a capa, os fetos representam o futuro da humanidade, o feto do lado direito com o $, são os Estados Unidos, nações de armas na mão com o poder em mente, as caveiras é a morte que nos rodeia face á ganância, ás religiões, guerras, poder, dinheiro, uma evolução toda orientada por estes valores?
Contam já com uma pequena experiência em termos de concertos fora de Portugal. Faz parte dos vossos planos partirem novamente à conquista da Europa?
Europa… e resto do mundo, desde que haja possibilidades para isso. É a nossa maior vontade e desejo tocar lá fora. É complicado, seis pessoas conseguirem férias ao mesmo tempo (para não falar nas dificuldades financeiras), mas temos efectuado esforços para que as coisas aconteçam nesse sentido e se tudo correr bem, em Janeiro estaremos no Brasil numa tour. O som é tão internacional como qualquer outra banda do género. É um som que cola bem em qualquer parte do mundo, temos fans ( se é que assim se possa chamar ) por toda a Europa, EUA, América do Sul ( Brasil, México, Peru, Venezuela, Colômbia ), Japão para falar dos sítios onde temos mais feedback. Será um sonho tornado realidade tocar em todos estes sitios, pelo menos a distribuição dos nossos discos está a ser garantida por estes locais, mas tocar por lá, já é outra história!
Quanto a Portugal, podemos contar com a muita actividade ao vivo que sempre vos caracterizou?
Provavelmente já não tanto como tem sido costume até aqui, mudámos algumas directivas. Demos muitos de concertos naquela do tocar por tocar, aceitar tudo e mais alguma coisa sem olhar a condições. Neste momento dispomos de um técnico de som e de um roadie, costumamos alugar carrinha para deslocações mais distantes ou conforme o material que é necessário transportar e isso, óbviamente, acarreta custos. Acredito que a média de dois concertos por mês mude para bem menos, uma vez que estamos um pouco mais exigentes. Menos concertos com mais qualidade.
Sentem que neste momento começam a ser vistos como uma banda de culto no nosso país? Como se sentem em relação a isso? Achas que vos coloca mais responsabilidade nos ombros?
Já nos colocaram esta questão várias vezes e sinceramente ficamos sem como responder. A banda tem já algum nome, de facto, mas não sei até que ponto se pode considerar como uma banda de culto. Se realmente houvesse uma verdadeira cultura musical, inúmeros seguidores ferrenhos da banda, ser uma influência para as novas gerações e por ai fora, com o tempo essas coisas criam um certo misticismo numa banda que ao fim de algum tempo as tornam como bandas de culto. Já aconteceu malta do Brasil, bandas novas darem como influência e como referência Simbiose, também já algumas pessoas vieram a conhecer o mundo do crust por um disco nosso e coisas deste género. Lembro de ver uma foto de um punk no México com um dorsal no casaco da capa da nossa demo-tape. É provável que para alguém neste mundo fora sejamos uma banda de culto. Seria gratificante saber isso, é uma força de motivação.
Tendo em conta que acompanham o underground nacional há largos anos, de que forma têm visto a sua evolução e como encaram o actual estado das coisas? Tudo está mais fácil agora?
Está diferente ao que era, as coisas adaptam-se á realidade do presente, por exemplo a internet revolucionou muito o meio e depois os mp3 ainda mais. Há mais meios para se atingir objectivos, é realmente tudo muito mais fácil, mas também tudo mais rapidamente consumido, não ouves uma banda por muito mais tempo do que ouvias. Há mais oferta e mais procura, há muita variedade. Mas vejo uma cena em crescimento, em desenvolvimento e que há mais criatividade. Se houver persistência, trabalho, espírito de sacrifício e apoio por parte da malta, teremos bons frutos a curto prazo na nossa praça musical.
Últimas palavras…
Penso que o mais importante é as pessoas não só se queixarem, mas serem activas e criativas, aceitem o desafio e façam por elas mesmo, quanto mais não seja não deixarem-se seduzir apenas pelo conforto, mas aparecerem nos concertos, o underground só vive se as pessoas viverem o underground e não só o mainstream. Grande abraço ao OPUSKULO e muito obrigado pela iniciativa e apoio, é de valor o vosso trabalho e a vossa qualidade.
Não é nenhum exagero, também sentimos que é o melhor momento da nossa existência. Apesar de haver um distanciamento de 2/3 anos entre cada álbum, há muitos concertos e lançamentos de outra envergadura nesse período. Como elementos da banda não temos um sentimento exterior àquilo que a banda representa no meio. Parece estranho mas é verdade, não temos noção da dimensão ( grande ou pequena) do que a banda possa representar, porque temos pouco feedback das nossas acções. Tem havido maior manifestação por parte do público que nos tem feito sentir mais seguros e convincentes que realmente algo está a crescer de forma positiva e que a nossa música atinge objectivos mais elevados que há alguns anos.
Mesmo apesar de todas alterações de line-up registadas nos últimos tempos no seio da banda isso parece não ter afectado minimamente a evolução positiva que se vinha a registar de álbum para álbum. Julgo que isto revela uma enorme coesão e determinação…
Mesmo depois das enormes dificuldades e pressões que sentimos após algumas alterações de line up a banda não vacilou e conseguiu manter-se “ por cima das ondas “, pois foi precisamente isso aconteceu em vésperas de uma tour na europa e logo a seguir houve mais alterações em vésperas de gravar o novo álbum.
Neste momento a coesão expande-se aos seis elementos, parece haver harmonia entre todos e essa paz é muito importante para fazer o que queremos, uma vez que os seis remam para o mesmo lado. A determinação vem muito do amor á camisola, seja problemas internos, seja adversidades externas, estamos sempre com vontade de elevar a bandeira do nosso crust o mais alto possível. Há muito espírito de sacrifício, nem tudo é um mar de rosas, tivemos durante anos problemas internos, mas penso que houve sempre maturidade para sentar-mos á mesa e falar sobre o que nos atormenta. Nos dias de hoje encontrámos a vitalidade necessária para chegar-mos ainda mais longe.
Esta é uma formação para dar alguma estabilidade aos Simbiose ou contam com mais alterações até um próximo disco?
Esta é sem dúvida a estabilidade que procurávamos e isso depende de não haver constantes alterações de formação. Por nós, nos próximos 20 discos não haverá alterações.
Associaram-se agora à Major Label Industries. O que vos levou a tomar essa decisão? Acham que esta editora vos poderá criar condições para uma maior divulgação da banda?
Na altura do ‘Bounded..’ já tínhamos a ideia de procurar outra editora, não que tivéssemos insatisfeitos com a Anti-Corpos, muito pelo contrário, mas entre várias razões, queríamos sair mais da casca, ter outra projecção, ter outra força motivadora e queríamos tirar o estigma de que Simbiose e Anti-Corpos eram a mesma entidade ( nunca o foi ). Com a MLI o nosso sonho realiza-se, a projecção e divulgação está muito mais á frente do que alguma vez imaginávamos. Estamos numa satisfação enorme com a atitude da editora perante a banda, deram-nos total liberdade e apoio para fazer as coisas ao nosso gosto, desde o inicio acreditaram totalmente nas nossas capacidades e nas nossas ideias. A simbiose é perfeita!
Recorreram ao João Pedro Sarrufo e aos Crossover Studios, uma referência a nível nacional neste tipo de sonoridade. Não sentem a necessidade de procurar um estúdio ou um produtor estrangeiro?
Era excelente passar por essa experiência, sem dúvida. Mas os estúdios Crossover desde a última vez que estivemos em gravação melhoraram o equipamento, o Sarrufo evoluiu como produtor e não vimos necessidade de procurar no estrangeiro algo que temos já aqui ao virar da esquina. Jogámos em casa com um “know how” adquirido em experiência anterior e o resultado é nitidamente notório!
Acho que mais que uma necessidade, existe uma curiosidade de experimentar um estudio e um produtor noutro país, de preferência familiarizado com este tipo de som… veremos o que o futuro nos reserva.
Contam com a participação do João Gordo e do Dean Jones. Imagino que tenha sido como que um realizar de um sonho? Como chegaram a estas ilustres colaborações?
É mais que realizar um sonho, nem tenho palavras para este privilégio. Em ’89 conheci o “Holocaust in Your Head” e desde então a minha vida nunca mais foi a mesma, se Simbiose tem dois vocais é principalmente por culpa dos ENT, o Dean é para mim um icon na cena crust, é uma felicidade enorme tê-lo a cantar numa malha nossa! O mesmo se pode dizer em relação aos RDP, todos nós ouvíamos RDP quando éramos putos. São bandas que marcaram enormemente a puberdade de qualquer um de nós e ter o Gordo e o Dean no nosso álbum é realmente um feito brutal para a banda com um valor inestimável e que mostra bem que estas pessoas são acessíveis e que o que fazem, fazem-no com espírito para a música e com amor à música. A participação do Gordo vem de uma ideia estabelecida há algum tempo, o Johnnie já tinha amizade com ele e as coisas foram combinadas com tempo. O Gordo sempre mostrou muita empatia á banda e sempre nos deu uma força lá no Brasil, ele curte do som e daí até ele aceitar em participar foi um pequeno passo. O Dean teve um contacto directo connosco quando tocamos em Mangualde, com eles e os Driller Killer. Ficou possesso com a nossa actuação e com o nosso som, desde aí que mantivemos contacto, por isso as coisas também correram naturalmente no sentido de ele berrar para uma música nossa. O que só vem mostrar o espírito dentro deste tipo de som, não há posers, snobismos, nem elitismos, ninguém é superior a ninguém. A união, a colaboração, o espírito punk está todo cá!!!
Em termos líricos, do que trata «Evolution?» ?. A crítica político social que sempre vos caracterizou continua acesa neste disco?
Nem fazia sentido se fosse de outra forma. A chama sobre assuntos socio-políticos estará e sempre esteve acesa nas nossas músicas, mas uma das características do crust é isso mesmo, a inspiração lirica vem da merda, do podre e do lado negro da humanidade! O titulo “evolution?”, é isso mesmo, evolução? Sim tecnologicamente há evolução, mas quanto mais evoluído tecnologicamente, o homem é, mais capacidade de destruição do meio envolvente ele tem. Daí o ponto de interrogação no titulo. O homem branco chama de primitivos aos índios norte americanos, mas a nossa capacidade evolutiva tecnológica regride-nos para uma espiritualidade inferior à dos índios. Será que a humanidade evolui em continuar com as presente agressões ao planeta e a si próprio? Olha para a capa, os fetos representam o futuro da humanidade, o feto do lado direito com o $, são os Estados Unidos, nações de armas na mão com o poder em mente, as caveiras é a morte que nos rodeia face á ganância, ás religiões, guerras, poder, dinheiro, uma evolução toda orientada por estes valores?
Contam já com uma pequena experiência em termos de concertos fora de Portugal. Faz parte dos vossos planos partirem novamente à conquista da Europa?
Europa… e resto do mundo, desde que haja possibilidades para isso. É a nossa maior vontade e desejo tocar lá fora. É complicado, seis pessoas conseguirem férias ao mesmo tempo (para não falar nas dificuldades financeiras), mas temos efectuado esforços para que as coisas aconteçam nesse sentido e se tudo correr bem, em Janeiro estaremos no Brasil numa tour. O som é tão internacional como qualquer outra banda do género. É um som que cola bem em qualquer parte do mundo, temos fans ( se é que assim se possa chamar ) por toda a Europa, EUA, América do Sul ( Brasil, México, Peru, Venezuela, Colômbia ), Japão para falar dos sítios onde temos mais feedback. Será um sonho tornado realidade tocar em todos estes sitios, pelo menos a distribuição dos nossos discos está a ser garantida por estes locais, mas tocar por lá, já é outra história!
Quanto a Portugal, podemos contar com a muita actividade ao vivo que sempre vos caracterizou?
Provavelmente já não tanto como tem sido costume até aqui, mudámos algumas directivas. Demos muitos de concertos naquela do tocar por tocar, aceitar tudo e mais alguma coisa sem olhar a condições. Neste momento dispomos de um técnico de som e de um roadie, costumamos alugar carrinha para deslocações mais distantes ou conforme o material que é necessário transportar e isso, óbviamente, acarreta custos. Acredito que a média de dois concertos por mês mude para bem menos, uma vez que estamos um pouco mais exigentes. Menos concertos com mais qualidade.
Sentem que neste momento começam a ser vistos como uma banda de culto no nosso país? Como se sentem em relação a isso? Achas que vos coloca mais responsabilidade nos ombros?
Já nos colocaram esta questão várias vezes e sinceramente ficamos sem como responder. A banda tem já algum nome, de facto, mas não sei até que ponto se pode considerar como uma banda de culto. Se realmente houvesse uma verdadeira cultura musical, inúmeros seguidores ferrenhos da banda, ser uma influência para as novas gerações e por ai fora, com o tempo essas coisas criam um certo misticismo numa banda que ao fim de algum tempo as tornam como bandas de culto. Já aconteceu malta do Brasil, bandas novas darem como influência e como referência Simbiose, também já algumas pessoas vieram a conhecer o mundo do crust por um disco nosso e coisas deste género. Lembro de ver uma foto de um punk no México com um dorsal no casaco da capa da nossa demo-tape. É provável que para alguém neste mundo fora sejamos uma banda de culto. Seria gratificante saber isso, é uma força de motivação.
Tendo em conta que acompanham o underground nacional há largos anos, de que forma têm visto a sua evolução e como encaram o actual estado das coisas? Tudo está mais fácil agora?
Está diferente ao que era, as coisas adaptam-se á realidade do presente, por exemplo a internet revolucionou muito o meio e depois os mp3 ainda mais. Há mais meios para se atingir objectivos, é realmente tudo muito mais fácil, mas também tudo mais rapidamente consumido, não ouves uma banda por muito mais tempo do que ouvias. Há mais oferta e mais procura, há muita variedade. Mas vejo uma cena em crescimento, em desenvolvimento e que há mais criatividade. Se houver persistência, trabalho, espírito de sacrifício e apoio por parte da malta, teremos bons frutos a curto prazo na nossa praça musical.
Últimas palavras…
Penso que o mais importante é as pessoas não só se queixarem, mas serem activas e criativas, aceitem o desafio e façam por elas mesmo, quanto mais não seja não deixarem-se seduzir apenas pelo conforto, mas aparecerem nos concertos, o underground só vive se as pessoas viverem o underground e não só o mainstream. Grande abraço ao OPUSKULO e muito obrigado pela iniciativa e apoio, é de valor o vosso trabalho e a vossa qualidade.
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