terça-feira, dezembro 27, 2005

Em entrevista...THE SYMPHONYX

Persistência e amor à causa são duas das principais características que definem esta banda vimarenense. Com uma carreira que já celebrou uma década, os The Symphonyx editam agora o seu disco de estreia, «Opus I:Limbu», um marco no que diz respeito ao Rock Gótico e sinfónico "made in Portugal" que a Opuskulo procurou descobrir...
Estão satisfeitos com o resultado final deste vosso disco de estreia? Como têm sido as reacções até à data?

The SymphOnyx – O resultado final deste disco satisfez-nos bastante, tendo em conta as condições em que foi gravado. Sem grandes recursos financeiros, tivemos de nos fazer valer de alguns conhecimentos e amigos para podermos conjugar todos os elementos necessários à concretização do trabalho. Assim sendo, este disco acabou por se tornar uma agradável surpresa, mesmo para nós. O Daniel Cardoso (Head Control System) fez um trabalho competente, conseguiu captar eficazmente toda a essência da banda. O feedback que temos obtido, embora ainda algo ténue, já nos indicia uma receptividade bastante animadora por parte de quem ouve o disco. Há um grande interesse em saber onde e quando vamos tocar, fervilha a actividade em torno do projecto, havendo desdobramentos por parte de todos, banda e editora, para que as coisas funcionem em pleno.

Após a edição de «Psicofantasia», em 1997, acreditei que rapidamente editariam um disco de estreia. No entanto foi preciso esperar 8 anos para tal acontecer. A que se deveu tanta demora? Surgiram outras oportunidades para gravar um disco ao longo desses anos ou esta foi a primeira? Sentem-se de alguma forma injustiçados por a vossa carreira não ter tomado um outro rumo?

T. S. – Pode dizer-se que a nossa carreira está ainda no início, mesmo existindo há dez anos. Foram anos de muito sacrifício em que nos dedicamos, essencialmente, a construir património, fazendo trabalhos paralelos que nos rendiam mais do que propriamente tocar ao vivo e gravar discos. Nesta fase, temos uma maior consistência e os objectivos estão mais definidos e ao nosso alcance. Queremos, doravante, dar continuidade a este primeiro passo que é o “OPUS 1: LIMBU” e já há planos para novo disco e um futuro muito prolífero. A partir de agora, vamos procurar marcar definitivamente a nossa posição no mercado.

Apesar de nas vossas composições se escutar uma panóplia de instrumentos e vozes femininas, os The SymphOnyx apresentam-se apenas com 3 elementos oficiais. É mais fácil manter o núcleo duro da banda unido e convidar outros artistas para tocarem nos vossos discos sem, no entanto, figurarem como elementos oficiais do grupo?

T. S. – Os elementos convidados surgiram num contexto de definição de objectivos para este trabalho. Concebemos as ideias tendo sempre em conta o facto de termos de os incluir em vários momentos-chave do disco, por forma a enriquecer o produto final. O núcleo duro da banda continuará a ser composto por quatro elementos (com o técnico de som Carlos Martins), mas já há uma abertura da nossa parte, pois foram já incluídos no projecto mais três elementos (guitarra – João Pinheiro, voz feminina – Carla Ricardo e baixo – Tiago Abreu), os quais já poderão constar no próximo disco. Quanto às cordas, acompanham-nos pontualmente em concertos de maior visibilidade e quando os recursos financeiros de quem nos contrata assim o justificam.

De que forma pretendem transpor as partes tocadas por artistas convidados para o formato “ao vivo”? Utilizarão gravações?

T. S. – Em muitos espectáculos, iremos contar com a colaboração de todos, embora parte deles (quarteto de cordas) sob contrato. Aí, o nosso espectáculo terá um custo adicional para cobertura dessas despesas. Em locais mais pequenos, dificilmente poderemos levar o line-up de dez elementos, sendo previsível a exclusão das cordas que serão colmatados com samples adequados, mas de qualquer forma, estamos a seleccionar com rigor os sítios onde vamos dar espectáculos, procurando criar um estatuto próprio que nos permita dar definitivamente o salto qualitativo que desejamos.

Se pudessem escolher um país onde os The SymphOnyx tivessem nascido e vos garantisse um maior sucesso, qual escolheriam? Consideram que o mercado e a indústria musical portuguesa são, de facto, um entrave a um maior reconhecimento de bandas com valor que temos no nosso país?

T. S. – Embora o nosso estilo musical se encaixe mais nos países nórdicos, acreditamos que o mercado americano tenha os condimentos certos para levar mais longe o nosso trabalho. A Alemanha também seria interessante. De qualquer forma, já há resultados claros de uma primeira internacionalização do projecto, pois já temos assegurada a edição russa do disco e estamos em negociações com a Grécia. Portugal é um país pequeno e difícil, mas queremos também marcar pontos cá, para depois abordarmos melhor a perspectiva de exportação.

Os The SymphOnyx apresentam-se num contexto relativamente isolado no panorama musical português. Nem são Metal, nem são Rock, nem são Gótico…como definirias o vosso som? Achas que o facto de não existirem outras bandas dentro do vosso estilo vos dificultará a vida em termos de presença em cartazes de concertos, entre outras actividades?

T. S. – Existe actualmente uma maior abertura do mercado para géneros fusionados como o nosso. Abriu-se uma porta com o surgimento de projectos como Nightwish, Within Temptation ou mesmo Evanescence. Não pretendemos, de forma alguma, colar-nos a estes nomes, mas é inegável que, em termos de abordagem sonora, a mescla de influências traz-nos vantagens. Também não acreditamos que a música possa ser o resultado de um rótulo, pois antes disso, e acima de tudo, é música. De uma forma global, há uma maior aceitação de fusões de géneros, o que nos vem beneficiar. Pode ser que, de agora em diante, se concretize o nosso objectivo de inclusão em cartazes de festivais e outros concertos alvos de uma maior cobertura.

Sendo os elementos dos The SymphOnyx de uma faixa etária elevada comparativamente à maioria das bandas que edita discos de estreia actualmente, ainda sentem o entusiasmo e alimentam a ilusão que um jovem de 19 ou 20 anos sente quando vê o seu primeiro disco editado ou dá os seus primeiros concertos? A vossa relação com a música passa apenas como um “hobbie” ou ambicionam algo mais?

T. S. – A música não tem idade e o entusiasmo continua a ser o mesmo, apesar do tempo não perdoar. Temos, no entanto, a vantagem de perceber melhor esta indústria e como tudo funciona. O patamar de exigência já subiu mais um degrau, e temos o direito e o dever de exigir mais de nós próprios e do mercado que nos acolhe. Podemos confirmar uma crescente paixão em torno do nosso trabalho, quer da parte de quem nos apoia, quer da comunicação social que nos vai dando alguma atenção, o que nos deixa extremamente satisfeitos.

O que têm planeado em termos de actividades de promoção a este disco a curto/médio prazo?

T. S. – No imediato, há actividade prevista para Janeiro e Fevereiro, com um concerto a 14 do primeiro mês do ano e a 4 do segundo. Esta última data servirá de concerto de lançamento, a acontecer em Guimarães, no Teatro Oficina, e será recheada de surpresas. Estamos ainda a fazer a nossa agenda de espectáculos, mas há previsões para um ano de 2006 bastante preenchido, com os The SymphOnyx a regressarem em pleno à actividade.

Palavras finais…

T. S. – Um óptimo ano de 2006 a todos os leitores da opuskulo e acreditem na boa música portuguesa, pois ela anda aí. É só abrir a porta do limbo…

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Em entrevista...THE FIRSTBORN


«The Unclenching of Fists» marca o regresso dos The Firstborn às edições discográficas e é já um disco emblemático do ano 2005 e do últimos anos do Metal nacional. A Opuskulo falou com o vocalista, e principal mentor do projecto, Bruno Fernandes no sentido de desvendar os segredos deste novo disco e de uma banda que, cada vez mais, parece ter nascido no país errado...
Os The Firstborn dispensam apresentações…sendo assim começo logo por te perguntar como têm sido as reacções a este “The Unclenching of Fists” tanto por cá como lá fora ?

As reacções têm sido, geralmente, muito boas... exceptuando um ou outro caso, pontual, em que me pareceu que a pessoa nem ouviu o disco uma vez. Tendo em conta que não é um trabalho que se apreenda apenas com uma audição integral, dificilmente se poderia esperar, nesses casos, uma opinião favorável ou, pelo menos, devidamente formada. Não obstante, e o que é realmente importante, creio que as pessoas que compraram um exemplar do álbum não se arrependeram de o fazer... e prezo mais essas opiniões do que as de qualquer “jornalista” que recebe 90 promos por dia.

Pessoalmente parece-me que este novo disco está um pouco à frente no seu tempo e talvez não seja devidamente apreciado actualmente. Concordas ?

Sim, essa era uma ideia que eu tinha antes da sua edição, mas as opiniões têm sido tão favoráveis que, sinceramente, já não tenho tanta certeza de que assim seja. No entanto, o passar dos anos o dirá... seria gratificante deparar-me com pessoas a “descobrirem” o “The Unclenching of Fists” daqui a dois ou três anos, ou até mais. Tendo em conta a minha opinião pessoal de que toda a grande música é verdadeiramente intemporal, nada me satisfaria mais...

Os The Firstborn, apesar de se enquadrarem no espectro Black Metal, são muito mais do que isso. Fala-me um pouco como decorre esta simbiose de influências que congregam nas vossas composições ? Em que se influenciam?

Basicamente, em tudo. Eu e o Paulo (guitarrista) compusemos este trabalho na sua quase totalidade, pelo que seremos os “culpados” pela sua orientação... o Paulo tem influências maioritariamente “old-school”, principalmente Thrash e Speed Metal antigo, bem como algum Death e Black Metal. Eu comungo das mesmas influências, juntando a isso um maior acompanhamento do que se vai produzindo, e um gosto crescente por World Music, que incorporei na nossa sonoridade. Assim, e resumindo, esta amálgama de influências moldou-se ao conceito que elaborámos para “The Unclenching of Fists”, sendo que procurámos “ilustrar” musicalmente os diversos momentos descritos nas letras, que incluem uma vastíssima gama de emoções e conduziram, portanto, a uma igualmente vasta gama de sonoridades.

A nível lírico parece-me que trilham caminhos igualmente originais e distintos da maioria das bandas de Metal extremo. Queres falar-me um pouco do conceito que está por detrás da música dos The Firstborn ?

Actualmente, e após um período de experimentação e indefinição (caso do disco anterior, “From The Past...”), abordámos o universo cultural oriental, particularmente a sua vertente filosófica e religiosa, numa das suas mais místicas vertentes, o Budismo Tântrico. O que inicialmente surgira como uma preocupação estética em adoptar novas sonoridades e misturá-las com a nossa própria música, desenvolveu-se numa necessidade de aprofundar e estudar todo este “mundo”, o que se reflecte no conteúdo lírico de “The Unclenching of Fists”. Não obstante, esta abordagem foi ainda algo superficial, limitando-se ao “Livro dos Mortos” tibetano, que embora constitua uma obra axiomática desta expressão religiosa, é apenas uma pequena parte do que pretendo explorar, doravante.

Após a edição de «From the Past Yet to Come» os The Firstborn desapareceram e muitos acreditaram que tinham cessado funções (eu inclusive). O que originou essa pausa de vários anos ? A banda esteve realmente parada ou em risco de cessar funções ?

Creio que ao ouvir o “The Unclenching of Fists” se percebe facilmente que não foi um trabalho elaborado em um par de meses... estivemos parados cerca de um ano, e mesmo nesse período trabalhávamos, individualmente, em ideias para este álbum. Depois seguiram-se 3 anos de composição e mais um de gravação, foi um processo muito moroso dado envolver muita experimentação e o “desbravar” de territórios aos quais não estávamos minimamente habituados (e, em alguns casos, para os quais não estávamos preparados). Creio que nunca se pôs verdadeiramente em causa a continuidade do projecto, embora a vertente “live-band” tenha sido, efectivamente, posta de parte durante bastante tempo... e pode ser que o volte a ser, dada a miserável situação em que o panorama de concertos se encontra.

Quanto à vossa editora, optaram por firmar acordo com uma jovem editora nacional. Foi a única opção que tiveram ou foi a que acharam melhor ? Porquê a escolha ? Ambicionam já num próximo disco dar o salto para uma editora de maiores dimensões ?

Foi a única opção, até porque depois do interesse da ProCon não voltámos sequer a ponderar procurar editora para este disco... além de assim lidar com pessoas que conheço há largos anos e em quem confio plenamente, creio que o trabalho por eles desenvolvido na Equilibrium Music fala por si. Os primeiros passos da ProCon são, obviamente, pequenos e ponderados, mas com perseverança, vejo nesta o potencial para se desenvolver e crescer, tendo a qualidade de cada lançamento como base de trabalho, ao contrário do que sucede com muitas editoras que procuram apenas o lucro fácil e imediato.

Ao longo de todos estes anos de luta nos meandros do underground nacional, como tens visto a sua evolução ? Achas que actualmente vivemos num clima bem mais favorável para as bandas portuguesas do que aquele que se vivia na altura em que editaram o vosso primeiro disco ? Que época preferes, o presente ou passado ?

São tempos diferentes... não gosto de me rever no papel do “veterano moralista”, pelo que me abstenho de grandes comparações. Hoje em dia existem, obviamente, facilidades que não existiam há uma década, como existirão outras tantas daqui a uns anos... essas facilidades são extremamente positivas pois permitem melhor divulgar os bons projectos, mas simultaneamente permitem inundar o mercado com uma tal quantidade de lançamentos de qualidade medíocre que muitas vezes esses mesmo “bons projectos” passam completamente despercebidos. Ainda assim, vejo muito mais qualidade geral no que se vai fazendo, maior profissionalismo nos aspectos sonoros e gráficos... mas, por vezes, perde-se um pouco a originalidade que em tempos caracterizava as bandas portuguesas. É muito ingrato comparar o passado e o presente, prefiro pensar no porvir.

Consideras que o facto de Portugal ser um país periférico a nível europeu continua a funcionar como uma “handicap” à evolução das suas bandas ?

Já o foi mais, como aliás a crescente quantidade de bandas underground de todo o mundo que por cá tocam parece provar... ainda assim, falta às bandas portuguesas a capacidade de se mostrarem nos palcos europeus, excepção feita a casos como os Lux Ferre, Necrose e GoldenPyre, que se vão regularmente aventurando por essa Europa fora. Essa exposição poderia conduzir a propostas mais interessantes de distribuição, e a uma maior exposição e interesse da imprensa e do público... mas são riscos muito grandes, e exigem bastante da vida pessoal e profissional de cada músico, pelo que é um pouco complicado à maioria dos projectos dar esse passo em frente.

A título de curiosidade, e uma vez que estamos no final de mais um ano, indica-me os 3 discos que merecem um maior destaque a nível internacional e 3 a nível nacional editado durante o corrente ano ?

- Primordial – “The Gathering Wilderness”
- Gojira – “From Sirius to Mars”
- Code – “Nouveau Gloaming”
- Filii Nigrantium Infernalium – “Fellatrix Discordia Pantokrator”
- Storm Legion - "The Eye Of The Prophet"
- Corpus Christii – “The Torment Continues”

Por onde passam os vossos planos a curto/médio prazo ?

Essencialmente, por gravar o próximo disco, em que já estamos a trabalhar, e conseguir editá-lo... isto se a “indústria discográfica” sobreviver até então! Depois disso, e se se proporcionar algo de interessante nesse sentido, tocar finalmente umas quantas datas pela Europa... pelo menos.

Últimas palavras…

Obrigado pelo contínuo interesse demonstrado neste projecto, ao longo de todos estes anos... espero que ambos prossigam por outros tantos. Aos eventuais leitores, espreitem o nosso site –
www.thefirstborn.net - ou o nosso perfil no MySpace (sim, toda a gente tem um...) – www.myspace.com/unclenchedfists - e oiçam os samples em mp3, caso ainda não o tenham feito.

“As trees bear fruit, may these words bear the fruit of a good karma.”
Entrevista por: Ricardo Agostinho

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Em entrevista...GRIMLET


Apresenta-nos os Grimlet… Quem são? Quando apareceram? Quais os vossos planos para mudar o Mundo…?

A génese de Grimlet dá-se em 1999,quando Nazgul (Voz), Alex (Teclados) e Jordão (Guitarra), ex-membros da banda Sacrum, decidem pôr em prática algumas ideias que tinham relativamente a um metal mais extremo.Recrutam Nero (Baixo), um amigo de longa data, algum tempo depois junta-se ao projecto Gorth, ex-membro da banda Milraz e, três anos mais tarde, após dissolução da banda Nonsense-Package, Luís (Bateria) completa assim a formação de Grimlet. Após muito trabalho de composição e ensaios, Grimlet dá os primeiros concertos e ganha assim consistência e coesão em termos de banda.Em Outubro de 2003, iniciam-se as gravações de “Darkness Shrouds The Hidden”, nos Estúdios EchoSystem, em Barcelos, com o Produtor Rui Santos (Oratory). Após um intenso período de gravação e produção, e trabalhoso período de produção gráfica e licenciamento, o CD é finalmente editado pela própria banda e também apresentado, ao vivo, na final do “RockMusic Metal-Challenge”, no palco do Hard-Club, em Vila Nova de Gaia, em Setembro de 2004. A apresentação oficial do CD foi feita em Setembro deste ano, com um excelente concerto e grande festa no Nyktos Bar, na Figueira da Foz. Quanto a planos para mudar o mundo, não somos pretensiosos, mas gostávamos que pelo menos o “mundo” do metal tivesse mais visibilidade, atenção e divulgação no meio musical nacional.

Como têm sido as reacções a este vosso primeiro EP a nível nacional e internacional?

As reacções da crítica têm excedido as nossas expectativas. Isto quer sejam em relação ao CD, quer em relação às actuações da banda ao vivo. Algumas reviews de “Darkness Shrouds The Hidden”, foram já publicadas e podem ser lidas nos sites da Metal-March e no vosso blog Opuskulo( www.metal-march.com e www.opuskulo.blogspot.com ). À presente data aguardamos ainda mais publicações. Relativamente às actuações da banda ao vivo, tivemos boas críticas por parte das revistas LOUD, RocKSound e alguns sites de metal também. Fomos também contactados por uma editora francesa, à qual muito agradou o nosso trabalho, mas não foi possível chegar a um acordo que agradasse a ambas as partes. Estamos neste momento a efectuar contactos para um contrato de edição/distribuição, para que o nosso trabalho possa chegar a todo o público.

Porquê da edição deste EP num formato totalmente profissional? Acham que esse poderá ser um factor que vos confira vantagem na aproximação a editoras em relação a outras bandas que optam por edições mais “caseiras”? Uma edição profissional não será um risco financeiro demasiado grande para uma banda que dá os seus primeiros passos?

Embora seja, obviamente, um risco optar por uma edição totalmente profissional, esse profissionalismo e “a vontade de fazer bem e diferente” fazem parte da filosofia da própria banda e não o teríamos feito de outra forma. E além da experiência acumulada ao longo destes anos, já tivemos provas (contactos de editoras nacionais e internacionais, entre outras reacções) que esse profissionalismo confere efectivamente alguma vantagem ao nosso trabalho, embora continue a ser difícil, na hora de chegar a um acordo, todo esse profissionalismo e empenhamento ser verdadeiramente valorizado.Risco financeiro? Claro que sim, mas quando tens objectivos que passam por mostrares o teu valor e fazeres aquilo que mais gostas, o dinheiro não tem assim tanta importância.

Os Grimlet são oriundos da Figueira da Foz, uma região, a juntar à de Coimbra, pouco produtivas em termos de bandas de Metal. A que se deve esse facto? Não acredito que não haja fãs de Metal por aí. Mas sentem falta de apoio para a formação e viabilidade de uma banda?

Não é certamente pela falta de fãs de Metal porque somos muitos, e não achamos que sejam assim tão pouco produtivas, mas o que existe, efectivamente, é muita falta de apoio ao metal no distrito de Coimbra, passando pela dificuldade em encontrar salas de ensaio, e toda a logística inerente à promoção e divulgação do Metal mas sobretudo, bares ou outros sítios onde possas fazer concertos e mostrar o teu trabalho, o que torna tudo bastante mais complicado. Por outro lado, e isto não é só nesta região, entre as bandas continua a ser privilegiado o factor “competição” em detrimento do factor UNIÃO, e neste país e na música em particular, “a união faz a força”.

Em termos de concertos tenho tido alguma dificuldade em encontrar cartazes nos quais os Grimlet estejam presentes! Sentem dificuldades em conseguir actuações?

Sim. Além da dificuldade em articular a disponibilidade de todos os membros, pois não somos (ainda) uma banda profissional e todos os membros têm vidas pessoais atribuladas, fomos forçados a substituir (por motivos pessoais e por tempo indeterminado) um dos guitarristas (Jordão), pelo guitarrista Rui TodoBom, o que nos obrigou, inevitavelmente, a despender muito tempo de ensaios e preparação para essas actuações. Por um lado temos dificuldades em conseguir actuações na zona centro, porque os sítios que existem ou já lá tocámos ou vamos tocar brevemente, como é o caso do NyKtos Bar na Figueira da Foz onde estivemos em Setembro deste ano a apresentar oficialmente o CD, Via Latina em Coimbra (data ainda a confirmar) e Ar de Rock Caffé em Porto de Mós (4 de Março de 2006). Com o encerramento do Le SoN (Coimbra) perdeu-se uma óptima sala de concertos, que começava a crescer e a ganhar visibilidade a nível nacional, onde todos os fins-de-semana tinhas bandas nacionais a tocar ao vivo e onde o Metal tinha também um espaço privilegiado. Por outro lado e pelos motivos acima referidos, o “ataque promocional” só agora foi lançado e à presente data aguardamos ainda respostas a contactos feitos nesse sentido.

Pela organização dos temas e pelo título de alguns parece-me que o vosso trabalho adopta um conteúdo lírico conceptual. Estou correcto? Do que trata exactamente?

Achamos sempre muito mais interessante cada ouvinte retirar das letras e da música o seu próprio conceito ou interpretação, mas por detrás das letras de todas as músicas de Grimlet existe um elemento comum: a luta incessante entre o Bem e o Mal, sendo que no nosso caso, o Mal prevalece sempre. Em “Darkness Shrouds The Hidden”, podemos dizer que tudo foi composto para que fosse criado o ambiente/conceito profundamente oculto e sinistro, específico para cada música e, por fim, ao trabalho como um todo a nível lírico e musical.

Quanto a futuras edições, há já alguma coisa em vista ou a ser preparada? Será novamente por vossa conta e risco?

Sobre isso, o que podemos avançar é que estamos, simultaneamente, a compor e a apresentar ao vivo, a par com “Darkness Shrouds The Hidden”, material novo, que poderá, futuramente, fazer parte de um novo trabalho desta vez num formato longa duração e, se possível, não por nossa conta e risco novamente, o que também não quer dizer que não volte a acontecer. Se bem que, a curto prazo, os objectivos são a promoção do CD ao vivo, o lançamento do site oficial da banda, um contrato de edição e distribuição e a aposta numa componente ao vivo cada vez mais extrema e profissional.

Últimas palavras…

Gostaríamos de aproveitar para dizer que o CD pode ser adquirido on-line, fazendo as vossas encomendas directamente para o nosso e-mail
grimlet@sapo.pt, através do site (provisório) da banda http://artists.iuma.com/IUMA/Bands/Grimlet, através da loja Clave de Sol http://clavedesol.produtor.com e ainda nas principais lojas de metal de Coimbra (D’Artemusica) e Figueira da Foz. Agradecemos a oportunidade que nos deste de dar esta entrevista e as palavras finais vão para todos os que de alguma forma nos apoiaram ao longo destes anos (Rui Santos @ EchoSystem Studio, pessoal de Barcelos, Coimbra e Figueira da Foz, bandas que connosco partilharam o palco) e todos os que nos continuam a apoiar...Keep The Metal Flame Burning… GriM On!!!

segunda-feira, outubro 31, 2005

Entrevista Pitch Black

Terei de começar por vos perguntar como estão a ser as reacções a «Thrash Killing Machine» ? Têm uma ideia de quantas unidades já venderam ?

As reacções estão a correr muito bem. Tendo em conta que é o primeiro álbum, tanto quem o compra como quem o divulga nos órgãos de comunicação tem gostado. As críticas têm sido muito positivas. Não tenho um número fixo de quantos já terão sido vendidos mas anda à volta dos 500.

Em relação ao estrangeiro, o disco está a ser distribuído lá fora? Quais as principais reacções que vos têm chegado e de que países?

O disco está a ser distribuído lá fora mas, para já, apenas em distribuidoras e lojas online. Temos o disco à venda no Rock Detector (www.rockdetector.com), entre outros. Do estrangeiro, o maior e melhor feedback que temos tido é de países como os EUA, Inglaterra, Grécia, Brasil, Finlândia e Polónia.

Optam por se manterem fiéis ao Thrash Metal, estilo que abordam desde os tempos Whithering, embora com ligeiras variações. Dá ideia que acima de tudo fazem música para agradar a vós próprios, certo? Seriam capaz de ceder musicalmente a um outro capricho para que um disco tivesse uma outra aceitação por parte do público e dos media?

Só se fosse ao Nu-Metal! Hehe estou a brincar! Claro que não! É isto que gostamos de fazer e é com isto que nos sentimos bem. Temos uma mensagem a transmitir e queremos chegar ao maior número de pessoas possível mas é a fazer o que queremos. Queremos que todos saibam que o Thrash Metal não morreu, que vai continuar e nunca se vai extinguir.
Vale a pena acreditar que existe um movimento underground forte e organizado em Portugal ou essa ideia não passa de uma ilusão ? Julgo que os Pitch Black ainda são das bandas que procuram mais afincadamente conservar esse espírito activo…

Forte e organizado? Não me parece! Aliás, aí está uma qualidade cada vez mais rara. Ou são bandas que não tocam com determinadas bandas, ou em determinados locais ou em determinados eventos. Há um egoísmo patente na mentalidade Underground que não existia com tanta abundância como agora. Isto transmite-se para o público e começam a haver pessoas só a apoiar certas bandas e certos eventos. Há uns anos atrás qualquer fan de Metal ía ver um concerto dos Helloween. Agora, tens uns que vão ver Deicide mas já não lhes agrada ir ao dos Annihilator. Isto não acontecia antes. A mim, vêm-me num concerto de Hard Rock e a seguir num de Grind. Hoje em dia, e para resumir, é tudo muito selectivo e não entendo porquê. Acho que se aprendeu a desvalorizar certos estilos e certas bandas de Metal. É mais que evidente que também tem a ver com gostos pessoais. Agora, como esses gostos se alteraram de uma maneira tão radical e selectiva ao longo dos anos, é que já não consigo explicar.

Se pudesses mudar 3 coisas em termos musicais no nosso país quais escolherias?

As mentalidades, as rádios e as editoras multinacionais.

E em termos gerais, o que mudarias?

Trocava todos (sem excepção) os políticos que temos, por outros mais honestos, mais trabalhadores e mais interessados em melhorar determinados problemas no País (será que existem)? Algumas leis burocráticas dos órgãos do Estado Português feitas para nos levar dinheiro por tudo e por nada. Para os ricos, isso é pouco, mas para os pobres é dinheiro que faz falta para comprar comida. Mudava algumas mentalidades ignorantes de pessoas que já não têm muito dinheiro, mas que tendem em gastá-lo (o pouco que já têm) em prol de um bom telemóvel, um bom carro e umas boas calças de marca, como se isso fosse torná-las pessoas melhores, quando o que realmente conta para elas é a aparência. Mudava o conceito de rádio e televisão em Portugal, pois parece-me que os significados das expressões “cultura” e “entretenimento” estão completamente distorcidos na sociedade em que vivemos.

Quanto a planos a curto/médio prazo, o que podemos esperar dos Pitch Black ?

Os concertos da tour “Thrash Metal Dominion” acabaram. Começaram em Março e acabaram em Setembro. Estamos a trabalhar em material novo e há a hipótese de entrarmos de novo em estúdio para gravarmos 2 ou 3 temas para enviarmos de novo para as editoras. Entretanto, temos uma ou outra surpresa reservada para o ano que vem.

Últimas palavras…

Obrigado Ricardo pela oportunidade e pelo interesse e apoio que sempre nos deste. Keep Thrashing!!!

sexta-feira, outubro 07, 2005

Entrevista Process of Guilt


Após uma surpreendente estreia com «Portraits of Regret» voltam a surpreender ainda mais com «Demising Grace». De onde vem tanta inspiração e sensibilidade para criar obras tão interessantes ?

Antes de mais muito obrigado pelo teu apoio e pela tua opinião em relação à nossa música, no entanto, para nós, o acto da sua criação representa o culminar das nossas intenções enquanto grupo de indivíduos que se reúne para criar algo que corresponda ao conceito geral que temos acerca do que é a musicalidade de Process of Guilt. No que respeita à inspiração para a criação da nossa música ela é apenas uma extensão das nossas existências enquanto indivíduos, dos pensamentos e acontecimentos que nos rodeiam no universo do nosso quotidiano.
Sei que receberam reacções bastante positivas vindas do estrangeiro à vossa estreia, certo ? Em relação a «Demising Grace», já começam a chegar reacções ?

De facto Portraits of Regret excedeu de longe as nossas melhores expectativas no que respeita a reacções tanto do estrangeiro como do nosso país, principalmente ao nível de sites e fanzines relacionados com estas sonoridades. Websites como o
www.metalobserver.com, www.chroniclesofchaos.com, ou o www.doom-metal.com, efectuaram críticas ao nosso primeiro lançamento que nos deixaram no mínimo lisonjeados, Portraits of Regret acabou ainda por ser a demo of the issue no último número da Ancient Ceremonies. As reacções a Demising Grace começam agora a surgir e posso assegurar que ultrapassam em muito aquilo que esperávamos uma vez que ouve toda uma questão de atrasos da nossa parte em relação à promoção e divulgação deste registo. No entanto as reacções surgiram e em websites como www.blooddawn.de, www.21stcenturymetal.net, www.vampire-magazine.com, ou mesmo nos sites já referidos para Portraits of Regret, as críticas são de facto muito enaltecedoras em relação ao nosso trabalho, o que obviamente nos deixa muito satisfeitos e auspiciosos em relação ao nosso futuro.
Quanto ao nosso país, como estão a correr as coisas em termos de divulgação e comentários ao disco ? Achas que o facto de serem de uma região do país afastada dos principais centros urbanos afecta de alguma forma a vossa progressão ou consideras que isso até poderá funcionar como um atractivo para que mais gente se interesse pela banda ?

Ao nível do nosso país posso dizer que de facto as reacções têm sido bastante positivas, tanto ao nível dos media mais especializados como ao nível de emails e comentários que temos recebido. O airplay que obtivemos em alguns programas nalgumas rádios de alcance nacional, de onde destacamos a Hypertensão na A3, ou de âmbito mais regional como a Estação Alternativa em Viseu, também terá viabilizado uma maior exposição da nossa sonoridade, sendo que as críticas que entretanto saíram na Loud! ou na Ancient Ceremonies também ajudaram bastante a uma maior divulgação do nosso som. Julgo que será sempre complicado afastar a nossa progressão enquanto banda da nossa localização geográfica, no entanto, é um assunto com o qual não nos preocupamos excessivamente, pelo que também não posso confirmar se este aspecto funciona ou não como um atractivo para chamar a atenção de mais gente pela banda. O nosso objectivo passa por poder desenvolver o nosso som, independentemente da nossa localização, até porque se nos distanciarmos um pouco da coisa, Portugal acaba por ser um país geograficamente pequeno para justificar qualquer género de dependência em relação a uma determinada localização geográfica .

Explica-nos um pouco o conceito Process of Guilt. Pessoalmente considero que conseguem ser extremamente inovadores no panorama Doom e criar algo mais moderno e actual do que aquilo a que estamos habituados dentro do estilo…

Process of Guilt representa a expressão daquilo que nós entendemos como sendo o resultado dos nossos sentimentos enquanto músicos, para nós, ou pelo menos falando por mim, Process of Guilt representa a nossa forma de criar algo que traduza aquilo que em certa altura é uma extensão dos nossos sentimentos, das nossas vidas, num processo criativo que expressa a nossa musicalidade. A forma como desenvolvemos estas ideias acaba por assentar preferencialmente sob uma base melancólica e de certa forma áspera porque, de algum modo, é este o caminho que sentimos ser o que melhor nos define enquanto conjunto de indivíduos que cria música. O doom/death metal é de facto uma referência para nós, principalmente no que se refere à simplicidade com que algumas linhas melódicas poderão constituir uma música, simplicidade esta que também procuramos como forma de individualização da nossa sonoridade.
Uma demo com a qualidade de «Demising Grace» certamente não poderá passar ao lado das editoras…Existem já contactos ou promessas para uma futura edição através de uma editora ? Optariam por editar por uma editora nacional ou internacional ? Alguma preferência em particular ?

Estamos agora a iniciar o processo de divulgação junto de editoras que julgamos ser mais próximas do nosso tipo de sonoridade, pelo que ainda será um pouco cedo para comentarmos algo em relação a este assunto. A única certeza que nos move é um elevado grau de optimismo em relação ao que se nos pode deparar, no entanto vamos aguardar mais um pouco e ver o que pode acontecer.

A nível de concertos sei que estabelecem uma estreita relação com os irlandeses Mourning Beloveth nas suas actuações no nosso país. Para quando os Process of Guilt a actuarem nos palcos irlandeses ou de qualquer outro país europeu ?

A relação com Mourning Beloveth ficou aquando da sua passagem por Évora na Doomination of Europe em 2003, altura em que se estabeleceu um contacto entre as duas bandas que, de facto, despoletou a vinda deles ao nosso país em Setembro deste ano. A empatia que se gerou entre as duas bandas pode gerar mais eventos do género e é bem provável que a próxima reunião entre as duas bandas seja fora de Portugal. No que respeita a outras incursões por palcos fora de Portugal, vamos esperar para ver o que acontece, pode ser que surjam algumas boas oportunidades que não iremos desperdiçar.

Só para que nos situemos em termos dos vossos gostos e influências musicais…indica-me os 3 discos que mais tens ouvido ultimamente ?
Os gostos e influências musicais variam um pouco no seio de Process of Guilt e de facto só posso falar mesmo por mim neste aspecto. As minhas preferências musicais recaem principalmente sobre o espectro death/doom metal no entanto há muitas outras sonoridades ás quais presto atenção com relativa frequência, como alguma musica de cariz mais ambiental ou alternativo. Assim sendo, os três discos (o que é pouco e complicado de destacar) que mais tenho ouvido ultimamente talvez sejam Illusion's Play dos Shape of Despair, Jesu dos Jesu e Salvation dos Cult of Luna.

Muitas das bandas que se iniciam no espectro Doom/Death Metal mais pesado e negro acabam por ir adicionando outros elementos musicais que tendem a suavizar um pouco o som dessas bandas (temos como grande exemplo os geniais Katatonia). Vês os Process of Guilt a evoluir nesse sentido ou as vossas preferências passarão pelo lado mais pesado do Doom Death ?

É um facto que muitas das bandas que se iniciaram no espectro mais pesado foram adicionando outros elementos à sua música, elementos estes não necessariamente mais suaves. Julgo que a diferença da maior parte destas bandas, como o exemplo dos Katatonia, reside no facto de optarem por uma abordagem que, apesar de ser diferente, por vezes, até se torna mais expressiva. Se esta é mais ou menos pesada julgo que será pouco relevante, uma vez que, no final de contas, a expressão é o que conta e será a capacidade de transmitir esta mesma expressão aquilo que considero ser a mais valia de um músico ou pelo menos de alguém que faz da música o veículo da sua expressão. Em relação a Process of Guilt julgo que será sempre difícil prever o que será a evolução de algo pouco tangível como a música, no entanto pelo menos nos próximos tempos a nossa abordagem continuará a recair sobre a faceta mais pesada do doom/death uma vez que julgamos ser este lado mais pesado aquele que ainda melhor continua a representar as nossas intenções no que respeita à criação musical.

O que podemos esperar dos Process of Guilt a curto/médio prazo ?

A curto/médio prazo os nossos esforços vão passar por ultimarmos novas composições de forma a entrarmos em estúdio muito em breve, previsivelmente até ao final do ano, de forma a gravarmos aquele que será o nosso primeiro registo em formato longa duração. À parte deste passo iremos também concentrarmo-nos em efectuar algumas apresentações ao vivo como será o caso no dia 13 de Janeiro no Culto Club em Cacilhas juntamente com
Before the Rain e Swallow the Sun e no dia 14 de Janeiro no Porto Rio onde o line up será o mesmo.
Últimas palavras…

Gostaria de aproveitar a oportunidade para agradecer a todos os que de uma forma ou de outra nos têm mostrado o seu apoio ao longo dos últimos tempos, quer seja através de comentários, email ou através da comparência nos nossos concertos. Para quem não nos conhece pode visitar-nos em
www.processofguilt.com, e em www.myspace.com/processofguilt, onde, entre outras informações, poderá efectuar o download das nossas músicas.
Como síntese gostaria de referir que os Process of Guilt fazem do doom/death metal a sua forma de expressão, sendo o seu propósito o de divulgar e valorizar a sua música, a nossa forma de produzir arte.

segunda-feira, junho 27, 2005

Entrevista a Fear Thy Name





1.Apresenta-nos os Fear Thy Name…
Daniel: Os FEAR THY NAME formaram-se na cidade do Porto em Novembro de 1998, após a junção de dois amigos e actuais guitarristas e compositores da banda Hugo Santos e Ivo Neves. Actualmente a banda é formada por 6 elementos: Daniel Silva na bateria, Hugo Santos e Ivo Neves nas guitarras, Ricardo Silva na voz, Ricardo Santos nos teclados e Álvaro Craveiro no baixo.
2.Após uma interessante estreia com «The Awakening» eis que aparem com outra excelente proposta. Confesso que vos esperava ver ligados a uma editora neste segundo lançamento. Porque é que tal não se concretizou?
Hugo: Essa é uma boa pergunta, mas difícil de responder. Continuamos a trabalhar para atingir os nossos objectivos entre os quais conseguir uma editora que apoie o nosso projecto. Sem esse apoio torna-se bastante complicado lançar um registo de longa duração, algo que já pensamos fazer há algum tempo. Porque essa ligação não existe... só eles saberão responder.
3.Penso que um dos vossos maiores trunfos é a simbiose de estilos musicais que incorporam nos vossos temas. Suponho que têm influências musicais muito distintas entre vós…
Hugo: Isso existe sem dúvida, música clássica, thrash, black, death... são mesmo muitas. Se por um lado é uma vantagem, por outro torna mais complicada a composição por ser necessário “pesar” bem as influências ao longo do tema e conseguir que elas formem um todo e não conjunto de partes distintas.
4.Sendo vocês do norte faço-te uma pergunta ousada… Onde estão as melhores bandas? Norte, Sul ou Ilhas? Em qual destas áreas temos uma cena underground mais animada em termos de cooperação entre bandas, apoios, concertos, etc.?
Hugo: A qualidade não está concentrada em nenhuma zona do país em particular. Conhecemos bandas de grande qualidade quer no Norte, no Sul e mesmo das Ilhas. E sempre existiu grande cooperação entre a maior parte das bandas com quem já actuámos. Em termos de apoios e quantidade de concertos, o Sul, e especialmente a zona de Lisboa, parece-me ser algo privilegiada. De qualquer forma o underground português tem um panorama muito fraco nesse aspecto, quantas bandas já não “pagaram do próprio bolso” alguns concertos que deram?
5.Se tivesses de convencer alguém a ouvir Fear Thy Name que argumentos utilizarias? O que vos distingue dos demais?
Hugo: O melhor seria mesmo dar a conhecer o nosso trabalho e deixar que ele fale por nós. Embora nunca fosse o nosso principal objectivo sermos apenas diferentes, tentámos sempre ter um som que se não fosse único, que pelo menos não fosse vulgar. E de uma forma geral penso que isso acontece, tendo em conta a quantidade de rótulos que já tentaram atribuir ao nosso trabalho. Até percebemos essa necessidade, mas mesmo nós não conseguimos dizer: o nosso estilo é este ou aquele. Enquanto para alguns isto é uma mais-valia, para outros é algo negativo. Depende muito das preferências de cada um. Torna a aceitação do nosso trabalho muito mais complicado, pois é muito mais fácil consumir algo a que já se está habituado, mas temos consciência disso.
6.Por onde passam os vossos planos a curto/médio prazo?
Hugo: Continuar a distribuir o nosso som por aí, tirando o maior proveito possível do facto de estarmos em palco, algo que todos achamos muito gratificante. E quem sabe lançar um registo de longa duração, se entretanto algo mudar.
7.Últimas palavras…
Hugo: Continuem a apoiar o underground português, mantenham os horizontes musicais bem abertos para o que se faz em Portugal, e se ainda tiverem tempo passem no nosso site www.fearthyname.com

Entrevista Blue Sound Traffic


Os Drawned in Tears fazem parte do passado, Blue Sound Traffic é o presente e «Oxygen» o seu segundo registo. A Opuskulo quis conhecer melhor as opiniões e visões de uma banda que editou uma das melhores Demo CD dos últimos tempos a nível nacional e que será brevemente editada em MCD oficial por uma editora norte-americana. Da Madeira para o Mundo, os Blue Sound Traffic em discurso aberto...
Segundo disco enquanto Blue Sound Traffic, como correram as coisas com o anterior «As we sit and watch…» ? Não foi o suficiente para vos garantir um contracto discográfico ou esta segunda edição de autor surge como uma opção da banda?
Foi uma opção da banda tendo em conta diversos factores. “As we sit and watch....” não resultou exactamente conforme esperávamos, mesmo assim serviu para recuperar um pouco do tempo perdido na transição Drawned in tears / blue sound traffic. Houve algum interesse nesse trabalho, como por exemplo a editora britânica rage of achiles que chegou a contactar a banda, mas depois de alguns contactos, misteriosamente deixou de nos responder, algo que sinceramente não compreendo, penso que revela até uma certa falta de personalidade tendo em conta que foram eles os primeiros a mostrar interesse. De qualquer modo tínhamos temas novos e não queríamos ficar parados, aí surgiu “oxygen” que penso ser mais um passo em frente na sonoridade de BST.
Comparando «As We sit and Watch» com este novo «Oxygen» saltam desde logo à vista uma notória evolução a nível musical e estético. Concordas? Estão satisfeitos com o resultado final de «Oxygen»? Como têm sido as reacções?
As reacções até agora foram excelentes, ainda não li uma crítica negativa em relação a este trabalho, penso que este foi um passo importante na nossa carreira. Os temas estão muito bem estruturados, mas penso que o que mais faz a diferença é a própria produção e o à vontade com que conseguimos executar os temas. Estamos no bom caminho, cada vez estamos a escrever melhor música e com melhores interpretações dos vários elementos da banda, neste momento com o Dieter na banda isso ainda é mais notório. Penso que estamos a escrever temas bastante orelhudos sem perder uma certa profundidade que torna o som BST interessante.
Longe do Doom/Death dos tempos Drawned in Tears, a vossa sonoridade aparece cada vez mais orgânica, simples e moderna. Esta foi uma evolução natural que acompanhou a vossa própria evolução enquanto músicos e indivíduos ou foi uma mudança pensada e planeada? Quais as maiores influências que de momento se reflectem na vossa sonoridade?
Essa evolução é natural. O nosso crescimento como pessoas tem influência sobre o nosso crescimento enquanto músicos e vice-versa. Quanto melhor conseguimos tocar menos necessidade sentimos de compor temas extremamente técnicos como acontece com muitas bandas em inicio de carreira, a sensibilidade torna-se mais importante, penso que é essa a grande evolução dos BST. As influências? Bem, essa é sempre difícil. Posso te dizer que o pessoal gosta de cenas bastante variadas. Bandas como Paradise Lost e outras dessa época tiveram sem duvida algum peso no som da banda, com o passar dos anos fomos adquirindo um leque mais vasto de gostos musicais e isso afectou cada um de uma maneira muito própria, penso que isso faz a sonoridade BST. Anathema, katatonia, at the drive in, anekdoten, in flames, dredg, vast, pain of salvation, opeth são alguns nomes que poderias ouvir numa conversa entre os membros da banda, mas existem muitos mais, hehe, realmente essa das influências e difícil de responder, provavelmente nem soamos a nenhuma das bandas que ouvimos, isso é positivo obviamente. Se calhar soamos a alguma banda da qual nem gostamos, hehe, isso e que seria irónico.
Em «Oxygen» notei a quase ausência de um registo vocal gutural em prol de um registo mais limpo e melódico. Procuram desta forma tornar o vosso som mais acessível a ouvidos menos habituados ao som mais pesado ? Pessoalmente considero que a dicotomia gutural/limpo se enquadra na perfeição no vosso som...
Não penso que seja para tornar o som mais acessível a ninguém, é apenas uma opção. Um guitarrista procura diferentes sonoridades para dar uma maior dinâmica ao que toca, o mesmo acontece com um baterista ou um baixista e por ai fora, todos procuramos diferentes sons e até diferentes técnicas, pequenos truques para desenvolvermos o nosso intrumento, na minha opinião o mesmo acontece com os vocalistas, a única diferença é que o instrumento neste caso está incorporado na pessoa. A voz limpa em BST transmite uma emoção bastante mais forte, por vezes uma voz limpa pode até ser bastante mais intensa em vários aspectos, não penso que banda nenhuma se torne mais acessível pelo simples facto do vocalista mudar a sua prestação. Se os cannibal corpse utilizassem a voz limpa penso que não ficariam mais acessíveis, penso que pelo contrário, as pessoas poderiam ficar mais chocadas porque os textos seriam mais perceptíveis, e até seria interessante, deixo aqui o desafio aos cannibal corpse, hehe.
Os Blue Sound Traffic são das poucas bandas madeirenses resistentes de uma geração que parecia prometer muito mas que desapareceu aos poucos. É preciso uma grande dose de dedicação e espiríto de sacrifício para manter uma banda como a vossa activa há tantos anos ou tem sido uma questão de sorte e de saber gerir a carreira?
Temos tido também alguns azares, penso que esse equilíbrio entre azar e sorte nos fez aprender imenso, embora sinceramente me lembre de mais momentos de azar do que de sorte, mas de certeza que existiram. A amizade entre os vários elementos tem sido um dos pontos a nosso favor. Crescemos praticamente todos juntos, neste momento apenas o Dieter é “novidade”, coitado não sabe onde se está metendo, hehe. Mas tudo está a correr bem, todos os outros já conheço há muitos anos. Temos também consciência do nosso valor, seria uma pena desistir, até porque na minha opinião estamos cada vez melhor.
Penso que já tiveram oportunidade de mostrar o vosso som a órgãos de comunicação de grande escala, tais como a Antena 3 e a RTP Madeira, estou certo? Como correram essas experiências? Consideram ser hoje mais fácil chegar a um maior leque de público com este tipo de som do que na altura em que começaram a tocar?
Sim, os media em geral estão mais abertos a este tipo de som, mas é tudo muito controlado pelos “opinion makers”. A vantagem é que realmente uma banda consegue fazer coisas por sua conta e risco que há alguns anos atrás eram quase impensáveis. Umas coisas melhoraram outras nem tanto. Esses concertos no auditório da antena 3 foram bons concertos com uma boa cobertura, mas infelizmente isso só acontece esporadicamente, uma banda precisa de muito mais para por as coisas realmente a mexer. Como experiência foi espectacular, tivemos oportunidade de estrear novos temas, o próprio palco levou o tratamento BST, foi muito bom.
Voltaram a deslocar-se ao continente para gravar este disco, nomeadamente aos Rec’n’Roll no Porto. Existe na Madeira espaços onde uma banda possa gravar discos de qualidade e ser compreendida e ouvida correctamente ? Alguma vez ponderaram abandonar definitivamente a Madeira pensando no crescimento da banda ?
Na Madeira não, os poucos estúdios que existem são extremamente dispendiosos e dificilmente se consegue trabalhar em condições, penso que a Madeira não é um bom sitio para uma banda de rock. Quanto a deixar a Ilha, eu pessoalmente penso cada vez mais nisso, sei que é uma decisão complicada, mas é algo que inevitavelmente nos passa pela cabeça, logo se verá...
Ao nível da mensagem «Oxygen» parece remeter-nos para uma sensação de inspirar/expirar durante a qual percorremos vários cenários, havendo uma certa continuidade ao longo dos temas. Estarei certo ? O que pretendem transmitir liricamente?
Penso que a ideia da continuidade é mais a nível musical do que propriamente lírico, exceptuando obviamente o primeiro e ultimo tema. Os temas abordam quase sempre emoções e episódios pelos quais todos nós passamos uma vez ou outra, neste caso “Oxygen” poderá representar esse respirar, poderá representar a própria vida. O tema “bulletproof” por exemplo representa para mim uma dualidade entre a força e a debilidade emocional, alguém que está revoltado mas que ao mesmo tempo não consegue deitar essa revolta cá para fora e que se esconde, esta é uma interpretação muito pessoal, nem sei se faz sentido para as outras pessoas. Penso que existe uma certa continuidade mas muito pelo caminho é simplesmente ao acaso, tal como a própria vida.
Quanto a concertos, poderemos ver os BST pelo continente a exemplo da pequena digressão que fizeram com o disco anterior ? Existem na Madeira espaços adequados para uma banda tocar ao vivo ?
Na Madeira não, apenas convites esporádicos que são sempre boas surpresas, hehe. Para fora temos uma confirmação, mas o evento apenas decorre em 2005 por isso entretanto temos muito espaço para preencher, pode ser que em Setembro apareça também qualquer coisa, estou esperançado nesse sentido.
Aproveitando a conversa com um madeirense, e fugindo à música, qual a tua opinião sobre o carismático Alberto João Jardim?
Realmente fez algumas coisas boas pela região, mas ninguém pode estar tanto tempo a governar seja lá o que for. O pior é que também é verdade que as opções não são muito credíveis, isto está cheio de idiotas e o Alberto João Jardim até nem é o pior, apenas está fora de prazo. Eu não percebo e nem me interesso muito por politica, mas na minha opinião uma nova revolução já cá faz falta.
As autoridades madeirenses têm uma política activa de apoio às bandas e outras formas de expressão artística?
Nós não temos razão de queixa nesse sentido, porque já nos apoiaram algumas vezes, mas penso que a nível cultural esta é uma região muito pobre. Acho que a definição de Arte é deturpada todos os dias. Quando pedimos apoios eles sempre vão aparecendo, mas a politica da Região em relação a arte em geral favorece pequenos grupos de pessoas que por uma razão qualquer se julgam grandes conhecedores e grandes artistas. Eu não serei provavelmente a pessoa mais indicada para falar nisso, serei talvez tendencioso demais porque realmente a cada dia que passa os meus sentimentos em relação a este sítio vão se tornando piores.
O que podemos esperar dos BST a curto/médio prazo?
Podem contar com algumas aparições ao vivo, se tiverem oportunidade de nos ver aproveitem. Temos o nosso website agora ao cuidado da diabolical art prod. Por isso podem ir passando por lá para ver as novidades. estamos também trabalhando com a meta vírus a nível de promoção, penso que a curto/médio prazo isso também dará os seus frutos. Temos o licenciamento de “Oxygen” pela Americana statue records, isso poderá nos abrir algumas portas do outro lado do Atlântico, enfim, vamos continuar a fazer o nosso melhor, temos pessoas competentes a nos ajudar, isso já é bastante positivo. Os temas que estamos gravando no nosso pequeno “estúdio” caseiro servirão também para dar a conhecer tudo o que de novo temos vindo a fazer, estamos a apostar muito na promoção da banda em várias frentes.
Últimas palavras...
Obrigado pela entrevista e pelo apoio em geral. Gostava de deixar aqui um abraço ás pessoas que nos ajudaram durante este tempo todo e aos que agora surgem também, fazem todos parte de BST de uma maneira ou de outra.