terça-feira, março 28, 2006

em entrevista...HYUBRIS

Os Hyubris têm vindo a ser uma das jovens bandas nacionais mais faladas nos últimos tempos, não só pela qualidade e originalidade do seu disco de estreia homónimo, como pelos mágicos concertos que a banda protagoniza. O Opuskulo procurou conhecer melhor esta banda e desevendar alguns dos segredos do seu imaginário repleto de lendas e paixões. O guitarrista Jorge Cardoso e o baterista Lulla foram os nossos interlocutores.

Começo por te perguntar como correram as gravações deste disco homónimo e se este corresponde às vossas expectativas?

As expectativas em relação à gravação do álbum concretizaram-se visto que o objectivo principal era captar a essência harmónica e melódica que até aí tínhamos vindo a construir. Encontrámos uma equipa de trabalho de braços abertos que respeitou na íntegra, quer as limitações da banda, quer as ideologias já adquiridas.

Editaram há cerca de 2 anos um EP, «Desafio» já num formato profissional e resolvem agora aprimorar ainda mais o vosso trabalho neste longa duração de estreia. Achas que um trabalho mais cuidado a todos os níveis pode atrair mais atenções?

Acreditamos que é decisiva a aposta num produto final de qualidade. Num mercado cada vez mais competitivo e numa era onde a pirataria informática impera, tem de se tentar oferecer um produto diferente, mas acessível a quem o queira adquirir.

Como surgiu o nome Tommy Newton para a masterização do vosso disco ?

Tommy Newton está no Top 10 de produtores, e uma vez a oportunidade criada, não hesitámos. Mediante alguma inexperiência e algumas lacunas que pudéssemos ter no produto final de gravação, Tommy Newton foi uma mais valia para o colectivo, o que nos deu uma dose extra de confiança.

Como têm estado a correr as coisas em termos de reacções e vendas do novo disco até à data? Há já algum feedback internacional, ou os vossos horizontes a curto prazo ainda não passam por aí?

A nível nacional a aceitação está a ser óptima, excedendo até as nossas expectativas. Toda a promoção e divulgação feita por nós e pela Recital Records tem estado em uníssono com metas e objectivos definidos. A nível internacional só agora demos os primeiros passos, o processo de divulgação é o mesmo mas ainda não obtivemos retorno.

A vossa sonoridade é extremamente original, logo difícil de catalogar! Podes descrever a quem não vos conhece aquilo que pode encontrar em Hyubris?

Pensamos que contrabalançar peso e melodia é uma fórmula que nos agrada em termos criativos e ao mesmo tempo conseguirmos chegar a vários públicos alvo. Quem ouvir Hyubris, tem a oportunidade de entrar no nosso mundo imaginário de Fadas, Duendes, Princesas… Esperamos um dia ter o dom de poder pôr o nosso público a sonhar acordado.

Nada no vosso disco parece ter sido deixado ao acaso, desde o grafismo, à componente lírica e, inclusive um suposto erro com a troca de numeração de alguns temas que, ao que parece, foi propositado, certo?

Toda a dedicação e preocupação tida a nível sonoro foi tida também a nível estético; consideramos o trabalho, não como fracções, mas como um todo. Criámos propositadamente algumas diferenças em relação à concepção universal de álbum, com o objectivo de tentar que as pessoas cada vez mais abram os booklets e explorem o trabalho que ali está. È apenas uma questão de concepção ideológica!! Aproveitamos e deixamos uma dica: “numerologia”.

Pelas reacções que tenho sentido e lido parece-me que os Hyubris são uma banda consensual, agradando, ou pelo menos merecendo o respeito, de apreciadores dos mais vários estilos musicais. Esperavam este efeito da vossa música?

A evolução foi natural e sempre circulámos pelo circuito mais underground , só há pouco tempo se abriram as portas para algo mais comercial e com um público mais diverso. Nunca foi nossa intenção procurar este percurso, a surpresa também está a ser nossa.

Poderás elucidar-nos um pouco acerca do imaginário no qual os Hyubris baseiam as letras? De quem surgem essas ideias?

Os Hyubris baseiam as letras em histórias, lendas, contos e em mitos que estão patentes no nosso imaginário; sendo as letras um veículo de transporte aqui assegurado para o papel por Filipa Mota.

Quanto ao vosso processo de composição, há um ou dois elementos da banda que dominam esse processo ou os temas surgem como um conjunto de ideias de todos os elementos da banda? É fácil conciliar todas as influências que a vossa música congrega?

Vivemos essencialmente como uma equipa que trabalha em simbiose em torno do mesmo objectivo. Criar temas que, em primeiro lugar, nos façam sentir bem, e depois que nos dêem a sensação de que alguém possa vir a gostar. As nossas influências divergem em alguns pontos, como é óbvio, mas torna-se fácil o consenso quando há uma forte noção de banda!
Sendo os Hyubris oriundos de uma região do interior do país, achas que isso poderá dificultar a vossa progressão ou, num sentido inverso, poderá chamar a vós mais atenções para se tentar descobrir o que se faz fora das grandes cidades em termos musicais?

Sim, definitivamente sim, o aspecto geográfico tem particular peso na evolução de qualquer projecto, não havendo tanta coabitação com pessoas com os mesmos ideais. Torna-se difícil uma partilha de ideias, tendências, correndo por vezes o risco de se regredir no processo de criação! Penso que desde cedo tínhamos esta noção, por isso tentámos fazer das nossas fraquezas e anseios, mais valias.

Os Hyubris têm vindo a aprimorar a componente “ao vivo” ao longo dos anos, tentando transformar um concerto vosso em algo mais do que isso, ou seja, num verdadeiro espectáculo de várias vertentes artísticas. Se os meios fossem ilimitados, qual seria o espectáculo ideal que gostariam de montar em torno de um concerto de Hyubris?

A música é, e será sempre o ponto fulcral das nossas actuações e é ela que nos move. Acreditamos que a complementaridade e a interacção entre diversas formas de arte enriquece, não só o espectáculo, mas também promove essas mesmas formas de arte. Em relação ao concerto ideal, pode ser qualquer palco desde que tenha a componente humana que nós idealizamos.
Consideras que o facto de a maioria dos vossos temas serem cantados em português vos poderá dificultar quanto a uma possível internacionalização da banda? Seriam capazes de abdicar em português em prol do inglês apenas para terem mais reconhecimento além-fronteiras?

O facto de usarmos a língua mãe neste género musical é para nós mais um desafio que impusemos a nós próprios. Pensamos que de há alguns anos para cá, a língua não prejudica a internacionalização porque se quebraram barreiras e abriram-se precedentes, ainda que tenhamos a perfeita noção de que muito há a fazer e que as tendências e modas não se mudam de um dia para o outro. O objectivo a que nos propusemos não passa necessariamente pela internacionalização, mas sim por uma vontade clara de, fundamentalmente, fazermos aquilo que gostamos. Por ora, cantar em Inglês não faz parte dos nossos planos, não obstante que um dia possamos achar que determinada música transmita mais cantada em Inglês, ou até numa outra língua.

Quais os vossos planos a curto/médio prazo?

Distribuição e divulgação do álbum, dar concertos e solidificar o nosso trabalho em todas as vertentes.

Últimas palavras…

As nossas últimas palavras vão para todas as pessoas que trabalham directa ou indirectamente connosco, fazendo deste projecto algo em que todos se possam orgulhar; e também para ti, que nos tens acompanhado e apoiado desde o berço e sabes bem o nosso percurso. Felicidades para a tua webzine e até breve…

quarta-feira, março 22, 2006

Em entrevista...REQUIEM LAUS

Os Requiem Laus são uma das mais antigas bandas madeirenses em actividade e, após alguns anos de ausência, estão de volta com uma nova Promo que promete relançar a imagem da banda e causar excelentes reações no panorama de peso nacional. Em vésperas de se deslocarem ao continente para participar no Barroselas Metal Fest o Opuskulo falou com a banda através do baixista Ricardo.

A pergunta é inevitável…por onde andaram os Requiem Laus durante os últimos anos ? A continuidade da banda esteve em causa ?

Eu ausentei-me da banda no final de 2001 e pouco mais tarde o baterista decidiu dar outro rumo à sua vida (reside actualmente na Dinamarca). A banda entretanto foi experimentando com outros membros mas segundo o vocalista, e membro fundador da banda, não era a mesma coisa. A continuidade esteve em causa, mas tudo foi superado com força de vontade e aqui estamos de volta.

Escutando os vossos novos temas parece que voltam com mais força e motivação do que nunca. O que pretendem obter com esta nova Promo ?

Com esta nova promo pretendemos chamar a atençao para a banda, visto termos estado parados durante muito tempo e este ser praticamente um “começar de novo”. Hoje em dia há muito pessoal que não esteve a par do que se passou por dentro do metal nacional na altura das demos de 1996 e de 2000, mas como ainda existem os que se lembram - e que guardam sempre um carinho especial pela banda - é por esses também que pretendemos dar o nosso melhor. Algo que gostaríamos muito de conseguir era o apoio necessário para levar Requiem Laus ao nível seguinte que é apostar na internacionalização. Algo que não é nada fácil nos dias que correm.

Quais a principais diferenças que apontarias entre estes temas e os presentes na vossa Demo anterior ? Em que sentido se deu a progressão ?

Eu acho que o som destas novas faixas é a mistura do que era feito antes, em 1996, com o que foi feito para a demo de 2000 "through aeons". Estas músicas ficam assim com caracteristicas pelas quais a banda pode ser reconhecida. No entanto, a maturidade criativa de Requiem Laus tem claramente evoluído e o seu peso na construção das musicas faz com que haja uma transição natural para um trabalho mais coeso e tornando o som cada vez mais próprio.

A vossa nova promo será editada no continente aproveitando a vossa passagem pelo festival SWR Barroselas Metal Fest 2006. Como se proporcionou a vossa presença nesse evento ? Expectativas…

Já tínhamos entrado em contacto com os organizadores do SWR durante o ano passado e então cederam-nos um lugar para o SWR deste ano. É com muito orgulho que lá estaremos entre grandes bandas do metal nacional e internacional e dar o nosso melhor, apresentando praticamente material novo e algumas da demo 2000. Vamos aproveitar os 30 minuntos para tentar deixar uma boa impressao do que é Requiem Laus actualmente.

Suponho que não seja fácil em termos logísticos e monetários para uma banda originária da Madeira vir tocar ao continente. Recebem algum tipo de apoio de autarquias ou do Governo regional no sentido de divulgarem a vossa música ?

Geralmente não, os custos são pagos por nós, mas tentamos sempre conseguir transporte, ou seja, as passagens aéreas do Funchal para o continente através dos apoios que são disponibilizados pela Câmara Municipal do Funchal, algo que nem sempre resulta mas que já é uma ajuda .

Esta é já uma pergunta cliché…mas acham que a vossa insularidade constitui um barreira à evolução da vossa carreira ou, por outro lado, um elemento que vos pode proporcionar algum interesse e atracção extra ?

O factor “insularidade” é algo implicito aos custos acrescentandos para a nossa deslocação regular ao continente e ao estrangeiro, ou seja, o que nos complica é mais a nivel monetário porque o custo dos transportes para o próprio territorio nacional é , infelizmente, demasiado elevado para ser feito frequentemente. De resto, as barreiras são as mesmas que as de quaisquer outras bandas em qualquer ponto do país. Porém há outra questão que acaba por nos condicionar, mas a nivel regional, que é o sistema utlizado na organização de eventos aqui na região, que geralmente prefere dedicar-se ao capitalismo a divulgar as próprias bandas. Fazendo com que qualquer banda regional de qualquer género musical se sinta desprestigiada (principalmente a vertente rock/metal), perante a importação de artistas “pimba” e de artistas pop do continente. Mas felizmente as coisas parecem estar a mudar, novas ideias e novas mentalidades estão a surgir só resta esperar que se solidifiquem e surtam algum efeito no panorama musical regional.

A Madeira possui desde sempre um lote bem interessante de bandas ligadas ao Metal. Como está a situação actual ?

Actualmente temos algumas bandas que se aguentam e nao perderam a motivação, pois têm grandes oportunidades de fazer muito pelo metal regional, e até nacional, tais como Karnak Seti , Siamese Cancer, Beyond the Realm e provavelmente a banda mais conceituada - apesar de estar mais proxima da vertente hard rock - Outerskin.

Últimas palavras…

Muito obrigado pelo teu apoio e tudo o que fazes pelo metal nacional. Aos que estão a ler esta entrevista, espero ver-vos por Barroselas e que curtam Requiem Laus como está actualmente.

segunda-feira, março 13, 2006

Em entrevista...THE RANSACK

Os The Ransack marcaram, pela positiva, o ano de 2005 com um dos melhores discos do Metal nacional desse mesmo ano. O Ep «Necropolis» apresenta uma banda detentora de um enorme potencial e extremamente cativante, oferecendo ao Metal nacional um dos seus nomes mais marcantes e promissores no espectro Thrash Death Metal. Shore, guitarrista e vocalista da banda, falou com a Opuskulo e revelou algumas das visões por trás de «Necropolis» e lançou algumas dicas quanto ao futuro da banda.
A pergunta é inevitável…como têm sido as reacções a “Necropolis”, tanto a nível nacional como internacional?

Temos tido uma receptividade bastante positiva, quer junto do publico quer junto dos media. É algo que nos faz olhar para um próximo trabalho com bastante optimismo.Esperamos conseguir corresponder às expectativas que vêm sendo criadas com este trabalho em torno da banda, e não desiludir ninguém.

Ao que sei os The Ransack reúnem elementos ou ex-elementos de uma série de bandas do norte do país, certo ? Como se deu a génese desta banda ? Era já uma ideia antiga ?

Eu e o Jay formámos a banda em 2001. Nessa altura recrutamos o Flechas (Bateria) e o Zorro (Guitarra), que já tinha tocado nos Noctum. Entretanto eu entrei para a formação dos Beyond Life onde toquei pela primeira vez com o Zeus, que mais tarde viria a assumir as funções de baterista dos The Ransack. Ainda passei por uma tentativa de renascer os Noctum, altura essa em que convidei o Jay para esse projecto. Ambas as bandas estão neste momento extintas. O Zeus passou ainda pelos também já extintos Imortalis. E eu assumi as funções de Vocalista em Demon Dagger. Por fim para o lugar do Zorro entrou o Loki que também já havia tocado nos Dark Riverside.

Fala-nos um pouco do conceito lírico e do imaginário no qual “Necropolis” acenta ? Julgo que não abordam temas que a maioria das bandas dentro do vosso estilo musical aborda…estarei certo ?

O nome Necropolis, que significa cidade dos mortos, é revelador da temática abordada no MCD. A morte é de facto a “personagem” das letras que escrevi para este trabalho, são ficções retiradas de experiências pessoais ou de devaneios filosóficos à volta da mesma. A temática não terá nada de original para uma banda de Death Metal. Talvez a forma como o fazemos seja diferente, mas isso caberá a cada um julgar.

Achas que o facto de uma banda apostar desde cedo numa edição profissional ao invés de gravar sucessivas demos “caseiras” poderá constituir um factor de sucesso para as mesmas? Pergunto isto porque actualmente assiste-se a cada vez bandas mais jovens a vingar, sendo que a norma em Portugal vinha sendo uma banda arrastar-se durante anos a fio até atingir algum sucesso…

Parece-nos que quanto mais cedo uma banda conseguir mostrar um trabalho competente e interessante ao mundo exterior, maiores serão as possibilidades da mesma atingir os seus objectivos. Os formatos amadores são bastante penalizadores para as bandas e ,numa altura em que a oferta é cada vez maior e de qualidade crescente, qualquer facilitismo nesse campo poderá sair muito caro em termos de exposição e aceitação.

Achas que Portugal tem condições para formar um movimento Metal suficientemente organizado e forte ao ponto de se tornar num dos mais interessantes a nível europeu a curto/médio prazo?

Muita coisa terá de mudar, a nível cultural, económico e social no nosso país para sermos capazes de exportar os nossos produtos de qualidade lá para fora. Não falo apenas de Metal, não falo apenas de música. Quanto ao nosso Underground propriamente dito, acho que as coisas vão evoluindo de forma positiva.

Quanto a concertos, os The Ransack não são ainda uma das bandas mais frequentes nos palcos nacionais. Fazem algum género de selecção quanto a concertos ou simplesmente não aparecem convites ?

É interessante perguntar isso. Uma vez que somos frequentemente apontados com uma das bandas do Underground Português mais activas em termos de concertos. Temos uma média de 20 concertos anuais. Estamos prestes a regressar a Espanha pela terceira vez. Tivemos também já o prazer de abrir concertos para Dismember, No ReTurn, Pandemia, Cancer, isto só para citar as bandas estrangeiras. Esperamos continuar a tocar com frequência e que isso seja cada vez mais possível. Contudo temos de ter cuidado para não haver uma sobre exposição da banda. Além disso há sempre a vida profissional e pessoal de cada elemento que limitam a disponibilidade para tocar ao vivo.

Podes levantar já um pouco a ponta do véu quanto a um futuro disco? Qual a orientação que os novos temas estão a levar ? Haverá novidades quanto a editora ?

Ainda é cedo para falar sobre o próximo trabalho. A orientação e evolução da banda pode ser apreciada ao vivo, costumamos introduzir temas novos com frequência no nosso “Set List”. Temos neste momento um disco que queremos vender e promover. E isso é para já o mais importante.

Uma pergunta de algibeira…onde existe um movimento Metal mais forte ? A norte ou a sul do Mondego ?

A norte claro. (risos)

Últimas palavras….

Obrigado a todos aqueles que nos têm ajudado a crescer, apoiado. Visitem-nos na nossa nova casa:
www.theransack.com. Apoiem o Underground.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Em entrevista...CONGRUITY

Oriundos de Abrantes, os Congruity marcaram umas das surpresas de 2005 no espectro mais agressivo do Metal nacional ao apresentarem uma demo, "Rupture", plena de fúria, honestidade e alguma originalidade. Numa altura em que se encontram em preparação de um novo trabalho, a Opuskulo falou com o baixista Victor no sentido de vos dar a conhecer melhor esta promissora banda.


Para quem ainda não vos conhece, apresenta-nos os Congruity…
Salvé!Os Congruity foram fundados a partir duma outra banda chamada Edenial Lust ,que praticava um som mais melódico.Os Congruity foram criados a fim de lançar uma lufada de ar fresco na musica mais extrema devido ás nossas várias influências de cada membro da banda.

Tive o privilégio de acompanhar a evolução da vossa carreira e arrisco afirmar que o ponto de viragem que proporcionou uma maior evolução da banda foi a opção de deixar os teclados de lado. Concordas ? És da opinião que o Black ou o Death Metal não deverá ter teclados pelo meio ?

Concordo contigo ao dizeres que foi uma grande evolução da nossa parte ao excluirmos os teclados do nosso som, porque a nossa ex-teclista saiu e começamos a compor logo material novo,esse que começou a seguir uma linha mais agressiva e distante dos temas que já tínhamos feito com teclado.Penso que foi uma evoçução natural.Mas não sou da opinião que o Black ou o Death Metal não deverão ter teclados até porque gosto muito de um bom teclado e muitas bandas se não fossem o trabalho maravilhoso das teclas estavam perdidas…
Como estão a correr as coisas com a vossa nova demo «Rupture» ? Tens uma ideia de quantas cópias já conseguiram vender e distribuir ?
Estamos a ter reacções muito boas á demo ,mas não te consiguo dar um numero exacto de quantas cópias conseguimos vender e distribuir…
Apesar de musicalmente se enquadrarem no lado mais extremo do Metal, torna-se complicado discernir se os Congruity são Black Metal, Death Metal, uma mistura dos dois, ou nenhum deles ! Como definirias o vosso som ? Há por aí influência Punk, certo ?

Sim há aqui um cheirinho de punk;)Mas as várias zines tem-nos rotulado de Death/Black e eu acho que é esse o termo correcto para definir o nosso som.Isto deve se ao facto de cada elemento ouvir muita coisa diferente.A «veia» que a gente tem vem do nosso guitarrista , Geist ,que é mais a onda dele não fugindo ao metal mais extremo obviamente.Eu ouço mais Black e Death Metal,mas também ouço algum industrial como Ministry e Einsturzende Neubauten.Por isso bem podes ver que ouvimos de tudo um pouco,desde que seja boa musica claro ;)

Os Congruity têm percorrido nos últimos meses palcos em vários pontos do país. Quais os concertos que mais vos marcaram pela positiva e pela negativa ? Qual a tua opinião sobre as condições actualmente existentes para que uma banda possa realizar uma mini-tour a nível nacional ?

O concerto desta vaga de concertos que mais gostei foi o de Porto de Mós no bar Ar de Rock onde abrimos para Demon Dagger.Gostei muito do conccerto porque o local tinha excelentes condições , pessoal impecavél ,os Demon Dagger foram uns grandes porreiraços…Enfim correu tudo bem.è pena não existirem mais locais e pessoas com paciência para organizar concertos e esforçarem se para que tudo corra da melhor maneira. As condições para uma banda fazer uma mini-tour em Portugal é um bocado difícil na minha opinião (mas não impossível),porque depende de muita coisa que também não depende duma banda.Mas bem planeada com todas a exigências e pormenores que tanto as bandas como os locais impõem faz-se na boa.
Puxando à tua imaginação, em que cartaz os Congruity gostariam de figurar ?

Pessoalmente gostava de tocar num Wacken no mainstage. Ou num festival onde Emperor,Darkthrone,Khold,Carcass,Morbid Angel,My Dying Bride,Amon Amarth e claro a gente!! :)

Após um ano proveitoso no que diz respeito a edições de bandas nacionais, és da opinião de que o underground nacional está, de facto, a dar o salto qualitativo e quantitativo que há muito ansiava ? Achas que há condições para se formar em Portugal um movimento tão forte como o de países como a Suécia ou a Noruega ?

Este ano foi um ano , sem dúvida alguma , muito positivo para o nosso underground . Acho que aos poucos vamos crescendo. Damos passos pequenos mas os que damos , afirmamo-nos e isso é muito bom,mas fazer frente á Suécia ou á Noruega ainda tá muito longe porque ser musico em qualquer um desses países ,recebem ordenado mínimo, e têm educação musical desde muitos novos,etc…Mas um dia ainda vamos ser maiores que eles e já tá a começar…;)
Até que ponto este momento de algum fulgor que vive o panorama de peso nacional beneficiou a ascensão dos Congruity ?

Acho que qualquer banda portuguesa beneficia do bom momento que estamos a atravessar.Para te ser sincero ,sempre mantivemos contactos com pessoas de outros países (Editoras,Webzines,etc…)antes de haver este fulgor todo mas é claro que se beneficia em ver o nome do nosso país.

Sei que entretanto já compuseram temas para além daqueles que estão contidos em «Rupture». Que orientação estão a levar os novos temas ? Podemos esperar surpresas ?

Os novos temas estão na mesma onda embora que estejam um pouco mais rápidos,a cair mais para o Death Metal que o Black Metal ,mas claro que a essência do Black Metal está lá e há-de estar sempre.Se tudo correr bem podemos a vir a gravar o nosso 1º álbum,mas ainda é cedo demais para te adiantar pormenores concretos.Podem esperar algumas surpresas ;)

É já possível revelar algo em relação a um próximo trabalho de estúdio ? Há editoras interessadas em trabalhar com Congruity ?

Podemos vir a gravar o álbum este ano ainda,mas ainda foi uma coisa falada «por alto» e queremos fazer as coisas com muita calma e não queremos cá pressas.Quando tiver pronto tá.Sim posso te dizer que existem 2 editoras que nos contactaram mas que temos ter algo de novo gravado como é óbvio.Pode ser que corra bem… ;)

Últimas palavras…

Muito obrigado pela entrevista e pela review que fizeste á nossa demo.Thanks a lot mate ;) Continua a apoiar o metal como tens apoiado nestes últimos anos.Bem hajas ;)
Visitem também o nosso site em :
WWW.CONGRUITY.US ou WWW.MYSPACE.COM/CONGRUITY . Apareçam nos nossos concertos e comprem a nossa demo!!
Mais uma vez obrigado.
Satanize it \m/

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Em entrevista...WITCHBREED

A evolução do Metal nacional em termos quantitativos e qualitativos é, de facto, notória ! Neste momento podemo-nos orgulhar de ter bandas nacionais para todos os gostos e com uma ambição e profissionalismo crescentes que nos fazem pensar em vôos mais altos para parte delas. Um desses melhores exemplos são, sem dúvida, estes Witchbreed, uma banda surgida da mente de Ares e Dikk, dois elementos que também estiveram por trás de Deepskin, e que aqui apresentam, com a preciosa ajuda de Ruby, vocalista dos Extrem Attitude, uma das grandes revelações dos últimos tempos a nível nacional. Confiram as palavras da banda e procurem ouvir a sua música.
Os Witchbreed são uma banda nascida há apenas alguns meses, certo? Explica-me um pouco a génese deste projecto?

Ares: Na verdade o projecto não tem uns meses mas sim vários anos, a ideia de termos uma voz feminina que pudesse ilustrar na perfeição as musica e as letras que eu e o Dikk temos vindo a escrever vem realmente da altura em que tivemos a nossa primeira colaboração musical, mas que por motivos de falta de oportunidade e qualidade nunca se proporcionou. Desta vez estávamos a preparar o novo disco de DeepSkin quando chegou a altura de gravar a voz; decidimos fazer audições e convidámos amigos e potenciais candidatos a ouvir os temas. Ficámos surpreendidos primeiro com a reacção espontânea que as músicas provocaram, segundo ficámos ainda mais surpreendidos com a qualidade de todas as vozes que experimentámos, excelentes cantores, boas vozes e grande atitude profissional e artística. Curiosamente a Ruby foi a única que não pertencia ao nosso circulo de amizade nem era nossa conhecida, mas por algum motivo o perfil dela parecia interessante, o que acabou por se revelar extraordinário pois aliado a uma grande voz sentimos uma atitude de irreverência artística que nos atraiu de imediato. Agora com a banda completa no seu núcleo mais duro percebemos que nos tínhamos afastado do conceito de DeepSkin, algo realmente novo tinha nascido. O nome Witchbreed foi fruto da inspiração fantástica do romance gráfico da Marvel: 1602, uma analogia quase perfeita á forma como vejo o mundo e a sociedade em que vivemos.

Achas que o facto dos Witchbreed serem um novo projecto da mente de Ares vos poderá prejudicar devido ao insucesso que ele conheceu com os Deepskin? Certamente haverá muitos cépticos quanto a Witchbreed…

Ruby: Eu só conheci DeepSkin quando entrei na banda ‘’Witchbreed’’ e tenho plena confiança no Ares e no Dikk. São 2 pessoas extremamente talentosas e únicas. As pessoas não têem que associar Deepskin com Witchbreed porque são dois projectos distintos e isso nunca poderá prejudicar o nosso trabalho.
Dikk: O álbum “Judas” foi na minha opinião, um pouco injustiçado. Em primeiro lugar e da nossa parte (Dikk & Ares), tínhamos bons temas mas faltavam meios técnicos adequados para levar a cabo todas as ideias que ambicionávamos. Alem disso o tipo de sonoridade electrónica/industrial/ambiental que queríamos atingir é extremamente complexo de atingir a nível artístico e de produção, ou seja, muitas vezes foi um processo de “trial & error” até chegarmos a algum lado, nalguns casos com melhor resultado, noutros nem por isso. Foi um trabalho que fez parte da evolução, maturação da nossa carreira como músicos, produtores e seres ás vezes humanos. Apesar disso, hoje em dia recebo criticas positivas desse disco da parte de pessoas que na altura ainda não ouviam este estilo musical, a Ruby por exemplo na altura só tinha 16 anos. Acho que a critica foi um pouco cruel especialmente em Portugal, pois no estrangeiro houve quem ficasse curioso de ouvir desenvolvimentos desse disco. Em relação a Witchbreed, espero que toda a gente oiça com isenção e esqueça onde e por quem foi feito, e que tente captar a essência artística das canções, porque para mim, pelo menos, isso é o mais importante, sem preconceitos.

Sendo tu, Ruby, madeirense e vocalista dos Extreme Attitude como vens parar a uma banda formada em Lisboa? Foi feita alguma audição no sentido de se encontrar a voz ideal?

Ruby: Eu vim para Lisboa com o intuito de finalizar os meus estudos, e uma coisa levou à outra. O Ares enviou-me um e-mail a pensar que eu ainda me encontrava na Madeira, a perguntar se estava interessada em fazer uma audição a Lisboa para um projecto que este estava a criar. Eu respondi-lhe a dizer que estava em Lisboa e que sim estava interessada. Entretanto eles fizeram audições com outras pessoas e eu fui de férias para a Madeira, quando voltei o Ares ligou-me a dizer se podia fazer uma audição logo no dia a seguir, eu disse que sim mas disse que estava afónica! Fiz a audição, e passado 3 dias estava na banda.
Ares: Mais do que a voz ideal nós esperávamos encontrar alguém que demonstrasse vontade em fazer parte da banda e que quisesse contribuir para o processo criativo de igual modo.

Abandonaste de vez a tua antiga banda em detrimento dos Witchbreed?

Ruby: Eu não abandonei a banda, simplesmente os Extreme Attitude não podem avançar com um elemento a residir longe da banda. E neste momento a minha prioridade é 100% virada para os Witchbreed.

Explica-me um pouco como se desenrola o processo de composição dos Witchbreed?

Ares: As músicas nascem, quer de riffs de guitarra, malhas de baixo, letras dispersas ou melodias vocais, depende da inspiração e do instrumento que esteja a tocar. Normalmente gravo todas as ideias no computador e o Dikk faz o mesmo, quando juntamos tudo começamos o verdadeiro trabalho criativo, gravamos um demo com todas as músicas e passamos aos ensaios antes da gravação do final. Nesta fase a Ruby ainda não participou na composição pois quando ela chegou já tínhamos quer a musica quer as linhas de voz e letras concluídas. No entanto foi a opinião e o input musical da Ruby que durante as gravações da demo nos levou a aperfeiçoar as músicas.

Os temas entretanto gravados e disponibilizados no vosso site revelam uma qualidade e maturidade fora do comum em Portugal. Duvido que o próximo registo não saia ligado a uma editora. O que nos podes adiantar quanto a isso?

Ares: De momento a nossa prioridade é acabar as gravações e alguns arranjos nas restantes músicas, temos cerca de 13 temas prontos para ensaiar bastante e tocar ao vivo tanto quanto possível, ao mesmo tempo vamos promovendo a demo “Descending Fires”, não temos pressa em editar o disco mas pelas criticas e feedback positivo que temos tido acredito que até ao final do ano vamos lançar o disco.

Musicalmente os Witchbreed apresentam alguma originalidade ao criarem uma simbiose entre o Gothic Metal com vozes femininas e algum Rock progressivo. Foi uma aposta premeditada ou simplesmente surgiu dessa forma? Podes elucidar-nos um pouco melhor sobre as influências dos elementos da banda?

Dikk: No princípio de 2005 quando começámos esta pré-produção, decidimos fazer algo mais orgânico, menos orientado para o lado electrónico, algo que soasse mais “banda”, mais “old school”. Como tal, toda a raiz de composição veio das guitarras ou de linhas vocais, o que nos fez afastar dos elementos não humanos e trabalhar exclusivamente num formato mais tradicional, recorrendo esporadicamente ao synth para reforçar alguns momentos mais teatrais que existem nas canções. Pessoalmente, não posso apontar grandes influências, mas algo que podia falar mais em termos artísticos como Adrew lloyd Weber, Peter Jackson e George Horwell.
Ruby: Tenho como influencias : Meshuggah, Dream Theater, Pain of Salvation, Evergrey, Ark, ou seja, Rock/Metal progressivo e Melódico.
Ares: As minhas influências continuam a ser Bathory, Type O, Nevermore, Root, Slayer, Morbid Angel, Deicide, Metallica, Black Sabbath, Venom, Celtic Frost , Death, The Gathering, Tiamat, Samael, NIN, Sisters of Mercy, Fields, Dead can Dance, Corvus Corax etc.

Olhando para a vossa curtíssima carreira não resisto em estabelecer um paralelismo com os desaparecidos Icon & the Black Roses, ou seja, uma banda que surge do nada e logo com temas extremamente profissionais e de enorme potencial, editando um disco e desaparecendo. Temes que o mesmo suceda com os Witchbreed? Podemos de facto esperar uma carreira sólida e duradoura da vossa parte ou serão os Witchbreed apenas um projecto?

Ares: Não conseguimos prever o futuro mas sabemos que a vontade de criar musica como um reflexo da nossa aspiração artística é mais forte do que qualquer plano preconcebido. Witchbreed espelha o que pretendemos alcançar neste momento, e acho que estamos tão confiantes com o presente que acabamos por não olhar para o que nos espera á frente. A preocupação imediata que temos é a de gravar o disco, ensaiar, tocar ao vivo e promover a demo “Descending Fires”. A verdade é que nós não surgimos exactamente do nada, inclusive a Ruby já tem larga experiência de tocar em bandas, tanto eu como o Dikk e o João Nuno Barros que gravou a bateria e que é o baterista de DeepSkin já tínhamos tocado todos juntos, gravado etc. Apenas baralhámos as peças todas outra vez e voltámos a distribuir…
Ruby: Apesar do nome da banda ser Witchbreed Eu não sou uma ‘’witch’’ E não posso adivinhar o futuro, mas se depender de nós, Witchbreed irá crescer e evoluir sempre unidos e a lutar pela mesma causa.

Em jeito de provocação, até que ponto consideras crucial para o sucesso de uma banda esta possuir um ou uma vocalista verdadeiramente carismático/a? Consideras a imagem de uma banda ou do seu frontmen (no vosso caso frontwoman) tão importante como a sua qualidade técnica e expressividade?

Ares: Claro que é muito importante, todos os factores contam mas o que é realmente fundamental é que juntamente com as características musicais de cada membro haja um espírito de banda e a Ruby entendeu perfeitamente o nosso espírito de grupo que apesar de partilharmos estilos de vida muito diferentes ela foi tolerante ao ponto de nos aceitar, e nós a ela. Sem dúvida acho que a voz, a atitude, o sentido estético e a autoconfiança da Ruby marcam a diferença em qualquer banda. A performance e a naturalidade dela em estúdio é irrepreensível, e a confiança que deposita no nosso trabalho faz dela uma excelente camarada de armas.
Ruby: É Muito importante ter não só um vocalista carismático como todos os elementos desta. Ninguém quer ir ver um show de uma banda por mais boa que esta seja com 3, 4 ou 5 estátuas em cima de palco.

Quanto a aparições ao vivo, sei que nunca deram nenhum concerto, certo? Há planos para o fazerem a curto/médio prazo? Faz parte dos objectivos dos Witchbreed percorrer alguns bares habituais pelos quais passam as bandas de Metal ou serão mais selectivos quanto a locais para concertos?

Ares: Sim, depois de acabarmos o trabalho de estúdio vamos começar a tocar ao vivo. Gostávamos de ser tão criteriosos quanto possível em relação ás condições e local para concertos, no entanto só os podemos decidir quando as oportunidades se concretizarem. Para já temos convites para tocar na Moita, Lisboa, Beja e no Pragal, tudo em princípio para o começo da Primavera. Estamos preparados para tocar quer em bares pequenos ou em estádios de futebol, desde que se dignifique o trabalho dos músicos envolvidos. Limitamo-nos a demonstrar ao público o que se passa nas nossas sessões de estúdio ou nos ensaios, um mistura de sentimentos, sempre pejados pela mais negra das cores e plena de oscilações abruptas do espírito. Acho que essencialmente pertencemos ao mundo do Heavy Metal, no fundo é isso que um de nós é, um mais progressivo, outro mais gótico ou outro membro mais melódico, no fundo somos todos metalheads de espírito e headbangers de coração.

Podes adiantar-nos um pouco o que podemos esperar da vossa parte em breve? Algum disco na forja? Que orientações levam os novos temas?

Ares: De imediato temos que tirar fotos, a saga da sessão fotográfica está-se a tornar numa verdadeira maldição, pois andamos a tentar desde há mais de um mês e por varias razões nunca conseguimos cumprir os prazos. Depois temos o site para colocar online e ao mesmo tempo acabar a pré-produção do disco, são cerca de 13 temas mas podem ainda surgir mais alguns que ainda não decidimos, e podemos inclusive optar por retirar algum dos temas actuais, tudo depende do que nos inspirar o resultado final, que acaba sempre por se revelar muito diferente do que é á partida. Estes temas que já estão concluídos variam entre a melancolia e a escuridão, mais ambiente e mais coros épicos a reforçarem malhas letais de guitarra com grooves pesados de baixo com uma bateria demolidora e tribal. Tudo muito escuro, muito negro e angustiante coberto por uma voz de autoridade e poder. A seguir só o tempo pode ditar a sequência dos eventos futuros.

Para quem ainda não vos conhece apresenta-me três argumentos que utilizarias para convencer alguém a ouvir Witchbreed?

Ares:
1º Ruby
2º Dikk
3 º Ares
Lobos, ninfas e demónios…
Ruby:
1º Músicos talentosos
2º Made in Portugal
3º Unico…

Últimas linhas para dizeres o que te vier à cabeça…
Ares:
“Eu rezo á Lua, rezo ao Fogo e ao Trovão,
Por entre Serras e Bosques uivo solidão”

Ruby:
‘’
I believe this heart of mine when it tells my eyesThat this is beautyI believe this heart of mine when it tells my mind That this is reasonI believe this heart of mine when it cries at timeThat this is foreverI believe this heart of mine when it tells the skies That this is the face of God’’ [Daniel Gildenlow]

terça-feira, janeiro 17, 2006

Em entrevista...THERIOMORPHIC

«Enter the Mighty Theriomorphic foi um dos discos mais marcantes criados em território nacional durante 2005 por uma banda cada vez mais incontornável no que ao Death Metal lusitano diz respeito. A Opuskulo tentou conhecer um pouco melhor esta banda, o seu disco e os planos para o futuro através do mentor do projecto, e uma das vozes mais activas no underground nacional. Falo pois do baixista/vocalista Jó.
Após alguns falsos alarmes os Theriomorphic editam finalmente o seu disco de estreia ! O que levou aos sucessivos adiamentos para a edição deste disco ?
Foram vários factores. Cada passo teve atrasos e, no fim de todo processo, passaram-se cerca de 4 meses entre a altura inicialmente prevista para a edição e a saída efectiva do CD. Não foi nada que não aconteça a bandas e lançamentos de todo o lado. Quando se trabalha com prazos um pouco apertados, é natural que haja imprevistos. A nossa vontade e a da editora era a de ter o disco editado assim que fosse possível, mas depois foram surgindo atrasos com o grafismo do CD, porque recebi mais algumas imagens que não queria deixar de usar e pedi para se adiar o lançamento; entretanto, estávamos no Verão e lançar numa altura em que estava tudo prestes a ir de férias, não nos pareceu ser uma boa opção, porque depois nem se poderia promover em condições; depois, surgiram mais alguns atrasos, um problema com fotólitos, quando estava tudo na fábrica em Espanha, e também com a greve de transportadoras que lá houve, nessa altura. Acabámos por só conseguir editar “Enter The Mighty Theriomorphic” no dia 31 de Outubro.

Agora que o disco de estreia está cá fora, quais têm sido as reacções ao mesmo ?
Até agora, têm sido excelentes. Penso que, no geral, o trabalho está a agradar a praticamente toda a gente, mesmo quando não são apreciadores do género. As críticas que já foram feitas também confirmam isso. Acima de tudo, acho que o álbum está a conseguir impressionar e surpreender as pessoas. Muita gente diz que ouve o disco repetidas vezes com prazer e isso é a melhor reacção que pode haver.

Todo o trabalho de gravação e produção do disco foi realizado em Portugal e por portugueses, certo ? Achas que é um desperdício de dinheiro aquilo que algumas bandas portuguesas têm feito ao procurar estúdios e produtores famosos internacionalmente para trabalhar nos seus discos ? Os padrões de qualidade estão cada vez mais próximos… concordas ?
Sim, foi tudo feito cá com a mestria do Hugo Camarinha, irmão do nosso guitarrista Sid. Não acho que seja um desperdício gravar lá fora, porque é sabido que se vai obter um trabalho com qualidade e isso acaba por se reflectir no impacto que provoca nos ouvintes. Dou-te o exemplo de que estes temas tinham sido gravados antes, sem esta qualidade, e notamos uma grande diferença nas reacções. Muita gente nos veio felicitar pelos bons novos temas, quando são exactamente os mesmos que ouviram antes e não gostaram tanto. É óbvio que uma boa produção faz uma diferença enorme e, se uma banda tem a possibilidade de o fazer, acho que é a melhor opção. Também é um facto que, nesta altura, começa a ser mais acessível obter boas produções em Portugal. A evolução dos computadores nessa área tem permitdo fazer trabalhos com uma boa qualidade e de forma menos dispendiosa. Temos actualmente alguns bons estúdios de onde têm saído óptimas gravações. Os padrões de qualidade estão mais próximos, mas ainda há alguma distância, principalmente no aspecto em que alguns desses produtores de renome têm uma enorme experiência e podem ajudar uma banda a conseguir algo superior a um mero trabalho bem gravado num bom estúdio. E isso ainda faz muita diferença...

Quanto ao fantástico trabalho gráfico não deixa de ter alguma originalidade quando comparado com a maioria do encontrado em discos de Death Metal. Qual o conceito por trás desse trabalho ? E dos próprios Theriomorphic ?
Theriomorphic é algo que tem a forma de um animal. Há a visão religiosa do Homem feito à imagem de Deus quando, na verdade, o nosso corpo e o nosso organismo são semelhantes aos dos outros animais, principalmente os mamíferos. É o Homem como um animal, resultante da evolução das espécies e não uma escultura divina. É, por isso, o negar da existência de Deus ou outras entidades espirituais. Quanto ao grafismo, tudo começou com um pedido da artista Claudine Rodrigues para fazer uma ilustração baseada numa letra de um tema nosso. Julgo que ela tencionava fazer isso com várias bandas. Inicialmente, ocorreu-me fazer isso com o “Death Almighty!”, o tema que dava nome ao trabalho que nunca chegou a ser editado. Apesar de ser uma homenagem ao Death Metal, a morte toda-poderosa é aquela coisa invencível e eu sempre quis ter uma representação dessa ideia. Entretanto, surgiu a nova gravação e, como já não fazia sentido insistir no mesmo título, pensei no título “Enter The Mighty Theriomorphic”, por um lado, pela pujança da gravação e, por outro, porque com todo o tempo passado sem nada de jeito editado, mudanças de elementos, etc., achei que era um título merecido. Falei com a Claudine, que se disponibilizou para ilustrar a obra. O conceito acabou por surgir naturalmente, porque trocámos ideias acerca das diferentes formas como se poderia fazer essa abordagem... ela fez diferentes propostas e quando olhei para as pinturas achei que todas elas poderiam ser usadas para uma capa. Ao mesmo tempo, não conseguia optar só por uma e deixar as outras de fora. Apesar de serem ilustrações com estilos um pouco diferentes, todas elas encaixavam bem naquilo que eu pretendia, por isso decidi usar todas. Pedi à Claudine que me enviasse mais algumas ilustrações - aquelas caras que aparecem no interior - que acabaram por permitir que juntamente com algumas montagens de imagens se conseguisse ter uma ilustração relacionada com cada tema. Também digitalizei o papel em que ela pintou, para usar como fundo, e foi-se tudo complementando.

Nos créditos do vosso disco torna-se complicado perceber, entre os dois guitarristas da banda, qual deles faz o quê? Um é solista e outro ritmo ou intercalam essa função? O trabalho de guitarras do vosso disco é verdadeiramente alucinante… qual o segredo ?
Desde o início, sempre houve um intercalar de guitarras. Tendo duas guitarras, explorámos um pouco esse facto, em vez de termos duas guitarras a tocar quase sempre o mesmo. Os solos eram também habitualmente partilhados pelos dois guitarristas. Com a entrada do Sid, um excelente solista como se pode notar, a situação mudou um pouco. Ele permitiu levar as coisas a um nível muito superior, em termos de solos. Os temas gravados deveriam ter solos mais distribuídos, mas durante a gravação acabámos por lhe dar mais liberdade de acção, porque era a escolha mais natural. Se por um lado ele não tinha tido participação em termos criativos, por outro, acabou por poder contribuir com os solos e arranjos, que também foram fundamentais para o resultado final que todos podem ouvir. Neste momento, a composição já é feita mais em torno da capacidade dele, mas o Zé também faz alguns solos e leads, e continua a ser a grande mente criativa em termos de riffs. É o único que ainda está comigo desde o início, apesar de ter estado fora do país e saído da banda, acabando por regressar a Portugal e ao seu lugar nos Theriomorphic. Uma grande parte da nossa música é da responsabilidade dele, talvez mesmo a maior parte...

Sei que o baterista que gravou o disco abandonou recentemente a banda, certo ? O que se passou ? Já têm susbtituto ?
Resumidamente, o Mário tem a sua banda, Lvpercalia, e preferiu marcar um concerto com eles na mesma data de um dos concertos de apresentação do nosso álbum. O concerto já tinha sido marcado com o consentimento de todos os membros da banda, incluindo o dele que era igualmente um membro de Theriomorphic, já tinha sido feita alguma divulgação, havia uma edição da Loud! já em impressão com o anúncio do concerto e ele comunicou-nos três semanas antes que não tocaria nesse concerto, porque escolheu tocar com Lvpercalia. A partir daí, para nós e também para ele, foi a única decisão que havia a tomar. Pedimos a ajuda do Juca, de Bleeding Display e Sannedrin, que se prontificou a tentar aprender os temas do CD em duas semanas e conseguimos dar o concerto, graças ao empenho dele. Também tocou no dia 7 de Janeiro, no Lótus Bar, vai tocar no concerto com Dismember e, depois disso, vamos ver se já começamos a trabalhar com um novo baterista.

Os Theriomorphic conseguem transformar um disco de um estilo que muitos dizem obsoleto em algo extremamente cativante e interessante de ouvir e sentir. Achas que o facto de ser já dificíl de inovar em determinados estilos de Metal pode funcionar como uma desculpa para as bandas fazerem discos desinteressantes e repetitivos ?
Essa é uma questão que tem muito que se lhe diga. Não considero o Death Metal obsoleto, muito pelo contrário! A minha visão é, tal como o cruzamento das várias vertentes que tocamos, a de que o Death Metal é a evolução natural do Heavy Metal. Inicialmente, começou como uma ruptura, mas depois assumiu as suas raízes e acabou por se tornar num estilo tão vasto e variado, que não pode ser considerado obsoleto. Em termos gerais, podemos dizer que Nile, Vader, Opeth, Arch Enemy, Hypocrisy, Kataklysm, Dark Tranquillity, Behemoth e outras, são bandas de Death Metal. São todas bandas que soam de forma completamente distinta umas das outras e são também bandas que fazem sucesso e são consideradas das melhores da actualidade. Os fabulosos Death são uma banda intemporal, por exemplo. Mesmo entre os outros estilos, seja o Thrash, o Black, o Doom ou mesmo o Heavy, se notam uns toques de Death Metal, por vezes. No chamado Metalcore, então, é gritante. Muitas bandas só não são consideradas bandas de Death por causa das vozes, porque instrumentalmente pouca diferença há. Isso não aconteceria se o Death Metal não fosse um género ainda com muito para dar. Claro que tudo tem os seus limites e há o perigo de se entrar facilmente em saturação. Mas isso parte das pessoas e da sua capacidade de inovação. Há bandas que tocam praticamente o mesmo durante anos e ainda têm sucesso. Há outras que não trazem nada de novo e conseguem agradar. Há bandas que conseguem ser diferentes, mas não conseguimos gostar delas. Há aquelas em que tentam ser iguais aos outros e se esquecem de serem eles mesmos. Eu acho que quando as pessoas conseguem tocar aquilo que realmente lhes dá gosto, podem conseguir impressionar. Não acho que os Theriomorphic sejam propriamente inovadores. Não queremos descobrir a pólvora, queremos sim tocar aquilo que nos dá prazer e que nos soa bem a nós. Simplesmente, não temos regras do tipo “este riff não soa a Death Metal, por isso fica de fora”. Desde que todos gostem ou aceitem um riff, usamo-lo sem problemas. Daí conseguirmos uma mistura que não é tão habitual, comparando com outras bandas que têm o livro das regras à frente e não fazem nada que não esteja lá escrito...

O vosso som transpira uma grande influência sueca…estarei certo ? Quais as vossas principais influências musicais ?
Sim, a escola sueca está entranhada na nossa música. E está entranhada em muitos estilos e bandas de todo o mundo. Conseguiram aquilo que mencionei de assumir as raízes, adoptando melodia e harmonias de guitarra na onda de uns Iron Maiden e afins. Não é um Death Metal que nega as influências das bandas mais clássicas e, graças a isso, conseguiram criar algo mais fresco e cativante. No que fizemos até agora e está representado no álbum, há influências de At The Gates, Hypocrisy, Dismember e Vader, que eram aquelas que apontávamos como referência, porque eram bandas que todos os membros adoravam e as que mais marcavam o nosso trabalho. Com as mudanças de formação, isso diluiu-se um pouco. Já não há um consenso tão grande em termos de gostos, por isso é mais difícil apontar influências nesta altura. Também já temos uma certa sonoridade definida, acho que as influências de outras bandas acabam por não ser tão fortes como no início.

Quanto à internacionalização da banda…há alguma coisa a acontecer ? Achas que este disco é suficientemente bom para ombrear com discos de bandas de editoras como a Nuclear Blast ou a Metal Blade ?
Aos poucos, estamos a tentar chegar mais longe. O CD está disponível através da The End Records, nos Estados Unidos, e está ou vai ser distribuído em mais países. O facto de aí sermos uma banda desconhecida, pode dificultar um pouco, mas vamos tentar despertar a atenção. Essas são editoras com as quais não é fácil ombrear. Também é um facto que nem tudo o que lançam é verdadeiramente impressionante, mas têm uma forte promoção por trás e isso pode ser mais fulcral do que ter um disco bom ou melhor do que as bandas deles. De qualquer forma, acho que é um disco que pode agradar muito a quem o ouvir e não temos vergonha nenhuma de o ter como cartão de visita...

O que podemos esperar dos Theriomorphic a curto/médio prazo ?
Vamos ver se arranjamos um baterista permanente, para já. Em Abril, participamos em 2 dos maiores e mais antigos festivais de Metal: o Hard-Metal Fest, em Mangualde, e o SWR, em Barroselas e deveremos dar mais alguns concertos por essa altura. Para além disso, estamos desejosos de preparar material para voltarmos a gravar assim que for possível. O “Enter The Mighty Theriomorphic” é um retrato do trabalho feito durante os setes anos em que a banda esteve realmente activa, agora queremos retratar o que a banda é actualmente, com os temas novos que já temos, os que estão ainda incompletos e outros que ainda vamos compor. É possível que também se faça uma reciclagem num ou outro tema mais antigo, mas queremos essencialmente criar coisas novas...

Últimas palavras…
Parabéns pelo teu trabalho e pelas perguntas, que deram muito gosto em responder. Posso ter exagerado na extensão das respostas, mas tu é que puxaste por mim. Muito obrigado pela entrevista e desejos de muito sucesso para a Opuskulo!

terça-feira, dezembro 27, 2005

Em entrevista...THE SYMPHONYX

Persistência e amor à causa são duas das principais características que definem esta banda vimarenense. Com uma carreira que já celebrou uma década, os The Symphonyx editam agora o seu disco de estreia, «Opus I:Limbu», um marco no que diz respeito ao Rock Gótico e sinfónico "made in Portugal" que a Opuskulo procurou descobrir...
Estão satisfeitos com o resultado final deste vosso disco de estreia? Como têm sido as reacções até à data?

The SymphOnyx – O resultado final deste disco satisfez-nos bastante, tendo em conta as condições em que foi gravado. Sem grandes recursos financeiros, tivemos de nos fazer valer de alguns conhecimentos e amigos para podermos conjugar todos os elementos necessários à concretização do trabalho. Assim sendo, este disco acabou por se tornar uma agradável surpresa, mesmo para nós. O Daniel Cardoso (Head Control System) fez um trabalho competente, conseguiu captar eficazmente toda a essência da banda. O feedback que temos obtido, embora ainda algo ténue, já nos indicia uma receptividade bastante animadora por parte de quem ouve o disco. Há um grande interesse em saber onde e quando vamos tocar, fervilha a actividade em torno do projecto, havendo desdobramentos por parte de todos, banda e editora, para que as coisas funcionem em pleno.

Após a edição de «Psicofantasia», em 1997, acreditei que rapidamente editariam um disco de estreia. No entanto foi preciso esperar 8 anos para tal acontecer. A que se deveu tanta demora? Surgiram outras oportunidades para gravar um disco ao longo desses anos ou esta foi a primeira? Sentem-se de alguma forma injustiçados por a vossa carreira não ter tomado um outro rumo?

T. S. – Pode dizer-se que a nossa carreira está ainda no início, mesmo existindo há dez anos. Foram anos de muito sacrifício em que nos dedicamos, essencialmente, a construir património, fazendo trabalhos paralelos que nos rendiam mais do que propriamente tocar ao vivo e gravar discos. Nesta fase, temos uma maior consistência e os objectivos estão mais definidos e ao nosso alcance. Queremos, doravante, dar continuidade a este primeiro passo que é o “OPUS 1: LIMBU” e já há planos para novo disco e um futuro muito prolífero. A partir de agora, vamos procurar marcar definitivamente a nossa posição no mercado.

Apesar de nas vossas composições se escutar uma panóplia de instrumentos e vozes femininas, os The SymphOnyx apresentam-se apenas com 3 elementos oficiais. É mais fácil manter o núcleo duro da banda unido e convidar outros artistas para tocarem nos vossos discos sem, no entanto, figurarem como elementos oficiais do grupo?

T. S. – Os elementos convidados surgiram num contexto de definição de objectivos para este trabalho. Concebemos as ideias tendo sempre em conta o facto de termos de os incluir em vários momentos-chave do disco, por forma a enriquecer o produto final. O núcleo duro da banda continuará a ser composto por quatro elementos (com o técnico de som Carlos Martins), mas já há uma abertura da nossa parte, pois foram já incluídos no projecto mais três elementos (guitarra – João Pinheiro, voz feminina – Carla Ricardo e baixo – Tiago Abreu), os quais já poderão constar no próximo disco. Quanto às cordas, acompanham-nos pontualmente em concertos de maior visibilidade e quando os recursos financeiros de quem nos contrata assim o justificam.

De que forma pretendem transpor as partes tocadas por artistas convidados para o formato “ao vivo”? Utilizarão gravações?

T. S. – Em muitos espectáculos, iremos contar com a colaboração de todos, embora parte deles (quarteto de cordas) sob contrato. Aí, o nosso espectáculo terá um custo adicional para cobertura dessas despesas. Em locais mais pequenos, dificilmente poderemos levar o line-up de dez elementos, sendo previsível a exclusão das cordas que serão colmatados com samples adequados, mas de qualquer forma, estamos a seleccionar com rigor os sítios onde vamos dar espectáculos, procurando criar um estatuto próprio que nos permita dar definitivamente o salto qualitativo que desejamos.

Se pudessem escolher um país onde os The SymphOnyx tivessem nascido e vos garantisse um maior sucesso, qual escolheriam? Consideram que o mercado e a indústria musical portuguesa são, de facto, um entrave a um maior reconhecimento de bandas com valor que temos no nosso país?

T. S. – Embora o nosso estilo musical se encaixe mais nos países nórdicos, acreditamos que o mercado americano tenha os condimentos certos para levar mais longe o nosso trabalho. A Alemanha também seria interessante. De qualquer forma, já há resultados claros de uma primeira internacionalização do projecto, pois já temos assegurada a edição russa do disco e estamos em negociações com a Grécia. Portugal é um país pequeno e difícil, mas queremos também marcar pontos cá, para depois abordarmos melhor a perspectiva de exportação.

Os The SymphOnyx apresentam-se num contexto relativamente isolado no panorama musical português. Nem são Metal, nem são Rock, nem são Gótico…como definirias o vosso som? Achas que o facto de não existirem outras bandas dentro do vosso estilo vos dificultará a vida em termos de presença em cartazes de concertos, entre outras actividades?

T. S. – Existe actualmente uma maior abertura do mercado para géneros fusionados como o nosso. Abriu-se uma porta com o surgimento de projectos como Nightwish, Within Temptation ou mesmo Evanescence. Não pretendemos, de forma alguma, colar-nos a estes nomes, mas é inegável que, em termos de abordagem sonora, a mescla de influências traz-nos vantagens. Também não acreditamos que a música possa ser o resultado de um rótulo, pois antes disso, e acima de tudo, é música. De uma forma global, há uma maior aceitação de fusões de géneros, o que nos vem beneficiar. Pode ser que, de agora em diante, se concretize o nosso objectivo de inclusão em cartazes de festivais e outros concertos alvos de uma maior cobertura.

Sendo os elementos dos The SymphOnyx de uma faixa etária elevada comparativamente à maioria das bandas que edita discos de estreia actualmente, ainda sentem o entusiasmo e alimentam a ilusão que um jovem de 19 ou 20 anos sente quando vê o seu primeiro disco editado ou dá os seus primeiros concertos? A vossa relação com a música passa apenas como um “hobbie” ou ambicionam algo mais?

T. S. – A música não tem idade e o entusiasmo continua a ser o mesmo, apesar do tempo não perdoar. Temos, no entanto, a vantagem de perceber melhor esta indústria e como tudo funciona. O patamar de exigência já subiu mais um degrau, e temos o direito e o dever de exigir mais de nós próprios e do mercado que nos acolhe. Podemos confirmar uma crescente paixão em torno do nosso trabalho, quer da parte de quem nos apoia, quer da comunicação social que nos vai dando alguma atenção, o que nos deixa extremamente satisfeitos.

O que têm planeado em termos de actividades de promoção a este disco a curto/médio prazo?

T. S. – No imediato, há actividade prevista para Janeiro e Fevereiro, com um concerto a 14 do primeiro mês do ano e a 4 do segundo. Esta última data servirá de concerto de lançamento, a acontecer em Guimarães, no Teatro Oficina, e será recheada de surpresas. Estamos ainda a fazer a nossa agenda de espectáculos, mas há previsões para um ano de 2006 bastante preenchido, com os The SymphOnyx a regressarem em pleno à actividade.

Palavras finais…

T. S. – Um óptimo ano de 2006 a todos os leitores da opuskulo e acreditem na boa música portuguesa, pois ela anda aí. É só abrir a porta do limbo…

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Em entrevista...THE FIRSTBORN


«The Unclenching of Fists» marca o regresso dos The Firstborn às edições discográficas e é já um disco emblemático do ano 2005 e do últimos anos do Metal nacional. A Opuskulo falou com o vocalista, e principal mentor do projecto, Bruno Fernandes no sentido de desvendar os segredos deste novo disco e de uma banda que, cada vez mais, parece ter nascido no país errado...
Os The Firstborn dispensam apresentações…sendo assim começo logo por te perguntar como têm sido as reacções a este “The Unclenching of Fists” tanto por cá como lá fora ?

As reacções têm sido, geralmente, muito boas... exceptuando um ou outro caso, pontual, em que me pareceu que a pessoa nem ouviu o disco uma vez. Tendo em conta que não é um trabalho que se apreenda apenas com uma audição integral, dificilmente se poderia esperar, nesses casos, uma opinião favorável ou, pelo menos, devidamente formada. Não obstante, e o que é realmente importante, creio que as pessoas que compraram um exemplar do álbum não se arrependeram de o fazer... e prezo mais essas opiniões do que as de qualquer “jornalista” que recebe 90 promos por dia.

Pessoalmente parece-me que este novo disco está um pouco à frente no seu tempo e talvez não seja devidamente apreciado actualmente. Concordas ?

Sim, essa era uma ideia que eu tinha antes da sua edição, mas as opiniões têm sido tão favoráveis que, sinceramente, já não tenho tanta certeza de que assim seja. No entanto, o passar dos anos o dirá... seria gratificante deparar-me com pessoas a “descobrirem” o “The Unclenching of Fists” daqui a dois ou três anos, ou até mais. Tendo em conta a minha opinião pessoal de que toda a grande música é verdadeiramente intemporal, nada me satisfaria mais...

Os The Firstborn, apesar de se enquadrarem no espectro Black Metal, são muito mais do que isso. Fala-me um pouco como decorre esta simbiose de influências que congregam nas vossas composições ? Em que se influenciam?

Basicamente, em tudo. Eu e o Paulo (guitarrista) compusemos este trabalho na sua quase totalidade, pelo que seremos os “culpados” pela sua orientação... o Paulo tem influências maioritariamente “old-school”, principalmente Thrash e Speed Metal antigo, bem como algum Death e Black Metal. Eu comungo das mesmas influências, juntando a isso um maior acompanhamento do que se vai produzindo, e um gosto crescente por World Music, que incorporei na nossa sonoridade. Assim, e resumindo, esta amálgama de influências moldou-se ao conceito que elaborámos para “The Unclenching of Fists”, sendo que procurámos “ilustrar” musicalmente os diversos momentos descritos nas letras, que incluem uma vastíssima gama de emoções e conduziram, portanto, a uma igualmente vasta gama de sonoridades.

A nível lírico parece-me que trilham caminhos igualmente originais e distintos da maioria das bandas de Metal extremo. Queres falar-me um pouco do conceito que está por detrás da música dos The Firstborn ?

Actualmente, e após um período de experimentação e indefinição (caso do disco anterior, “From The Past...”), abordámos o universo cultural oriental, particularmente a sua vertente filosófica e religiosa, numa das suas mais místicas vertentes, o Budismo Tântrico. O que inicialmente surgira como uma preocupação estética em adoptar novas sonoridades e misturá-las com a nossa própria música, desenvolveu-se numa necessidade de aprofundar e estudar todo este “mundo”, o que se reflecte no conteúdo lírico de “The Unclenching of Fists”. Não obstante, esta abordagem foi ainda algo superficial, limitando-se ao “Livro dos Mortos” tibetano, que embora constitua uma obra axiomática desta expressão religiosa, é apenas uma pequena parte do que pretendo explorar, doravante.

Após a edição de «From the Past Yet to Come» os The Firstborn desapareceram e muitos acreditaram que tinham cessado funções (eu inclusive). O que originou essa pausa de vários anos ? A banda esteve realmente parada ou em risco de cessar funções ?

Creio que ao ouvir o “The Unclenching of Fists” se percebe facilmente que não foi um trabalho elaborado em um par de meses... estivemos parados cerca de um ano, e mesmo nesse período trabalhávamos, individualmente, em ideias para este álbum. Depois seguiram-se 3 anos de composição e mais um de gravação, foi um processo muito moroso dado envolver muita experimentação e o “desbravar” de territórios aos quais não estávamos minimamente habituados (e, em alguns casos, para os quais não estávamos preparados). Creio que nunca se pôs verdadeiramente em causa a continuidade do projecto, embora a vertente “live-band” tenha sido, efectivamente, posta de parte durante bastante tempo... e pode ser que o volte a ser, dada a miserável situação em que o panorama de concertos se encontra.

Quanto à vossa editora, optaram por firmar acordo com uma jovem editora nacional. Foi a única opção que tiveram ou foi a que acharam melhor ? Porquê a escolha ? Ambicionam já num próximo disco dar o salto para uma editora de maiores dimensões ?

Foi a única opção, até porque depois do interesse da ProCon não voltámos sequer a ponderar procurar editora para este disco... além de assim lidar com pessoas que conheço há largos anos e em quem confio plenamente, creio que o trabalho por eles desenvolvido na Equilibrium Music fala por si. Os primeiros passos da ProCon são, obviamente, pequenos e ponderados, mas com perseverança, vejo nesta o potencial para se desenvolver e crescer, tendo a qualidade de cada lançamento como base de trabalho, ao contrário do que sucede com muitas editoras que procuram apenas o lucro fácil e imediato.

Ao longo de todos estes anos de luta nos meandros do underground nacional, como tens visto a sua evolução ? Achas que actualmente vivemos num clima bem mais favorável para as bandas portuguesas do que aquele que se vivia na altura em que editaram o vosso primeiro disco ? Que época preferes, o presente ou passado ?

São tempos diferentes... não gosto de me rever no papel do “veterano moralista”, pelo que me abstenho de grandes comparações. Hoje em dia existem, obviamente, facilidades que não existiam há uma década, como existirão outras tantas daqui a uns anos... essas facilidades são extremamente positivas pois permitem melhor divulgar os bons projectos, mas simultaneamente permitem inundar o mercado com uma tal quantidade de lançamentos de qualidade medíocre que muitas vezes esses mesmo “bons projectos” passam completamente despercebidos. Ainda assim, vejo muito mais qualidade geral no que se vai fazendo, maior profissionalismo nos aspectos sonoros e gráficos... mas, por vezes, perde-se um pouco a originalidade que em tempos caracterizava as bandas portuguesas. É muito ingrato comparar o passado e o presente, prefiro pensar no porvir.

Consideras que o facto de Portugal ser um país periférico a nível europeu continua a funcionar como uma “handicap” à evolução das suas bandas ?

Já o foi mais, como aliás a crescente quantidade de bandas underground de todo o mundo que por cá tocam parece provar... ainda assim, falta às bandas portuguesas a capacidade de se mostrarem nos palcos europeus, excepção feita a casos como os Lux Ferre, Necrose e GoldenPyre, que se vão regularmente aventurando por essa Europa fora. Essa exposição poderia conduzir a propostas mais interessantes de distribuição, e a uma maior exposição e interesse da imprensa e do público... mas são riscos muito grandes, e exigem bastante da vida pessoal e profissional de cada músico, pelo que é um pouco complicado à maioria dos projectos dar esse passo em frente.

A título de curiosidade, e uma vez que estamos no final de mais um ano, indica-me os 3 discos que merecem um maior destaque a nível internacional e 3 a nível nacional editado durante o corrente ano ?

- Primordial – “The Gathering Wilderness”
- Gojira – “From Sirius to Mars”
- Code – “Nouveau Gloaming”
- Filii Nigrantium Infernalium – “Fellatrix Discordia Pantokrator”
- Storm Legion - "The Eye Of The Prophet"
- Corpus Christii – “The Torment Continues”

Por onde passam os vossos planos a curto/médio prazo ?

Essencialmente, por gravar o próximo disco, em que já estamos a trabalhar, e conseguir editá-lo... isto se a “indústria discográfica” sobreviver até então! Depois disso, e se se proporcionar algo de interessante nesse sentido, tocar finalmente umas quantas datas pela Europa... pelo menos.

Últimas palavras…

Obrigado pelo contínuo interesse demonstrado neste projecto, ao longo de todos estes anos... espero que ambos prossigam por outros tantos. Aos eventuais leitores, espreitem o nosso site –
www.thefirstborn.net - ou o nosso perfil no MySpace (sim, toda a gente tem um...) – www.myspace.com/unclenchedfists - e oiçam os samples em mp3, caso ainda não o tenham feito.

“As trees bear fruit, may these words bear the fruit of a good karma.”
Entrevista por: Ricardo Agostinho

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Em entrevista...GRIMLET


Apresenta-nos os Grimlet… Quem são? Quando apareceram? Quais os vossos planos para mudar o Mundo…?

A génese de Grimlet dá-se em 1999,quando Nazgul (Voz), Alex (Teclados) e Jordão (Guitarra), ex-membros da banda Sacrum, decidem pôr em prática algumas ideias que tinham relativamente a um metal mais extremo.Recrutam Nero (Baixo), um amigo de longa data, algum tempo depois junta-se ao projecto Gorth, ex-membro da banda Milraz e, três anos mais tarde, após dissolução da banda Nonsense-Package, Luís (Bateria) completa assim a formação de Grimlet. Após muito trabalho de composição e ensaios, Grimlet dá os primeiros concertos e ganha assim consistência e coesão em termos de banda.Em Outubro de 2003, iniciam-se as gravações de “Darkness Shrouds The Hidden”, nos Estúdios EchoSystem, em Barcelos, com o Produtor Rui Santos (Oratory). Após um intenso período de gravação e produção, e trabalhoso período de produção gráfica e licenciamento, o CD é finalmente editado pela própria banda e também apresentado, ao vivo, na final do “RockMusic Metal-Challenge”, no palco do Hard-Club, em Vila Nova de Gaia, em Setembro de 2004. A apresentação oficial do CD foi feita em Setembro deste ano, com um excelente concerto e grande festa no Nyktos Bar, na Figueira da Foz. Quanto a planos para mudar o mundo, não somos pretensiosos, mas gostávamos que pelo menos o “mundo” do metal tivesse mais visibilidade, atenção e divulgação no meio musical nacional.

Como têm sido as reacções a este vosso primeiro EP a nível nacional e internacional?

As reacções da crítica têm excedido as nossas expectativas. Isto quer sejam em relação ao CD, quer em relação às actuações da banda ao vivo. Algumas reviews de “Darkness Shrouds The Hidden”, foram já publicadas e podem ser lidas nos sites da Metal-March e no vosso blog Opuskulo( www.metal-march.com e www.opuskulo.blogspot.com ). À presente data aguardamos ainda mais publicações. Relativamente às actuações da banda ao vivo, tivemos boas críticas por parte das revistas LOUD, RocKSound e alguns sites de metal também. Fomos também contactados por uma editora francesa, à qual muito agradou o nosso trabalho, mas não foi possível chegar a um acordo que agradasse a ambas as partes. Estamos neste momento a efectuar contactos para um contrato de edição/distribuição, para que o nosso trabalho possa chegar a todo o público.

Porquê da edição deste EP num formato totalmente profissional? Acham que esse poderá ser um factor que vos confira vantagem na aproximação a editoras em relação a outras bandas que optam por edições mais “caseiras”? Uma edição profissional não será um risco financeiro demasiado grande para uma banda que dá os seus primeiros passos?

Embora seja, obviamente, um risco optar por uma edição totalmente profissional, esse profissionalismo e “a vontade de fazer bem e diferente” fazem parte da filosofia da própria banda e não o teríamos feito de outra forma. E além da experiência acumulada ao longo destes anos, já tivemos provas (contactos de editoras nacionais e internacionais, entre outras reacções) que esse profissionalismo confere efectivamente alguma vantagem ao nosso trabalho, embora continue a ser difícil, na hora de chegar a um acordo, todo esse profissionalismo e empenhamento ser verdadeiramente valorizado.Risco financeiro? Claro que sim, mas quando tens objectivos que passam por mostrares o teu valor e fazeres aquilo que mais gostas, o dinheiro não tem assim tanta importância.

Os Grimlet são oriundos da Figueira da Foz, uma região, a juntar à de Coimbra, pouco produtivas em termos de bandas de Metal. A que se deve esse facto? Não acredito que não haja fãs de Metal por aí. Mas sentem falta de apoio para a formação e viabilidade de uma banda?

Não é certamente pela falta de fãs de Metal porque somos muitos, e não achamos que sejam assim tão pouco produtivas, mas o que existe, efectivamente, é muita falta de apoio ao metal no distrito de Coimbra, passando pela dificuldade em encontrar salas de ensaio, e toda a logística inerente à promoção e divulgação do Metal mas sobretudo, bares ou outros sítios onde possas fazer concertos e mostrar o teu trabalho, o que torna tudo bastante mais complicado. Por outro lado, e isto não é só nesta região, entre as bandas continua a ser privilegiado o factor “competição” em detrimento do factor UNIÃO, e neste país e na música em particular, “a união faz a força”.

Em termos de concertos tenho tido alguma dificuldade em encontrar cartazes nos quais os Grimlet estejam presentes! Sentem dificuldades em conseguir actuações?

Sim. Além da dificuldade em articular a disponibilidade de todos os membros, pois não somos (ainda) uma banda profissional e todos os membros têm vidas pessoais atribuladas, fomos forçados a substituir (por motivos pessoais e por tempo indeterminado) um dos guitarristas (Jordão), pelo guitarrista Rui TodoBom, o que nos obrigou, inevitavelmente, a despender muito tempo de ensaios e preparação para essas actuações. Por um lado temos dificuldades em conseguir actuações na zona centro, porque os sítios que existem ou já lá tocámos ou vamos tocar brevemente, como é o caso do NyKtos Bar na Figueira da Foz onde estivemos em Setembro deste ano a apresentar oficialmente o CD, Via Latina em Coimbra (data ainda a confirmar) e Ar de Rock Caffé em Porto de Mós (4 de Março de 2006). Com o encerramento do Le SoN (Coimbra) perdeu-se uma óptima sala de concertos, que começava a crescer e a ganhar visibilidade a nível nacional, onde todos os fins-de-semana tinhas bandas nacionais a tocar ao vivo e onde o Metal tinha também um espaço privilegiado. Por outro lado e pelos motivos acima referidos, o “ataque promocional” só agora foi lançado e à presente data aguardamos ainda respostas a contactos feitos nesse sentido.

Pela organização dos temas e pelo título de alguns parece-me que o vosso trabalho adopta um conteúdo lírico conceptual. Estou correcto? Do que trata exactamente?

Achamos sempre muito mais interessante cada ouvinte retirar das letras e da música o seu próprio conceito ou interpretação, mas por detrás das letras de todas as músicas de Grimlet existe um elemento comum: a luta incessante entre o Bem e o Mal, sendo que no nosso caso, o Mal prevalece sempre. Em “Darkness Shrouds The Hidden”, podemos dizer que tudo foi composto para que fosse criado o ambiente/conceito profundamente oculto e sinistro, específico para cada música e, por fim, ao trabalho como um todo a nível lírico e musical.

Quanto a futuras edições, há já alguma coisa em vista ou a ser preparada? Será novamente por vossa conta e risco?

Sobre isso, o que podemos avançar é que estamos, simultaneamente, a compor e a apresentar ao vivo, a par com “Darkness Shrouds The Hidden”, material novo, que poderá, futuramente, fazer parte de um novo trabalho desta vez num formato longa duração e, se possível, não por nossa conta e risco novamente, o que também não quer dizer que não volte a acontecer. Se bem que, a curto prazo, os objectivos são a promoção do CD ao vivo, o lançamento do site oficial da banda, um contrato de edição e distribuição e a aposta numa componente ao vivo cada vez mais extrema e profissional.

Últimas palavras…

Gostaríamos de aproveitar para dizer que o CD pode ser adquirido on-line, fazendo as vossas encomendas directamente para o nosso e-mail
grimlet@sapo.pt, através do site (provisório) da banda http://artists.iuma.com/IUMA/Bands/Grimlet, através da loja Clave de Sol http://clavedesol.produtor.com e ainda nas principais lojas de metal de Coimbra (D’Artemusica) e Figueira da Foz. Agradecemos a oportunidade que nos deste de dar esta entrevista e as palavras finais vão para todos os que de alguma forma nos apoiaram ao longo destes anos (Rui Santos @ EchoSystem Studio, pessoal de Barcelos, Coimbra e Figueira da Foz, bandas que connosco partilharam o palco) e todos os que nos continuam a apoiar...Keep The Metal Flame Burning… GriM On!!!

segunda-feira, outubro 31, 2005

Entrevista Pitch Black

Terei de começar por vos perguntar como estão a ser as reacções a «Thrash Killing Machine» ? Têm uma ideia de quantas unidades já venderam ?

As reacções estão a correr muito bem. Tendo em conta que é o primeiro álbum, tanto quem o compra como quem o divulga nos órgãos de comunicação tem gostado. As críticas têm sido muito positivas. Não tenho um número fixo de quantos já terão sido vendidos mas anda à volta dos 500.

Em relação ao estrangeiro, o disco está a ser distribuído lá fora? Quais as principais reacções que vos têm chegado e de que países?

O disco está a ser distribuído lá fora mas, para já, apenas em distribuidoras e lojas online. Temos o disco à venda no Rock Detector (www.rockdetector.com), entre outros. Do estrangeiro, o maior e melhor feedback que temos tido é de países como os EUA, Inglaterra, Grécia, Brasil, Finlândia e Polónia.

Optam por se manterem fiéis ao Thrash Metal, estilo que abordam desde os tempos Whithering, embora com ligeiras variações. Dá ideia que acima de tudo fazem música para agradar a vós próprios, certo? Seriam capaz de ceder musicalmente a um outro capricho para que um disco tivesse uma outra aceitação por parte do público e dos media?

Só se fosse ao Nu-Metal! Hehe estou a brincar! Claro que não! É isto que gostamos de fazer e é com isto que nos sentimos bem. Temos uma mensagem a transmitir e queremos chegar ao maior número de pessoas possível mas é a fazer o que queremos. Queremos que todos saibam que o Thrash Metal não morreu, que vai continuar e nunca se vai extinguir.
Vale a pena acreditar que existe um movimento underground forte e organizado em Portugal ou essa ideia não passa de uma ilusão ? Julgo que os Pitch Black ainda são das bandas que procuram mais afincadamente conservar esse espírito activo…

Forte e organizado? Não me parece! Aliás, aí está uma qualidade cada vez mais rara. Ou são bandas que não tocam com determinadas bandas, ou em determinados locais ou em determinados eventos. Há um egoísmo patente na mentalidade Underground que não existia com tanta abundância como agora. Isto transmite-se para o público e começam a haver pessoas só a apoiar certas bandas e certos eventos. Há uns anos atrás qualquer fan de Metal ía ver um concerto dos Helloween. Agora, tens uns que vão ver Deicide mas já não lhes agrada ir ao dos Annihilator. Isto não acontecia antes. A mim, vêm-me num concerto de Hard Rock e a seguir num de Grind. Hoje em dia, e para resumir, é tudo muito selectivo e não entendo porquê. Acho que se aprendeu a desvalorizar certos estilos e certas bandas de Metal. É mais que evidente que também tem a ver com gostos pessoais. Agora, como esses gostos se alteraram de uma maneira tão radical e selectiva ao longo dos anos, é que já não consigo explicar.

Se pudesses mudar 3 coisas em termos musicais no nosso país quais escolherias?

As mentalidades, as rádios e as editoras multinacionais.

E em termos gerais, o que mudarias?

Trocava todos (sem excepção) os políticos que temos, por outros mais honestos, mais trabalhadores e mais interessados em melhorar determinados problemas no País (será que existem)? Algumas leis burocráticas dos órgãos do Estado Português feitas para nos levar dinheiro por tudo e por nada. Para os ricos, isso é pouco, mas para os pobres é dinheiro que faz falta para comprar comida. Mudava algumas mentalidades ignorantes de pessoas que já não têm muito dinheiro, mas que tendem em gastá-lo (o pouco que já têm) em prol de um bom telemóvel, um bom carro e umas boas calças de marca, como se isso fosse torná-las pessoas melhores, quando o que realmente conta para elas é a aparência. Mudava o conceito de rádio e televisão em Portugal, pois parece-me que os significados das expressões “cultura” e “entretenimento” estão completamente distorcidos na sociedade em que vivemos.

Quanto a planos a curto/médio prazo, o que podemos esperar dos Pitch Black ?

Os concertos da tour “Thrash Metal Dominion” acabaram. Começaram em Março e acabaram em Setembro. Estamos a trabalhar em material novo e há a hipótese de entrarmos de novo em estúdio para gravarmos 2 ou 3 temas para enviarmos de novo para as editoras. Entretanto, temos uma ou outra surpresa reservada para o ano que vem.

Últimas palavras…

Obrigado Ricardo pela oportunidade e pelo interesse e apoio que sempre nos deste. Keep Thrashing!!!