Ares: As músicas nascem, quer de riffs de guitarra, malhas de baixo, letras dispersas ou melodias vocais, depende da inspiração e do instrumento que esteja a tocar. Normalmente gravo todas as ideias no computador e o Dikk faz o mesmo, quando juntamos tudo começamos o verdadeiro trabalho criativo, gravamos um demo com todas as músicas e passamos aos ensaios antes da gravação do final. Nesta fase a Ruby ainda não participou na composição pois quando ela chegou já tínhamos quer a musica quer as linhas de voz e letras concluídas. No entanto foi a opinião e o input musical da Ruby que durante as gravações da demo nos levou a aperfeiçoar as músicas.
Os temas entretanto gravados e disponibilizados no vosso site revelam uma qualidade e maturidade fora do comum em Portugal. Duvido que o próximo registo não saia ligado a uma editora. O que nos podes adiantar quanto a isso?Ares: De momento a nossa prioridade é acabar as gravações e alguns arranjos nas restantes músicas, temos cerca de 13 temas prontos para ensaiar bastante e tocar ao vivo tanto quanto possível, ao mesmo tempo vamos promovendo a demo “Descending Fires”, não temos pressa em editar o disco mas pelas criticas e feedback positivo que temos tido acredito que até ao final do ano vamos lançar o disco.
Musicalmente os Witchbreed apresentam alguma originalidade ao criarem uma simbiose entre o Gothic Metal com vozes femininas e algum Rock progressivo. Foi uma aposta premeditada ou simplesmente surgiu dessa forma? Podes elucidar-nos um pouco melhor sobre as influências dos elementos da banda?Dikk: No princípio de 2005 quando começámos esta pré-produção, decidimos fazer algo mais orgânico, menos orientado para o lado electrónico, algo que soasse mais “banda”, mais “old school”. Como tal, toda a raiz de composição veio das guitarras ou de linhas vocais, o que nos fez afastar dos elementos não humanos e trabalhar exclusivamente num formato mais tradicional, recorrendo esporadicamente ao synth para reforçar alguns momentos mais teatrais que existem nas canções. Pessoalmente, não posso apontar grandes influências, mas algo que podia falar mais em termos artísticos como Adrew lloyd Weber, Peter Jackson e George Horwell.
Ruby: Tenho como influencias : Meshuggah, Dream Theater, Pain of Salvation, Evergrey, Ark, ou seja, Rock/Metal progressivo e Melódico.
Ares: As minhas influências continuam a ser Bathory, Type O, Nevermore, Root, Slayer, Morbid Angel, Deicide, Metallica, Black Sabbath, Venom, Celtic Frost , Death, The Gathering, Tiamat, Samael, NIN, Sisters of Mercy, Fields, Dead can Dance, Corvus Corax etc.
Olhando para a vossa curtíssima carreira não resisto em estabelecer um paralelismo com os desaparecidos Icon & the Black Roses, ou seja, uma banda que surge do nada e logo com temas extremamente profissionais e de enorme potencial, editando um disco e desaparecendo. Temes que o mesmo suceda com os Witchbreed? Podemos de facto esperar uma carreira sólida e duradoura da vossa parte ou serão os Witchbreed apenas um projecto?Ares: Não conseguimos prever o futuro mas sabemos que a vontade de criar musica como um reflexo da nossa aspiração artística é mais forte do que qualquer plano preconcebido. Witchbreed espelha o que pretendemos alcançar neste momento, e acho que estamos tão confiantes com o presente que acabamos por não olhar para o que nos espera á frente. A preocupação imediata que temos é a de gravar o disco, ensaiar, tocar ao vivo e promover a demo “Descending Fires”. A verdade é que nós não surgimos exactamente do nada, inclusive a Ruby já tem larga experiência de tocar em bandas, tanto eu como o Dikk e o João Nuno Barros que gravou a bateria e que é o baterista de DeepSkin já tínhamos tocado todos juntos, gravado etc. Apenas baralhámos as peças todas outra vez e voltámos a distribuir…
Ruby: Apesar do nome da banda ser Witchbreed Eu não sou uma ‘’witch’’ E não posso adivinhar o futuro, mas se depender de nós, Witchbreed irá crescer e evoluir sempre unidos e a lutar pela mesma causa.
Em jeito de provocação, até que ponto consideras crucial para o sucesso de uma banda esta possuir um ou uma vocalista verdadeiramente carismático/a? Consideras a imagem de uma banda ou do seu frontmen (no vosso caso frontwoman) tão importante como a sua qualidade técnica e expressividade?Ares: Claro que é muito importante, todos os factores contam mas o que é realmente fundamental é que juntamente com as características musicais de cada membro haja um espírito de banda e a Ruby entendeu perfeitamente o nosso espírito de grupo que apesar de partilharmos estilos de vida muito diferentes ela foi tolerante ao ponto de nos aceitar, e nós a ela. Sem dúvida acho que a voz, a atitude, o sentido estético e a autoconfiança da Ruby marcam a diferença em qualquer banda. A performance e a naturalidade dela em estúdio é irrepreensível, e a confiança que deposita no nosso trabalho faz dela uma excelente camarada de armas.
Ruby: É Muito importante ter não só um vocalista carismático como todos os elementos desta. Ninguém quer ir ver um show de uma banda por mais boa que esta seja com 3, 4 ou 5 estátuas em cima de palco.
Quanto a aparições ao vivo, sei que nunca deram nenhum concerto, certo? Há planos para o fazerem a curto/médio prazo? Faz parte dos objectivos dos Witchbreed percorrer alguns bares habituais pelos quais passam as bandas de Metal ou serão mais selectivos quanto a locais para concertos?Ares: Sim, depois de acabarmos o trabalho de estúdio vamos começar a tocar ao vivo. Gostávamos de ser tão criteriosos quanto possível em relação ás condições e local para concertos, no entanto só os podemos decidir quando as oportunidades se concretizarem. Para já temos convites para tocar na Moita, Lisboa, Beja e no Pragal, tudo em princípio para o começo da Primavera. Estamos preparados para tocar quer em bares pequenos ou em estádios de futebol, desde que se dignifique o trabalho dos músicos envolvidos. Limitamo-nos a demonstrar ao público o que se passa nas nossas sessões de estúdio ou nos ensaios, um mistura de sentimentos, sempre pejados pela mais negra das cores e plena de oscilações abruptas do espírito. Acho que essencialmente pertencemos ao mundo do Heavy Metal, no fundo é isso que um de nós é, um mais progressivo, outro mais gótico ou outro membro mais melódico, no fundo somos todos metalheads de espírito e headbangers de coração.
Podes adiantar-nos um pouco o que podemos esperar da vossa parte em breve? Algum disco na forja? Que orientações levam os novos temas?Ares: De imediato temos que tirar fotos, a saga da sessão fotográfica está-se a tornar numa verdadeira maldição, pois andamos a tentar desde há mais de um mês e por varias razões nunca conseguimos cumprir os prazos. Depois temos o site para colocar online e ao mesmo tempo acabar a pré-produção do disco, são cerca de 13 temas mas podem ainda surgir mais alguns que ainda não decidimos, e podemos inclusive optar por retirar algum dos temas actuais, tudo depende do que nos inspirar o resultado final, que acaba sempre por se revelar muito diferente do que é á partida. Estes temas que já estão concluídos variam entre a melancolia e a escuridão, mais ambiente e mais coros épicos a reforçarem malhas letais de guitarra com grooves pesados de baixo com uma bateria demolidora e tribal. Tudo muito escuro, muito negro e angustiante coberto por uma voz de autoridade e poder. A seguir só o tempo pode ditar a sequência dos eventos futuros.
Para quem ainda não vos conhece apresenta-me três argumentos que utilizarias para convencer alguém a ouvir Witchbreed?