quarta-feira, maio 24, 2006

em entrevista...SWITCHTENSE

Oriundos da Moita, os Switchtense apresentaram há bem pouco tempo um surpreendente registo na forma de «The Brainwash Show», um cocktail explosivo algures entre o Hardcore e o Metal. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda, as suas ideias, aspirações e objectivos e para tal falou com o seu vocalista, Hugo.

Para quem não vos conhece, apresenta-nos os Switchtense…


Os Switchtense são uma banda oriunda da Moita (margem sul) e existem desde 2002. Desde ai gravámos 2 demos ( em 2003 e 2004 ) e um ep agora este ano, chamado Brainwash Show. Desde o inicio da banda que já tivemos alterações na nossa formação, pelo que neste momento os Switchtense são Hugo (voz) Pardal (guitarra) Karia (baixo) e Antero (bateria). Tocamos uma mistura de metal, sobretudo thrash, com algum hardcore! É basicamente isto que fazemos, sem termos pretensões de soar a nenhuma banda em especial, mas com a perfeita noção que também não somos "os originais"...Fazemos aquilo que mais gostamos, e com toda a nossa dedicação e vontade!

Como têm sido a aceitação a «Brainwash Show» ? Satisfeitos com o resultado final ?


Nós já ficamos muito contentes por termos conseguido gravar este ep e termos tido a oportunidade de fazer uma edição com algum cuidado tanto a nível do áudio como do artwork ( fotos do Pedro Bonnet e design do Rui Rodrigues )! Temos tido bastantes criticas construtivas e de incentivo tanto de quem ja comprou e ouviu o cd, que estamos a disponibilizar na internet, como das pessoas que escrevem reviews! Para nos tudo o que vier é bom...Ao vivo, já contamos com alguns concertos realizados este ano, onde temos tocado ao vivo as musicas deste ep, e temos ficado muito surpreendidos com a reacção das pessoas! Tem corrido tudo muito bem

Apostaram desde logo pela edição de um EP num formato profissional. Acham que dessa forma se torna mais fácil chegar ao público ?

Já tínhamos gravado 2 demos antes e pensamos que queríamos fazer uma coisa um pouco melhor a todos os níveis! Outro dos motivos é para tentar fazer com que algumas pessoas levem a banda mais a sério, pois quer queiras quer não em algumas abordagens que fazes a editoras, promotores de concertos ou rádios, uma boa imagem conta muito, para quem as vezes nem sequer ouve o som que vem no disco...é triste mas é verdade! Este ep foi totalmente gravado, produzido e misturado por nós, nos nossos mini-estudios ( www.myspace.com/thefogstudios ) e foi mais uma das coisas que nos motivou para fazer um bom trabalho, pois a parte da produção é também um dos universos dos quais gostamos ( se tiverem uma banda e quiserem gravar podem contactar...)


Noto nos agradecimentos e apoios do vosso EP várias menções à vossa autarquia. É de facto uma política generalizada no vosso concelho o apoio a bandas para a edição de discos ou os Switchtense acabaram por ser uma excepção ?

Pode dizer-se que fomos pioneiros nessa area aqui no concelho da Moita...(risos)! Sabemos de outras bandas que já fizeram os mesmo que nos em outros concelhos e então decidimos fazer o mesmo pedido a autarquia. Para isso também contribuiu o papel que representamos aqui na nossa terra! Todos os anos trabalhamos em conjunto com a autarquia na organização de um festival (MOITA METAL FEST ) aqui na quinzena da juventude da moita, ja tocamos em diversos concursos e tentamos sempre levar o nosso da nossa terra atras..é o mínimo que pudemos fazer! Achamos que neste sentido tem que haver uma preocupação dos "governos" locais em apoiar aquilo que se faz na terra, seja genuíno ou não...Só assim se podem desenvolver bons projectos! Desde ai, a câmara municipal da moita esta receptiva a propostas de bandas que queiram um apoio para a mesma finalidade que nos!

São oriundos da margem sul do Tejo, uma área que durante a década de 90 era detentora de um aceso e dinâmico movimento underground de onde saíram excelentes bandas mas que acabou por esmorecer há alguns anos atrás. Achas que se está a recuperar esse fulgor e mística das bandas da margem sul ?

O chamado Margem Sul HardCore (mshc)...É verdade que houve uma fase em que as bandas aqui já não eram assim tantas, contudo a tendência tem vindo a mudar de ha uns anos para cá, e nos próprios somos prova disso (existimos apenas há 4 anos....) Tem tudo a ver com fases que se atravessas e para as quais não existem muitas explicações! Mas se calhar aqui na margem sul haja algum segredo no ar que se respira...lool

Como vês toda a polémica actual em torno dos downloads ilegais de música ? Achas que isso poderá prejudicar jovens bandas nacionais como os Swithctense ?

A nível da banda acho que so tem a favorecer, pois nos não ganhamos nada com a musical, a não ser o reconhecimento publico de quem a ouve..e quem melhor para isso que a internet! Para as editoras talvez o caso ja mude de figura, pois a sua sustentabilidade depende da venda de discos...tem tudo a ver com um processo de evolução e modernização do negocio da musica! Se algum dia vivermos da musica, espero que seja de tanto tocar ao vivo, pois os cds são apenas um suporte e um veiculo para chegares as pessoas e tentares esgotar salas de espectáculo! Ai é que é realmente o local de trabalho de quem toca

O que poderemos esperar de vós a curto/médio prazo ?

Podem esperar uma banda cheia de vontade de continuar a tocar e a gravar coisas...a nossa vontade é fazer musica, divertir-nos e divertir quem nos vai ver! Se for com mosh e rodas melhor ainda! Esperamos brevemente gravar o nosso primeiro álbum e continuar a nossa caminhada ate onde pudermos ir, sem qualquer tipo de pressão!

Últimas palavras….

Agradecimentos especiais ao OPUSKULO pela oportunidade dada de falarmos da banda, do ep e das nossas ideias! Agradecemos também o apoio dado a todo o movimento underground nacional e esperamos que continuem com a vossa atitude e força por esta causa! Deixamos também um obrigado a todos os que apoiam a cena metálica em Portugal. Visitem-nos em www.switchtense.web.pt

terça-feira, maio 16, 2006

em entrevista...HORDES OF YORE

Tendo representado uma das boas surpresas do ano 2005, «Of Splendour and Ruin», o disco de estreia dos Hordes of Yore, continua a ecoar no panorama de peso nacional e a afirmar-se como uma obra verdadeiramente a descobrir. O Opuskulo falou com o guitarrista Helder no sentido de conhecer melhor esta interessante banda e indubitável certeza do Metal nacional.
Para quem não vos conhece…apresenta-nos os Hordes of Yore?

Somos uma banda criada em 2002 por minha iniciativa e do baixista Tiago Martins. Resolvemos romper com o estilo mais convencional que tocávamos numa outra banda para podermos criar realmente um estilo que envolvesse o gosto que partilhávamos pelo romance histórico, factor que está na base da nossa essência. Havia a pretensão de criar musicalmente algo que se interligasse com essa mistura de realidade e imaginário. Após o desenvolvimento ponderado de um contexto musical e lírico, resolvemos gravar o nosso primeiro álbum em 2004.
E como têm sido as reacções a «Of Splendour and Ruin» tanto em Portugal como lá fora?

Em Portugal têm sido bastante boas, tendo em conta que se trata de um primeiro álbum e que nenhum de nós era propriamente uma figura mediática dentro do meio, conseguimos divulgar o nome da banda com alguma facilidade. As pessoas gostam, sobretudo, do facto de reunirmos ideias bastante diversificadas em relação à música e da originalidade das letras. Lá fora, não é possível ter uma percepção muito exacta do número de pessoas que possam gostar do “Of Splendour and Ruin”, uma vez que não temos um contacto muito permanente com as distribuidoras. No entanto, alguns amigos nossos têm manifestado directamente o seu contentamento, um pouco na Europa, EUA e Brasil.
Para a gravação deste disco recorreram à colaboração de músicos de sessão, como por exemplo o Rolando Barros na bateria. Pretendem continuar a trabalhar desta forma ou irão integrar elementos na banda a título oficial ?

O Rolando apenas participou na gravação do álbum, após esse período arranjámos logo um baterista permanente com o qual realizámos todos os concertos – o Jorge. Não me parece que alguma banda tenha realmente gosto em colmatar o vazio com músicos de sessão, por muito competentes que sejam. No nosso caso deveu-se ao facto de existir um prazo estipulado para o começo da gravação e precisarmos de entregar as linhas de bateria, que já estavam criadas, nas mãos de quem não houvessem dúvidas de que as poderia executar. Outra colaboração foi a do nosso amigo Tiago (Rato) Martins nos teclados, um excelente músico que infelizmente não pôde integrar a banda num período posterior à gravação. Continuamos até hoje sem ter encontrado a pessoa certa para o seu lugar. Tivemos que adaptar algumas partes das músicas, ao vivo, de modo a que possam compensar e transmitir uma atmosfera diferente daquela que é encontrada no álbum. Não acho que isso seja necessariamente negativo, mas espero ainda encontrar um teclista, um dia destes.

Quanto à masterização do Alex Krull, como se deu essa colaboração? Conseguiram auferir qualquer opinião dele sobre os Hordes of Yore?

Bem, precisávamos mesmo de masterizar o álbum, porque não deixar o trabalho nas mãos de quem realmente admiramos? Basicamente foi-lhe enviado um mail ao qual ele respondeu afirmativamente. Penso que ele tenha gostado do álbum, embora o tivesse manifestado de um modo sublinear, tendo-se mostrado entusiasmado e fazendo várias sugestões acerca de coisas que nem eram à priori da sua competência.

Em termos líricos julgo que abordam temas relacionados com a Roma Antiga, estarei correcto? Porquê esta decisão? Fará mais sentido para vós abordar factos históricos de um país que não o vosso?

Os factos históricos que abordamos são exactamente do nosso país, bem como de todos aqueles que ofereceram resistência ao domínio romano. Acho que algumas pessoas são capazes de ficar com a ideia errada, se olharem somente para o layout. Devo dizer que não se trata propriamente de uma homenagem ao império, mas antes uma crítica. O maior domínio que o Mundo conheceu foi responsável pelo modo fútil com que levamos o nosso quotidiano. Dizimaram muitas civilizações e seus respectivos valores em nome do “esplendor” de Roma. Na nossa era, estão esquecidas palavras simples como honra, liberdade e integridade em troco da cobardia, prepotência e traição que governam o nosso mundo ocidental, herança directa do comportamento dos nossos colonizadores.

Pegando em duas palavras-chave no título do vosso disco indica-me ao que associas a esplendor, por um lado, e ruína por outro, no que diz respeito em primeiro lugar a Portugal e em segundo lugar ao Metal nacional?

Em relação a Portugal, associo esplendor a todo o seu património natural, cultural e à emotividade intrínseca que nos caracteriza enquanto portugueses. Esta mesma emotividade acaba por ser a nossa ruína como reverso da medalha. Algumas pessoas podem não saber compensar muito bem este factor. Meter o coração à frente da razão, por vezes pode ser perigoso, atravessamos um período bastante sério e é altura de deixar o coração um pouco de lado e ser o mais racional possível. Quanto mais não seja porque os nossos políticos estão sempre à espera de nos apanharem distraídos, estes não regem segundo o coração e tenho dúvidas de que o façam segundo a razão, mas apenas pelo oportunismo e pelo puro estado de demência. No que concerne ao metal nacional, terei de relacionar analogamente a palavra esplendor aos esforços de algumas bandas no sentido do progresso técnico, nos últimos anos. Por outro lado, o provincianismo de nos acharmos intelectualmente inferiores ao resto do Mundo e, consequentemente, o mergulho no preconceito de fazer algo de inovador, parecem ser a ruína da cena nacional, na generalidade dos casos.
O que podemos esperar dos Hordes of Yore a curto/médio prazo? Há já algo a ser preparado quanto a novas edições?

Ainda continuamos a divulgar este trabalho de apresentação da banda. Embora sejamos um meio pequeno, acho que muita gente ainda não nos conhece, pelo que devemos insistir em mais actuações ao vivo em alguns pontos do país que ainda nos falta visitar. Só em 2007 se poderá esperar um novo álbum que, aliás, já começa a ganhar contornos. No entanto, é apenas uma estimativa, pois algumas ideias são demasiadamente megalómanas para conseguir pôr em prática num curto espaço de tempo, uma vez que dependerão também de muitas outras pessoas. Refiro-me por exemplo à eventual inclusão de um coro ou quaisquer outros arranjos que possam envolver as respectivas diplomacias. Mas, não querendo adiantar ainda demasiado sobre o assunto, dediquemo-nos presentemente ao “Of Splendour and Ruin”.

Últimas linhas…

Os meus agradecimentos à Opuskulo pela entrevista e pela review ao nosso cd. Gosto sempre de referir as pessoas que vão propositadamente aos nossos concertos, principalmente aquelas que se têm deslocado entre várias actuações da banda. É realmente por elas que sentimos sempre motivação para continuar o nosso percurso; não me esqueço disso. Assim, os Hordes of Yore somos todos nós!

segunda-feira, maio 08, 2006

em entrevista...IN PECCATVM


Resistentes da cena açoriana, os In Peccatvm têm vindo a construir lentamente uma carreira sólida e interessante, sendo «Antília» o trabalho que a banda ainda se encontra a promover e que o Opuskulo procurou conhecer melhor .

Apresenta-nos os In Peccatvm…
Os In Peccatum são uma banda micaelense que pratica um som algures entre o heavy e o gothic metal. Nasceram fruto da vontade colectiva de três amigos de formarem uma banda e de se expressarem através daquilo que mais gostam: o heavy metal
«Antilia», o registo que ainda se encontram a promover, data de 2003. O que aqui podemos ouvir ainda é fiel ao que a banda se encontra a fazer actualmente ?
Sim, pois os traços que caracterizam a nossa sonoridade ainda se mantêm. Como é o estilo que gostamos, vamos mantê-lo enquanto existirmos como banda.
Sei que existe um conceito lírico por trás de «Antília». Podes explicar-nos um pouco melhor do que se trata ?
Exacto. O MCD "Antília" é um trabalho conceptual e quer a música, quer as letras são inspiradas na lenda micaelense associada ao lugar das Sete Cidades, que é um lugar da nossa ilha (S. Miguel) onde existem duas lagoas, uma verde e uma azul. Diz a lenda que estas lagoas foram formadas pelas lágrimas de uma princesa e de um pastor, que perante um amor impossível, choraram tanto que das suas lágrimas nasceram as referidas lagoas. Portanto, as letras de "Antília" são inspiradas nesta lenda.
Há planos a curto prazo para a gravação de um novo registo ? Em que formato ?
Sim, já desde o ano passado que temos a intenção de editar um novo registo, mas não tem sido fácil, pois nos últimos dois anos, dois dos nossos elementos encontravam-se a trabalhar fora da ilha, daí que não tivesse sido fácil termos o tempo necessário para a escrita de novos temas. Além disso, o factor monetário também é fundamental e na altura também não estavam reunidas as condições necessárias. Mas contamos para muito breve (sem precisar datas) entrar em estúdio, pois já temos canções novas, prontas para serem gravadas. O formato será novamente o de um MCD.
Achas que o facto de serem originários de uma ilha vos prejudica de alguma forma ou pelo contrário ?
Por um lado, complica um bocado a vida, pois não há um circuito de bares que promova uma banda desconhecida. Por outro lado, sermos de uma ilha desperta a curiosidade dos interessados e é um óptimo veículo promocional.
Os In Peccatvm são uma das bandas açorianas com maior longevidade e resistente de uma geração de promissoras bandas que acabaram por desaparecer. O que vos faz continuar ao longo de todos estes anos ?
Basicamente o que nos faz continuar e permanecermos no activo é para além do gosto pelo metal, sermos grandes amigos. Somos amigos de infância e é basicamente isso que faz com que a banda não morra e decerto, nunca morrerá, mesmo que permaneça por longos períodos de tempo inactiva.
Consideras que o movimento Metal nos Açores tem vindo a perder algum do fulgor que o caracterizava ?
Penso que não. Apesar de algumas bandas irem desaparecendo, vão sempre surgindo outros projectos. É pena é que não durem muito tempo, pois grande parte das bandas surgem durante a escola e mais tarde, quando chega a altura de ingressar na universidade, muito pessoal parte para o continente para prosseguir estudos e as bandas vão acabando.
Indica-me 3 desejos que gostaria de ver realizados em relação aos In Peccatvm ?
Epá, esta é difícil, mas basicamente só temos um desejo: que os In Peccatum continuem sempre a fazer aquilo que mais gostam: metal.
Últimas palavras…
Queremos agradecer-te pelo teu interesse na nossa banda e louvar-te pela tua iniciativa, pois só assim têm voz todas as bandas, que como nós, lutam pelo amor à camisola. E já agora, convidamos todos os leitores a visitarem a nossa página na net: www.inpeccatum.com
Saudações metálicas para todos.

sexta-feira, maio 05, 2006

em entrevista...PANZERFROST

Num panorama Black Metal cada vez mais animado em Portugal, os PanzerFrost surge como mais uma excelente proposta, revestindo-se de uma aura bélica, destruidora e brutal. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda oriunda da Marinha Grande e para tal falou com o seu vocalista e guitarrista, Sorath Panzerkiller.


Apresenta-nos os Panzerfrost…

Desde já as minhas saudações á Opuskulo e a todos os fans do underground nacional mais extremo..
Panzerfrost, surgiu logo no inicio de 2002 na Marinha Grande pela fusão de duas bandas Mortalthrone ('94/'95) e Argothium ('00). A banda sofreu algumas reformulações no line-up, mas sendo actualmente composta por um exército de 4 indivíduos que acreditam fielmente naquilo que fazem: Sorath Panzerkiller (Voz/StudioGuitar), Nihil Warthrone (Guitar.), Peter Slaughter (Guitar.Baixo) e SkullCrusher responsavel pela bateria e percurssao. Desde então a banda tem evoluido dentro de si mesmo e dentro daquilo que acreditam, entre vários concertos destacam-se talvez, Underfest II com bandas como Extreme Noise Terror (UK), Decayed, Stuprum Dei, Vizir, o Lusitanian Darkness fest II com Fili Nigrantium Infernalium, The Firstborn e a oportunidade de ter-mos tocado com bandas como In Tha Umbra, Inquisition (US) e Sacred Sin.

Sei que chegaram já a gravar um álbum mas que nunca chegou a ser editado, certo ? O que se passou ? Contam vir ainda a editá-lo ?
É verdade, chegámos a gravar aquele que seria o primeiro álbum de Panzerfrost sob o nome de RETALIATION, mas houve uns problemas técnicos e alguns ficheiros ficaram corrompidos, temos ponderado entre tentar recuperar esses mesmos ficheiros ou entao de esquecermos e voltar-mos a gravar tudo novamente.. o que é o mais provável que venha a acontecer e esperamos que seja o mais breve possivel..

A julgar pelo aspecto cénico e pela própria músicca, remetem para um imaginário bélico ligado à Guerra. Correcto? Explica-nos um pouco melhor qual o conceito lírico de Panzerfrost…

Correcto, não abordamos definitivamente aquela imagem típica do Black Metal Nórdico, de florestas, montanhas e neve, vivemos a nossa actualidade tal como ela é, gostamos das suas Imperfeições, da sua Violência e da sua Perversão, admiramos o Ser Humano como o animal mais Selvagem e Manipulador de todos, na forma como exprime os seus Ideais e nas suas acções de Liderança e Domínio.
As nossas letras são o negro reflexo de tudo isso, Guerra, Satanismo, Violência, Sadomasoquismo, Pre-niilísmo, Terrorismo, Armas de destruição maciça, Òdio e Destruição, são conceitos amplamente difundidos nas letra de Panzerfrost.


Marduk aparece como uma clara influência a todos os níveis…ou será que estou errado ?

Não é das nossas principais sinceramente, mas é certamente, na minha opinião uma das nossas melhores influências, em comum está a não inclusão de teclados e talvez nos momentos mais explosívos da nossa música as nossas influencias do Black Metal mais extremo se tornem mais evidentes, mas em Panzerfrost encontram-se bastantes elementos diversificados do Death Metal e até mesmo do Thrash.

Nos últimos tempos tem-se notado um fervilhar do Metal e do underground em geral em toda a região Centro com o aparecimento de muitas bandas e realização de muitos concertos. Existe realmente um movimento forte e organizado? Consideram que isso vos pode beneficiar?

Acho que é pura ilusão, é certo que ultimamente tem havido muitos concertos na zona centro, mas conta as pessoas que aparecem nesses mesmos concertos!É triste ver que o movimento metálico tem um circulo cada vez maior de fans, mas que por outro lado não dão o valor e o devido respeito que o Metal merecía ter, muitas vezes preferem ir para as discotecas com as namoradas do que assistir e apoiar um bom concerto de Metal e quando aparecem é só para arranjar um ou dois engates.. o que é no mínimo revoltante, não achas? No entanto, tudo isto nos beneficia, porque pelo menos sabemos que a maioria do pessoal que está no concerto é pouco, mas são bons e estão ali porque tal como nós acreditam no Metal, como uma forma de Arte, Filosofia e Culto.
Indica-nos 3 coisas que gostariam de mudar no actual panorama Metal nacional ?

Penso que a minha resposta anterior revela algumas das grandes mudanças que o panorama Metálico Nacional precisa, de ano pra ano temos vindo a assistir a uma evolução tremenda nas Bandas Portuguesas em todos os géneros de Metal, quando vou a um concerto fico cada vez mais impressionado com a força em palco, qualidade e profissionalismo que algumas bandas Portuguesas conseguem ter.. e para elas desejo tudo de melhor.

Em termos de concertos, o que poderemos esperar de uma prestação de Panzerfrost ?

CAOS E DESTRUIÇÃO!! Para nós cada concerto é o ultimo, é uma missão de combate, damos tudo até aos nossos limites, damos o sangue se for preciso.

Alguma coisa prevista para breve ?

Temos agendada para 13 de Maio (Sabado), o PANDEMONIO underground Fest na Benedita, perto de Caldas da Rainha/Alcobaça com Theriomorphic, Shadowsphere, Panzerfrost, Process of Guilt, Skanvass, por isso apareçam e apoiem o Metal Nacional.

Quanto a novas edições, há alguma coisa a ser preparada ? Que pormenores nos podes revelar ?

Sim, vai sair entretanto um tema nosso numa compilação de aniversário aqui da Opuskulo, a faixa que nós apresentamos dá-se pelo nome de: "Infernal Black Metal Attack", á parte disso estamos a pensar seriamente entrarmos em estúdio novamente, e desta vez sem problemas.. espero!

Últimas palavras…

Não sendo minhas estas palavras, faço delas minhas:
"O Homem é aquilo que pensa e aquilo que imagina.
Se pensar no fogo, será fogo;
se pensar em Guerra, será Guerra!" (Paracelso, De virtute imaginativa, 1526)
Um agradecimento especial á Opuskulo por esta entrevista e pelo seu trabalho no Underground Nacional.
Visitem o nosso blog em:
http://panzerfrost.blogspot.com
Para mais contactos deixo aqui o email da banda: panzergramm@mail.pt

quarta-feira, abril 26, 2006

em entrevista...PAINTED BLACK

Praticamente desconhecidos no panorama musical nacional, os Painted Black são uma banda oriunda da Beira Interior que editou recentemente «The Neverlight», um EP de estreia promissor e apelativo a vasto espectro de apreciadores. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda e falou com o guitarrista Luis Fazendeiro...
Apresenta-nos os Painted Black…

Os Painted Black são um grupo de pessoas que usam a música para exprimirem sentimentos e estados de espírito. É este o verdadeiro objectivo e o propósito de existirmos. A banda foi formada no Verão de 2001, mas a génese das ideias para o projecto já remontavam ao ano de 1998. Desde a sua formação até aos dias de hoje, a banda passou por saídas e entradas de novos membros, tal como vários problemas em arranjar um local de ensaio fixo. Tivemos alguns períodos de total inactividade devido a estes factores, o que não ajudaram ao nosso crescimento e evolução, mas felizmente, desde o ano de 2005 que as coisas estabilizaram, e neste momento as nossas preocupações passam apenas em compor e promover a banda de todas as maneiras possíveis. Da formação de 2001 apenas me mantenho eu, o Daniel (vocalista) e o Telmo (baixo), e no ano passado juntaram-se a nós os irmãos Miguel e Rui Matos, na guitarra e bateria respectivamente, a completar a formação mais sólida que tivemos. Para os teclados contamos com a participação preciosa do Bruno Aleixo, que neste momento trabalha connosco como músico de sessão.

«The Neverlight» é uma estreia em termos visuais bastante auspiciosa. Até que ponto consideram importante uma banda transmitir não só uma boa impressão em termos musicais como também em termos de imagem?

A música é e será sempre o mais importante, como é natural, mas é importante que todo o trabalho gráfico que envolve um CD descreva e exprima o melhor possível os ambientes e sentimentos contidos na música. Falando por mim, quando penso num certo tema de uma banda, a imagem que me surge na mente, é a capa do álbum onde está inserido. Acho que acaba por ser inevitável essa associação, e até se pode fazer um paralelo com as pessoas. Quando pensamos em alguém, o primeiro que vem à cabeça é o seu rosto ou corpo. Por isso acho que a caixa, e tudo o que envolve fisicamente um CD, é o seu corpo, e este guarda nada mais do que a sua alma. É uma visão poética, mas penso que funciona na perfeição, ainda mais quando sentimos verdadeiramente que a música que registámos no CD, faz parte de nós e foi feita com sentimento.

Gravaram temas presentes neste registo de estreia em estúdios distintos. Porquê essa opção?

Basicamente foi tudo uma questão monetária. Gravámos o tema “DeadTreeSong” em 2003, no estúdio iSom em Alcains, com o objectivo de gravarmos mais temas para uma maqueta, os quais nunca foram gravados devido a factores de instabilidade na banda na altura. Quando a situação foi estabilizada, com a entrada de novos membros, decidimos finalizar o trabalho deixado para trás, mas em vez de uma maqueta de 3 temas, apostamos num EP. Tínhamos ideias suficientes, mas o dinheiro não abundava (nem abunda!), e decidimos gravar os temas que requeriam um trabalho muito mais cuidado no estúdio, e os restantes por meios próprios, com a ajuda de um amigo chegado a nós, que consideramos quase como família. Por isso na realidade o segundo estúdio que referimos no CD, não é um estúdio verdadeiro, foi apenas uma maneira de agradecermos e evidenciar o trabalho desse nosso amigo (primo Costa rules! ;) ).

Que tipo de condições e apoios existem para uma banda construir uma carreira na região de onde provêm, a Beira Interior?

Não existem! A resposta é directa mas sincera. A única atitude que podemos ter, é ir à luta, e fazermos as coisas por nós mesmos, sem estar à espera que as coisas nos caiam no colo. Penso que qualquer banda em Portugal, esteja onde estiver, tem de ter este espírito, ou nunca vai sair da sala de ensaios. Temos paixão naquilo que fazemos, todos gostamos de música, e se acreditarmos em nós próprios, temos que inevitavelmente fazer sacrifícios para podermos ir mais além. É tudo uma questão de trabalho, dedicação e agradecer e aproveitar todas as oportunidades que aparecem para mostrarmos a nossa música, e aquilo que nos vai na alma. Por vezes temos que ser nós a criar essas mesmas oportunidades.


Musicalmente falando nota-se uma certa heterogeneidade de influências musicais que acaba por resultar em temas algo díspares entre si. Todos os temas reflectem o mesmo estádio evolutivo da banda ou foram compostos e gravados em alturas distintas?

A disparidade que falas, é sem dúvida algo evidente, e que nós estamos cientes. Ao lançar um primeiro trabalho, quisemos mostrar da melhor maneira possível o nosso leque musical e os nossos extremos. Como referi na primeira pergunta, a nossa música reflecte o nosso estado de espírito, os nossos sentimentos mais íntimos e honestos, os quais exorcizamos através de um veículo, que é a música. Desde a génese do projecto, em que tudo o que existia era uma guitarra acústica e o contributo vocal e lírico do Daniel, que evidenciamos essa mesma disparidade de melodia e agressividade. Mas para nós foi sempre algo natural e nunca forçado, e tal como os temas mais melancólicos, que sem dúvida perfaziam a maioria do material, existia uma necessidade e vontade de explorar a agressividade. Para além desta razão, puramente visceral, existe também a consciência e a preocupação de não sermos uma banda linear, no sentido de estarmos sempre a criar o mesmo tema, mas com roupagens diferentes. Evitamos ao máximo repetir-nos, quer seja nas estruturas dos temas, ou neste caso que referiste, no uso do equilíbrio da melodia/agressividade. Não é por acaso que entre os 6 temas que perfazem o EP, apenas um se afaste dos restantes, no que toca a agressividade e peso. É algo que surge espaçadamente, e que até pode deixar de aparecer um dia, mas que nunca vamos relegar, ou colocar de lado. Faz parte da identidade da banda, e de nós. O que realmente importa, é que seja honesto e sentido.

Que rumo levarão os novos temas de Painted Black? Mais Doom e agressivos, mais Rock e melancólicos ou um misto dos dois?

Os temas que já temos preparados para um segundo registo, são um misto dos dois. Aliás, acho que esses quatro adjectivos que deste, nos definem bem: Rock, Doom, agressividade e melancolia. É nossa opinião que os temas novos estão mais coesos, e que o equilíbrio peso/melodia está melhor distribuído. Penso que existe uma evolução entre “the Neverlight” e o nosso próximo trabalho. No entanto, continua a existir a disparidade que falava anteriormente, que para nós continua a ser algo natural, e com a qual estamos completamente à vontade e acolhemos de braços abertos. Se todos os nossos planos se concretizarem, o nosso próximo trabalho irá incluir o tema mais pesado que alguma vez compusemos, tal como o mais melódico e “calmo”. Sabemos que para algumas pessoas não é fácil assimilar estes dois tipos de “ambientes” num mesmo registo, mas é o que poderão contar da nossa parte. Não somos uma banda brutal, nem temos essa pretensão, mas temos a nossa própria dose de agressividade. A melodia e a melancolia irão ser sempre parte fundamental na nossa música, tal como os sentimentos que queremos transmitir, mas tudo será criado naturalmente e fruto da inspiração e estado de espírito do momento.

Em termos de concertos julgo nunca ter tido conhecimento de nenhum cartaz com a vossa presença. É uma opção vossa não dar concertos ou simplesmente uma falta de convites para tal?

A verdade é que nós damos concertos, mas não tantos como desejaríamos. Ainda não conseguimos sair da nossa região, mas já estivemos presentes em 3 festivais, um dos quais os Moonspell estavam no mesmo cartaz, mas infelizmente fomos colocados num dia diferente, onde actuamos ao lado dos Blasted Mechanism e Tara Perdida. Já contamos com mais de uma dezena de concertos, com as habituais actuações em bares da zona, mas realmente nunca fomos convidados para actuar fora deste circuito. É nosso desejo actuar nos grandes centros do nosso país, como Lisboa e Porto, mas ainda não surgiram as oportunidades. A vida pessoal de cada membro da banda também não permite que estejamos sempre disponíveis para actuações, mas resta-nos tentar e esperar pelos convites e interesse no nosso trabalho.

Sentem-se de alguma forma prejudicados por se tratarem de uma banda praticante de um estilo contrário ao que a vossa região exporta com maior abundância, normalmente bandas mais dentro do Death e Black Metal brutal?

Nunca nos sentimos prejudicados por isso. Conhecemos pessoal de bandas mais extremas na região, como os Agonized e Necrose, e já estivemos presentes em concertos deles, como eles em actuações nossas. Acho que o facto de praticarmos uma sonoridade diferente deles, não nos afastou, pelo menos nunca o sentimos. Acho que quando há apreço e respeito mútuo pela música que cada colectivo faz, e sobretudo camaradagem, esses aspectos mais negativos nunca chegam a existir. É verdade que não temos conhecimento de mais nenhuma banda a praticar um estilo similar ao nosso na região, mas acho que Portugal é um país demasiado pequeno para se limitar uma região como exportadora específica de um determinado estilo. Pelo menos a nossa existência pode desmistificar um pouco isso, e nunca sentimos que fosse um impedimento para o que quer que fosse.

O que podemos esperar dos Painted Black a curto/médio prazo ?

Bem, já começámos a planear a gravação de um segundo EP para o Verão, por isso parte do trabalho que vamos desenvolver vai ser com esse objectivo em vista. De resto, se até lá não surgir nenhuma oportunidade para tocarmos ao vivo, esperamos que depois da gravação isso se concretize. Entretanto vamos continuar a divulgar e promover o nosso trabalho e a desenvolver novas ideias.


Últimas palavras….

Primeiro quero agradecer a todas as pessoas que até agora nos apoiaram e ajudaram. Também agradeço a disponibilidade do Ricardo e a oportunidade de responder a esta entrevista. Continuem a visitar o Opuskulo e a apoiar todos os meios de divulgação de música alternativa feita em Portugal! As pessoas que estiverem interessadas, visitem o nosso site para mais informações sobre a banda e para conhecerem a nossa música (www.paintedblack.tk). Obrigado e um abraço!

quarta-feira, abril 19, 2006

em entrevista...HORRÍVEL

Horrível é o nome de um enigmático projecto surgido recentemente nos meandros da Internet que começa a suscitar o interesse generalizado. Sendo contrário a todos os conceitos e princípios pré-estabelecidos de banda e de música, Horrível promete destacar-se pela diferença e provocar reações bastante diversas. O Opuskulo procurou conhecer um pouco melhor este estranho projecto e falou com Álvaro a.k.a REPULSA, responsável por vozes, barulho e ritmos em Horrível e personagem activa em muitos outros projectos. Aqui ficam as visões...
O que é Horrível ?

Horrivel é uma descarga de barulho instintivo limado e compactado em "músicas" minimamente audíveis. Horrível em estado bruto é uma coisa perigosa para a humanidade por isso decidimos dar um corpo, corpo que pode ser identificado como "metal extremo" ou "Noise". Em suma, Horrível é provavelmente das coisas sonoras mais terríveis do planeta.

Esse universo musical ligado ao Noise julgo que nunca foi explorado em Portugal. Que reacções esperam obter ?

"Noise" puro há algumas experiências mas tudo no campo das artes plásticas, instalação e esse tipo de coisas. Horrível criou uma linguagem para comunicar a partir do "noise" e do chamado "black metal", dois estilos de música bastante agressivos e primitivos que permitem a Horrível criar paisagens sonoras densas e com pormenores que vão sendo descobertos aos poucos. Horrível é como uma sonda que penetra fundo e faz jorrar merda. Horrível sinceramente quer que as pessoas fiquem surdas e desliguem a música passado 10 segundos.

E que tipo de reacções têm recebido até agora? Qual o público que vos ouve?

Não sei, este projecto nasceu à pouco tempo, muito pouco mesmo. A procissão ainda vai no adro. As pessoas vão ter a noção exacta do que é Horrível quando tocarmos ao vivo. ( sim , estamos a pensar fazer isso) Quanto ao público que nos ouve...acho que toda a espécie de gente que gosta de desperdiçar tempo a dar atenção a projectos que, à partida, são totalmente estúpidos. Horrível não é um projecto para se ouvir no discman é para mandar aos amigos "olha lá esta cena que extrilho" ou para ouvir em casa quando todo o restante universo musical parece não satisfazer os instintos mais básicos .

Falaste em tocar ao vivo...há já alguma coisa acertada? Podes revelar pormenores?

Ainda não está nada acertado. Mas muito provavelmente será nas Caldas da Rainha. Será uma experiência para ver até onde podemos levar Horrível. Irá bastante gente participar e quem tiver lá vai ver muita tralha e lixo em cima do palco. Estamos a tentar organizar este festim bélico para Maio. Estejam atentos ao site.

O vosso imaginário gira um pouco em torno de um cenário pós apocalíptico, bélico e negro...ou estarei errado ?

Estás errado. O nosso cenário não tem corpo, Horrível é uma ilustração do medo do escuro. Horrível é algo que se sente quando se está inseguro. É aquele bater de perna quando estás a espera de alguém. Horrível é DESCONFORTAVEL.

Esperam então apelar a um certo sentimento de auto-flagelação a quem vos ouve ?

Façam o que lhes apetecer, não temos nada a ver com isso. Só não gostava de uma associação demasiado explicita ao movimento "blackmetal". O que eu queria mesmo era que quem ouvisse ficasse surdo.
Sei que a vossa forma de operar é totalmente antagónica à tradicional noção de banda...podes explicar-nos um pouco melhor isso...

Agimos por instinto, vivemos a muitos Km uns dos outros. Surge tudo numa espécie de sintonia cósmica via MSN. Através de troca de ficheiros. O Raiva fornece a sua interpretação de Horrível através da guitarra, eu acrescento-lhe a minha interpretação e o Hellraiser expressa-se vocalmente sobre aquilo que já foi "dito". Este processo não tem uma ordem específica.

Preferes agir assim ou gostarias que os Horrível funcionassem como uma banda tradicional, com ensaios em conjunto..etc...Achas que o resultado seria diferente ?

Completamente. Já estou cansado da experiência tradicional de "ensaio" e "banda" e "tocar" , "fazer músicas" e penso que os meus colegas partilham essa opinião comigo. Todos temos larga experiência nessa área. O "concerto" que poderemos dar será também pouco convencional nos métodos e equipamentos usados

Tais como ?

Aspiradores, etc...(risos)

Sei que para além de Horrível desenvolves outros projectos. Podes fazer uma breve apresentação deles ?

www.1x4.page.vu é o ponto de partida para as "minhas coisas". Sim, tento estar bastante activo, faço ilustração, "vandalizo" WCs e paredes naquilo que chamam "street-art" ( não graffitti ). Tenho Tigre Deficiente ( www.tigredeficiente.pt.vu ) um projecto também "made in MSN", a sonoridade de Tigre Deficiente está nos campos do Rock electrónico, Punk nas ondas de The Locust, Daughters Arab on Radar e mesmo Yeah yeah yeahs . Também canto numa banda "convencional no método de trabalho" chamada Monstro que está agora começar e que soa a tudo, pop, punk, metal, grind, reggae, ska, blues, hip-hop, jazz, ópera. Em breve vou fazer um site para apresentar a banda. E para meados de Julho esperamos já estar a tocar ao vivo.

Sendo tu uma pessoa visivelmente de mente aberta esperas também atrair pessoas dentro da mesma sintonia para os teus projectos? Achas que um fã acérrimo e conservador de Black Metal poderá compreender o conceito de Horrível, por exemplo ?

Não há nada a compreender. Ouve e cala! Ainda em relação à mesma questão, sei por fontes fidedignas de situações em que "fãs acérrimos e conservadores de black metal" ficaram com "medo" e não são palavras minhas

Achas que em Portugal ainda existe algum certo conservadorismo tacanho em relação á música e um instinto de criticar e invejar o outro ?

Acho que em Portugal agarram-se muito a coisas já putrefactas e não dão espaço para ar fresco entrar. Ainda há uns dias fui assistir a um concerto na Casa da Música, em que maior parte das pessoas estavam lá para assistir à última banda, Faust, uma banda rock muito experimental nos instrumentos e nas composições e essa treta toda. A fazer a primeira parte estavam dois dos melhores projectos hip hop mundial, Subtitle e Dalek, hip-hop caótico quase apocalíptico, muito barulhento, muito original e forte. O publico estava neutro em relação a eles e ouvi comentários e atitudes por parte do publico bastante infelizes e demonstrativos de muita falta de cultura e conhecimento. Enfim, isto ilustra bem o que quero dizer. Mas felizmente, cada vez mais, se vê projectos bem interessantes em Portugal, misturas de estilos, experiências musicais etc. Há ainda pouca divulgação e apostas nessa área por medo e quando a "coisa parece um pouco esquisita" fica restrita aquele grupo "intelectual dos óculos de massa e do design" ou aos "man os gajos são bue marados devem fumar altas cenas" Mas pronto já me estou alongar e é melhor ficar por aqui

E que projectos inovadores em Portugal são esses ? Podes citar alguns exemplos ?

Gosto bastante das coisas da distribuidora "Lovers and lollypops
http://www.loversandlollypops.cjb.net/. Não são projectos inovadores mas são projectos que respiram ar fresco. Aliás, a expressão "projectos inovadores" não é bem correcta, prefiro dizer "projectos que parecem um bocado diferentes do resto" Gosto bastante de Vizir, acho uma banda de "Metal" muito objectiva, gosto daquele estilo de metal curto, grosso e mecânico , e das letras . Metal no estado puro é Vizir. Gostava bastante de Triangulo Dourado, uma banda de hip-hop do Porto que, infelizmente, já acabou, mas eram bastante originais na forma de cantar e mesmo nos instrumentais. E pronto, de momento não me surge mais nada…ah…lembrei-me agora dos Bola de Cristal, do Porto

Vejo então que és conhecedor e adepto de um circuito alternativo mais alternativo do que aquilo a que chamam underground...Por exemplo no caso do Metal, e uma vez que citaste os Vizir, é banda na qual nem se pensa quando alguém fala em Metal nacional ou underground mas que existe e tem, de facto, apreciadores....Achas que existe realmente um circuito alternativo para além do que é tido como alternativo? Se é que me faço entender...

Existem mil circuitos alternativos, isso é que é mau, somos pouca gente em Portugal, as minorias aqui têm pouca força, as iniciativas de organizar concertos perdem força e por ai fora, é uma bola de neve. Há o pessoal que gosta da discoteca, há pessoal que gosta de metal, há pessoal que vai a bares "intelectuais", há pessoal que fica na rua a fuma-los, há pessoal que vai mandar umas rimas, há pessoal que vai foder, há pessoal que tem carros tunnings,etc. Estes são os grandes grupos, tudo que está no meio perde força e expressão, é apenas "uma coisa engraçada".

Bem, a conversa já vai algo longa...o que podemos esperar dos Horrível em breve?

Mais barulho, barulho com melhor qualidade, e barulho ao vivo.

Pretendem continuar sempre a disponibilizar os temas no site ou pensam vir a editá-los em suporte físico ? Porquê essa opção ?

Não, vai ser sempre via Inernet. Não faz sentido editar hoje em dia. O meio é a internet, a musica k fale por si. O site serve como suporte visual, não queremos ganhar dinheiro nem íamos ganhar, só queremos mostrar barulho e dai a opção.

segunda-feira, abril 10, 2006

em entrevista...SWR BARROSELAS METALFEST

Tendo vindo a afirmar-se como uma marco incontornável no panorama de peso nacional, o SWR Barroselas MetalFest comemora este ano a sua nona edição com o cartaz mais forte de sempre. O Opuskulo falou com a organização deste evento e sentiu o pulso quanto a expectativas para este ano, memórias do passado e opiniões sobre o presente

Quais as expectativas para a edição de 2006 do Barroselas Metal Fest ?

As nossas expectativas continuam a ser as de agradar ao público, proporcionar melhores condições às bandas e às pessoas que aqui se vão deslocar propositadamente e sentirmos que evoluímos em relação às edições anteriores e ,já agora, que não chova (risos).

Quando começaram há 9 anos atrás com este festival passou-vos pela cabeça que se poderia vir a tornar no evento de culto que hoje é ?

Não fazíamos a mínima ideia

Quais as principais dificuldades encontradas ao longo desse percurso ? E o que mais vos surpreendeu pela positiva ?

As dificuldades como deves imaginar passam sempre pelas questões monetárias, burocracias alguns entraves e percalços, a nossa inexperiência quando começamos com tudo isto. Pela positiva enaltecemos a aceitação e comparência de cada vez mais publico no festival e o apoio recebido.

Qual o “segredo” para manter vivo um festival desta natureza ?

Muito empenho, sacrifício, motivação e um grande gosto pelo underground. Fazemos tudo isto por amor á camisola.

Consideram a hipótese do Barroselas vir a abrir o seu espectro para estilos de Metal menos extremos como aqueles que têm vindo a compor os vossos cartazes ?

Acho que nunca pusemos essa possibilidade mas se algum dia surgir se verá.

Se pudesses escolher, que bandas mais desejarias de ver tocar no palco do Barroselas ?

Pessoalmente, e indo também de encontro aos mesmos gostos de alguma malta da organização, era Morbid Angel e Immolation.

Quanto à exposição a nível internacional do festival, que feedback têm recebido ? É já um festival com capacidade de atrair headbangers de outros países ?

O feedback tem sido excelente, cada vez mais temos pessoal de fora com interesse em vir ao festival e de ano para ano esse nº tem aumentado e esperamos que assim continue.

Achas viável a realização de algo como o Wacken ou o Fury Fest em Portugal ?

De momento não.

Sentem que as bandas internacionais que têm atraído ao nosso país saem bem impressionadas com o Barroselas Metal Fest ? Que bandas vos deram mais problemas em termos de relação pessoal e profissional até hoje ?

Pelo feedback demonstrado e por outros comentários que chegam até nós, sim podemos dizer que saem daqui satisfeitas. Quanto á banda que maiores problemas causou acho que já é um assunto sobejamente conhecido e recusamo-nos a proferir qualquer comentário acerca desses tipos.
Deixo estas últimas linhas para convenceres os mais reticentes a deslocarem-se a Barroselas este ano…

Pá tirem 3 dias para curtirem, partirem a loiça toda, aderirem á mística do festival e da vila e mostrarmos mais uma vez que neste canto á beira mar também se pode fazer bons festivais sem os interesses das grandes promotoras e os clichés da industria musical….hasta
Mais informações em: www.swr-fest.com

terça-feira, março 28, 2006

em entrevista...HYUBRIS

Os Hyubris têm vindo a ser uma das jovens bandas nacionais mais faladas nos últimos tempos, não só pela qualidade e originalidade do seu disco de estreia homónimo, como pelos mágicos concertos que a banda protagoniza. O Opuskulo procurou conhecer melhor esta banda e desevendar alguns dos segredos do seu imaginário repleto de lendas e paixões. O guitarrista Jorge Cardoso e o baterista Lulla foram os nossos interlocutores.

Começo por te perguntar como correram as gravações deste disco homónimo e se este corresponde às vossas expectativas?

As expectativas em relação à gravação do álbum concretizaram-se visto que o objectivo principal era captar a essência harmónica e melódica que até aí tínhamos vindo a construir. Encontrámos uma equipa de trabalho de braços abertos que respeitou na íntegra, quer as limitações da banda, quer as ideologias já adquiridas.

Editaram há cerca de 2 anos um EP, «Desafio» já num formato profissional e resolvem agora aprimorar ainda mais o vosso trabalho neste longa duração de estreia. Achas que um trabalho mais cuidado a todos os níveis pode atrair mais atenções?

Acreditamos que é decisiva a aposta num produto final de qualidade. Num mercado cada vez mais competitivo e numa era onde a pirataria informática impera, tem de se tentar oferecer um produto diferente, mas acessível a quem o queira adquirir.

Como surgiu o nome Tommy Newton para a masterização do vosso disco ?

Tommy Newton está no Top 10 de produtores, e uma vez a oportunidade criada, não hesitámos. Mediante alguma inexperiência e algumas lacunas que pudéssemos ter no produto final de gravação, Tommy Newton foi uma mais valia para o colectivo, o que nos deu uma dose extra de confiança.

Como têm estado a correr as coisas em termos de reacções e vendas do novo disco até à data? Há já algum feedback internacional, ou os vossos horizontes a curto prazo ainda não passam por aí?

A nível nacional a aceitação está a ser óptima, excedendo até as nossas expectativas. Toda a promoção e divulgação feita por nós e pela Recital Records tem estado em uníssono com metas e objectivos definidos. A nível internacional só agora demos os primeiros passos, o processo de divulgação é o mesmo mas ainda não obtivemos retorno.

A vossa sonoridade é extremamente original, logo difícil de catalogar! Podes descrever a quem não vos conhece aquilo que pode encontrar em Hyubris?

Pensamos que contrabalançar peso e melodia é uma fórmula que nos agrada em termos criativos e ao mesmo tempo conseguirmos chegar a vários públicos alvo. Quem ouvir Hyubris, tem a oportunidade de entrar no nosso mundo imaginário de Fadas, Duendes, Princesas… Esperamos um dia ter o dom de poder pôr o nosso público a sonhar acordado.

Nada no vosso disco parece ter sido deixado ao acaso, desde o grafismo, à componente lírica e, inclusive um suposto erro com a troca de numeração de alguns temas que, ao que parece, foi propositado, certo?

Toda a dedicação e preocupação tida a nível sonoro foi tida também a nível estético; consideramos o trabalho, não como fracções, mas como um todo. Criámos propositadamente algumas diferenças em relação à concepção universal de álbum, com o objectivo de tentar que as pessoas cada vez mais abram os booklets e explorem o trabalho que ali está. È apenas uma questão de concepção ideológica!! Aproveitamos e deixamos uma dica: “numerologia”.

Pelas reacções que tenho sentido e lido parece-me que os Hyubris são uma banda consensual, agradando, ou pelo menos merecendo o respeito, de apreciadores dos mais vários estilos musicais. Esperavam este efeito da vossa música?

A evolução foi natural e sempre circulámos pelo circuito mais underground , só há pouco tempo se abriram as portas para algo mais comercial e com um público mais diverso. Nunca foi nossa intenção procurar este percurso, a surpresa também está a ser nossa.

Poderás elucidar-nos um pouco acerca do imaginário no qual os Hyubris baseiam as letras? De quem surgem essas ideias?

Os Hyubris baseiam as letras em histórias, lendas, contos e em mitos que estão patentes no nosso imaginário; sendo as letras um veículo de transporte aqui assegurado para o papel por Filipa Mota.

Quanto ao vosso processo de composição, há um ou dois elementos da banda que dominam esse processo ou os temas surgem como um conjunto de ideias de todos os elementos da banda? É fácil conciliar todas as influências que a vossa música congrega?

Vivemos essencialmente como uma equipa que trabalha em simbiose em torno do mesmo objectivo. Criar temas que, em primeiro lugar, nos façam sentir bem, e depois que nos dêem a sensação de que alguém possa vir a gostar. As nossas influências divergem em alguns pontos, como é óbvio, mas torna-se fácil o consenso quando há uma forte noção de banda!
Sendo os Hyubris oriundos de uma região do interior do país, achas que isso poderá dificultar a vossa progressão ou, num sentido inverso, poderá chamar a vós mais atenções para se tentar descobrir o que se faz fora das grandes cidades em termos musicais?

Sim, definitivamente sim, o aspecto geográfico tem particular peso na evolução de qualquer projecto, não havendo tanta coabitação com pessoas com os mesmos ideais. Torna-se difícil uma partilha de ideias, tendências, correndo por vezes o risco de se regredir no processo de criação! Penso que desde cedo tínhamos esta noção, por isso tentámos fazer das nossas fraquezas e anseios, mais valias.

Os Hyubris têm vindo a aprimorar a componente “ao vivo” ao longo dos anos, tentando transformar um concerto vosso em algo mais do que isso, ou seja, num verdadeiro espectáculo de várias vertentes artísticas. Se os meios fossem ilimitados, qual seria o espectáculo ideal que gostariam de montar em torno de um concerto de Hyubris?

A música é, e será sempre o ponto fulcral das nossas actuações e é ela que nos move. Acreditamos que a complementaridade e a interacção entre diversas formas de arte enriquece, não só o espectáculo, mas também promove essas mesmas formas de arte. Em relação ao concerto ideal, pode ser qualquer palco desde que tenha a componente humana que nós idealizamos.
Consideras que o facto de a maioria dos vossos temas serem cantados em português vos poderá dificultar quanto a uma possível internacionalização da banda? Seriam capazes de abdicar em português em prol do inglês apenas para terem mais reconhecimento além-fronteiras?

O facto de usarmos a língua mãe neste género musical é para nós mais um desafio que impusemos a nós próprios. Pensamos que de há alguns anos para cá, a língua não prejudica a internacionalização porque se quebraram barreiras e abriram-se precedentes, ainda que tenhamos a perfeita noção de que muito há a fazer e que as tendências e modas não se mudam de um dia para o outro. O objectivo a que nos propusemos não passa necessariamente pela internacionalização, mas sim por uma vontade clara de, fundamentalmente, fazermos aquilo que gostamos. Por ora, cantar em Inglês não faz parte dos nossos planos, não obstante que um dia possamos achar que determinada música transmita mais cantada em Inglês, ou até numa outra língua.

Quais os vossos planos a curto/médio prazo?

Distribuição e divulgação do álbum, dar concertos e solidificar o nosso trabalho em todas as vertentes.

Últimas palavras…

As nossas últimas palavras vão para todas as pessoas que trabalham directa ou indirectamente connosco, fazendo deste projecto algo em que todos se possam orgulhar; e também para ti, que nos tens acompanhado e apoiado desde o berço e sabes bem o nosso percurso. Felicidades para a tua webzine e até breve…

quarta-feira, março 22, 2006

Em entrevista...REQUIEM LAUS

Os Requiem Laus são uma das mais antigas bandas madeirenses em actividade e, após alguns anos de ausência, estão de volta com uma nova Promo que promete relançar a imagem da banda e causar excelentes reações no panorama de peso nacional. Em vésperas de se deslocarem ao continente para participar no Barroselas Metal Fest o Opuskulo falou com a banda através do baixista Ricardo.

A pergunta é inevitável…por onde andaram os Requiem Laus durante os últimos anos ? A continuidade da banda esteve em causa ?

Eu ausentei-me da banda no final de 2001 e pouco mais tarde o baterista decidiu dar outro rumo à sua vida (reside actualmente na Dinamarca). A banda entretanto foi experimentando com outros membros mas segundo o vocalista, e membro fundador da banda, não era a mesma coisa. A continuidade esteve em causa, mas tudo foi superado com força de vontade e aqui estamos de volta.

Escutando os vossos novos temas parece que voltam com mais força e motivação do que nunca. O que pretendem obter com esta nova Promo ?

Com esta nova promo pretendemos chamar a atençao para a banda, visto termos estado parados durante muito tempo e este ser praticamente um “começar de novo”. Hoje em dia há muito pessoal que não esteve a par do que se passou por dentro do metal nacional na altura das demos de 1996 e de 2000, mas como ainda existem os que se lembram - e que guardam sempre um carinho especial pela banda - é por esses também que pretendemos dar o nosso melhor. Algo que gostaríamos muito de conseguir era o apoio necessário para levar Requiem Laus ao nível seguinte que é apostar na internacionalização. Algo que não é nada fácil nos dias que correm.

Quais a principais diferenças que apontarias entre estes temas e os presentes na vossa Demo anterior ? Em que sentido se deu a progressão ?

Eu acho que o som destas novas faixas é a mistura do que era feito antes, em 1996, com o que foi feito para a demo de 2000 "through aeons". Estas músicas ficam assim com caracteristicas pelas quais a banda pode ser reconhecida. No entanto, a maturidade criativa de Requiem Laus tem claramente evoluído e o seu peso na construção das musicas faz com que haja uma transição natural para um trabalho mais coeso e tornando o som cada vez mais próprio.

A vossa nova promo será editada no continente aproveitando a vossa passagem pelo festival SWR Barroselas Metal Fest 2006. Como se proporcionou a vossa presença nesse evento ? Expectativas…

Já tínhamos entrado em contacto com os organizadores do SWR durante o ano passado e então cederam-nos um lugar para o SWR deste ano. É com muito orgulho que lá estaremos entre grandes bandas do metal nacional e internacional e dar o nosso melhor, apresentando praticamente material novo e algumas da demo 2000. Vamos aproveitar os 30 minuntos para tentar deixar uma boa impressao do que é Requiem Laus actualmente.

Suponho que não seja fácil em termos logísticos e monetários para uma banda originária da Madeira vir tocar ao continente. Recebem algum tipo de apoio de autarquias ou do Governo regional no sentido de divulgarem a vossa música ?

Geralmente não, os custos são pagos por nós, mas tentamos sempre conseguir transporte, ou seja, as passagens aéreas do Funchal para o continente através dos apoios que são disponibilizados pela Câmara Municipal do Funchal, algo que nem sempre resulta mas que já é uma ajuda .

Esta é já uma pergunta cliché…mas acham que a vossa insularidade constitui um barreira à evolução da vossa carreira ou, por outro lado, um elemento que vos pode proporcionar algum interesse e atracção extra ?

O factor “insularidade” é algo implicito aos custos acrescentandos para a nossa deslocação regular ao continente e ao estrangeiro, ou seja, o que nos complica é mais a nivel monetário porque o custo dos transportes para o próprio territorio nacional é , infelizmente, demasiado elevado para ser feito frequentemente. De resto, as barreiras são as mesmas que as de quaisquer outras bandas em qualquer ponto do país. Porém há outra questão que acaba por nos condicionar, mas a nivel regional, que é o sistema utlizado na organização de eventos aqui na região, que geralmente prefere dedicar-se ao capitalismo a divulgar as próprias bandas. Fazendo com que qualquer banda regional de qualquer género musical se sinta desprestigiada (principalmente a vertente rock/metal), perante a importação de artistas “pimba” e de artistas pop do continente. Mas felizmente as coisas parecem estar a mudar, novas ideias e novas mentalidades estão a surgir só resta esperar que se solidifiquem e surtam algum efeito no panorama musical regional.

A Madeira possui desde sempre um lote bem interessante de bandas ligadas ao Metal. Como está a situação actual ?

Actualmente temos algumas bandas que se aguentam e nao perderam a motivação, pois têm grandes oportunidades de fazer muito pelo metal regional, e até nacional, tais como Karnak Seti , Siamese Cancer, Beyond the Realm e provavelmente a banda mais conceituada - apesar de estar mais proxima da vertente hard rock - Outerskin.

Últimas palavras…

Muito obrigado pelo teu apoio e tudo o que fazes pelo metal nacional. Aos que estão a ler esta entrevista, espero ver-vos por Barroselas e que curtam Requiem Laus como está actualmente.

segunda-feira, março 13, 2006

Em entrevista...THE RANSACK

Os The Ransack marcaram, pela positiva, o ano de 2005 com um dos melhores discos do Metal nacional desse mesmo ano. O Ep «Necropolis» apresenta uma banda detentora de um enorme potencial e extremamente cativante, oferecendo ao Metal nacional um dos seus nomes mais marcantes e promissores no espectro Thrash Death Metal. Shore, guitarrista e vocalista da banda, falou com a Opuskulo e revelou algumas das visões por trás de «Necropolis» e lançou algumas dicas quanto ao futuro da banda.
A pergunta é inevitável…como têm sido as reacções a “Necropolis”, tanto a nível nacional como internacional?

Temos tido uma receptividade bastante positiva, quer junto do publico quer junto dos media. É algo que nos faz olhar para um próximo trabalho com bastante optimismo.Esperamos conseguir corresponder às expectativas que vêm sendo criadas com este trabalho em torno da banda, e não desiludir ninguém.

Ao que sei os The Ransack reúnem elementos ou ex-elementos de uma série de bandas do norte do país, certo ? Como se deu a génese desta banda ? Era já uma ideia antiga ?

Eu e o Jay formámos a banda em 2001. Nessa altura recrutamos o Flechas (Bateria) e o Zorro (Guitarra), que já tinha tocado nos Noctum. Entretanto eu entrei para a formação dos Beyond Life onde toquei pela primeira vez com o Zeus, que mais tarde viria a assumir as funções de baterista dos The Ransack. Ainda passei por uma tentativa de renascer os Noctum, altura essa em que convidei o Jay para esse projecto. Ambas as bandas estão neste momento extintas. O Zeus passou ainda pelos também já extintos Imortalis. E eu assumi as funções de Vocalista em Demon Dagger. Por fim para o lugar do Zorro entrou o Loki que também já havia tocado nos Dark Riverside.

Fala-nos um pouco do conceito lírico e do imaginário no qual “Necropolis” acenta ? Julgo que não abordam temas que a maioria das bandas dentro do vosso estilo musical aborda…estarei certo ?

O nome Necropolis, que significa cidade dos mortos, é revelador da temática abordada no MCD. A morte é de facto a “personagem” das letras que escrevi para este trabalho, são ficções retiradas de experiências pessoais ou de devaneios filosóficos à volta da mesma. A temática não terá nada de original para uma banda de Death Metal. Talvez a forma como o fazemos seja diferente, mas isso caberá a cada um julgar.

Achas que o facto de uma banda apostar desde cedo numa edição profissional ao invés de gravar sucessivas demos “caseiras” poderá constituir um factor de sucesso para as mesmas? Pergunto isto porque actualmente assiste-se a cada vez bandas mais jovens a vingar, sendo que a norma em Portugal vinha sendo uma banda arrastar-se durante anos a fio até atingir algum sucesso…

Parece-nos que quanto mais cedo uma banda conseguir mostrar um trabalho competente e interessante ao mundo exterior, maiores serão as possibilidades da mesma atingir os seus objectivos. Os formatos amadores são bastante penalizadores para as bandas e ,numa altura em que a oferta é cada vez maior e de qualidade crescente, qualquer facilitismo nesse campo poderá sair muito caro em termos de exposição e aceitação.

Achas que Portugal tem condições para formar um movimento Metal suficientemente organizado e forte ao ponto de se tornar num dos mais interessantes a nível europeu a curto/médio prazo?

Muita coisa terá de mudar, a nível cultural, económico e social no nosso país para sermos capazes de exportar os nossos produtos de qualidade lá para fora. Não falo apenas de Metal, não falo apenas de música. Quanto ao nosso Underground propriamente dito, acho que as coisas vão evoluindo de forma positiva.

Quanto a concertos, os The Ransack não são ainda uma das bandas mais frequentes nos palcos nacionais. Fazem algum género de selecção quanto a concertos ou simplesmente não aparecem convites ?

É interessante perguntar isso. Uma vez que somos frequentemente apontados com uma das bandas do Underground Português mais activas em termos de concertos. Temos uma média de 20 concertos anuais. Estamos prestes a regressar a Espanha pela terceira vez. Tivemos também já o prazer de abrir concertos para Dismember, No ReTurn, Pandemia, Cancer, isto só para citar as bandas estrangeiras. Esperamos continuar a tocar com frequência e que isso seja cada vez mais possível. Contudo temos de ter cuidado para não haver uma sobre exposição da banda. Além disso há sempre a vida profissional e pessoal de cada elemento que limitam a disponibilidade para tocar ao vivo.

Podes levantar já um pouco a ponta do véu quanto a um futuro disco? Qual a orientação que os novos temas estão a levar ? Haverá novidades quanto a editora ?

Ainda é cedo para falar sobre o próximo trabalho. A orientação e evolução da banda pode ser apreciada ao vivo, costumamos introduzir temas novos com frequência no nosso “Set List”. Temos neste momento um disco que queremos vender e promover. E isso é para já o mais importante.

Uma pergunta de algibeira…onde existe um movimento Metal mais forte ? A norte ou a sul do Mondego ?

A norte claro. (risos)

Últimas palavras….

Obrigado a todos aqueles que nos têm ajudado a crescer, apoiado. Visitem-nos na nossa nova casa:
www.theransack.com. Apoiem o Underground.