quarta-feira, agosto 23, 2006

em entrevista...KRONOS

Ao falarmos de Industrial em Portugal surge de imediato o nome Bizarra Locomotiva. No entanto, o estilo está longe de se esgotar por aí e nomes como Re:aktor, F.E.V.E.R ou estes Kronos provam isso mesmo. «Symbolon» marca a estreia deste colectivo de Vila Franca de Xira e estabelece-se, dese logo, como uma das revelações do ano a nível nacional. O OPUSKULO quis conhecer melhor este colectivo e partiu para a conversa com os KRONOS...


Apresenta-nos os Kronos….

Os KRONOS são uma banda que se formou no início de 2004 a partir da vontade de dois membros dos já extintos Uber Mannikins (um projecto de rock industrial de Vila Franca de Xira) em encontrarem novos elementos para a construção de um projecto musical que permitisse explorar e ampliar ideias e abordagens musicais inovadoras. O encontro com os outros dois membros (com um percurso musical marcado pelo anonimato das bandas de garagem), permitiu concretizar este objectivo principal, e desde essa altura, todo o esforço e investimento criativo tem sido dirigido no sentido de criar e alargar, a partir das fusões que se entendam relevantes, uma sonoridade que nos agrade e, sobretudo, que não seja refém de estilos ou rótulos estanques.

Que tal a aceitação a «Symbolon», a vossa maquete de estreia ?

Até agora temos a impressão que a maioria das pessoas que ouvem o nosso som ficam positivamente impressionadas. Temos recebido alguns ecos elogiosos no myspace e temos tido boas críticas à nossa maquete em alguns blogs de música. Ao vivo importa dizer que a situação é um pouco paradoxal, dado que até agora a maioria dos nossos concertos tem acontecido no âmbito dos concursos de música (que nunca ganhamos), o que significa que o público (que é heterogéneo e indistinto) e os júris tendem a revelar alguma estranheza e incompreensão relativamente ao nosso som, mas curiosamente recebemos sempre as palavras mais positivas da parte das outras bandas, mesmo quando praticam sonoridades bastante distantes da nossa. Pensamos que reconhecem alguma originalidade no som que praticamos, e apesar da diferença das linguagens, não hesitam em manifestar o seu agrado em relação à nossa música.
Musicalmente apresentam sonoridades que vão desde o electro-Goth, Industrial e mesmo o Metal. Acham que essa mistura estilística poderá gerar alguma confusão no ouvinte e acabar por o afastar da vossa música ?

Essas fusões estilísticas são inevitáveis, e indispensáveis, no nosso processo criativo. Temos a clara consciência que não é fácil para qualquer ouvinte apreciar e entender a nossa música, mas isso não constitui nenhum drama, porque se fosse para ganhar dinheiro teríamos feito uma banda de bailes. Claro que isto não significa que a nossa música seja dirigida para um reduto de eruditos ou de melómanos fervorosos, mas para nós é relativamente óbvio que é necessário algum ecletismo e alguma maturidade para compreender o nosso som. É um compósito de muitas influências e de muitas linguagens. Quem ouve música por genuína fruição, sem estar preocupado em ser fiel a um determinado estilo, acabará por encontrar pontos de contacto que lhe agradem. Por essa razão, e uma vez que não fazemos música para as massas, nem música por encomenda, só se deverá aproximar da nossa música quem a entender e apreciar. Quando isso acontece é uma honra e uma satisfação.

Especificaram algum público-alvo ou esperam abranger um largo espectro de ouvintes e apreciadores ?

Por uma questão de coerência aos nossos princípios, somos contra a ideia de dirigir a nossa música para um público-alvo específico, pois isso seria contraditório com o nosso entendimento da música e com o nosso compromisso criativo. É claro que pelo facto de termos uma sonoridade pesada, intensa e soturna, o nosso público potencial acaba por se encontrar nas fronteiras entre o Gótico, o Industrial, o Metal, o Electro e o Alternativo. Mas dentro destes géneros há muitas pessoas com um espírito aberto e cosmopolita em relação à música, por isso pensamos que a nossa potencial mais-valia se encontra nessa capacidade de agradar aos públicos que se encontram nestas fronteiras estilísticas. O espectro poderá não ser o mais alargado de todos, mas como já foi dito o mais importante é encontrarmos um público que entenda e aprecie a nossa linguagem.

Suponho que tal heterogeneidade reflecte os gostos musicais e influências distintas dos vários elementos dos Kronos. É fácil conciliar tudo isso ?

Efectivamente, essa heterogeneidade é o resultado directo dos vários gostos e dos distintos percursos musicais dos elementos de KRONOS. No entanto, a síntese dessas múltiplas referências acaba por ser um processo bastante natural e nada complexo. É curioso, mas praticamente nunca falamos de música nem trazemos para a sala de ensaios discos das nossas bandas favoritas. Há determinadas bandas que uns gostam, outros não e ás vezes acontece não conhecermos certas referências que algum de nós apresenta. Quando compomos apenas estamos concentrados na sonoridade que queremos explorar para determinada música, sem qualquer complexo quanto ao facto de ela nos poder remeter para determinado território que não nos seja o mais familiar de todos. Todos nós temos as nossas influências bem incorporadas e quando dialogamos musicalmente só a música importa. Ela é que dita o que faz mais sentido, o que deve ser cruzado, explorado etc. O que nunca pode acontecer é a música ser feita para replicar um estilo, uma banda ou um tema que gostemos. Temos como ambição desenvolver uma sonoridade KRONOS. É esse o nosso horizonte. Aliás, se não fosse esta a nossa meta, o nosso esforço tornar-se-ia um exercício anárquico e esquizofrénico sem qualquer tipo de direcção. De Rammones a Slayer, passando por Tony Carreira, há muitas referências que são diferentes e que não podem ser utilizadas em estado puro.

Utilizam o português, inglês, francês e mesmo alemão para se expressarem. Porquê o recurso a diversos idiomas ?

A língua, que é um recurso extremamente rico e poderoso, é entendida por nós como mais um instrumento que pode e deve ser explorado para enriquecer a nossa criação musical. Tal como se usa distorção, sintetizadores ou qualquer outro tipo de efeitos para se conseguir atingir e expressar uma certa sonoridade, também a língua dever ser explorada para enriquecer a música que fazemos. O português, apesar de em termos fonéticos e de métrica nem sempre ser fácil de trabalhar, é uma língua muito forte, rica e sobretudo muito requintada do ponto de vista poético. Quando resulta bem, é avassalador. As línguas têm musicalidades próprias; têm uma plasticidade muito bela e singular. O caso do francês é um exemplo paradigmático disso mesmo. Enfim, todas têm coisas boas para oferecer, desde que sejam minimamente trabalhadas. Nunca nos devemos resignar, por uma questão de hábito, ao uso do Inglês (que é uma língua que usamos e apreciamos), porque no limite podemos resvalar para o exercício estéril de estarmos a escrever vacuidades, de não termos nada de concreto para dizer e embrulharmos esse vazio na pompa e circunstância das fórmulas repetidas.

Apesar de se escutarem temas com grande parte cantada em português não há um único título de música na nossa língua. Porquê essa opção ?

Essa constatação é correcta, mas na verdade é algo que é meramente casual, isto é, aconteceu assim porque calhou. De forma mais concreta, isso aconteceu assim com os temas da maquete porque as músicas assim o sugeriram. Os títulos e as letras nunca pré-existem às músicas. São sempre feitas em função de determinada música, que pelo facto de ter uma determinada sonoridade, um determinado ambiente, de remeter para um certo imaginário ou de nos sugerir alguma forma de intensidade emocional, acaba por condicionar em grande medida aquilo que nos faz sentido explorar do ponto de vista lírico. É por isso que por vezes começamos em Inglês e depois passamos para Português, ou começamos em Português e acabamos em Francês, por exemplo. Nas nossas novas músicas, que vamos começar a tocar nos próximos concertos, já temos dois títulos em português. Aliás, uma delas é totalmente escrita na nossa língua.

As vossas letras parecem-me algo doentias. Podes falar um pouco melhor sobre elas ? Onde buscam inspiração para as escrever ?

Não sabemos se as nossas letras são doentias, mas temos a consciência de que são viscerais e intensas. Não são, de todo, um hino à felicidade, mas também não procuramos vomitar a brutalidade gratuita e niilista do caos e da destruição. Nesse sentido, pensamos que as nossas letras podem ser vistas como fragmentos do nosso imaginário interior. São um reflexo das tensões e dos dilemas da condição humana, ou seja, são fragmentos que traduzem a complexidade e a contradição dos sentimentos inerentes à própria existência. Viver não é fácil, gerirmos a nossa existência com os outros é um assunto dos mais complicados e inevitavelmente irresolúvel. Todos procuramos alguma forma de plenitude, mas também experimentamos a frustração, a desesperança, a impotência e a raiva de nem sempre o conseguirmos o que procuramos ou de sermos esmagados por obstáculos que nos reduzem à insignificância. Somos seres sociais e simbólicos, por isso vivermos é um exercício com uma infinita complexidade. Andamos há milhares de anos às voltas com estas questões, a torturarmo-nos com as mesmas inquietações, dúvidas, medos, ambições, sonhos, etc. Os antigos filósofos gregos já disseram as coisas mais sábias, contudo as respostas continuam a ser incompletas e fragmentárias. Há milénios que tentamos decifrar o mistério da existência e dos seus múltiplos e opacos sentidos. No nosso caso, é óbvio que não procuramos dar respostas, mas através da música deixamos fluir as nossas emoções traduzidas em prosa poética. De futuro, talvez exploremos temáticas mais conceptuais.

Qual a tua opinião sobre o panorama português no que diz respeito ao Gótico e ao Industrial ? Achas que se poderá construir uma carreira sólida no nosso país tocando este tipo de música ?

Parece-nos que nos últimos anos voltou a haver uma explosão de bandas provenientes de estilos mais pesados e alternativos, tal como também se têm vindo a multiplicar circuitos onde é possível ter alguma exposição, indo assim ao encontro de um público que é cada vez mais vasto, exigente e eclético. Há bandas e projectos interessantes a aparecer, o que mostra, sem sombra de dúvidas, que há muita gente com óptimas ideias e com bastante talento. No caso concreto do Industrial, consideramos que é um território relativamente vasto que é susceptível de ser explorado em múltiplas vertentes, um pouco como aconteceu com o Gótico quando foi apropriado pelas sonoridades mais próximas do metal. Há hoje muitas bandas que criam nessa fronteira, que pouco tem a ver com as raízes primordiais do rock gótico. Ainda bem que assim é. Há espaço para todos. Para os revivalistas e para os que querem subverter as regras do jogo criando coisas novas. Em relação a Portugal, pelas conhecidas razões do nosso atraso estrutural em praticamente todos os campos, as condições não são as mais propícias para a construção de carreiras sólidas nestes estilos. Temos o já clássico exemplo dos Moonspell, a menor escala os Phantom Vision, os Bizarra Locomotiva e talvez pouco mais. E mesmo assim são exemplos de que nos orgulhamos pelo que valem lá fora, não pelo que (infelizmente) não têm oportunidade de mostrar no nosso país. As coisas estão formatadas para outros géneros e públicos.

Poderemos ver os Kronos ao vivo ? Para quando ?

Vamos dar o concerto de apresentação na nossa maquete no próximo dia 28/7 no Culto Bar em Cacilhas, com os The Chapter na primeira Parte. Por enquanto é tudo o que temos, até porque esta altura é um pouco complicada para marcar concertos. Depois deste, talvez só em Setembro. Há alguns contactos feitos e algumas possibilidades em aberto, mas nada de concreto. Infelizmente não tocamos com a regularidade que gostaríamos e ainda não encontrámos um público que nos reconheça, acompanhe e apoie. Talvez isso possa acontecer em breve. Temos um apetite voraz para tocar ao vivo, agora é só esperar que os contactos surtam efeito e que haja pessoas interessadas em ouvir-nos ao vivo.

Últimas palavras…

Muitos parabéns pelo excelente trabalho e pelo importante esforço que a OPUSKULO e outros meios e pessoas dedicadas à divulgação e promoção da música mais pesada e alternativa em Portugal, têm feito. Entretanto, e na medida das vossas possibilidades, ajudem-nos a chegar ao disco de platina (risos).Esperamos que não faltem oportunidades para nos cruzarmos por aí.

segunda-feira, julho 24, 2006

em entrevista...IF LUCY FELL

Tendo sido considerados por muitos como a grande revelação do ano 2005 no que à música alternativa diz respeito em Portugal, os If Lucy Fell não se encostaram a esse estatuto e continuaram a trabalhar e a evoluir, espalhando o caos por inúmeros palcos em todo o país. Em vésperas de pré-produção do sucessor de «You make me nervous», o Opuskulo falou com o baterista Hélio Morais e procurou conhecer melhor esta promissora e peculiar banda.



Satisfeitos com as reacções a «You make me nervous» ?

Sim, bastante. Estávamos bastante expectantes em relação ao que iriam escrever acerca do álbum, uma vez que sabíamos que não era um álbum "fácil". No entanto, tivemos reviews de todo o tipo de imprensa e bastante positivas. E é com a mesma expectativa que estamos agora à espera das reviews fora de Portugal, uma vez que o álbum está prestes a ser editado no resto da Europa (setembro).

Iniciaram a vossa carreira há cerca de dois anos mas já detêm um estatuto de culto na cena alternativa nacional. Qual o segredo ?

Bom! O estatuto de culto é algo que pode ser relativizado. Temos neste momento aquilo que consideramos ser uma boa base de público a apoiar a banda nos concertos. Quanto a segredos, acho que o segredo é mesmo não termos grandes segredos (redundância descarada). Não somos uma bandas de grandes mistérios. Acho que somos bastante sinceros naquilo que fazemos e talvez seja por aí que a coisa pegue. Acho que a maneira como encaramos cada concerto pode ser a resposta a esta pergunta.

Consideras que o estilo no qual os If Lucy Fell se movimentam poderá ser associado a uma moda passageira (à qual se resolveu chamar de Metalcore) ?

Não. If lucy fell não tem a mínima semelhança com bandas como Killswitch Engage ou outras catalogadas como metal core. If lucy fell é uma banda de rock que se movimenta em vários meios. Tanto tocamos com bandas de hard core como com bandas de rock, indie, etc. Recentemente temos até tocado mais no meio rock alternativo do que no meio hard core.

Figura incontornável na banda é o vocalista Makoto. Como veio parar à banda ? Sei que inicialmente começou por ser o vosso produtor…

Sim, foi assim mesmo. Ele produziu a demo e mais tarde acabou por se juntar à banda. Já era nosso amigo há uns anos e uma vez que estava sem banda e toca uma série de instrumentos, achámos que era a escolha mais acertada.

O vosso objectivo passa por tocarem de uma forma cada vez mais complexa e técnica ou acham que isso não faz sentido a partir do momento em que isso contradiz o formato canção ?

O nosso objectivo passa por fazermos as melhores músicas que conseguirmos fazer, desde que as gostemos de tocar. Nunca nos preocupámos muito com a complexidade das mesmas. O que é importante é mesmo continuar a tirar prazer da música. E não dizemos isto de uma perspectiva romântica da coisa, mas sim da única perspectiva viável para a existência dos if lucy fell.

Estiveram pela primeira vez no SBSR…como correu esse concerto ? O que vos transmite mais vibrações…um concerto num festival como o SBSR ou num espaço fechado e intimista ?

Estivémos e adorámos. Estava imensa gente e o público ajudou bastante. Os concertos são todos diferentes uns dos outros. Há aspectos positivos nuns e noutros. Se por um lado nos agrada bastante tocar para milhares de pessoas, por outro, agrada-nos bastante o contacto directo com o público, algo que é uma constante nos concertos de clube.

Assiste-se actualmente a um fervilhar de novas bandas no nosso país que começam já a formar um movimento alternativo ao Metal e ao próprio Hardcore. Concordas ?

Sim. Acho que já começa a haver o hábito das pessoas frequentarem concertos rock e em Portugal. Há tantas boas bandas deste género tão abrangente, que é com imenso contentamento que o constatamos. O hard core sempre foi um meio em que havia esse hábito. Chegava a ser estranho teres bandas rock com enorme destaque por parte da imprensa e depois ires a um concerto de uma banda de hard core de que ninguém falava e o concerto estar mais cheio que o dessas bandas. Hoje em dia acho que está a tender para o equilíbrio. Tens imensa gente a frequentar concertos rock e imensa gente a frequentar concertos mais ligados ao hard core. Disto tudo só temos a concluir que o underground em Portugal está bem e recomenda-se.
Julgo que no meio desse movimento os If Lucy Fell acabam por assumir uma identidade muito própria e única no nosso país. Achas que isso constitui uma mais valia para a banda ?

Sim e não. Por um lado desagradamos imenso aos adeptos típicos do hard core por supostamente sermos "freaks" (ainda hei-de perceber um dia o que quer isso dizer). Por outro, essa mesma diferença do nosso som para as bandas habitualmente conotadas como hard core, abriu-nos as portas para uma série de pessoas mais viradas para o indie rock e bandas mais experimentais. Mas sinceramente, não nos preocupa muito o tipo de pessoas que vai aos nossos concertos, mas sim a sinceridade com que o fazem.

Quanto a futuras edições…o que podemos esperar ? Há já algo a ser delineado ?

Em Agosto vamos fazer a pré-produção do próximo álbum que há-de ser gravado no fim do ano. Desta vez queremos fazer as coisas com bastante mais calma para poder haver uma maior e mais concertada promoção. Entretanto, temos a edição europeia para Setembro como já referi acima.

Últimas palavras…

Apareçam nos concertos, comprem merch, mostrem aos amigos, etc. Façam com que a cena musical portuguesa cresça. O que não falta são boas bandas.

segunda-feira, julho 10, 2006

em entrevista...AZAGATEL

Azagatel é um nome que acompanho desde início e é sempre agradável contar com um novo trabalho desta enigmática e talentosa banda. «The Horned God» marca o regresso às edições após diversos problemas ocorridos no seio do grupo que não permitiram que este fosse o 2º disco da banda mas sim um EP. Hrodulf, o vocalista da banda, falou-nos desses e doutros assuntos e deu-nos a conhecer uma banda que já vem merecendo um maior reconhecimento por parte da imprensa e público.

Após a edição de «Nautilus» qual o motivo pelo qual regressaram às Demos ?

Não foi nada pensado nem planeado, como passamos por um periodo menos produtivo e de constantes mudanças de line-up achamos que o melhor era fazer primeiro uma demo e depois então, se possivel mais um album.
E como tem sido a recepção a «The Horned God» ?

Para já tem sido muito positiva tanto a nível Nacional como Europeu.
Noto um acentuar das características mais negras e melancólicas da vossa música ? Concordas ? Foi propositado ou surgiu naturalmente ?

Concordo, eu penso que isso aconteceu mais uma vez devido ao período conturbado pelo qual passamos, não foi nada feito intencionalmente ou pensado, foi apenas o que saiu, não nos preocupamos se a musica é mais negra ou mais lenta, a unica coisa que fazemos é tentar sempre superar os trabalhos anteriores e fazer as coisas de uma maneira genuina.
Em termos líricos, continuam na mesma linha dos trabalhos anteriores ? Onde buscam inspiração ?

Sim, embora o assunto retratado seja diferente nos nossos 3 trabalhos retratam todos temas relacionados com a cultura ancestral Europeia, o Mar, Mitologia, Esoterismo e Anti Cristianismo.

Sentem-se de alguma forma injustiçados por ainda não terem atingindo uma maior notoriedade no panorama de peso nacional ?

Para ser sincero nunca pensei muito sobre isso, mas acho que a nossa situação geográfica não é das melhores, tivemos sempre uma distribuição deficiente e uma promoção limitada, por isso penso que não temos que nos sentir injustiçados.

Consideras que o actual momento saudável que o Metal nacional atravessa vos poderá beneficiar de alguma forma ?

Sim, uma vez que cada vez aparecem mais bandas o que provoca uma maior concorrencia entre elas e consequentemente a qualidade sobe, os media estão a olhar para o metal com outros olhos, o numero de concertos aumentou etc..., mas quanto a benefeciarmos com isso acho que é possivel, embora continue a achar que as bandas das grandes cidades (Porto, Lisboa) tem mais possibilidades que as outras que estão fora dos grandes centros.

Ainda sonham numa internacionalização da banda e em assumi-la como única profissão ou isso não passam de meras ilusões ?
A esperança é sempre a ultima a morrer....

O que podemos esperar de Azagatel para breve ?

Bastantes concertos a partir de Setembro, e talvez um album para o primeiro trimestre de 2007.
Últimas palavras…

Agradecimentos à Opuskulo pela entrevista e pela review ao nosso cd e a todos os que continuam a apoiar o Underground Nacional. Hail Mother Europe.

terça-feira, julho 04, 2006

em entrevista...EASYWAY

Com apenas um disco editado os Easyway protagonizaram uma das mais fulgurantes ascensões em termos de notoriedade aquém e além fronteiras. Sucesso de vendas no Japão, concertos pela Europa e ao lado de grandes nomes em Portugal ajudaram a construir uma base de fãs sólida e a abrir caminho para a edição do sempre difícil segundo disco. «Can you Keep a Secret» chega ao mercado apostado em dar seguimento a esta carreira de sucesso sobre a qual o Opuskulo falou com a banda.
Passados cerca de dois meses após a edição do novo disco que balanço fazem ?

O balanço é descaradamente positivo! A promoção tem corrido sobre rodas, estamos bastante contentes com o trabalho da editora nova (Zona Musica), os CD’s estão nas lojas, e a resposta do público tem sido excelente! Não podíamos pedir melhor!

Após o sucesso que foi «Forever in a Day» sentiram algum tipo de pressão no sentido de superar esse disco ?


Penso que sim…havia sempre uma pressão mesmo no seio da banda de fazer melhor, de evoluir e provarmos a nós mesmos que éramos capazes de mais, e não ser apenas um “one hit wonder”…! Sentimos que conseguimos utilizar essa pressão de uma maneira positiva!

Da garagem para o reconhecimento a nível mundial foi uma curta viagem…o que achas que esteve por trás da vossa rápida ascensão ?

O trabalho, sem duvida…o esforço, a dedicação, e a força de vontade. Muitas vezes ouvimos dizer que “tudo é possível” ou que “se trabalhares muito consegues lá chegar”, e essa é a verdade. Com trabalho, profissionalismo, empenho, e muita força de vontade, tudo é possível! Os Easyway sempre foram uma banda que teve sonhos mais altos, e sempre trabalhámos muito para os atingir…não é suficiente para nós ficar na garagem, e dar concertos no bar local, queremos mais!

Alguma vez pensaram que as coisas se desenrolariam desta forma ?
Sempre lutámos para que isso acontecesse…mas é daquelas coisas que vamos fazendo com um objectivo que sabemos ser por vezes difícil de atingir…Penso que quando somos persistentes, somos recompensados…a industria musical não é um mundo fácil…e exige persistência, exige que mostres que realmente vales aquilo que dizes valer, e isso só é provado com o tempo!

Para quem ainda não ouviu este novo disco mas ouviu o anterior, que diferenças apontarias entre os dois ?

Neste disco vão encontrar uns EASYWAY mais trabalhados, tanto as letras como as composições foram muito mais exigentes na altura da gravação. “Can you keep a secret” é um álbum muito mais maduro, mais sério, que toca em temas bastante diferentes do anterior, e de uma maneira bastante mais inteligente! Em termos de sonoridade, é certamente mais Rock que o anterior…digamos que tudo o que era “melódico” em “Forever in a Day” é bastante mais neste, e tudo o que era mais agressivo, ou “pesado” se quiserem, é ainda mais agora…Alargámos os horizontes!


Quanto as reacções no estrangeiro, como estão a correr as coisas ?

Estamos a ir com calma para o estrangeiro desta vez…quando lançámos o primeiro álbum atirámo-nos de cabeça em várias tournes pela Europa, sabíamos que precisávamos de provar que isto era a sério, e tínhamos que colocar os EASYWAY no mapa. Desde aí conseguimos passar de banda que abre um festival, para cabeças de cartaz no mesmo festival, portanto o resultado foi bastante positivo !! O álbum vai sair em Setembro na Bélgica e Holanda pela Funtime Records, e no Japão pela In Ya Face (CR JAPAN), e as expectativas são altas!

Planeiam alguma digressão internacional para a promoção deste disco ?

Sempre! Somos uma banda que só se vai manter “viva” enquanto tocar ao vivo o máximo possível. Editar o álbum no maior número de países e promovê-lo nos mesmos é o que mais nos interessa neste momento.

Já tocaram ao lado de grandes bandas da cena internacional…mas se pudessem escolher qual o cartaz ideal no qual gostariam de estar inseridos ?

Claro que a resposta mais óbvia seria dizer nomes como Metallica, Guns n´Roses, Foo Fighters, Silverchair, etc… Aprendemos muito com as tournes que já fizemos, principalmente a respeitar sempre cada banda que divide o palco connosco, mostrando aquilo que vamos sempre preservar, humildade. Acho que o mais importante é pensar em estar nos cartazes dos grandes festivais seja com quem for (risos) !

Estás atento ao que se vai passando na musica alternativa portuguesa ? Como vês a sua actual situação ? Que bandas destacarias ?

Estou sim, sempre. Acho que a qualidade das bandas e artistas em geral está cada vez mais alta devido, talvez, a uma concorrência saudável existente. Também os meios de comunicação estão cada vez mais a dar a conhecer novos projectos e isso estimula o surgimento deles. Há tanta coisa boa… Aside, Devil in Me, 20inch Burial, For the Glory, Triplet, No One Yet, One Hundred Steps, DapunkSportif, etc...

Desde o primeiro disco que recorrem a estúdios e técnicos estrangeiros para a masterização e misturas dos discos. Achas que em Portugal não existem produtores suficientemente competentes para dar o cunho que procuram dar à vossa música ?

Há produtores muito competentes em Portugal, isso não há dúvidas. Achamos que para finalizar o nosso trabalho precisávamos de pessoas com mais experiência no nosso estilo musical, que procurasse enquadrar o nosso som à uma sonoridade mais “Californiana”. Não é nenhum exagero dizer também que encontra-se bons preços em estúdios lá fora. Outro ponto que nos interessa muito na mistura e masterização é ter o trabalho de alguém com “os ouvidos limpos” ao nosso som, que encontre os defeitos e qualidades e que trabalhe estes da melhor forma possível.
O que podemos esperar de Easyway para breve ?

Trabalho! Esperem por concertos cheios de energia, novos álbuns , novos vídeos e se depender da nossa dedicação, tudo sempre para melhor!

Últimas palavras…

Obrigado à todos aqueles que de alguma forma algum dia ajudou os Easyway! Sabemos que sem vocês nada disso hoje era possível e vamos continuar a retribuir essa ajuda com muito Rock n´Roll !!!

segunda-feira, junho 26, 2006

em entrevista...HUGO FLORES (SONIC PULSAR / PROJECT CREATION)

O Prog Rock não é, definitivamente, dos estilos musicais que gozem de mais popularidade no nosso país, isto embora tenhamos nomes extremamente talentosos dentro desse espectro. Sonic Pulsar e Project Creation são dois desses nomes e acabam por ter uma maior notoriedade no estrangeiro do que no seu próprio país. Hugo Flores, mente criativa de ambos os projectos, falou com o Opuskulo e deu-nos a conhecer excelentes propostas musicais que permanecem injustamente ignoradas pela maioria do público nacional.

Falemos em primeiro lugar de Sonic Pulsar. Como têm sido as reacções a este último disco?


Do que me tenho apercebido o pessoal está a gostar e consideram um grande avanço relativamente ao primeiro álbum. Algumas faixas são emblemáticas, e algumas criticas referem que estas faixas ficarão como sendo uma marca na nossa música, falo da “Schizophrenic Playgroung” e “I heard of a place called Earth” por exemplo. Os fãs que gostaram do primeiro ficaram satisfeitos com as ideias e musicalidade do “Out of Place”. Em termos de críticas nos media, tem sido excelente e o cd tem passado em várias rádios recebendo apoios um pouco por todo o lado. Claro que este género de música não tem, para já, a divulgação que um artista ou banda pop/rock conhecida beneficiaria, mas tem sido uma boa aceitação e sobretudo um óptimo reconhecimento do trabalho por parte da crítica especializada.


E quando a Project Creation, como estão a correr as coisas com o disco?

Project Creation está a beneficiar de uma divulgação superior a Sonic Pulsar, pela envergadura da editora, mas também pela música que, apesar de sinfónica, é mais apelativa e consegue agarrar públicos mais diversificados. No entanto, já vi alguns fãs de Sonic Pulsar preferirem o género mais ”agressivo” de Sonic comparativamente ao mais ambiental/sinfónico de Project Creation. Mas considero que “Floating World” é um álbum algo arriscado, pois coloca elementos do jazz/fusão pelo meio, coisa que não é fácil de realizar, tornando o som diferente do habitual. Penso que, no caso deste álbum, o efeito foi bem conseguido. Também é arriscado, porque tem quase 73 minutos de música e a história é contada ao longo do cd. Penso que o facto de um cd ter a totalidade do tempo, pode ser prejudicial, mas no caso deste “Floating World” a variedade e as surpresas que ocorrem destroem uma possível monotonia, acho eu. Li recentemente um comentário de um fã - que também escreve alguns textos/criticas - referindo que este álbum renova a esperança dos mais inconformados com o progressivo, e que traz frescura ao género quando todos pensavam que já não seria possível inovar. Enfim, é uma opinião, e só posso dizer que tento sempre inovar com o que faço, mas conheço projectos muito originais de progressivo e não só. Uma nota curiosa é que pessoas que não estão dentro do prog gostam do álbum e compram-no. Isso é excelente e não gosto de catalogar a música por isso mesmo. Em termos de rádios a coisa está a ir bem, mas falta sempre chegar às ditas “grandes”, pelo menos em Portugal! As críticas têm sido óptimas e já recebemos duas notas máximas, uma delas numa revista de renome, a Background Magazine na Holanda.


Não deixa de ser curioso que o teu projecto digamos “secundário”, Project Creation, seja o que, neste momento, está a obter uma maior exposição e sucesso. Como te sentes em relação a isso ?


(risos) É verdade, sabes que já pensei nisso! O segundo projecto vai ultrapassar o primeiro em termos de notoriedade, não há dúvida, mas acontece isso com muitos músicos e não apenas na música mas também noutras artes como o cinema. Quantas vezes um actor ou um realizador não fica conhecido com o seu 5º filme, por exemplo? O bom é que os fãs de Project Creation vão ouvir e ler o nome Sonic Pulsar e vão querer descobrir do que se trata e, por outro lado, quem gosta de Sonic vai querer ouvir este projecto. O que sinto é que Sonic devia estar na Progrock Records (risos) e beneficiar da mesma promoção, apenas isso. Espero que um próximo álbum de Sonic possa ser distribuído e editado pela mesma editora.


Por falar nisso, como surgiu o acordo com a norte-americana Prog Rock Records ? Podemos esperar uma relação duradoura ?

Claro, dou-me muito bem com a editora, que me dá liberdade total para criar. Não impõem nada, apenas aconselham a mistura final e dão conselhos ao nível da qualidade do som. O resto, produção, masterização, é feito por eles. Project Creation tem como objectivo 3 álbuns, os quais vão ser editados pela Progrock. Depois disso, e ainda falta muito tempo, logo veremos o futuro do nome Project Creation. O contacto com a Progrock já se iniciou há algum tempo, quando lhes enviei o “Out of Place” para colocação na rádio Americana Progrock Radio. O Shawn Gordon, Presidente da editora, gostou do “Out fo Place”, mas eu já tinha na altura contrato com a Italiana Mellow Records. Quando lhe enviei o Project Creation, ele ouviu a “demo” durante 1 semana, e deu-me resposta entusiasta e positiva. A partir daí foi melhorar os mixs, ter o produto final, e toda a arte gráfica do álbum.


Tanto em Sonic Pulsar como em Project Creation o conceito lírico gira em torno de ficção científica, espaço, “ufologia”, etc… Suponho que sejas um profundo interessado por essas temáticas…


Adoro mistério e o desconhecido, é isso que nos faz viver acho eu. Para o “Floating World” baseei-me em ideias para uma história de ficção e na minha vontade em explorar o desconhecido, o Universo. Para te dar uma ideia das influências para o Floating World, posso referir o livro Solaris, o filme Dark City, Star Trek I e 2001 Odisseia no espaço. Referes a ufologia, mas tal já sai um pouco fora do tema, pois trata-se de curiosidade pessoal e alguma investigação de um curioso do tema. Sabes que eu tenho uma mente muito aberta, não rejeitando nada à partida, mas procuro as minhas respostas. A educação parte também da nossa própria procura pelas repostas, e não pelo que nos é “doutrinado”. Já agora, em “Out of Place” e “Floating World” há uma crítica muito forte à nossa sociedade, mais ou menos explícita.



Sei que o conceito de Project Creation se relaciona com um filme de ficção científica que já se encontra em fase de produção. O que podes desvendar em relação a isso ?

Não é bem um filme, é mais um videoclip mas muito diferente do que se viu até hoje e com grande produção em cima. Talvez se possa falar numa curta curta-metragem! O clip vai ter como base a faixa 1, “Floating World”, mas não vai mostrar apenas imagens da faixa escolhida para o single, mas de todo o álbum, ou seja, em 6 minutos teremos toda a historia do 1º álbum! O teaser já está disponível no nosso site em sonicpulsar.com ou aqui

http://www.nemesismusica.com/projectcreation.htm


Poderá considerar-se Sonic Pulsar e Project Creation como verdadeiras bandas ou como projectos nos quais reúnes músicos convidados ?

Considero Sonic Pulsar um misto entre banda e projecto, mas Project Creation como um verdadeiro projecto, ou “supergroup” em que reúno músicos convidados. No entanto, quero que esse leque de músicos seja relativamente estável, por uma questão de confiança e de musicalidade. O som apresentado é também diferente de o de uma banda.

Quanto a discos a solo, após «Atlantis» há mais alguma coisa a ser preparada ?

Quero fazer uma “revisit”, como se diz actualmente (!), ao meu primeiro álbum “Atlantis”. Tenho também já algumas gravações para um álbum, que sai fora de todos estes projectos, muito mais direccionado para o metal e de nome “Dimensions”. Será uma viagem por diversas dimensões ou estados de espírito se quiseres. Vai ser mais agressivo e entre o depressivo e eufórico. Vai ser sobretudo guitarra, baixo e ritmo. Será talvez o álbum mais pessoal até hoje e já tenho boa parte das guitarras gravadas, faltando agora as primeiras misturas..Por último, uma novidade, Sonic Pulsar vai participar num tributo a Santana, à semelhança do que aconteceu com os Moody Blues, a ser editado pela Mellow Records (www.mellowrecords.com). Sonic Puslar conta agora com um novo membro na bateria, o norte-americano Davis Raborn que já participou em projectos como o Daymoon de Fred Lessing, que tocou flauta e Baroque recorder no “Floating World”.

Em termos nacionais noto que nunca foi dada a devida atenção ao teu trabalho. Sentes o mesmo ? Achas que nasceste no país errado ? Provavelmente tudo seria muito mais simples em termos de carreira musical se fosses norte-americano ou britânico…

(risos) Sim, não se dá a atenção devida aos melhores trabalhos, ou pelo menos aos mais originais, e isso não acontece apenas em Portugal. Os filmes de culto, séries de culto, têm alguns seguidores, e a pouco e pouco vão ganhando cada vez mais notoriedade. Penso que no campo das artes, e especialmente no cinema e música, tudo o que inova é mal recebido no início pelo grande público, pois há resistência à mudança e ao que é novo. Um filme diferente, original, ficaria pouco tempo no cinema, pois o público demora mais tempo a absorver o que se lhe é apresentado, e depois sai das salas rapidamente. Se ficasse tanto tempo como os ditos mainstream, tenho certeza que ia ganhando público.Se nasci no Pais errado….não sei, gosto do meu País, mas de facto os álbuns têm tido sempre edições lá fora, e isso diz tudo, apesar da Portuguesa Nemesis saber o que é bom, e ter pegado tanto em Sonic como em Project para distribuição oficial em Portugal. Aliás, o catálogo da Progrock está todo na Nemesis para o nosso País.


Como vês o “estado da arte” em termos de Metal e Rock Progressivo em Portugal ?

Pouca coisa, mas boa em termos de rock progressivo. O metal já tem muito mais variedade, com muito underground e várias bandas de nível. É impossível deixar de falar nos meus amigos Forgotten Suns, e também nos Miósotis, uma banda progressiva, com óptimos temas bastante originais. Claro que nem sempre é preciso inovar, também gosto de ouvir música mais comercial, desde que tenha algo de novo para oferecer e não se limite a copiar.

Poderemos alguma vez ver Project Creation ou Sonic Pulsar ao vivo ?

Project Creation é um produto final, uma criação de estúdio, apesar de eu já ter pensado a sério apresentar o álbum ao vivo, o que se revela complicado devido às várias sonoridades, requerendo um tempo e logísticas muito complexas. Para me dedicar a Project ou Sonic ao vivo, não teria certamente tempo para os dois projectos. É uma escolha a fazer mas um verdadeiro dilema para mim, pois queria ter tempo para fazer isso tudo (risos). Mas sabes que eu sou um bocado como o Arjen Lucassen e gosto de estar fechado no meu Mundo, a compor e ir até ao meu limite em termos de composição e de criação. De qualquer maneira não está colocada de parte uma actuação a vivo, logo veremos.

Quanto a projectos a curto/médio prazo…o que podemos esperar ?


Bem, tenho o Project Creation parte II que já está a ser produzido, mas um terceiro álbum dos Sonic Pulsar já está idealizado, bem como uma regravação do meu primeiro álbum “Atlantis” (para mais tarde). Como disse, estou já na fase de composição do segundo álbum de Project Creation. Em relação à historia, vamos observar um pouco a evolução do novo planeta, a comunhão entre as diversas espécies e vamos igualmente revisitar a pirâmide de Queops que vai ter um papel na epopeia a desempenhar por uma das libelinhas mecânicas do 1º álbum. Posso adiantar que duas musicais vão falar sobre uma fantástica cidade, num planeta distante. Mais detalhes para breve. Já estou igualmente a trabalhar com uma designer para todas as imagens do booklet. Tenho também o “Dimensions”, álbum a solo, que está também em gravação.

Últimas palavras…

Quero agradecer-te por esta entrevista, e agradecer a todos fãs de Sonic e de Project Creation. Espero que todos os que comprem o cd desfrutem o mais possível do trabalho realizado, pois teve de facto muito trabalho envolvido nesta criação. Um abraço !

quarta-feira, junho 14, 2006

em entrevista...SCHEMATTA


Autores de um surpreendente EP de estreia - «exit:inertia» - os Schematta revelam-se como um das principais promessas do Metal mais alternativo no nosso país. Sobre este disco - e não só - o Opuskulo quis conhecer melhor esta banda. Aqui ficam os resultados dessa conversa...
Apresenta-nos os Schematta

Os Schematta, actualmente, estão num processo reestruturação, pelo que uma apresentação da banda poderá ter, eventualmente, uma leitura volátil.

Não deixei de ficar surpreendido com o vosso EP «exit:inertia»…fui o único ou há mais como eu?

Correndo o risco de interpretar essa surpresa como um elogio, muito obrigado desde já. Temos tido feedback muito positivo pelo trabalho até agora elaborado, quer pelo resultado das gravações em estúdio, quer pela nossa prestação ao vivo. Evidentemente, é um incentivo muito forte para continuar a promover esta loucura que é fazer música em Portugal.

Pegando no título do disco…este EP marca definitivamente o fim da inércia para os Schematta ? O que podemos esperar da vossa parte ?

Essencialmente marca o início de um percurso. Qualquer movimento é contrário à inércia, e o mais complicado é começar a andar. Desta forma, pensamos que o EP foi o primeiro passo neste percurso que é o da indústria musical. A experiência que temos vindo a adquirir levou também à concepção de novos métodos de trabalho, que se irá revelar certamente nas próximas notícias acerca das nossas actividades. Pedimos desde já desculpa pela não-actualização do site, que será brevemente resolvido. Esperem por noticias quentes e boas para breve.

Tool parece-me ser uma das vossas referência musicais…concordas ?

Tool e vinho verde sempre foram uma influência forte, sinapticamente falando. Juntem-lhe broa, queijo e temos Meshuggah; uma açordinha de marisco, mais vinho verde e uma folha de Hortelã e temos Police. Enfim, são tantas as influências que nos perdemos na gastronomia.

Achas que o facto de praticarem um Metal dito alternativo vos poderá prejudicar na captação de um público específico ? Ou pretendem agradar a “gregos e troianos”?

A nossa música assume um patamar que nos satisfaz quando é verdadeira e genuína. É o resultado de vários aspectos que tiveram influências sobre nós, que tanto podem tratar-se de bandas que ouvimos actualmente ou durante a nossa adolescência, ou vivências que nos marcaram positiva ou negativamente. Sob este prisma, não nos ocorre pensar em produzir música – que por si só é uma expressão feia – com qualquer tipo de condicionante ou objectivo pré-estabelecido relacionado com vendas. Importa-nos sim chegar ao fim com a certeza de que fizemos o melhor trabalho que estava ao nosso alcance. À parte disto, estão todos desde já convidados a ouvir o EP Exit: Inertia e a aparecer nos concertos oportunamente divulgados, já que é no palco que a nossa música assume a sua essência, com a resposta do público em tempo real.

Do acompanhamento que faço dos eventos que vão acontecendo semanalmente por todo o país fico com a sensação que os Schematta tocam pouco ao vivo, ou estarei errado?

Uma das preocupações mais prementes que tivemos desde sempre, como já referimos anteriormente, não é fazer muito mas sim fazer muito bem. Não é fácil planear uma digressão de apresentação em que todas as condições são reunidas. Há todo um trabalho a exercer por todas as bandas que passa pela exigência de um cachet justo, recursos técnicos apropriados e, claro está, recursos humanos. Não faria sentido investir tempo, centenas de milhar de euros em bons instrumentos, horas de estúdio, para termos uma prestação live frágil ou deficiente. Tentamos então levar a música ao nosso público da forma mais competente e profissional que nos estiver acessível, quer para nossa satisfação, quer pelo total respeito de quem se presta a deslocar a um concerto por nós promovido – temos que ser nós próprios a garantir a certificação ISO 9001:2001 (risos).

Actualmente em Portugal assiste-se a um surgimento de muitas e boas bandas dentro de todos os estilos musicais. Na tua opinião a que se deve este advento? Achas que o nosso país poderá afirmar-se no panorama internacional como uma nova Suécia ou Finlândia em termos de exportação de grandes bandas?

Depois de vários anos num fosso de produção, recebemos agora várias notícias por dia que indicam que as coisas estão mesmo a mudar. Pensamos que um dos factores que mais prejudicou a música portuguesa foi uma clara assimetria de critérios entre os músicos e o seu público. Movimentos outrora sustentados por zines fotocopiadas são agora promovidos online, possibilitando a um metaleiro de Vila Nova de Cerveira estar tão dentro da cena portuguesa, como espanhola, ou qualquer outra. Cremos que esta exposição alargada aos parâmetros estabelecidos por outros países fez com que a fasquia da qualidade subisse em flecha em todos aspectos - dos quais podemos destacar a execução técnica e a apresentação gráfica - e simultaneamente o público que segue uma banda fá-lo por opção. Isto representa muita liberdade artística, resultado das edições de autor com cada vez mais qualidade. Quanto ao panorama internacional, achamos que tudo é possível com trabalho árduo e continuado. Não é com um EP que se constrói uma fanbase ou se eleva a sobrancelha de um A&R, na maioria dos casos. Como tal, vemos essa possibilidade como real e tangível.

Últimas palavras….

Obrigado pela entrevista, boa sorte para este projecto que é tão importante como a música que divulga, e a quem nos lê, apareçam nos concertos porque é com isso que músicos e bandas dão continuidade ao seu trabalho.

terça-feira, junho 06, 2006

em entrevista...INSANIAE

Insaniae é um nome que se tem vindo lentamente a afirmar no panorama Doom Metal nacional sendo que «Outros temem os que esperam pelo medo da eternidade», o disco de estreia da banda, assume-se como um dos melhores editados em Portugal e revela uma banda de características peculiares. Foi sobre essas e outras características que o Opuskulo falou com o guitarrista Luís Possante.


A pergunta é inevitável…como têm sido as reacções ao vosso disco de estreia?

Superaram as nossas expectativas. Vendemos já um número considerável de CD´s, uns directamente, outros com a preciosa ajuda da D:/moni1/. Nunca pensámos que poderia haver tanta gente interessada, ainda para mais numa edição de autor em CD-R, o que só prova que as pessoas não estão preocupadas com a embalagem mas com conteúdo em si e isso é muito positivo e gratificante.


Acompanhei a evolução dos Insaniae desde há alguns anos a esta parte (ainda sob o nome Dogma ) e é caso para dizer que a persistência e a convicção naquilo que acreditam são armas poderosíssimas, concordas ?

É fundamental acreditar no que se está a fazer, ser muito persistente e aprender com os próprios erros. Igualmente importante é perceber a realidade em que vivemos. Não vou estar a enumerar as dificuldades que as bandas em Portugal têm que ultrapassar, penso que é assunto já mais que debatido e toda a gente tem mais ou menos a noção disso. Mas o que é um facto é que é complicado fazer música por cá. É preciso muito amor á camisola.


Pretendem continuar a cantar em português ou não está de parte a hipótese de utilizarem outras línguas?

Para já, essa hipótese está posta de parte, o que não quer dizer que no futuro não surja essa vontade. A língua portuguesa, para além de ser a nossa língua materna, é extremamente rica, cheia de segundos sentidos e propensa a diferentes interpretações, pelo que achamos mais interessante escrever e cantar em português, é algo que já faz parte da identidade dos Insaniae. Não deixa de ser curiosamente irónico o facto de haver muita gente que estranhe cantarmos em português, afinal é a nossa língua, o estranho é cantar noutra qualquer.
Achas que esse facto vos pode fechar algumas portas a um nível internacional?

Pode fechar algumas, mas certamente abrirá outras. Há muitas bandas que cantam em outras línguas que não o inglês o que dá quase sempre um toque de originalidade e até de mistério quando se trata de uma língua absolutamente desconhecida ao ouvinte. Pessoalmente penso que cantar na sua própria língua torna uma banda mais autêntica. Seja como for as letras são apenas uma das componentes da Música - ainda há, pelo menos, as guitarras, baixo, bateria, melodias de voz ... e tudo isso é perfeitamente universal.

E de onde vem a influência para as vossas letras? Revelam um sentido poético bastante apurado…

As letras mais não são do que histórias provenientes da minha mente, captadas através dos meus olhos e sentidos. Naturalmente sou inconscientemente influenciado pelo que leio e pelo que vejo, daí, se calhar, algumas referências literárias... quanto ao sentido poético apurado, estou demasiado próximo delas para poder aferir. Acho que são mais viscerais do que poéticas...


Quanto a influências musicais, My Dying Bride e Mourning Beloveth serão certamente algumas delas, não?

As influências, conscientes e inconscientes, são diversas, e variam com cada membro da banda, mas essas duas bandas que referes são seguramente uma influência para mim e não só em termos musicais. Temos outras, e algumas também de bandas nacionais.

Consideras o Doom Metal um estilo musical mais propício para disco ou para o palco? Sentem dificuldades em transpor para o palco temas longos sem cair na monotonia?

Acho que o Doom, à semelhança de outros géneros e correndo o risco de parecer elitista, não é para todos, pelo que compreendo que nem toda a gente consiga ver um concerto inteiro com interesse. Acho que o Doom se traduz bem para o palco, dependendo da banda, apesar de ser um género tradicionalmente mais propício para disco.Para nós tocar um tema de dez minutos ou de cinco acaba por ser igual, uma vez que as nossas preocupações são de outra ordem como por exemplo a perfeição da execução ou a interacção com o público. Quem está a assistir terá certamente uma outra noção da duração dos temas diferente de nós que estamos em cima do palco.
Há já novos temas a ser compostos? Que direcção estão a tomar?

Há neste momento uma meia dúzia de novos temas. Um deles está pronto e já tem vindo a ser tocado ao vivo há algum tempo. Mais pesados, mais lentos e mais extremos... melhores. Reflectem uma maior maturidade tanto de ideias como nos aspectos mais técnicos de composição e execução.

O que podemos esperar dos Insaniae para breve?

Mais e melhores concertos ao vivo é o que nós esperamos proporcionar e, quem sabe, mais um CD quando estiver tudo composto o que certamente não será antes do final deste ano. Não temos pressa, afinal tocamos Doom.

Palavras terminais….

Obrigado por esta entrevista e obrigado a todos os que nos acompanham. Continuem a apoiar o Metal. Apareçam nos concertos.

terça-feira, maio 30, 2006

em entrevista...MEN EATER

Men Eater é um nome que tem vindo a ganhar notoriedade no panorama de peso nacional não só pelo surpreendente EP de estreia, assim como pelas explosivas actuações que o colectivo protagoniza. O Opuskulo quis conhecer esta verdadeira revelação e estabeleceu uma profícua conversa com o guitarrista Miguel que, entre outras coisas, deixou no ar a promessa de um disco de estreia ainda para este ano.

Quem são os Men Eater ?

Ora, tudo começou quando For the Glory e BlackSunrise foram ambas dar um concerto a Espanha no mesmo festival. O Sérgio na altura ainda era o vocalista de BlackSunrise e já para o fim da noite estava um banda a tocar assim mais pesada com algumas partes ambientais..e nós estávamos a falar de idiotices, como de costume e surgiu na conversa a ideia de formar uma banda, uma cena mais crust, lenta...O Bibi por acaso também estava connosco em Espanha e então formámos logo ali a banda: o Bibi na bateria, o Sérgio na voz , o Carlos (azeitona) na guitarra e eu na outra guitarra! Pensámos logo no Jotinha para o baixo e assim foi ! Era uma espécie de brincadeira, mas quando na manha seguinte, depois de deixarmos o hotel, o Bibi liga-me a dizer que já tinha nome para a banda e eu fiquei um pouco naquela…”qual banda???” (risos). Ainda não tinha a noção que tínhamos feito algo..e pronto nesse telefonema veio logo o nome Men Eater..e somos os mesmos desde inicio!

Algo muito espontâneo, então ?

Acredita que sim..isto tudo passou-se num Sábado...8 dias depois já estávamos a ensaiar.

E porquê Men Eater para designação da banda ?

Basicamente eu ainda hoje não sei ao certo o porquê do nome..sim temos uma explicação lógica...se os promotores dos concertos escreverem MAn Eater, como já aconteceu, ai não sei que explicação dar..(risos) mas se for com E, partimos do principio que é uma espécie de humanidade, comer a humanidade, os podres que em si se juntam..

Quando começaram a ensaiar já sabiam o que queriam em termos de sonoridade ou a coisa foi-se desenrolando naturalmente ?
Desde sempre tivémos consciência do que queríamos fazer como banda. Temos noção que o Ep de lançamento está um pouco fraquinho em relação ao que já estamos a fazer hoje! Quando pensámos em fazer o álbum achámos que deveríamos ir para uma onda mais ambiental/instrumental. Todos nós adoramos isso mas não conseguimos deixar a nossa veia stoner/sludge/doom!


Mas ainda assim o EP suscitou reacções bastante positivas. Ficaram surpreendidos ?

Ficámos...de certo modo não estávamos à espera que o publico fosse reagir deste modo à banda! Só nos deu vontade de trabalharmos mais e melhor para essas mesmas pessoas e muitas mais comecem a gostar do que fazemos. É sempre gratificante ver que o publico gosta do que fazes. E que tipo de publico conseguiram atrair ? Noto um grande feedback por parte de pessoas mais ligadas a outros estilos musicais...a metal mais extremo, etc..

Claramente! Foi algo que não referi na questão acima. O que nos surpreendeu mais foi um publico mais metal e mais velho em termos de idade reconhecer o que fazemos! Como banda adoramos ver isso, e ficamos muito gratos por todo o apoio que o publico mais metal/doom nos tem dado..tanto em reviwes como noutros campos. Já estamos a fazer musica para homens. Só nos falta a barba…(risos)

Achas que o Metal ainda continua a ser para homens de barba rija (risos)?


(risos) Não, não… Creio que qualquer estilo de musica que o seja tem o espaço para todas as idades! Mas temos de ser sinceros… tu vais a um concerto de metal como deve ser e não vês por lá carinhas rosadas de putos de 18/20 anos. Ok, podes sempre encontrá-los lá..mas a maioria vai ser pessoal de barba..(risos) digo isto porque Men Eater talvez tenha aquela sonoridade do sul dos estados unidos…vamos levar o stoner português longe! (risos)

Essa é uma questão interessante...acabam por praticar um estilo pouco habitual em Portugal..sentem-se de certa forma uns percursores ?

Hum..é um pouco difícil sentirmo-nos percursores..temos noção que até agora não conheço nada do género cá...mas também sabemos que é capaz de virem ai bandas dentro da mesma onda mais cedo ou mais tarde, visto que em Portugal as coisas chegam sempre tarde. Até Men Eater se atrasou em termos de começar a banda (risos). Esperamos sinceramente que apareçam mais bandas deste tipo para pudermos partilhar palcos. É sempre bom haver mais que uma banda dentro da mesma cena, se não serão sempre as mesmas a tocar e isso pode cansar o publico!

Já que falas em tocar…têm recolhido excelentes reacções essencialmente das vossas prestações ao vivo...o que se pode esperar de um concerto vosso ?

Muita energia, muito headbang e rock’n’roll puro e duro. Mais tarde queremos começar a meter coisas novas ao vivo..faz parte de um bom espectáculo..assim como luzes etc..
Quanto a novos temas e novos lançamentos, o que podemos esperar ?

Vamos começar a gravar agora 14 temas, 10 deles vão fazer parte do nosso primeiro álbum. Vamos começar a gravar já daqui a duas semanas, o resto ficará para futuras oportunidades de splits ou ate mesmo um novo Ep da banda

E para quando podemos esperar esse disco de estreia ?

Está tudo previsto para Setembro, máximo Outubro! Ainda temos de mandar o álbum para os Estados Unidos, vamos trabalhar com o Matt Baylles e o Chris Common na mistura (Mastodon,Isis), por isso esperamos que nada se atrase.

Será edição de autor ou através de alguma editora ? O que podes revelar desde já ?

Será através de editora, a Major Label Records. É um colectivo novo português, mas já estamos a tratar de possíveis editoras estrangeiras!

Que reacções têm recebido do estrangeiro ?

Todas boas..tanto de editoras como de bandas! Ambas as partes têem mostrado algum interesse...tanto a nível de lançamentos como de splits ou mesmo tours, mas todos estão a espera do álbum para ver!

Bandas como Blacksunrise, For the Glory, If Lucy Fell, Devil in Me, Men Eater, entre muitas outras têm gerado muito interesse ultimamente… Achas que se está a formar um novo movimento de bandas alternativo ao underground mais ligado ao Metal e ao Hardcore ?

Claro que sim...já era altura de se renovar o que por cá andava, não estando a tirar valor a ninguém..Se estas bandas apareceram foi só por bem do underground português. Todas elas já têem reconhecimento lá fora. Muito ou pouco não interessa. Certo é que, mais no que nunca, estas novas bandas já levaram Portugal para fora mais do que aquelas que já cá andavam..se calhar na altura as coisas eram diferentes. Hoje em dia temos managers, labels, etc..Faz tudo parte de uma evolução mutua! O publico português so tem de ficar orgulhoso disso mesmo!

Achas que se pode formar em Portugal uma cena underground que chame a atenção do panorama internacional e que exporte bandas para um maior reconhecimento lá fora ?

Eu acho que sim..agora não tem de partir de uma entidade só..temos bons meios cá em Portugal, apenas há que saber trabalhar com eles! As editoras lá fora são mais abertas do que aquilo que se pensa..agora temos de arriscar, gastar dinheiro do teu bolso se quiseres ir a algum lado..nada cai do céu! Eu aposto que se fores no mínimo para a Europa Central e falares das bandas que em cima referiste a alguém, esse alguém vai-te dizer que já ouviu..ou ate mesmo já viu ao vivo! Não nos podemos fechar aqui dentro. As editoras não nos vêem bater à porta! Suar..tens que suar!

Exacto...é um pouco o espírito “Do it yourself”....esse é um espírito mais próprio da cena hardcore e punk que esse tipo de bandas, vós próprios, parecem adoptar, concordas ?

Não acho que seja da cena punk/hardcore..Acho que tem mais a ver com o que queres da tua banda e onde a queres levar, e se tens consciência do que tens de fazer! Se eu quiser andar só a tocar em Portugal ,aqui e ali… ai sim..sento-me em casa e espero que me chamem para tocar. Mas no caso Men Eater nos queremos ir mais alem..não digo chegarmos ao mainstream, mas, no mínimo fazer umas tours e curtir muito mais do que só ficar aqui em Portugal. Logo ai tens de fazer algo para isso...sejas punk/hxc/metal/pop/rap...se queres ir mais longe tens de queimar pestana.

Bem, a conversa já vai longa..não te maço mais..últimas palavras...


Desde já obrigado pela oportunidade de mais uma vez mostrar Men Eater ao público,tal como te disse os meios são poucos mas há que os usar...e...se tiverem oportunidade de ver Men Eater ao vivo não falhem, no mínimo terão uma excelente noite! Até ao álbum! Abraço!

Contacto:
www.myspace.com/meneaterdoom

quarta-feira, maio 24, 2006

em entrevista...SWITCHTENSE

Oriundos da Moita, os Switchtense apresentaram há bem pouco tempo um surpreendente registo na forma de «The Brainwash Show», um cocktail explosivo algures entre o Hardcore e o Metal. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda, as suas ideias, aspirações e objectivos e para tal falou com o seu vocalista, Hugo.

Para quem não vos conhece, apresenta-nos os Switchtense…


Os Switchtense são uma banda oriunda da Moita (margem sul) e existem desde 2002. Desde ai gravámos 2 demos ( em 2003 e 2004 ) e um ep agora este ano, chamado Brainwash Show. Desde o inicio da banda que já tivemos alterações na nossa formação, pelo que neste momento os Switchtense são Hugo (voz) Pardal (guitarra) Karia (baixo) e Antero (bateria). Tocamos uma mistura de metal, sobretudo thrash, com algum hardcore! É basicamente isto que fazemos, sem termos pretensões de soar a nenhuma banda em especial, mas com a perfeita noção que também não somos "os originais"...Fazemos aquilo que mais gostamos, e com toda a nossa dedicação e vontade!

Como têm sido a aceitação a «Brainwash Show» ? Satisfeitos com o resultado final ?


Nós já ficamos muito contentes por termos conseguido gravar este ep e termos tido a oportunidade de fazer uma edição com algum cuidado tanto a nível do áudio como do artwork ( fotos do Pedro Bonnet e design do Rui Rodrigues )! Temos tido bastantes criticas construtivas e de incentivo tanto de quem ja comprou e ouviu o cd, que estamos a disponibilizar na internet, como das pessoas que escrevem reviews! Para nos tudo o que vier é bom...Ao vivo, já contamos com alguns concertos realizados este ano, onde temos tocado ao vivo as musicas deste ep, e temos ficado muito surpreendidos com a reacção das pessoas! Tem corrido tudo muito bem

Apostaram desde logo pela edição de um EP num formato profissional. Acham que dessa forma se torna mais fácil chegar ao público ?

Já tínhamos gravado 2 demos antes e pensamos que queríamos fazer uma coisa um pouco melhor a todos os níveis! Outro dos motivos é para tentar fazer com que algumas pessoas levem a banda mais a sério, pois quer queiras quer não em algumas abordagens que fazes a editoras, promotores de concertos ou rádios, uma boa imagem conta muito, para quem as vezes nem sequer ouve o som que vem no disco...é triste mas é verdade! Este ep foi totalmente gravado, produzido e misturado por nós, nos nossos mini-estudios ( www.myspace.com/thefogstudios ) e foi mais uma das coisas que nos motivou para fazer um bom trabalho, pois a parte da produção é também um dos universos dos quais gostamos ( se tiverem uma banda e quiserem gravar podem contactar...)


Noto nos agradecimentos e apoios do vosso EP várias menções à vossa autarquia. É de facto uma política generalizada no vosso concelho o apoio a bandas para a edição de discos ou os Switchtense acabaram por ser uma excepção ?

Pode dizer-se que fomos pioneiros nessa area aqui no concelho da Moita...(risos)! Sabemos de outras bandas que já fizeram os mesmo que nos em outros concelhos e então decidimos fazer o mesmo pedido a autarquia. Para isso também contribuiu o papel que representamos aqui na nossa terra! Todos os anos trabalhamos em conjunto com a autarquia na organização de um festival (MOITA METAL FEST ) aqui na quinzena da juventude da moita, ja tocamos em diversos concursos e tentamos sempre levar o nosso da nossa terra atras..é o mínimo que pudemos fazer! Achamos que neste sentido tem que haver uma preocupação dos "governos" locais em apoiar aquilo que se faz na terra, seja genuíno ou não...Só assim se podem desenvolver bons projectos! Desde ai, a câmara municipal da moita esta receptiva a propostas de bandas que queiram um apoio para a mesma finalidade que nos!

São oriundos da margem sul do Tejo, uma área que durante a década de 90 era detentora de um aceso e dinâmico movimento underground de onde saíram excelentes bandas mas que acabou por esmorecer há alguns anos atrás. Achas que se está a recuperar esse fulgor e mística das bandas da margem sul ?

O chamado Margem Sul HardCore (mshc)...É verdade que houve uma fase em que as bandas aqui já não eram assim tantas, contudo a tendência tem vindo a mudar de ha uns anos para cá, e nos próprios somos prova disso (existimos apenas há 4 anos....) Tem tudo a ver com fases que se atravessas e para as quais não existem muitas explicações! Mas se calhar aqui na margem sul haja algum segredo no ar que se respira...lool

Como vês toda a polémica actual em torno dos downloads ilegais de música ? Achas que isso poderá prejudicar jovens bandas nacionais como os Swithctense ?

A nível da banda acho que so tem a favorecer, pois nos não ganhamos nada com a musical, a não ser o reconhecimento publico de quem a ouve..e quem melhor para isso que a internet! Para as editoras talvez o caso ja mude de figura, pois a sua sustentabilidade depende da venda de discos...tem tudo a ver com um processo de evolução e modernização do negocio da musica! Se algum dia vivermos da musica, espero que seja de tanto tocar ao vivo, pois os cds são apenas um suporte e um veiculo para chegares as pessoas e tentares esgotar salas de espectáculo! Ai é que é realmente o local de trabalho de quem toca

O que poderemos esperar de vós a curto/médio prazo ?

Podem esperar uma banda cheia de vontade de continuar a tocar e a gravar coisas...a nossa vontade é fazer musica, divertir-nos e divertir quem nos vai ver! Se for com mosh e rodas melhor ainda! Esperamos brevemente gravar o nosso primeiro álbum e continuar a nossa caminhada ate onde pudermos ir, sem qualquer tipo de pressão!

Últimas palavras….

Agradecimentos especiais ao OPUSKULO pela oportunidade dada de falarmos da banda, do ep e das nossas ideias! Agradecemos também o apoio dado a todo o movimento underground nacional e esperamos que continuem com a vossa atitude e força por esta causa! Deixamos também um obrigado a todos os que apoiam a cena metálica em Portugal. Visitem-nos em www.switchtense.web.pt

terça-feira, maio 16, 2006

em entrevista...HORDES OF YORE

Tendo representado uma das boas surpresas do ano 2005, «Of Splendour and Ruin», o disco de estreia dos Hordes of Yore, continua a ecoar no panorama de peso nacional e a afirmar-se como uma obra verdadeiramente a descobrir. O Opuskulo falou com o guitarrista Helder no sentido de conhecer melhor esta interessante banda e indubitável certeza do Metal nacional.
Para quem não vos conhece…apresenta-nos os Hordes of Yore?

Somos uma banda criada em 2002 por minha iniciativa e do baixista Tiago Martins. Resolvemos romper com o estilo mais convencional que tocávamos numa outra banda para podermos criar realmente um estilo que envolvesse o gosto que partilhávamos pelo romance histórico, factor que está na base da nossa essência. Havia a pretensão de criar musicalmente algo que se interligasse com essa mistura de realidade e imaginário. Após o desenvolvimento ponderado de um contexto musical e lírico, resolvemos gravar o nosso primeiro álbum em 2004.
E como têm sido as reacções a «Of Splendour and Ruin» tanto em Portugal como lá fora?

Em Portugal têm sido bastante boas, tendo em conta que se trata de um primeiro álbum e que nenhum de nós era propriamente uma figura mediática dentro do meio, conseguimos divulgar o nome da banda com alguma facilidade. As pessoas gostam, sobretudo, do facto de reunirmos ideias bastante diversificadas em relação à música e da originalidade das letras. Lá fora, não é possível ter uma percepção muito exacta do número de pessoas que possam gostar do “Of Splendour and Ruin”, uma vez que não temos um contacto muito permanente com as distribuidoras. No entanto, alguns amigos nossos têm manifestado directamente o seu contentamento, um pouco na Europa, EUA e Brasil.
Para a gravação deste disco recorreram à colaboração de músicos de sessão, como por exemplo o Rolando Barros na bateria. Pretendem continuar a trabalhar desta forma ou irão integrar elementos na banda a título oficial ?

O Rolando apenas participou na gravação do álbum, após esse período arranjámos logo um baterista permanente com o qual realizámos todos os concertos – o Jorge. Não me parece que alguma banda tenha realmente gosto em colmatar o vazio com músicos de sessão, por muito competentes que sejam. No nosso caso deveu-se ao facto de existir um prazo estipulado para o começo da gravação e precisarmos de entregar as linhas de bateria, que já estavam criadas, nas mãos de quem não houvessem dúvidas de que as poderia executar. Outra colaboração foi a do nosso amigo Tiago (Rato) Martins nos teclados, um excelente músico que infelizmente não pôde integrar a banda num período posterior à gravação. Continuamos até hoje sem ter encontrado a pessoa certa para o seu lugar. Tivemos que adaptar algumas partes das músicas, ao vivo, de modo a que possam compensar e transmitir uma atmosfera diferente daquela que é encontrada no álbum. Não acho que isso seja necessariamente negativo, mas espero ainda encontrar um teclista, um dia destes.

Quanto à masterização do Alex Krull, como se deu essa colaboração? Conseguiram auferir qualquer opinião dele sobre os Hordes of Yore?

Bem, precisávamos mesmo de masterizar o álbum, porque não deixar o trabalho nas mãos de quem realmente admiramos? Basicamente foi-lhe enviado um mail ao qual ele respondeu afirmativamente. Penso que ele tenha gostado do álbum, embora o tivesse manifestado de um modo sublinear, tendo-se mostrado entusiasmado e fazendo várias sugestões acerca de coisas que nem eram à priori da sua competência.

Em termos líricos julgo que abordam temas relacionados com a Roma Antiga, estarei correcto? Porquê esta decisão? Fará mais sentido para vós abordar factos históricos de um país que não o vosso?

Os factos históricos que abordamos são exactamente do nosso país, bem como de todos aqueles que ofereceram resistência ao domínio romano. Acho que algumas pessoas são capazes de ficar com a ideia errada, se olharem somente para o layout. Devo dizer que não se trata propriamente de uma homenagem ao império, mas antes uma crítica. O maior domínio que o Mundo conheceu foi responsável pelo modo fútil com que levamos o nosso quotidiano. Dizimaram muitas civilizações e seus respectivos valores em nome do “esplendor” de Roma. Na nossa era, estão esquecidas palavras simples como honra, liberdade e integridade em troco da cobardia, prepotência e traição que governam o nosso mundo ocidental, herança directa do comportamento dos nossos colonizadores.

Pegando em duas palavras-chave no título do vosso disco indica-me ao que associas a esplendor, por um lado, e ruína por outro, no que diz respeito em primeiro lugar a Portugal e em segundo lugar ao Metal nacional?

Em relação a Portugal, associo esplendor a todo o seu património natural, cultural e à emotividade intrínseca que nos caracteriza enquanto portugueses. Esta mesma emotividade acaba por ser a nossa ruína como reverso da medalha. Algumas pessoas podem não saber compensar muito bem este factor. Meter o coração à frente da razão, por vezes pode ser perigoso, atravessamos um período bastante sério e é altura de deixar o coração um pouco de lado e ser o mais racional possível. Quanto mais não seja porque os nossos políticos estão sempre à espera de nos apanharem distraídos, estes não regem segundo o coração e tenho dúvidas de que o façam segundo a razão, mas apenas pelo oportunismo e pelo puro estado de demência. No que concerne ao metal nacional, terei de relacionar analogamente a palavra esplendor aos esforços de algumas bandas no sentido do progresso técnico, nos últimos anos. Por outro lado, o provincianismo de nos acharmos intelectualmente inferiores ao resto do Mundo e, consequentemente, o mergulho no preconceito de fazer algo de inovador, parecem ser a ruína da cena nacional, na generalidade dos casos.
O que podemos esperar dos Hordes of Yore a curto/médio prazo? Há já algo a ser preparado quanto a novas edições?

Ainda continuamos a divulgar este trabalho de apresentação da banda. Embora sejamos um meio pequeno, acho que muita gente ainda não nos conhece, pelo que devemos insistir em mais actuações ao vivo em alguns pontos do país que ainda nos falta visitar. Só em 2007 se poderá esperar um novo álbum que, aliás, já começa a ganhar contornos. No entanto, é apenas uma estimativa, pois algumas ideias são demasiadamente megalómanas para conseguir pôr em prática num curto espaço de tempo, uma vez que dependerão também de muitas outras pessoas. Refiro-me por exemplo à eventual inclusão de um coro ou quaisquer outros arranjos que possam envolver as respectivas diplomacias. Mas, não querendo adiantar ainda demasiado sobre o assunto, dediquemo-nos presentemente ao “Of Splendour and Ruin”.

Últimas linhas…

Os meus agradecimentos à Opuskulo pela entrevista e pela review ao nosso cd. Gosto sempre de referir as pessoas que vão propositadamente aos nossos concertos, principalmente aquelas que se têm deslocado entre várias actuações da banda. É realmente por elas que sentimos sempre motivação para continuar o nosso percurso; não me esqueço disso. Assim, os Hordes of Yore somos todos nós!