quarta-feira, novembro 29, 2006

em entrevista...CRADLE OF FILTH

Amados por uns, odiados por outros, os Cradle of Filth são já um nome incontornável na história da música extrema. Discos como «The Principle of Evil Made Flesh» e, principalmente, «Dusk…and Her Embrace» são marcos do metal dos anos 90, tendo influenciado dezenas de bandas um pouco por todo o mundo e criado todo um movimento no qual o gótico se entrelaçava com o black metal. Uma fórmula de sucesso que rapidamente afirmou a banda como um dos nomes mais populares e mediáticos da actual cena de peso, e como um ponto de passagem frequente a recém convertidos às maravilhas do metal mais obscuro. Com alguns altos e baixos na sua carreira – passando por inúmeras mudanças de formação, discos menos consensuais e uma experiência pelo mundo das multinacionais - os Cradle of Filth sabem reinventar-se e gerir e continuar uma história que já dura há 15 anos, sendo «Thornography» a mais recente prova disso mesmo. A poucas horas da banda subir ao palco do Paradise Garage em Lisboa, o Opuskulo, em colaboração com o programa de rádio Cessar Fogo, teve o prazer de falar com um simpático Paul Allender, guitarrista e figura incontornável na evolução e continuidade da banda britânica. Aqui fica o resultado…

Começava por te perguntar se estás satisfeito com o resultado de «Thornography»?

Sim, definitivamente. Penso que marca um passo em frente na evolução da banda. É um disco diferente de todos os outros em termos de sonoridade e penso que é o melhor que fizemos desde o «Dusk…and Her Embrace». As reacções, tanto de fãs como da imprensa, têm sido muito boas, o que nos deixa bastante satisfeitos.

Porquê «Thornography» como título? É uma palavra que pode ter várias interpretações, não achas?

Sim, sem dúvida. É um daqueles títulos que não significa nada de muito transcendente. Simplesmente tínhamos uma série de propostas para possíveis títulos do disco e achámos que «Thornography» daria um excelente título. Cabe a cada um interpretar o que quiser desse título, não significa nada em particular…

Nota-se no entanto uma certa conotação erótica neste título…

Sim, totalmente…o aspecto sexual é algo que tem estado sempre relacionado com Cradle of Filth…(risos)


Em termos de sonoridade, penso que este disco pende mais para o heavy metal mais tradicional do que propriamente para o black metal, especialmente em termos de melodia. Concordas?

Concordo totalmente. Este disco revela claramente onde estão as nossas raízes musicais enquanto banda, ou seja, cenas old-school como Iron Maiden, Judas Priest ou Motorhead e toda uma série de bandas thrash dos anos 80. Estas influências estão todas presentes neste disco, mais do que em qualquer outro.

No entanto, julgo que nunca se consideraram uma banda black metal..

Eu penso que nunca fomos uma banda de black metal, somos sim uma banda de metal extremo. Nós nunca soámos como Burzum, Dimmu Borgir e todas as bandas realmente black metal, nós sempre tivemos um som muito próprio ao qual apenas gostamos de chamar heavy metal com uma forte presença de teclados, blastbeats e riffs muito acessíveis e melódicos.


A voz do Dani Filth surge igualmente mais melódica neste disco. Isso foi fruto de uma evolução natural ou uma opção ponderada?

Penso que foi uma evolução natural. Nós sempre usámos a voz do Dani como mais um instrumento, e tendo em conta que a nossa sonoridade sofreu algumas alterações neste disco, a voz também sofreu algumas adaptações naturais que resultaram muito bem…


E mais dinâmicas…

Sim, sem dúvida…!

O teu trabalho de guitarra está igualmente mais melódico e dinâmico. Nota-se por aqui a influência de Iron Maiden…

Sim, assumidamente. Eu sempre gostei de guitarras mais melódicas e sempre criei muitas composições nesse sentido, simplesmente quando chegava a altura de aplicar esse trabalho a Cradle of Filth achava que não encaixava na sonoridade da banda e tinha de compor alguns riffs mais rápidos e brutais. Mas desta vez pensei: “Que se foda! Eu quero tocar cenas mais melódicas e é isso que eu vou fazer.” Podes encontrar neste disco harmonias muito influenciadas em Maiden e deixou-me bastante satisfeito o facto de recuperar essa influência e introduzi-la na sonoridade Cradle of Filth.

Sim…penso que este disco tem melodias que ficam mais facilmente na memória do ouvinte..

Sem dúvida, esse é um dos objectivos, ou seja, que as pessoas memorizem mais facilmente as nossas melodias e as possam entoar nos concertos.

Contam com a participação do Vile Vallo (Him) neste disco. Como se deu essa colaboração?

Na verdade foi ele que veio ter connosco e demonstrou vontade em participar num tema. Nós achámos boa ideia e enviámos-lhe um tema no qual ele poderia aplicar as suas vocalizações da forma que quisesse, no qual ele fosse ele mesmo, sem limitações da nossa parte. Quando nos enviou o resultado final agradou-nos bastante, resultou muito bem…

O baterista Adrian deixou recentemente a banda…o que aconteceu de facto?

Basicamente o que aconteceu foi que ele começou a fazer workshops de bateria, penso que para a Pearl, as quais começaram a ser cada vez mais e mais. Para além disso ele formou uma banda com a sua esposa e uma outra banda para além dessa, sendo que chegámos a um ponto em que lhe tivemos de perguntar: “ o que queres fazer realmente? Cradle of Filth ou essas outras coisas?”. E ele fez a sua escolha… (risos).

Têm já um substituto oficial para ele ?

Sim, temos o Martin, um excelente baterista da República Checa. Ele é mesmo um baterista fabuloso e ainda é novo, julgo que tem 25 anos, e é de facto fenomenal…aliás, vais constatar isso esta noite…(risos).

Como estão a correr as coisas com a Roadrunner? A vossa experiência com a Sony foi muito curta. Achas que editoras mais generalistas não conseguem promover uma banda de metal convenientemente?

O que aconteceu com a Sony foi que na altura que assinámos por eles, todas as editoras multinacionais estavam, por qualquer razão estranha, a assinar bandas associadas ao black metal. Nós nem sequer nos consideramos uma banda black metal mas pensámos, que se lixe, vamos experimentar. O «Damnation…» foi editado e o que se passou foi que eles não sabiam o que haveriam de fazer com o disco. Não sabiam promover-nos, não sabiam onde nos promover, não sabiam onde disponibilizar o disco, não sabiam que lojas vendiam este som, nem que revistas o promoviam…basicamente não sabiam nada! Após essa experiência, sentámo-nos, falámos entre nós e concluímos que não poderíamos continuar a trabalhar com a Sony pois isso iria arruinar a banda. Eles ainda nos abordaram para continuar, mas dissemos que a decisão era irreversível, que eles não fazem ideia do que é promover uma banda de metal. Acabaram por aceitar e deixaram-nos ir à nossa vida….

Defendes então bandas de metal em editoras de metal?

Sim, sem dúvida. A Roadrunner abordou-nos e as coisas estão a correr muito bem com eles.

Sei que fizeram algumas datas no Reino Unido com os lendários Sabbat na abertura. Parece que estão a querer mostrar aos vossos fãs mais novos que o metal não surgiu agora e que há clássicos fantásticos para descobrir…

Sim, absolutamente. Foi também por essa razão que fizemos um disco como o «Thornography». Há toda uma nova geração de miúdos que pensa que uma banda de heavy metal são os Trivium. Eu não penso o mesmo. Apesar de os conhecermos e respeitarmos, acho que o disco dos Trivium é um rip-off descarado de Metallica. O que eles fizeram foi pegar no que os Metallica fizeram na década de 80, dar-lhe uma nova roupagem e vender isso aos putos como se tivessem inventado alguma coisa. A maioria dos putos acredita nisso e nós achámos que isso é totalmente errado. Foi por isso que tivemos os Sabbat a tocar connosco, para dizer aos putos “vá lá, acordem!”. Quisemos mostrar as raízes dos Cradle of Filth, quisemos mostrar que os Metallica não começaram quando os Trivium começaram. Os próprios Metallica ou Megadeth não iniciaram nada, já havia coisas para trás. Queremos que os putos saibam que o metal já existe há muitos anos, não começou com os Trivium… (risos)

Eu penso que essa consciência já se está a formar. Vejo míudos de 14 ou 15 anos a comprar discos de Maiden e de Metallica…

Sim, concordo. É bom que esses míudos ponham a mão na consciência. Quando eu ouvi o último disco dos Trivium só pensei: “mas que merda de rip-off descarado”! (risos)

O que achas da vossa nomeação para um Grammy nos EUA ?

Foi fantástico. Tivemos alguns fãs que nos arrasaram com críticas por termos sido nomeados, o que não deixa de ser engraçado, uma vez que foram esses mesmos fãs que, ao comprarem o disco, fizeram com que fossemos nomeados (risos). Foram eles que nos puseram lá, não fomos nós que pedimos. Nunca pensámos que uma coisa destas acontecesse. Quando era puto sonhava em ter uma banda e ser nomeado para algo do género…e agora que aconteceu, custa a acreditar.

Esta é a segunda vez que visitam Portugal este ano. Parece que têm uma relação especial com o nosso país…têm cá imensos fãs…

Sim, ainda me lembro da primeira vez que cá toquei com Cradle of Filth, foi num festival em Penafiel. Lembro-me perfeitamente desse concerto, foi muito bom. Temos também os nossos grandes amigos Moonspell e sim, temos um carinho especial pelos fãs portugueses e adoramos cá voltar.

Penso que é tudo…algo a acrescentar.

Sim, claro. Quero agradecer aos nossos fãs em Portugal o fantástico apoio que nos têm dado e por nos ajudarem a chegar onde estamos hoje. Estamos muito gratos a todos os nossos fãs pela sua dedicação e esperamos ver-vos nos nossos concertos.

terça-feira, outubro 31, 2006

em entrevista...UNDERNEATH

Por mais transformações ocorridas no seio underground português, o movimento death metal manteve-se sempre como um dos mais coesos, prolíferos e intemporais. A prová-lo está o continuo surgimento de novas e interessantes dentro do género a cada ano que passa. Os Underneath não são propriamente novatos nestas andanças mas só agora começam a ver o seu nome circular de boca em boca. «By Flesh», a ultima demo do colectivo de Tomar, muito contribuiu para isso, assim como as demolidoras descargas de brutal death metal que a banda tem espalhado por diversos palcos. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda e falou com o guitarrista Sérgio Garraio.



Apresenta-nos os Underneath…

Os Underneath são um grupo de amigos que se juntam para tocar música extrema, essencialmente é isso. Para quem não nos conhece, esta aventura começou em Outubro de 2001. Na altura a banda era só formada por mim na voz, pelo Telmo na guitarra, pelo Ricardo Neto na bateria e pelo Ricardo Ferreira no baixo. Passado um ano decidimos gravar um promo-cd para dar a conhecer a banda, depois disso foi o habitual, enviar o material para rádios, zines, etc etc etc. Em 2004 entrou o Miguel Fonseca para a voz e eu passei para a guitarra, passado algum tempo decidimos gravar novamente, como deves ter reparado existem diferenças entre os 2 trabalhos e era isso que queríamos demonstrar com o “By Flesh”, apesar da qualidade não ser grande coisa acho que ,tendo em conta os nossos objectivos, serviu bastante bem.

O vosso último trabalho, «By Flesh», já foi editado há algum tempo. Há já alguma coisa a ser preparada para o suceder?

Apesar do “By Flesh” ser de 2005 ele só veio cá para fora este ano devido a sucessivos atrasos da parte da gráfica e se nós não temos decidido avançar provavelmente ainda estaríamos a espera. O que queríamos era mostrar banda com a nova formação, por isso não demos muito valor ao aspecto gráfico, afinal o que interessa é o que lá está dentro. Falando sobre material novo, só estamos a espera da decisão da editora, foi tudo feito durante este ano e se tudo correr bem vai ser o nosso albúm de estreia, não quero estar a adiantar muito mais para não dar galo, só vou dizer que não é nacional.

Como foram as reacções a «By Flesh»?

Acho que os nossos objectivos foram alcançados. Como já disse a ideia era dar a conhecer os novos Underneath e o pessoal percebeu isso, deu para perceber que a alteração no line-up só veio beneficiar a banda.

Achas que o facto de serem de Tomar, uma cidade mais periférica em relação aos grandes centros urbanos, vos poderá condicionar de alguma forma?

Sem dúvida. Quando começámos a distribuir o nosso material as primeiras distribuidoras a falar connosco foram estrangeiras e só depois apareceram as nacionais.Isto pode ter evoluído muito em certos aspectos mas noutros continua a mesma coisa de sempre, mas não nos queixamos. Felizmente existe muito pessoal a provar que fora dos grandes centros também se fazem grandes coisas e não falo só de bandas, pessoal com tu são bons exemplos disso e fazem-no por amor à camisola. Infelizmente continua a haver muito poser espalhado por este país fora.

A nível de concertos dá-me a sensação que os Underneath começam finalmente a surgir com mais assiduidade em cartazes. Estarei errado?

Mais ou menos, sempre tocámos em festivais, uns mais conhecidos outros menos, o que aconteceu é que nem sempre as pessoas se preocuparam em divulgar os eventos e isso acaba sempre por prejudicar quer os próprios eventos como também as bandas. Dizes que finalmente começamos a aparecer nos cartazes, acho bem que sim, depois de tanto dinheiro gasto a enviar cd’s já estava na altura de começarem a reparar em nós, infelizmente ou felizmente continuamos a não querer boleias de ninguém.

O movimento Brutal Death Metal, Grindcore e afins parece estar a crescer substancialmente em Portugal, não achas ? Ou já conheceu melhores dias?

Ao contrário do que muito gente tenta mostrar o death e o grind sempre tiveram em grande o problema é que o pessoal sempre gostou muito de ir atrás das modas. Se reparares a maioria das bandas de death e grind que andam por ai já o fazem há uns anitos. Talvez o problema tenho sido o facto do pessoal preferir organizar concertos de determinados estilos por, como te disse, estarem na moda logo trazerem mais pessoal.

O que pensas de espaços como o Myspace ou o Itunes para a divulgação e aquisição de bandas e discos? Sentes alguma nostalgia em relação ao tempo em que tudo era mais difícil?

Excelente, acho que esse tipo de cenas veio ajudar em muito o pessoal, mas como em tudo há coisas boas e coisas más. Hoje em dia um gajo com um pc e net consegue fazer o que quiser e esse é que é o problema, deixou de haver aquele espírito de sacrifício que dantes havia. Tu até podes ter um som de merda mas como toda a gente ouve falar de ti já és muito bom.

Por onde passam os vossos objectivos a curto/médio prazo?

Continuar a trabalhar como sempre temos feito e esperar pela resposta da editora. Em função disso logo vemos o que vai acontecer.

Últimas palavras…

Queria desde já agradecer a todo o pessoal que há por este país fora que como tu tem zines, distros etc etc e que continuam a fazer tudo só por amor á camisola. Obrigadão pessoal! Para terminar quero deixar aqui um apelo ao pessoal, apareçam nos eventos e apoiem o metal nacional.

segunda-feira, outubro 23, 2006

em entrevista...PORTUGAL UNDERGROUND

Porque nem só de bandas vive o nosso underground, o Opuskulo quis conhecer melhor um projecto que merece todo o nosso louvor. Trata-se do Portugal Underground, um espaço no qual se colocam à disposição para download gratuito demos de bandas nacionais (algumas verdadeiros clássicos e raridades), promovendo um acesso mais fácil e rápido a registos nem sempre simples de obter. Um projecto de fãs para fãs sobre o qual falámos com o seu mentor, Paulo Silva.
Apresenta-nos o projecto Portugal Underground… quais os seus objectivos?

O site Portugal Underground (PU) tem como principal objectivo, dar a conhecer e divulgar o que se fez, e vai fazendo, em Portugal em termos de metal. O objectivo inicial seria disponibilizar apenas demos das décadas de 80 e 90, mas as coisas não se proporcionaram dessa maneira, de modo que agora basicamente é um site de divulgação de registos de qualquer banda ou projecto que queira ser divulgado no site através de downloads gratuitos.

O trabalho que fazes é apenas e só pelo amor à camisola e ao gosto em partilhar um pouco da história do nosso underground, sem qualquer interesse adicional. Acho que isso é de louvar…

Sim, é apenas por amor à camisola e é tudo feito por mim... Desde os contactos das bandas, pois cerca de 50% das bandas que estão no site sou eu que lhes peço a autorização e tenho de “andar atrás delas”, até rever os links que já expiraram no site e que é necessário repor, entre outras coisas... É um processo que me consome muito tempo, mas penso que no final compensa. Felizmente que agora as bandas já entram em contacto comigo a propor para as divulgar no PU e isso acelera, e de que maneira as coisas, uma vez que o meu tempo disponível também não é assim tanto.


De que forma as bandas podem ver os seus trabalhos disponibilizados no Portugal Underground?

É tão simples quanto enviar-me um e-mail (x_acto69@hotmail.com). Depois é só aguardar…

Falando um pouco de fã para fã, qual a tua demo preferida de todos os tempos, que te tenha marcado pela positiva?

Como deves calcular é muito difícil destacar uma em particular. Mas posso-te dizer que as demos dos Sarcastic Angel “Haunting The Prayers”, Dinosaur “Demo-Tape 91”, WC Noise “You’d Better Shut Up!”ou The Temple “Demo-Tape 1994”, entre muitas outras me marcaram bastante.

E qual a demo que consideres que tenha sido absolutamente revolucionária na época em que foi editada?

Pessoalmente, e talvez por ter sido na altura que comecei a ouvir Metal nacional, será a “Last Seeds Of Mind” dos Procyon.

Suponho que como qualquer coleccionador te continuem a faltar sempre demos na tua colecção. Quais as que mais ambicionas obter?

Gostava bastante de ter a “Promo Tape 1992” dos Dinosaur, a demo “Ticket To Hell” dos Harum, a “Promo’ 93” dos Lakrau a demo "Raising Fear" dos Raising Fear a “Demo’ 9”2 dos Shrine e a “Demo 1992” dos Silent Scream. Coisa pouca, portanto…

E quais são aquelas de que mais te orgulhas ter na tua colecção como trabalhos valiosos hoje em dia?

A Colectânea The Birth Of A Tragedy em vinil dulplo, os primeiros EP’s, em vinil também, de Sacred Sin e Decayed e as primeiras demos, originais, de Moonspell, The Temple e Sacred Sin.

Qual o teu formato favorito para uma demo, cassete ou CD?

Por motivos nostálgicos a cassete, mas o CD tenho de reconhecer que é muito mais prático.

Pessoalmente sinto alguma nostalgia em relação ao tempo em que as demos eram simples cassetes muito na lógica DIY. Que recordações guardas desse tempo?

As melhores possíveis! Era tudo mais difícil… Sobretudo para as bandas conseguirem gravar, talvez por isso os registos dessa altura soarem quase sempre muito honestos. Actualmente é muito mais fácil gravar com os computadores e com todas as novidades que vão aparecendo, o que retira alguma “magia” à coisa… Pelo menos para mim! Sempre gostei bastante dessa atitude DIY, aliás o PU é, para mim, um bom exemplo disso. Não se pode ficar sempre à espera que as coisas aconteçam sozinhas.

Que objectivos impões para o teu projecto ?

Continuar a receber registos para divulgar e arranjar uma alternativa melhor para alojar os ficheiros de música.

sexta-feira, setembro 29, 2006

em entrevista...URBAN TALES

O desaparecimento prematuro dos Icon & The Black Roses deixou uma lacuna em aberto no que ao gothic rock de alta qualidade diz respeito no nosso país. No entanto, outro nome está a despertar muitas atenções dentro da mesma sonoridade, os Urban Tales. Sendo demasiado redutor apelidar esta banda da sucessora dos Icon & The Black Roses, os Urban Tales revelam já uma personalidade bem vincada e um talento inquestionável, materializado através de uma demo de estreia absolutamente surpreendente. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda e falou com o vocalista Marcos.

Para quem ainda não vos conhece..quem são os Urban Tales?

Os UT são uma banda de Lisboa que pratica Rock metal com influência Gótica. Somos seis pessoas a tentar criar músicas bonitas e audíveis para quem gosta de melodias pesadas. Acho que isto responde a tua pergunta

Porquê Urban Tales? Não deixa de ser uma designação curiosa…

Porque sou completamente adito a uma banda chamada Legião Urbana, uma banda que já acabou devido à morte do Vocalista (Renato Russo). Como queria falar de assuntos urbanos e banais nas minhas músicas, peguei nesse nome e assim estou a prestar uma homenagem a uma banda que me influenciou em tudo na vida e ao mesmo tempo estou a tocar em assuntos que caracterizam bem o nome da banda. Sem eles não existia os Urban Tales sem dúvidas.

Editaram recentemente o vosso EP de estreia. Que tal as reacções ao mesmo?

Não, EP não, aquilo é apenas uma demo, nada mais que isso. Tinha sim mais músicas que o costume, mas isso foi propositado visto que dessa maneira conseguiria mostrar mais trabalho as editoras. Nunca teve a intenção de ser comercializada. As reacções, bem brutais, passaram todas as expectativas imaginárias… Juro-te Ricardo, nunca pensei que fossemos criar algo tão forte e que chama-se tanta atenção em tão pouco tempo, a verdade é essa. Conseguimos uma editora, vários patrocínios importantíssimos, reviews transcendentes enfim, um bom inicio para o que vem num futuro próximo dar mais resultados.

A associação do vosso som aos extintos Icon & the Black Roses é inevitável. No entanto julgo que nem só em termos de sonoridade ambas as bandas se relacionam, certo? Julgo que há colaborações com ex-elementos dos Icon…

Certo, o Bruno fingers ajudou-me na produção e participou como convidado na In Purity (assim como no clip que em breve estará a rodar em vários canais de TV), o João Silva também participou na Until I died como vocalista e guitarrista e produziu com a banda a Love ADN Hate… Pessoas muito bacanas e que sabem o que fazem… Indiscutível isso. No fundo e com isto acabámos por desenvolver uma certa amizade que passou da via profissional…Já se fazem almoços e noitadas de conversa musical, enfim o normal de quem anda nisto.

Acham que poderão ser interpretados como a banda que veio para colmatar o lugar deixado pelos Icon & and the Black Roses ? Poderá isso beneficiar-vos ou prejudicar-vos?

Sinceramente acho que não, nem queremos nem iremos tentar sacar tal lugar a umas bandas que por si só conseguiu algo fantástico. A ideia aqui é crescer. Se temos uma sonoridade igual aos Icon, enfim, quantas bandas não existem iguais aos Paradise Lost, Anathema, etc… Comparações hão-de sempre haver, mas a verdade é que se a música for boa, independentemente das influências há-de haver sempre interesse no teu som. Isso reflectiu-se nas críticas a demo da banda por exemplo.

Love Metal é um rótulo que se poderá aplicar à vossa música ou estarão longe desse imaginário?

Não, completamente fora não, mas não é o caminho que tento seguir e ai está diferença entre os U T e os Icon, eu quase não falo/escrevo letras de amor…Sou um frustrado …lol, enfim, hás-de reparar que as minhas letras em comparação com him ou icon são muito mais duras e depressivas, nada de “my babies” ou “my love”- Quero ser muito terra a terra e falar de situações muito reais - mesmo que se passaram na minha frente ou mesmo comigo. Com isto não estou a criticar ninguém atenção apenas a falar das minhas letras. Porque gosto bastante de bandas desse género. Him, não foge ao caso se tiver qualidade vou parar para ouvir e apreciar.

Sei que entretanto gravaram um vídeo. Fala-nos um pouco melhor disso

Mannn, ta lindo… A sério, para primeiro clip da banda, simplesmente brutal. Sei que isto pode parecer muito convencidor, mas…Fogo, ontem mesmo estive com colegas a ver o clip. Todos ficam de boca aberta, mais parece que os Urban Tales fizeram uma música para um filme, do que o clip é mesmo dos Urban Tales. Além disso já tive garantias que o clip irá passar em algumas estações de TV por isso é aguardar e depois tiram as ilações, mas já é sinal que o clip tem alguma qualidade. Para primeiro clip e a low budget ta brutal, desculpem esta palavra, mas ta mesmo brutal. Atenção o clip irá chocar fala de várias coisas pesadas – homossexualidade, drogas, sexo, muito sexo e outras cena, lol..

Consideras que um vídeo continua a ser um investimento viável que se materialize em divulgação concreta da banda?

Acho que sim, se tiver boa qualidade e um fio condutor sim. Com um clip chegas a uma faixa diferente de géneros e a promoção à tua banda e completamente exposta num bom ponto de vista. Realmente partes a cabeça a imagina-lo e a produzi-lo, mas se tiveres alguma equipa porreira e mesmo se a banda for decentemente capaz de te ajudar em algo então consegues algo bom, o importante e haver vontade e pachorra.

Os concertos de Urban Tales não têm abundado pelo país. Deve-se à falta de convites ou simplesmente porque consideram não haver condições em Portugal para que uma banda possa fazer um circuito decente por bares e clubes?

Não, nada disso, claro que poderei estar a mentir, mas quem está perto de mim e da banda sabe os convites que recebemos e os que tive de recusar, por uma razão ou por outra, mesmo para o estrangeiro, onde tivemos um convite de três datas para Espanha. A verdade é que os U T gravaram uma demo, não para depois darem concertos, mas sim para conseguirem condições para gravar um albúm, agora que tudo está conseguido, vamos pensar mais nisso. Sabes gosto de dar concertos, claro um músico é tudo isso. Mas realmente gosto de estar sentado ap pé de um software e imaginar todas as voltas que uma música pode dar isso é que realmente é giro. Mas lá está até agora os poucos concertos que demos foram memoráveis, isso é muito bom sinal.

Sei que entretanto encontram-se já a preparar o álbum de estreia que sairá através de uma editora. O que nos podes revelar acerca disso?

Ora bem, sim depois de muita luta lá conseguimos chegar a um acordo… Tive a possibilidade de negociar com várias editoras do estrangeiro, mas como não queríamos suportar os custos do albúm lá nos decidimos por uma editora não tão grande, mas que nos dessem condições e um bom contrato. O albúm irá sair em finais de Fevereiro e terá distribuição a nível mundial, passando até por países como a Turquia e o Uruguai. Para Portugal e depois de muita luta também, consegui que fosse feita uma edição especial e limitada… Muito louco a sério, será como que uma prenda para os que sempre nos apoiaram. Tenho a certeza que vão gostar…Fiquem atentos As gravações irão começar em finais de Novembro já estando quase certos os produtores. Serão dois comigo a fazer de produtor assistente e se calhar ainda terão mais uma pessoa na assistência do qual estamos a conversar… Já tenho a confirmação de um segundo vídeo clip e de diversos apoios para várias situações, a ver como corre.

Últimas palavras…

Parabéns pelo que conseguiste há bem pouco tempo. Tu sabes do que eu falo. É a prova de que estás no caminho certo e a faze-lo de boa forma. É continuar e não desistir sem vocês a cena mais pequena (underground) morria e cada vez mais, vocês é que nos fazem crescer não tenham duvidas disso. A curiosidade começa com vocês. Como tal e da parte dos Urban Tales o mais profundo Obrigado.

quarta-feira, setembro 20, 2006

em entrevista...PROFUSIONS

A haver jovens bandas a destacar durante o ano 2006, os PROFUSIONS são, certamente, uma delas. O seu EP de estreia, «Paradigma», revela um colectivo com ideias, originalidade e objectividade pouco comuns em bandas com tão curto tempo de gestação. O Opuskulo quis conhecer melhor esta banda e falou com o guitarrista André Afonso.
Apresenta-nos os Profusions…
Os PROFUSIONS nasceram em meados de 2004 como um projecto a solo meu para sair um pouco do género de som que tinha na minha banda da altura, que ainda existe, os FALLINGDUSK. As coisas evoluíram e demos o primeiro concerto no O Culto Bar. Muitas saídas e entradas de pessoal até que com a banda bastante mais estável composta por mim André Afonso como Lead-Gtr, Xisto na Vox, Maria na Bateria, Humberto no Baixo e o Brasa na Rythm-Gtr. Decidimos então gravar a nossa primeira maquete e o que era o meu projecto a solo passou a ser uma banda. Concertos surgem, agora com uma certa fluidez.
Satisfeitos com o resultado final de «Paradigma»?

Completamente. Temos distribuído e vendido imensos CDs, vamos agora para a terceira edição (cada edição com 100 copias) e esta terá algumas novidades como que um agradecimento e para mostrar a maturidade de uma banda que não pára e realmente quer levar isto para a frente. Temos aparecido em muitas zines e temos tido “pontuações” muito acima da média como por exemplo a tua (8/10).
Como têm sido as reacções ao EP ?

Bastante boas, como disse a terceira edição já se avista e começamos cada vez mais a ser convidados para participar em eventos live. É um CD mais abrangente mesmo dentro do Rock/Metal e portanto também cativa mais. Dai as excelentes reacções. Mesmo pessoal que não aprecia o género musical diz bem o que nos tem deixado bastante contentes.

O EP está divido em dois capítulos. Existe algum conceito associado à vossa música?

É assim: Na verdade apesar de complicada, existe uma história entre todos os temas mesmo sendo eles todos independentes. Por esse facto, apesar da lógica capitular, outra das razões pela qual decidimos pôr o CD por capítulos foi a diferença de produção. Como deves de ter reparado os dois últimos temas foram gravados num estúdio em Fevereiro e os outros quatro por mim nos Profusions Studios, excepto a bateria que foi na ETIC_ algures por Maio e Junho de 2006. Como decidimos por todos os temas na maquete achamos por bem diferenciar de alguma forma.

Apresentam igualmente um evidente cuidado ao nível gráfico. Acham que cada vez mais é necessário aprimorar todos os pormenores de um disco para que este se distinga da maioria ?

Completamente. Tudo o que compõe um CD tem de ser pensado e estudado. Não há uma letra por haver, não há um acorde por dar. A mesma coisa se passa em relação à parte gráfica. Nada é por acaso e igualmente com os temas também tivemos em relação as capas e seu conteúdo. Não se pode agradar a toda a gente mas para nós tendo em conta os recursos que temos demos o nosso melhor para o primeiro trabalho como banda.

Achas que em Portugal existe receptividade para o estilo musical que praticam, muito associado ao Prog Rock ?

Não penso muito nisso. Mas como pudeste ouvir, o CD tem partes ambientais, tem o chamado Rock Progressivo, Metal, até uma balada. Todo um envolvente teatral pensado e estudado. O decorrer da história puxa para o género musical de cada tema, dai nos rotularmos como Rock/Metal sem nada de muito certo e específico. Tentamos fugir a isso, fazemos música com sentimento.
Os Profusions seguem ou pretendem ser um Paradigma ?

Boa pergunta (risos)!! Não seguimos nada em específico, fazemos a estrada que pisamos. Paradigma é o nome do álbum porque a história agarrada aqueles capítulos e aquelas letras sentimentais que acabam por ser um modelo do nosso dia a dia. Dai a nossa escolha.

Contam promover este EP ao vivo ?

Obvio que sim. Já temos alguns eventos que iram contar com a nossa participação e apesar dos temas extra maquete serem alguns fazemos tenção de tocar live o conteúdo do nosso CD.

O que podemos esperar da vossa parte num futuro próximo ?

Neste momento queremos mesmo continuar a tocar ao vivo e vamos por a cabeça a funcionar para alguns temas novos. Continuar com a promoção do nosso CD e em princípio fica confirmado para o Natal entrarmos em estúdio para gravar o nosso primeiro álbum.

Últimas palavras…

Deixo-te um grande abraço e um muito obrigado em nome da banda toda pela divulgação.Estamos prontos para dar concertos, e à espera de convites. Deixo o nosso E-Mail – profusions.band@gmail.com – disponham. E já agora o nosso myspace –http://www.myspace.com/profusions – apareçam.Obrigado por tudo pessoal !

quarta-feira, agosto 23, 2006

em entrevista...KRONOS

Ao falarmos de Industrial em Portugal surge de imediato o nome Bizarra Locomotiva. No entanto, o estilo está longe de se esgotar por aí e nomes como Re:aktor, F.E.V.E.R ou estes Kronos provam isso mesmo. «Symbolon» marca a estreia deste colectivo de Vila Franca de Xira e estabelece-se, dese logo, como uma das revelações do ano a nível nacional. O OPUSKULO quis conhecer melhor este colectivo e partiu para a conversa com os KRONOS...


Apresenta-nos os Kronos….

Os KRONOS são uma banda que se formou no início de 2004 a partir da vontade de dois membros dos já extintos Uber Mannikins (um projecto de rock industrial de Vila Franca de Xira) em encontrarem novos elementos para a construção de um projecto musical que permitisse explorar e ampliar ideias e abordagens musicais inovadoras. O encontro com os outros dois membros (com um percurso musical marcado pelo anonimato das bandas de garagem), permitiu concretizar este objectivo principal, e desde essa altura, todo o esforço e investimento criativo tem sido dirigido no sentido de criar e alargar, a partir das fusões que se entendam relevantes, uma sonoridade que nos agrade e, sobretudo, que não seja refém de estilos ou rótulos estanques.

Que tal a aceitação a «Symbolon», a vossa maquete de estreia ?

Até agora temos a impressão que a maioria das pessoas que ouvem o nosso som ficam positivamente impressionadas. Temos recebido alguns ecos elogiosos no myspace e temos tido boas críticas à nossa maquete em alguns blogs de música. Ao vivo importa dizer que a situação é um pouco paradoxal, dado que até agora a maioria dos nossos concertos tem acontecido no âmbito dos concursos de música (que nunca ganhamos), o que significa que o público (que é heterogéneo e indistinto) e os júris tendem a revelar alguma estranheza e incompreensão relativamente ao nosso som, mas curiosamente recebemos sempre as palavras mais positivas da parte das outras bandas, mesmo quando praticam sonoridades bastante distantes da nossa. Pensamos que reconhecem alguma originalidade no som que praticamos, e apesar da diferença das linguagens, não hesitam em manifestar o seu agrado em relação à nossa música.
Musicalmente apresentam sonoridades que vão desde o electro-Goth, Industrial e mesmo o Metal. Acham que essa mistura estilística poderá gerar alguma confusão no ouvinte e acabar por o afastar da vossa música ?

Essas fusões estilísticas são inevitáveis, e indispensáveis, no nosso processo criativo. Temos a clara consciência que não é fácil para qualquer ouvinte apreciar e entender a nossa música, mas isso não constitui nenhum drama, porque se fosse para ganhar dinheiro teríamos feito uma banda de bailes. Claro que isto não significa que a nossa música seja dirigida para um reduto de eruditos ou de melómanos fervorosos, mas para nós é relativamente óbvio que é necessário algum ecletismo e alguma maturidade para compreender o nosso som. É um compósito de muitas influências e de muitas linguagens. Quem ouve música por genuína fruição, sem estar preocupado em ser fiel a um determinado estilo, acabará por encontrar pontos de contacto que lhe agradem. Por essa razão, e uma vez que não fazemos música para as massas, nem música por encomenda, só se deverá aproximar da nossa música quem a entender e apreciar. Quando isso acontece é uma honra e uma satisfação.

Especificaram algum público-alvo ou esperam abranger um largo espectro de ouvintes e apreciadores ?

Por uma questão de coerência aos nossos princípios, somos contra a ideia de dirigir a nossa música para um público-alvo específico, pois isso seria contraditório com o nosso entendimento da música e com o nosso compromisso criativo. É claro que pelo facto de termos uma sonoridade pesada, intensa e soturna, o nosso público potencial acaba por se encontrar nas fronteiras entre o Gótico, o Industrial, o Metal, o Electro e o Alternativo. Mas dentro destes géneros há muitas pessoas com um espírito aberto e cosmopolita em relação à música, por isso pensamos que a nossa potencial mais-valia se encontra nessa capacidade de agradar aos públicos que se encontram nestas fronteiras estilísticas. O espectro poderá não ser o mais alargado de todos, mas como já foi dito o mais importante é encontrarmos um público que entenda e aprecie a nossa linguagem.

Suponho que tal heterogeneidade reflecte os gostos musicais e influências distintas dos vários elementos dos Kronos. É fácil conciliar tudo isso ?

Efectivamente, essa heterogeneidade é o resultado directo dos vários gostos e dos distintos percursos musicais dos elementos de KRONOS. No entanto, a síntese dessas múltiplas referências acaba por ser um processo bastante natural e nada complexo. É curioso, mas praticamente nunca falamos de música nem trazemos para a sala de ensaios discos das nossas bandas favoritas. Há determinadas bandas que uns gostam, outros não e ás vezes acontece não conhecermos certas referências que algum de nós apresenta. Quando compomos apenas estamos concentrados na sonoridade que queremos explorar para determinada música, sem qualquer complexo quanto ao facto de ela nos poder remeter para determinado território que não nos seja o mais familiar de todos. Todos nós temos as nossas influências bem incorporadas e quando dialogamos musicalmente só a música importa. Ela é que dita o que faz mais sentido, o que deve ser cruzado, explorado etc. O que nunca pode acontecer é a música ser feita para replicar um estilo, uma banda ou um tema que gostemos. Temos como ambição desenvolver uma sonoridade KRONOS. É esse o nosso horizonte. Aliás, se não fosse esta a nossa meta, o nosso esforço tornar-se-ia um exercício anárquico e esquizofrénico sem qualquer tipo de direcção. De Rammones a Slayer, passando por Tony Carreira, há muitas referências que são diferentes e que não podem ser utilizadas em estado puro.

Utilizam o português, inglês, francês e mesmo alemão para se expressarem. Porquê o recurso a diversos idiomas ?

A língua, que é um recurso extremamente rico e poderoso, é entendida por nós como mais um instrumento que pode e deve ser explorado para enriquecer a nossa criação musical. Tal como se usa distorção, sintetizadores ou qualquer outro tipo de efeitos para se conseguir atingir e expressar uma certa sonoridade, também a língua dever ser explorada para enriquecer a música que fazemos. O português, apesar de em termos fonéticos e de métrica nem sempre ser fácil de trabalhar, é uma língua muito forte, rica e sobretudo muito requintada do ponto de vista poético. Quando resulta bem, é avassalador. As línguas têm musicalidades próprias; têm uma plasticidade muito bela e singular. O caso do francês é um exemplo paradigmático disso mesmo. Enfim, todas têm coisas boas para oferecer, desde que sejam minimamente trabalhadas. Nunca nos devemos resignar, por uma questão de hábito, ao uso do Inglês (que é uma língua que usamos e apreciamos), porque no limite podemos resvalar para o exercício estéril de estarmos a escrever vacuidades, de não termos nada de concreto para dizer e embrulharmos esse vazio na pompa e circunstância das fórmulas repetidas.

Apesar de se escutarem temas com grande parte cantada em português não há um único título de música na nossa língua. Porquê essa opção ?

Essa constatação é correcta, mas na verdade é algo que é meramente casual, isto é, aconteceu assim porque calhou. De forma mais concreta, isso aconteceu assim com os temas da maquete porque as músicas assim o sugeriram. Os títulos e as letras nunca pré-existem às músicas. São sempre feitas em função de determinada música, que pelo facto de ter uma determinada sonoridade, um determinado ambiente, de remeter para um certo imaginário ou de nos sugerir alguma forma de intensidade emocional, acaba por condicionar em grande medida aquilo que nos faz sentido explorar do ponto de vista lírico. É por isso que por vezes começamos em Inglês e depois passamos para Português, ou começamos em Português e acabamos em Francês, por exemplo. Nas nossas novas músicas, que vamos começar a tocar nos próximos concertos, já temos dois títulos em português. Aliás, uma delas é totalmente escrita na nossa língua.

As vossas letras parecem-me algo doentias. Podes falar um pouco melhor sobre elas ? Onde buscam inspiração para as escrever ?

Não sabemos se as nossas letras são doentias, mas temos a consciência de que são viscerais e intensas. Não são, de todo, um hino à felicidade, mas também não procuramos vomitar a brutalidade gratuita e niilista do caos e da destruição. Nesse sentido, pensamos que as nossas letras podem ser vistas como fragmentos do nosso imaginário interior. São um reflexo das tensões e dos dilemas da condição humana, ou seja, são fragmentos que traduzem a complexidade e a contradição dos sentimentos inerentes à própria existência. Viver não é fácil, gerirmos a nossa existência com os outros é um assunto dos mais complicados e inevitavelmente irresolúvel. Todos procuramos alguma forma de plenitude, mas também experimentamos a frustração, a desesperança, a impotência e a raiva de nem sempre o conseguirmos o que procuramos ou de sermos esmagados por obstáculos que nos reduzem à insignificância. Somos seres sociais e simbólicos, por isso vivermos é um exercício com uma infinita complexidade. Andamos há milhares de anos às voltas com estas questões, a torturarmo-nos com as mesmas inquietações, dúvidas, medos, ambições, sonhos, etc. Os antigos filósofos gregos já disseram as coisas mais sábias, contudo as respostas continuam a ser incompletas e fragmentárias. Há milénios que tentamos decifrar o mistério da existência e dos seus múltiplos e opacos sentidos. No nosso caso, é óbvio que não procuramos dar respostas, mas através da música deixamos fluir as nossas emoções traduzidas em prosa poética. De futuro, talvez exploremos temáticas mais conceptuais.

Qual a tua opinião sobre o panorama português no que diz respeito ao Gótico e ao Industrial ? Achas que se poderá construir uma carreira sólida no nosso país tocando este tipo de música ?

Parece-nos que nos últimos anos voltou a haver uma explosão de bandas provenientes de estilos mais pesados e alternativos, tal como também se têm vindo a multiplicar circuitos onde é possível ter alguma exposição, indo assim ao encontro de um público que é cada vez mais vasto, exigente e eclético. Há bandas e projectos interessantes a aparecer, o que mostra, sem sombra de dúvidas, que há muita gente com óptimas ideias e com bastante talento. No caso concreto do Industrial, consideramos que é um território relativamente vasto que é susceptível de ser explorado em múltiplas vertentes, um pouco como aconteceu com o Gótico quando foi apropriado pelas sonoridades mais próximas do metal. Há hoje muitas bandas que criam nessa fronteira, que pouco tem a ver com as raízes primordiais do rock gótico. Ainda bem que assim é. Há espaço para todos. Para os revivalistas e para os que querem subverter as regras do jogo criando coisas novas. Em relação a Portugal, pelas conhecidas razões do nosso atraso estrutural em praticamente todos os campos, as condições não são as mais propícias para a construção de carreiras sólidas nestes estilos. Temos o já clássico exemplo dos Moonspell, a menor escala os Phantom Vision, os Bizarra Locomotiva e talvez pouco mais. E mesmo assim são exemplos de que nos orgulhamos pelo que valem lá fora, não pelo que (infelizmente) não têm oportunidade de mostrar no nosso país. As coisas estão formatadas para outros géneros e públicos.

Poderemos ver os Kronos ao vivo ? Para quando ?

Vamos dar o concerto de apresentação na nossa maquete no próximo dia 28/7 no Culto Bar em Cacilhas, com os The Chapter na primeira Parte. Por enquanto é tudo o que temos, até porque esta altura é um pouco complicada para marcar concertos. Depois deste, talvez só em Setembro. Há alguns contactos feitos e algumas possibilidades em aberto, mas nada de concreto. Infelizmente não tocamos com a regularidade que gostaríamos e ainda não encontrámos um público que nos reconheça, acompanhe e apoie. Talvez isso possa acontecer em breve. Temos um apetite voraz para tocar ao vivo, agora é só esperar que os contactos surtam efeito e que haja pessoas interessadas em ouvir-nos ao vivo.

Últimas palavras…

Muitos parabéns pelo excelente trabalho e pelo importante esforço que a OPUSKULO e outros meios e pessoas dedicadas à divulgação e promoção da música mais pesada e alternativa em Portugal, têm feito. Entretanto, e na medida das vossas possibilidades, ajudem-nos a chegar ao disco de platina (risos).Esperamos que não faltem oportunidades para nos cruzarmos por aí.

segunda-feira, julho 24, 2006

em entrevista...IF LUCY FELL

Tendo sido considerados por muitos como a grande revelação do ano 2005 no que à música alternativa diz respeito em Portugal, os If Lucy Fell não se encostaram a esse estatuto e continuaram a trabalhar e a evoluir, espalhando o caos por inúmeros palcos em todo o país. Em vésperas de pré-produção do sucessor de «You make me nervous», o Opuskulo falou com o baterista Hélio Morais e procurou conhecer melhor esta promissora e peculiar banda.



Satisfeitos com as reacções a «You make me nervous» ?

Sim, bastante. Estávamos bastante expectantes em relação ao que iriam escrever acerca do álbum, uma vez que sabíamos que não era um álbum "fácil". No entanto, tivemos reviews de todo o tipo de imprensa e bastante positivas. E é com a mesma expectativa que estamos agora à espera das reviews fora de Portugal, uma vez que o álbum está prestes a ser editado no resto da Europa (setembro).

Iniciaram a vossa carreira há cerca de dois anos mas já detêm um estatuto de culto na cena alternativa nacional. Qual o segredo ?

Bom! O estatuto de culto é algo que pode ser relativizado. Temos neste momento aquilo que consideramos ser uma boa base de público a apoiar a banda nos concertos. Quanto a segredos, acho que o segredo é mesmo não termos grandes segredos (redundância descarada). Não somos uma bandas de grandes mistérios. Acho que somos bastante sinceros naquilo que fazemos e talvez seja por aí que a coisa pegue. Acho que a maneira como encaramos cada concerto pode ser a resposta a esta pergunta.

Consideras que o estilo no qual os If Lucy Fell se movimentam poderá ser associado a uma moda passageira (à qual se resolveu chamar de Metalcore) ?

Não. If lucy fell não tem a mínima semelhança com bandas como Killswitch Engage ou outras catalogadas como metal core. If lucy fell é uma banda de rock que se movimenta em vários meios. Tanto tocamos com bandas de hard core como com bandas de rock, indie, etc. Recentemente temos até tocado mais no meio rock alternativo do que no meio hard core.

Figura incontornável na banda é o vocalista Makoto. Como veio parar à banda ? Sei que inicialmente começou por ser o vosso produtor…

Sim, foi assim mesmo. Ele produziu a demo e mais tarde acabou por se juntar à banda. Já era nosso amigo há uns anos e uma vez que estava sem banda e toca uma série de instrumentos, achámos que era a escolha mais acertada.

O vosso objectivo passa por tocarem de uma forma cada vez mais complexa e técnica ou acham que isso não faz sentido a partir do momento em que isso contradiz o formato canção ?

O nosso objectivo passa por fazermos as melhores músicas que conseguirmos fazer, desde que as gostemos de tocar. Nunca nos preocupámos muito com a complexidade das mesmas. O que é importante é mesmo continuar a tirar prazer da música. E não dizemos isto de uma perspectiva romântica da coisa, mas sim da única perspectiva viável para a existência dos if lucy fell.

Estiveram pela primeira vez no SBSR…como correu esse concerto ? O que vos transmite mais vibrações…um concerto num festival como o SBSR ou num espaço fechado e intimista ?

Estivémos e adorámos. Estava imensa gente e o público ajudou bastante. Os concertos são todos diferentes uns dos outros. Há aspectos positivos nuns e noutros. Se por um lado nos agrada bastante tocar para milhares de pessoas, por outro, agrada-nos bastante o contacto directo com o público, algo que é uma constante nos concertos de clube.

Assiste-se actualmente a um fervilhar de novas bandas no nosso país que começam já a formar um movimento alternativo ao Metal e ao próprio Hardcore. Concordas ?

Sim. Acho que já começa a haver o hábito das pessoas frequentarem concertos rock e em Portugal. Há tantas boas bandas deste género tão abrangente, que é com imenso contentamento que o constatamos. O hard core sempre foi um meio em que havia esse hábito. Chegava a ser estranho teres bandas rock com enorme destaque por parte da imprensa e depois ires a um concerto de uma banda de hard core de que ninguém falava e o concerto estar mais cheio que o dessas bandas. Hoje em dia acho que está a tender para o equilíbrio. Tens imensa gente a frequentar concertos rock e imensa gente a frequentar concertos mais ligados ao hard core. Disto tudo só temos a concluir que o underground em Portugal está bem e recomenda-se.
Julgo que no meio desse movimento os If Lucy Fell acabam por assumir uma identidade muito própria e única no nosso país. Achas que isso constitui uma mais valia para a banda ?

Sim e não. Por um lado desagradamos imenso aos adeptos típicos do hard core por supostamente sermos "freaks" (ainda hei-de perceber um dia o que quer isso dizer). Por outro, essa mesma diferença do nosso som para as bandas habitualmente conotadas como hard core, abriu-nos as portas para uma série de pessoas mais viradas para o indie rock e bandas mais experimentais. Mas sinceramente, não nos preocupa muito o tipo de pessoas que vai aos nossos concertos, mas sim a sinceridade com que o fazem.

Quanto a futuras edições…o que podemos esperar ? Há já algo a ser delineado ?

Em Agosto vamos fazer a pré-produção do próximo álbum que há-de ser gravado no fim do ano. Desta vez queremos fazer as coisas com bastante mais calma para poder haver uma maior e mais concertada promoção. Entretanto, temos a edição europeia para Setembro como já referi acima.

Últimas palavras…

Apareçam nos concertos, comprem merch, mostrem aos amigos, etc. Façam com que a cena musical portuguesa cresça. O que não falta são boas bandas.

segunda-feira, julho 10, 2006

em entrevista...AZAGATEL

Azagatel é um nome que acompanho desde início e é sempre agradável contar com um novo trabalho desta enigmática e talentosa banda. «The Horned God» marca o regresso às edições após diversos problemas ocorridos no seio do grupo que não permitiram que este fosse o 2º disco da banda mas sim um EP. Hrodulf, o vocalista da banda, falou-nos desses e doutros assuntos e deu-nos a conhecer uma banda que já vem merecendo um maior reconhecimento por parte da imprensa e público.

Após a edição de «Nautilus» qual o motivo pelo qual regressaram às Demos ?

Não foi nada pensado nem planeado, como passamos por um periodo menos produtivo e de constantes mudanças de line-up achamos que o melhor era fazer primeiro uma demo e depois então, se possivel mais um album.
E como tem sido a recepção a «The Horned God» ?

Para já tem sido muito positiva tanto a nível Nacional como Europeu.
Noto um acentuar das características mais negras e melancólicas da vossa música ? Concordas ? Foi propositado ou surgiu naturalmente ?

Concordo, eu penso que isso aconteceu mais uma vez devido ao período conturbado pelo qual passamos, não foi nada feito intencionalmente ou pensado, foi apenas o que saiu, não nos preocupamos se a musica é mais negra ou mais lenta, a unica coisa que fazemos é tentar sempre superar os trabalhos anteriores e fazer as coisas de uma maneira genuina.
Em termos líricos, continuam na mesma linha dos trabalhos anteriores ? Onde buscam inspiração ?

Sim, embora o assunto retratado seja diferente nos nossos 3 trabalhos retratam todos temas relacionados com a cultura ancestral Europeia, o Mar, Mitologia, Esoterismo e Anti Cristianismo.

Sentem-se de alguma forma injustiçados por ainda não terem atingindo uma maior notoriedade no panorama de peso nacional ?

Para ser sincero nunca pensei muito sobre isso, mas acho que a nossa situação geográfica não é das melhores, tivemos sempre uma distribuição deficiente e uma promoção limitada, por isso penso que não temos que nos sentir injustiçados.

Consideras que o actual momento saudável que o Metal nacional atravessa vos poderá beneficiar de alguma forma ?

Sim, uma vez que cada vez aparecem mais bandas o que provoca uma maior concorrencia entre elas e consequentemente a qualidade sobe, os media estão a olhar para o metal com outros olhos, o numero de concertos aumentou etc..., mas quanto a benefeciarmos com isso acho que é possivel, embora continue a achar que as bandas das grandes cidades (Porto, Lisboa) tem mais possibilidades que as outras que estão fora dos grandes centros.

Ainda sonham numa internacionalização da banda e em assumi-la como única profissão ou isso não passam de meras ilusões ?
A esperança é sempre a ultima a morrer....

O que podemos esperar de Azagatel para breve ?

Bastantes concertos a partir de Setembro, e talvez um album para o primeiro trimestre de 2007.
Últimas palavras…

Agradecimentos à Opuskulo pela entrevista e pela review ao nosso cd e a todos os que continuam a apoiar o Underground Nacional. Hail Mother Europe.

terça-feira, julho 04, 2006

em entrevista...EASYWAY

Com apenas um disco editado os Easyway protagonizaram uma das mais fulgurantes ascensões em termos de notoriedade aquém e além fronteiras. Sucesso de vendas no Japão, concertos pela Europa e ao lado de grandes nomes em Portugal ajudaram a construir uma base de fãs sólida e a abrir caminho para a edição do sempre difícil segundo disco. «Can you Keep a Secret» chega ao mercado apostado em dar seguimento a esta carreira de sucesso sobre a qual o Opuskulo falou com a banda.
Passados cerca de dois meses após a edição do novo disco que balanço fazem ?

O balanço é descaradamente positivo! A promoção tem corrido sobre rodas, estamos bastante contentes com o trabalho da editora nova (Zona Musica), os CD’s estão nas lojas, e a resposta do público tem sido excelente! Não podíamos pedir melhor!

Após o sucesso que foi «Forever in a Day» sentiram algum tipo de pressão no sentido de superar esse disco ?


Penso que sim…havia sempre uma pressão mesmo no seio da banda de fazer melhor, de evoluir e provarmos a nós mesmos que éramos capazes de mais, e não ser apenas um “one hit wonder”…! Sentimos que conseguimos utilizar essa pressão de uma maneira positiva!

Da garagem para o reconhecimento a nível mundial foi uma curta viagem…o que achas que esteve por trás da vossa rápida ascensão ?

O trabalho, sem duvida…o esforço, a dedicação, e a força de vontade. Muitas vezes ouvimos dizer que “tudo é possível” ou que “se trabalhares muito consegues lá chegar”, e essa é a verdade. Com trabalho, profissionalismo, empenho, e muita força de vontade, tudo é possível! Os Easyway sempre foram uma banda que teve sonhos mais altos, e sempre trabalhámos muito para os atingir…não é suficiente para nós ficar na garagem, e dar concertos no bar local, queremos mais!

Alguma vez pensaram que as coisas se desenrolariam desta forma ?
Sempre lutámos para que isso acontecesse…mas é daquelas coisas que vamos fazendo com um objectivo que sabemos ser por vezes difícil de atingir…Penso que quando somos persistentes, somos recompensados…a industria musical não é um mundo fácil…e exige persistência, exige que mostres que realmente vales aquilo que dizes valer, e isso só é provado com o tempo!

Para quem ainda não ouviu este novo disco mas ouviu o anterior, que diferenças apontarias entre os dois ?

Neste disco vão encontrar uns EASYWAY mais trabalhados, tanto as letras como as composições foram muito mais exigentes na altura da gravação. “Can you keep a secret” é um álbum muito mais maduro, mais sério, que toca em temas bastante diferentes do anterior, e de uma maneira bastante mais inteligente! Em termos de sonoridade, é certamente mais Rock que o anterior…digamos que tudo o que era “melódico” em “Forever in a Day” é bastante mais neste, e tudo o que era mais agressivo, ou “pesado” se quiserem, é ainda mais agora…Alargámos os horizontes!


Quanto as reacções no estrangeiro, como estão a correr as coisas ?

Estamos a ir com calma para o estrangeiro desta vez…quando lançámos o primeiro álbum atirámo-nos de cabeça em várias tournes pela Europa, sabíamos que precisávamos de provar que isto era a sério, e tínhamos que colocar os EASYWAY no mapa. Desde aí conseguimos passar de banda que abre um festival, para cabeças de cartaz no mesmo festival, portanto o resultado foi bastante positivo !! O álbum vai sair em Setembro na Bélgica e Holanda pela Funtime Records, e no Japão pela In Ya Face (CR JAPAN), e as expectativas são altas!

Planeiam alguma digressão internacional para a promoção deste disco ?

Sempre! Somos uma banda que só se vai manter “viva” enquanto tocar ao vivo o máximo possível. Editar o álbum no maior número de países e promovê-lo nos mesmos é o que mais nos interessa neste momento.

Já tocaram ao lado de grandes bandas da cena internacional…mas se pudessem escolher qual o cartaz ideal no qual gostariam de estar inseridos ?

Claro que a resposta mais óbvia seria dizer nomes como Metallica, Guns n´Roses, Foo Fighters, Silverchair, etc… Aprendemos muito com as tournes que já fizemos, principalmente a respeitar sempre cada banda que divide o palco connosco, mostrando aquilo que vamos sempre preservar, humildade. Acho que o mais importante é pensar em estar nos cartazes dos grandes festivais seja com quem for (risos) !

Estás atento ao que se vai passando na musica alternativa portuguesa ? Como vês a sua actual situação ? Que bandas destacarias ?

Estou sim, sempre. Acho que a qualidade das bandas e artistas em geral está cada vez mais alta devido, talvez, a uma concorrência saudável existente. Também os meios de comunicação estão cada vez mais a dar a conhecer novos projectos e isso estimula o surgimento deles. Há tanta coisa boa… Aside, Devil in Me, 20inch Burial, For the Glory, Triplet, No One Yet, One Hundred Steps, DapunkSportif, etc...

Desde o primeiro disco que recorrem a estúdios e técnicos estrangeiros para a masterização e misturas dos discos. Achas que em Portugal não existem produtores suficientemente competentes para dar o cunho que procuram dar à vossa música ?

Há produtores muito competentes em Portugal, isso não há dúvidas. Achamos que para finalizar o nosso trabalho precisávamos de pessoas com mais experiência no nosso estilo musical, que procurasse enquadrar o nosso som à uma sonoridade mais “Californiana”. Não é nenhum exagero dizer também que encontra-se bons preços em estúdios lá fora. Outro ponto que nos interessa muito na mistura e masterização é ter o trabalho de alguém com “os ouvidos limpos” ao nosso som, que encontre os defeitos e qualidades e que trabalhe estes da melhor forma possível.
O que podemos esperar de Easyway para breve ?

Trabalho! Esperem por concertos cheios de energia, novos álbuns , novos vídeos e se depender da nossa dedicação, tudo sempre para melhor!

Últimas palavras…

Obrigado à todos aqueles que de alguma forma algum dia ajudou os Easyway! Sabemos que sem vocês nada disso hoje era possível e vamos continuar a retribuir essa ajuda com muito Rock n´Roll !!!

segunda-feira, junho 26, 2006

em entrevista...HUGO FLORES (SONIC PULSAR / PROJECT CREATION)

O Prog Rock não é, definitivamente, dos estilos musicais que gozem de mais popularidade no nosso país, isto embora tenhamos nomes extremamente talentosos dentro desse espectro. Sonic Pulsar e Project Creation são dois desses nomes e acabam por ter uma maior notoriedade no estrangeiro do que no seu próprio país. Hugo Flores, mente criativa de ambos os projectos, falou com o Opuskulo e deu-nos a conhecer excelentes propostas musicais que permanecem injustamente ignoradas pela maioria do público nacional.

Falemos em primeiro lugar de Sonic Pulsar. Como têm sido as reacções a este último disco?


Do que me tenho apercebido o pessoal está a gostar e consideram um grande avanço relativamente ao primeiro álbum. Algumas faixas são emblemáticas, e algumas criticas referem que estas faixas ficarão como sendo uma marca na nossa música, falo da “Schizophrenic Playgroung” e “I heard of a place called Earth” por exemplo. Os fãs que gostaram do primeiro ficaram satisfeitos com as ideias e musicalidade do “Out of Place”. Em termos de críticas nos media, tem sido excelente e o cd tem passado em várias rádios recebendo apoios um pouco por todo o lado. Claro que este género de música não tem, para já, a divulgação que um artista ou banda pop/rock conhecida beneficiaria, mas tem sido uma boa aceitação e sobretudo um óptimo reconhecimento do trabalho por parte da crítica especializada.


E quando a Project Creation, como estão a correr as coisas com o disco?

Project Creation está a beneficiar de uma divulgação superior a Sonic Pulsar, pela envergadura da editora, mas também pela música que, apesar de sinfónica, é mais apelativa e consegue agarrar públicos mais diversificados. No entanto, já vi alguns fãs de Sonic Pulsar preferirem o género mais ”agressivo” de Sonic comparativamente ao mais ambiental/sinfónico de Project Creation. Mas considero que “Floating World” é um álbum algo arriscado, pois coloca elementos do jazz/fusão pelo meio, coisa que não é fácil de realizar, tornando o som diferente do habitual. Penso que, no caso deste álbum, o efeito foi bem conseguido. Também é arriscado, porque tem quase 73 minutos de música e a história é contada ao longo do cd. Penso que o facto de um cd ter a totalidade do tempo, pode ser prejudicial, mas no caso deste “Floating World” a variedade e as surpresas que ocorrem destroem uma possível monotonia, acho eu. Li recentemente um comentário de um fã - que também escreve alguns textos/criticas - referindo que este álbum renova a esperança dos mais inconformados com o progressivo, e que traz frescura ao género quando todos pensavam que já não seria possível inovar. Enfim, é uma opinião, e só posso dizer que tento sempre inovar com o que faço, mas conheço projectos muito originais de progressivo e não só. Uma nota curiosa é que pessoas que não estão dentro do prog gostam do álbum e compram-no. Isso é excelente e não gosto de catalogar a música por isso mesmo. Em termos de rádios a coisa está a ir bem, mas falta sempre chegar às ditas “grandes”, pelo menos em Portugal! As críticas têm sido óptimas e já recebemos duas notas máximas, uma delas numa revista de renome, a Background Magazine na Holanda.


Não deixa de ser curioso que o teu projecto digamos “secundário”, Project Creation, seja o que, neste momento, está a obter uma maior exposição e sucesso. Como te sentes em relação a isso ?


(risos) É verdade, sabes que já pensei nisso! O segundo projecto vai ultrapassar o primeiro em termos de notoriedade, não há dúvida, mas acontece isso com muitos músicos e não apenas na música mas também noutras artes como o cinema. Quantas vezes um actor ou um realizador não fica conhecido com o seu 5º filme, por exemplo? O bom é que os fãs de Project Creation vão ouvir e ler o nome Sonic Pulsar e vão querer descobrir do que se trata e, por outro lado, quem gosta de Sonic vai querer ouvir este projecto. O que sinto é que Sonic devia estar na Progrock Records (risos) e beneficiar da mesma promoção, apenas isso. Espero que um próximo álbum de Sonic possa ser distribuído e editado pela mesma editora.


Por falar nisso, como surgiu o acordo com a norte-americana Prog Rock Records ? Podemos esperar uma relação duradoura ?

Claro, dou-me muito bem com a editora, que me dá liberdade total para criar. Não impõem nada, apenas aconselham a mistura final e dão conselhos ao nível da qualidade do som. O resto, produção, masterização, é feito por eles. Project Creation tem como objectivo 3 álbuns, os quais vão ser editados pela Progrock. Depois disso, e ainda falta muito tempo, logo veremos o futuro do nome Project Creation. O contacto com a Progrock já se iniciou há algum tempo, quando lhes enviei o “Out of Place” para colocação na rádio Americana Progrock Radio. O Shawn Gordon, Presidente da editora, gostou do “Out fo Place”, mas eu já tinha na altura contrato com a Italiana Mellow Records. Quando lhe enviei o Project Creation, ele ouviu a “demo” durante 1 semana, e deu-me resposta entusiasta e positiva. A partir daí foi melhorar os mixs, ter o produto final, e toda a arte gráfica do álbum.


Tanto em Sonic Pulsar como em Project Creation o conceito lírico gira em torno de ficção científica, espaço, “ufologia”, etc… Suponho que sejas um profundo interessado por essas temáticas…


Adoro mistério e o desconhecido, é isso que nos faz viver acho eu. Para o “Floating World” baseei-me em ideias para uma história de ficção e na minha vontade em explorar o desconhecido, o Universo. Para te dar uma ideia das influências para o Floating World, posso referir o livro Solaris, o filme Dark City, Star Trek I e 2001 Odisseia no espaço. Referes a ufologia, mas tal já sai um pouco fora do tema, pois trata-se de curiosidade pessoal e alguma investigação de um curioso do tema. Sabes que eu tenho uma mente muito aberta, não rejeitando nada à partida, mas procuro as minhas respostas. A educação parte também da nossa própria procura pelas repostas, e não pelo que nos é “doutrinado”. Já agora, em “Out of Place” e “Floating World” há uma crítica muito forte à nossa sociedade, mais ou menos explícita.



Sei que o conceito de Project Creation se relaciona com um filme de ficção científica que já se encontra em fase de produção. O que podes desvendar em relação a isso ?

Não é bem um filme, é mais um videoclip mas muito diferente do que se viu até hoje e com grande produção em cima. Talvez se possa falar numa curta curta-metragem! O clip vai ter como base a faixa 1, “Floating World”, mas não vai mostrar apenas imagens da faixa escolhida para o single, mas de todo o álbum, ou seja, em 6 minutos teremos toda a historia do 1º álbum! O teaser já está disponível no nosso site em sonicpulsar.com ou aqui

http://www.nemesismusica.com/projectcreation.htm


Poderá considerar-se Sonic Pulsar e Project Creation como verdadeiras bandas ou como projectos nos quais reúnes músicos convidados ?

Considero Sonic Pulsar um misto entre banda e projecto, mas Project Creation como um verdadeiro projecto, ou “supergroup” em que reúno músicos convidados. No entanto, quero que esse leque de músicos seja relativamente estável, por uma questão de confiança e de musicalidade. O som apresentado é também diferente de o de uma banda.

Quanto a discos a solo, após «Atlantis» há mais alguma coisa a ser preparada ?

Quero fazer uma “revisit”, como se diz actualmente (!), ao meu primeiro álbum “Atlantis”. Tenho também já algumas gravações para um álbum, que sai fora de todos estes projectos, muito mais direccionado para o metal e de nome “Dimensions”. Será uma viagem por diversas dimensões ou estados de espírito se quiseres. Vai ser mais agressivo e entre o depressivo e eufórico. Vai ser sobretudo guitarra, baixo e ritmo. Será talvez o álbum mais pessoal até hoje e já tenho boa parte das guitarras gravadas, faltando agora as primeiras misturas..Por último, uma novidade, Sonic Pulsar vai participar num tributo a Santana, à semelhança do que aconteceu com os Moody Blues, a ser editado pela Mellow Records (www.mellowrecords.com). Sonic Puslar conta agora com um novo membro na bateria, o norte-americano Davis Raborn que já participou em projectos como o Daymoon de Fred Lessing, que tocou flauta e Baroque recorder no “Floating World”.

Em termos nacionais noto que nunca foi dada a devida atenção ao teu trabalho. Sentes o mesmo ? Achas que nasceste no país errado ? Provavelmente tudo seria muito mais simples em termos de carreira musical se fosses norte-americano ou britânico…

(risos) Sim, não se dá a atenção devida aos melhores trabalhos, ou pelo menos aos mais originais, e isso não acontece apenas em Portugal. Os filmes de culto, séries de culto, têm alguns seguidores, e a pouco e pouco vão ganhando cada vez mais notoriedade. Penso que no campo das artes, e especialmente no cinema e música, tudo o que inova é mal recebido no início pelo grande público, pois há resistência à mudança e ao que é novo. Um filme diferente, original, ficaria pouco tempo no cinema, pois o público demora mais tempo a absorver o que se lhe é apresentado, e depois sai das salas rapidamente. Se ficasse tanto tempo como os ditos mainstream, tenho certeza que ia ganhando público.Se nasci no Pais errado….não sei, gosto do meu País, mas de facto os álbuns têm tido sempre edições lá fora, e isso diz tudo, apesar da Portuguesa Nemesis saber o que é bom, e ter pegado tanto em Sonic como em Project para distribuição oficial em Portugal. Aliás, o catálogo da Progrock está todo na Nemesis para o nosso País.


Como vês o “estado da arte” em termos de Metal e Rock Progressivo em Portugal ?

Pouca coisa, mas boa em termos de rock progressivo. O metal já tem muito mais variedade, com muito underground e várias bandas de nível. É impossível deixar de falar nos meus amigos Forgotten Suns, e também nos Miósotis, uma banda progressiva, com óptimos temas bastante originais. Claro que nem sempre é preciso inovar, também gosto de ouvir música mais comercial, desde que tenha algo de novo para oferecer e não se limite a copiar.

Poderemos alguma vez ver Project Creation ou Sonic Pulsar ao vivo ?

Project Creation é um produto final, uma criação de estúdio, apesar de eu já ter pensado a sério apresentar o álbum ao vivo, o que se revela complicado devido às várias sonoridades, requerendo um tempo e logísticas muito complexas. Para me dedicar a Project ou Sonic ao vivo, não teria certamente tempo para os dois projectos. É uma escolha a fazer mas um verdadeiro dilema para mim, pois queria ter tempo para fazer isso tudo (risos). Mas sabes que eu sou um bocado como o Arjen Lucassen e gosto de estar fechado no meu Mundo, a compor e ir até ao meu limite em termos de composição e de criação. De qualquer maneira não está colocada de parte uma actuação a vivo, logo veremos.

Quanto a projectos a curto/médio prazo…o que podemos esperar ?


Bem, tenho o Project Creation parte II que já está a ser produzido, mas um terceiro álbum dos Sonic Pulsar já está idealizado, bem como uma regravação do meu primeiro álbum “Atlantis” (para mais tarde). Como disse, estou já na fase de composição do segundo álbum de Project Creation. Em relação à historia, vamos observar um pouco a evolução do novo planeta, a comunhão entre as diversas espécies e vamos igualmente revisitar a pirâmide de Queops que vai ter um papel na epopeia a desempenhar por uma das libelinhas mecânicas do 1º álbum. Posso adiantar que duas musicais vão falar sobre uma fantástica cidade, num planeta distante. Mais detalhes para breve. Já estou igualmente a trabalhar com uma designer para todas as imagens do booklet. Tenho também o “Dimensions”, álbum a solo, que está também em gravação.

Últimas palavras…

Quero agradecer-te por esta entrevista, e agradecer a todos fãs de Sonic e de Project Creation. Espero que todos os que comprem o cd desfrutem o mais possível do trabalho realizado, pois teve de facto muito trabalho envolvido nesta criação. Um abraço !