terça-feira, julho 01, 2008

em entrevista...WE ARE THE DAMNED

Os WE ARE THE DAMNED são já uma das grandes surpresas a assinalar no panorama nacional no que à música de peso diz respeito. «The Shape of Hell to Come» apresenta-se como um portentoso manifesto de raiva e brutalidade que promete abanar a cena e que acrescenta mais um nome à crescente lista de bandas de enorme qualidade no nosso país. O Opuskulo não quis deixar passar em claro a edição da estreia dos We Are the Damned e convidou-os para uma conversa.

Parece que aconteceu tudo muito rápido com os We Are the Damned. Conta-nos resumidamente o percurso até à edição deste álbum de estreia.

Sim foi efectivamente rápido. Trabalhámos imenso na sala de ensaio e acabou tudo por aparecer naturalmente, mostrámos o material àRaging Planet e eles assinaram a banda.


Como está a ser recebido «The Shape of Hell to Come»? As reacções têm-vos surpreendido?

Ainda é um bocado cedo para termos essa percepção mas as poucasreacções que temos tido têm sido bastante positivas, quer do disco, quer dos concertos.

Tendo em conta os nomes envolvidos nos We Are the Damned podemos considerar-vos uma “super banda”?

Não, esse conceito não se pode aplicar. Somos apenas uma banda quequer tentar ir o mais longe possível.


Esta é realmente uma banda com pernas para andar ou não passa de um projecto ocasional?


É uma banda séria, se fosse algo ocasional nem nos dávamos aotrabalho de procurar uma editora nem pessoas interessadas em trabalharconnosco.

Logo na estreia entregaram a masterização do disco ao conceituado Palle Schultz. Porquê essa opção?

Ele não só masterizou, como produziu e misturou o disco, ele aliásesteve presente no estúdio cá em Portugal. Já o conhecíamos de outrostrabalhos que ele realizou na Dinamarca, e alem disso é uma espécie devisionário, o que nos agradou logo, para não falar nas suas qualidadescomo musico, o que nos ajudou bastante.

Uma das sensações deste disco é a vossa vocalista. Onde a descobriram?


Já conhecia-mos a Sofia dos anteriores projectos que ela teve, foiuma boa aposta já que ela encaixou perfeitamente no perfil queestávamos à procura.


Acham que o facto de contarem com uma vocalista feminina numa banda de sonoridade agressiva como a vossa pode dar-vos uma visibilidade extra?


Só se for pelo facto de ser invulgar, em Portugal, vermos umarapariga a cantar numa banda de música pesada.


Sei que liricamente os vossos temas rondam o humor algo sarcástico e negro. Podes elucidar-nos melhor em relação a isso?

Tentámos construir o conceito do disco baseado na actual realidadedo quotidiano misturado com o que achamos que pode vir a ser o futuroda humanidade em geral, mas adicionando elementos fruto da nossaimaginação.

Achas que estão finalmente a reunir-se as condições necessárias em Portugal para uma maior proliferação e crescimento de bandas underground?


Penso que as pessoas têm outra abertura em relação às bandasunderground, mas continua a acontecer tudo com um certo preconceito, enão é por acaso que nos últimos vinte anos de musica pesada em Portugal,só uma banda conseguiu efectivamente ter reconhecimento a nívelinternacional, e só depois nacional !

O que está nos vossos planos a breve trecho?

Nos planos está o segundo álbum e tocar muito ao vivo, lá fora e cá dentro

segunda-feira, junho 23, 2008

em entrevista...THANATOSCHIZO

Sendo uma das bandas mais interessantes e originais do actual panorama de peso nacional, os THANATOSCHIZO chegam à edição do quarto álbum «Zoom Code», um verdadeiro atestado de maturidade e de qualidade da banda e um dos momentos altos de um ano que ainda vai a meio. O Opuskulo não ficou indiferente à qualidade deste trabalho e partiu à conversa com o seu principal mentor, Guilhermino Martins.



Como estão a encarar este vosso quarto disco? Consideram que se trata de um afirmar definitivo da maturidade da banda?


Com toda a honestidade, sim! Temos perfeita consciência do pulo qualitativo que este álbum representa e que, acima de tudo, reflecte dez anos de amadurecimento musical. Na visão desta banda, todos os nossos lançamentos são melhores do que o anterior e penso que, desta vez, não foi excepção. Estamos muito orgulhosos de ser uma banda no verdadeiro sentido da palavra, de continuarmos juntos e de termos criado o Zoom Code.

Como têm sido as reacções ao disco?

Muito boas, felizmente! Tenho a sensação que as pessoas finalmente perceberam o “point” deste grupo e temos obtido excelentes críticas a uma escala global. É claro que vai haver sempre quem não consiga compreender a nossa sonoridade mas, desde o início, tivemos perfeita consciência de não sermos uma banda consensual.

Como está a ser a distribuição e a aceitação a nível internacional, tendo em conta que trabalham actualmente com uma editora com algum peso internacional?

A My Kingdom Music está a cumprir tudo o que estipulámos e, como tal, não temos nada de negativo a assinalar no trabalho deles. O álbum está à venda em praticamente todo o mundo e o feedback que nos chega é consistentemente positivo.

Comparativamente a «Turbulence» o que o separa deste «Zoom Code»?

Quatro anos de amadurecimento: uma cada vez maior atenção a pormenores, a cada vez maior valorização das vozes na nossa sonoridade e o refinar da composição.

Apesar de continuar a demonstrar uma enorme versatilidade estilística, «Zoom Code» soa muito mais coeso do que qualquer disco anterior. Concordam?

Sim, mais do que tentar surpreender pela excentricidade, preocupámo-nos assumidamente em criar bons temas, bem estruturados e compostos. E isso, claro, reflecte-se na tal sensação de coesão de que falas.

Contam com a colaboração de alguns ilustres convidados. Suponho que tenha sido o realizar de um sonho para a banda, certo?

Não diria “sonho”, mas foi uma sensação incrível quando recebemos o solo de violino do Timb Harris e o juntámos à pré-produção instrumental do L.. Os Estradasphere são uma das minhas bandas favoritas, por isso foi óptimo podermos trabalhar com ele. No caso do Zweizz, quando começámos a pensar quem nos poderia ajudar na criação da The Shift, o nome dos Dodheimsgard - outra banda que admiro imenso - veio à baila e foi inevitável contactá-lo. O António Pereira é um músico folk local que emprestou o seu talento a dois dos nossos temas e acabou por lhes adicionar um irresistível tom naïve que os enriqueceu imenso.

Têem programada alguma digressão para a promoção a «Zoom Code»? Por onde irá passar?

Neste momento estamos a agendar uma série de concertos até ao final do ano e há, de facto, a possibilidade de alguns concertos pontuais no estrangeiro. Para já temos o Liperske IV (onde vamos comemorar o nosso décimo aniversário) e o Metal Grândola, mas dentro de dias vamos poder confirmar mais datas.


«Zoom Code» incorpora elementos tão diversos como o acordeão, o saxofone ou o violino. A música dos ThanatoSchizO parece não ter limitações estilísticas…

E não tem, de facto. Esse é o maior prazer que esta banda nos dá: poder fazer aquilo que nos dá na real gana. Talvez por isso nunca tenhamos sentido necessidade de criar projectos paralelos a ThanatoSchizO – no fundo podemos fazer tudo o que quisermos neste grupo e é óptimo não haver qualquer constrangimento no acto criativo porque, basicamente, seguimos o nosso instinto. Provavelmente em termos comerciais, essa não é a melhor atitude a tomar mas... nós sentimo-nos realizados por criar a música que gostamos de ouvir, portanto tudo o resto é acessório.

Conceptualmente por onde anda «Zoom Code»?


Por um mundo muito mais positivo – apesar do lado mais negro do grafismo do álbum. As letras deixaram de ser focadas em episódios da vida pessoal do Eduardo e da Patrícia e passaram a ser histórias de terceiras pessoas. A mensagem é, globalmente, mais uplifting. O título resultou do momento em que nos capacitámos de que, para este álbum, nos deveríamos unicamente centrar naquilo que, a nosso ver, sabemos fazer melhor. Um aprofundar das nossas virtudes, portanto.

Voltaram a gravar nos Rec’n’Roll e a ser produzidos pelos irmãos Barros. É uma relação de fidelidade e durabilidade pouco comum. Não equacionam vontade de trabalhar com novos produtores?

Em Portugal, por ora, não. Além disso, os Rec’n’Roll têm evoluído ao longo destes anos e penso que o som do álbum prova a capacidade actual do estúdio. É claro que, havendo um orçamento mais alargado, equacionaríamos gravar lá fora, mas quem sabe o que o futuro nos proporcionará.


Tendo em conta o vosso passado, considero que os ThanatoSchizO foram pioneiros na abertura do metal português a novas sonoridades e à exploração de novas abordagens musicais. Sentem o peso dessa responsabilidade?

Sim, na altura em que aparecemos, havia, no underground, um certo culto pelo obscurantismo musical (na pior acepção desta expressão) e lembro-me de inicialmente termos sido muito criticados por termos aparecido com uma som muito mais “aberto” a novas abordagens. Hoje em dia, esse dogma está ultrapassado e, felizmente, o que não faltam em Portugal são bandas apostadas em quebrar barreiras no mundo do Metal.


Sendo tu um seguidor de longa data da evolução do metal nacional, qual a tua opinião actual sobre o estado das coisas? O que se perdeu e o que se ganhou?

Penso que há cada vez mais bandas com qualidade. As condições das salas para concertos estão bem melhores e o interesse do público por música made in Portugal cresceu significativamente. Por outro lado, continua-se a cair nos mesmos erros do passado: consegues fazer a conta a quantas next big things foram aparecendo e desaparecendo no nosso panorama ao longo dos últimos dez anos? Além disso, perdeu-se, igualmente, alguma da magia que se vivia há 10/15 anos, com o apogeu da tecnologia a tolher o efeito surpresa de alguns lançamentos.

Achas que o panorama musical português está hoje melhor preparado para proporcionar um desenvolvimento e uma progressão mais visível às bandas do que estava quando começaram a vossa carreira? Quais as principais diferenças?

Sem dúvida nenhuma mas, como sempre acreditei desde o primeiro dia, penso que não é o panorama musical que tem de proporcionar seja o que for às bandas. Antes, elas têm de se capacitar da necessidade de dedicação que um projecto destes acarreta. Havendo vontade e, claro, algum valor, os resultados acabam – inevitavelmente – por aparecer. É claro que hoje em dia as coisas estão também bem mais fáceis devido à Internet: as webzines, as diferentes plataformas de promoção a que as bandas têm acesso, os fóruns, tudo isso serve para gerar um cero burburinho à volta de um grupo. É claro que haverá sempre os meros hypes virtuais mas, lá está, as boas bandas acabam sempre por vir ao de cima e afirmar-se.

O que podemos esperar dos Thanatoschizo a curto prazo?

Vários concertos de promoção ao novo álbum!

segunda-feira, outubro 01, 2007

em entrevista...F.E.V.E.R

Após diversos trabalhos de curta duração mas de qualidade inquestionável, os lisboetas F.E.V.E.R editam finalmente a tão aguardada estreia em formato longa duração. «4st» é o nome de um disco que promete alargar os horizontes da música alternativa portuguesa e lançar esta banda para o reconhecimento internacional. O Opuskulo não quis deixar escapar a oportunidade e falou com o vocalista Fernando Matias e o guitarrista Luis Lamelas.

E finalmente ai está o tão aguardado longa duração. Satisfeitos com o resultado final?

Luís - Sim. Apesar de ter sido um processo algo longo e demorado, mas já contavamos com isso... Quizemos fazer as coisas sem presas e da melhor maneira com os recursos a que tinhamos acesso. Estamos satisfeitos com o resultado final a todos os níveis.

Como têm sido as reacções ao disco? Notava-se uma enorme expectativa em torno do mesmo, não acham?

Luís – Sinceramente, não nos podemos queixar. Temos sido, geralmente, bastante bem recebidos. Relativamente a expectativas... as nossas têm-se cumprido aos poucos. Não tenho bem a noção relativamente a expectativas exteriores, mas como temos estado envolvidos em bastantes actividades a este nível, acabamos por criar alguma curiosidade.

Porquê terem demorado todos estes anos para editar um longa duração? Não sentiam que tinha chegado a altura certa quando editaram os anteriores EP ?

Luís – Estivemos bastante ocupados com outros lançamentos (o disco de remisturas “Electronics” em 2005 e o single multimedia “Bipolar [-]” em 2006) e com a composição / gravacao do disco. Também mudámos de baterista. Temos outras actividades e era incomportavel gravar o disco e estar activo ao mesmo tempo para concertos por razões de tempo. Este disco acabou por lucrar com o amadurecimento dos temas que tinhamos para o preencher.

O título "4st" tem algum significado especial ?

Fernando - É um título pragmático e funcional. Significa “quarto lançamento, primeiro longa duração” (excluindo singles e compilações, e tomando apenas em consideração os dois Eps e o disco de remisturas). Não houve grandes preocupações conceptuais, simplesmente gostámos do significado despretensioso e da forma desviante como está escrito. Já no plano da coincidência (e apenas para confundir e pôr em causa tudo o que foi dito anteriormente), “4st” é foneticamente semelhante a “Forced”, a primeira canção do disco, e durante a produção do álbum começámos a notar que havia uma certa reincidência na temática da contingência. Foi um conceito que foi crescendo a posteriori, espontaneamente, um tanto por acaso. Não temos por hábito pegar numa folha em branco e desenhar esboços conceptuais. O nosso método de trabalho é mais rabiscar em post-its e depois forçar puzzles a partir de peças que não encaixam entre si. Uma espécie de desafio lógico.

Os F.E.V.E.R. são daquelas bandas que se sente que caso fossem norte-americanas ou britânicas teriam um sucesso muito diferente daquele que têm. Acham que o factor Portugal prejudica a vossa carreira e limita os vossos horizontes?

Fernando - Talvez sim, talvez não. É, por um lado, verdade que há bandas nos Estados Unidos que sobrevivem saudavelmente só a fazer digressões nacionais (o mesmo não acontece em Inglaterra, creio) é um mercado muito grande em que é muito mais fácil subsistir. Mas também é verdade que a concorrência é muito mais hostil e não sei até que ponto seria muito favorável encontrarmo-nos por lá diluídos numa sopa de bandas muito maior e mais complexa do que aquela que temos aqui deste lado do Altântico. Se tiver de acontecer-nos alguma coisa de bom, quero acreditar que tal acontecerá mais pela força do nosso trabalho do que pelo facto de estarmos no local certo no momento certo.

Ponderariam a hipótese de sair de Portugal para lutar pela banda noutro país que vos oferecesse melhores condições?

Fernando - Não me parece ser absolutamente necessário ter de sair de Portugal. Estamos no século XXI e a distância não é hoje um problema. Se te meteres num avião, consegues chegar a qualquer capital do mundo em apenas algumas horas. Há telefones, há internet... Para além do mais, gosto de pensar na Europa como uma espécie de Estados Unidos em que em vez de teres bandas de Seattle ou Chicago, tens bandas de Glasgow ou Berlim. Agrada-me isto da União Europeia, é como se vivesses num país enorme que vai de Lisboa a Helsínquia. É só uma questão de aproveitar a oportunidade.

"4st" será distribuído no estrangeiro ou a aposta direcciona-se mais para Portugal?

Luís – A edição da RagingPlanet é nacional, mas poderá ter alguma distribuição além fronteiras no futuro. Estamos neste momento a trabalhar com alguns contactos que têm interesse no nosso trabalho para fora de Portugal. Vamos ver no que resulta.

O vosso som prima pela originalidade e consegue agradar a um largo espectro de público...desde um mais metaleiro a outro mais alternativo. Notam isso pelas reacções que vão recebendo? Acham que isso pode constituir uma mais valia ou, por outro lado, dificultar a inclusão da banda num público alvo específico?

Luís – Nunca tivemos por objectivo um público alvo. Agrada-nos a ideia de poder apelar a um publico diverso e isso tem acontecido. Não queremos ser uma banda de elites especiais de corrida, também não nos achamos “os escolhidos” de uma vertente musical qualquer.

Há planos para divulgar este disco ao vivo? Alguma tour planeada?

Fernando - Temos tido alguns concertos, abrimos recentemente para Type O Negative e estivemos no Marés Negras, vamos estar no Midas Rock Fest II no dia 15 e temos já agendadas mais duas datas lá para o final do ano. Há outros eventos ainda a necessitar de confirmação... é uma questão de estarem atentos ao nosso MySpace (www.myspace.com/feveronline). \m/

Últimas palavras..

Luís – Obrigado pela entrevista. Podem ouvir o álbum “4st_Fourst”, em streaming, na nossa página online em http://www.fever.web.pt/. Esperamos vos ver num proximo concerto. Cheers.

sexta-feira, setembro 14, 2007

em entrevista...BEFORE THE RAIN

Quando o doom metal parecia algo moribundo no nosso país, eis que em poucos meses surgem duas agradáveis e encorajadoras surpresas. Se «Renounce» - o álbum de estreia dos Process of Guilt – revelou algo de inovador dentro do estilo, «…One Day Less» - a estreia dos Before the Rain aponta para uma veia mais tradicional do estilo, embora não menos interessante. O Opuskulo quis dar o devido destaque a esta excelente banda e para tal falou com o baixista Pedro Daniel.

Remontando as raízes da banda a 1997, qual a sensação de 10 anos depois ver o primeiro álbum finalmente editado? Foi um percurso penoso?

Sejam 10 anos, sejam 10 meses, é sempre gratificante ver o esforço do nosso trabalho editado e a chegar às pessoas, mas, como já foi dito noutras circunstâncias, os [BeforeTheRain] não levaram 10 anos a lançar um primeiro álbum, mas sim, parte desse tempo a criar as condições para tal acontecer. Acho que há uma diferença importante nesses dois princípios. A progressão natural de uma banda passa por compôr, ensaiar, gravar e lançar um álbum (e depois promovê-lo), mas para isso acontecer tem de existir efectivamente uma banda. Tal só aconteceu, de forma estável, em finais de 2004. Até então, tinham passado literalmente dezenas de pessoas pela formação, por periodos muito efémeros, e pelos mais diversos motivos. A partir do momento em que o presente conjunto de pessoas começou a trabalhar em uníssono, foi apenas uma questão de tempo até termos um álbum pronto a gravar e a lançar.

Começaram por ser uma banda acústica mas sentiram a necessidade de enveredar por uma veia digamos mais “tradicional” do doom metal. Acham que a música acústica não se pode considerar doom, pelo menos em termo da carga emocional e melancólica associada ao estilo?

A fase acústica da banda remonta a um período em que a formação se limitava ao Carlos e ao Valter. A mudança do formato acústico para o formato eléctrico verificou-se apenas porque se chegou à conclusão que eram necessárias mais ferramentas sonoras para aquilo que que se queria fazer. Mas como tudo, essa foi uma mudança natural e progressiva. Não houve uma decisão sumária para isso acontecer. No entanto, o “...One Day Less” combina, para além do tema totalmente acústico “Paragraph”, diversas passagens que não tendo sido gravadas nesse formato, utilizam guitarras limpas em ambientes musicalmente muito introspectivos. Essas são as raízes de [BeforeTheRain] e creio que de uma forma ou de outra irão estar sempre presentes na nossa música.

Este disco conta com a masterização de Thomas Eberger. Como foi contar com a colaboração de alguém que já trabalhou com algumas bandas que provavelmente fazem parte das vossas principais referências? Revolucionou o trabalho de uma forma que não conseguiam alcançar em Portugal?

Penso que o trabalho do Thomas no “...One Day Less” veio sobretudo reforçar o que já estava feito de forma muito competente com a captação e mistura, trabalho esse levado a cabo pelo João Bacelar (e pela banda). Ao contrário do que se passa com a mistura, em que se pode incutir um cunho completamente diferente dependendo do produtor, as “fórmulas” de masterização não variam muito. Quem tenha tido a possibilidade de comparar directamente a versão não masterizada com a versão final iria certamente perceber as diferenças, e é aí que a reputação do Thomas é efectivamente comprovada. Teria sido magnífico poder contar com ele na fase de mistura, mas a crua realidade é que não existiam condições para tal acontecer. Existem estúdios e produtores em Portugal onde conseguiríamos um resultado aproximado, mas penso que foi interessante termos alguém com o historial do Thomas a interagir com o nosso trabalho.

Os Process of Guilt recorreram aos préstimos do mesmo produtor no seu álbum de estreia. Tendo em conta as relações de proximidade existentes entre as duas bandas suponho que terá tido influência na vossa decisão?

Naturalmente que a excelente referência trazida pelo “Renounce” foi relevante no processo de escolha, mas, respondendo o mais friamente possível, creio que a influência mais forte foi mesmo o orçamento disponibilizado pelo CuttingRoom. Pedimos valores a vários estúdios de renome, no entanto o CuttingRoom acabou por ser a escolha óbvia.

Se juntarmos «…One Day Less» à já referida estreia dos Process of Guilt, acham que o doom está a recuperar o fôlego em Portugal que parecia algo perdido nos últimos anos?

Não creio que alguma vez tenha havido um grande movimento Doom em Portugal, isto comparando directamente o género em causa com outros estilos como Black ou o Death Metal, mas também penso que enquanto corrente de expressão, o Doom nunca será, felizmente, hype. É no entanto curioso constatar que o percurso de duas bandas que são próximas, devido à partilha de elementos, as levaram a lançar os respectivos álbuns de estreia pela mesma editora, e num curto lapso de tempo, mas creio que isso é mais uma anomalia cósmica, que pode ser vista como uma feliz coincidência, do que propriamente o indicador de uma tendência.
Existem várias bandas Doom em Portugal, com percursos muito válidos, umas já extintas e outras ainda em actividade, e de uma forma ou de outra o fôlego que referiste nunca deixou de existir. Quanto muito um estado de hibernação cíclico.

Pessoalmente considero que ambas as bandas reuném requisitos mais do que suficientes para um sucesso além fronteiras e para uma carreira bastante positiva. Sentem isso ou adoptam uma postura mais reticente?

Queremos sempre sentir que a nossa arte poderá chegar ao maior número de pessoas possível, e estamos a apontar os nossos esforços nesse sentido. O sucesso além fronteiras é sempre algo muito relativo, porque não basta ter meia dúzia de pessoas no MySpace a dizer que a nossa música é boa, ou mesmo umas quantas reviews encorajadoras (não menosprezando o valor que tal possa ter). É necessário um suporte promocional enorme e uma rede de distribuição forte o suficiente para “furar” a densidade do mercado, e bem vistas as coisas, isso não se consegue da noite para o dia, com um álbum e uma demo. A nossa atitude presente é de um “entusiasmo reservado”. Estamos satisfeitos com o álbum, foi um processo longo e complicado, pelos motivos que indiquei acima, estamos também satisfeitos com o trabalho e o apoio que a Major Label Industries nos tem dado. Para todos os efeitos, a promoção ao vivo do “...One Day Less” começará no final de Setembro, com os concertos “An Evening Before The Rain” em Lisboa e Porto, e o futuro mostra-se risonho...

Já agora, há alguma estratégia delineada em termos de projecção internacional do álbum? Que reacções vos têm chegado?

Ainda é um pouco cedo para reacções. O álbum saiu a 30 de Julho, e como tal as edições de Agosto dos príncipais veículos de media nacionais e internacionais não conseguiram responder a tempo. O feedback pontual que nos tem chegado por diversos meios tem sido muito positivo, e durante Setembro saberemos efectivamente mais. A editora tem alguns parceiros de peso em termos de distribuição internacional, como a The End Records, a Firebox ou a Prophecy, e creio que esse é o primeiro passo para dar alguma credibilidade ao lançamento.

Voltando a falar de Process of Guilt, a vossa sonoridade entra por uma veia mais tradicional, mas não menos interessante, do doom metal. Que argumentos congregam na vossa sonoridade que vos possa distinguir de bandas semelhantes?

Penso que não cabe a nós defender esse argumento, e nem sei se existe realmente a necessidade de o fazer. Se “...One Day Less” porventura soa a um registo mais tradicional ou clássico de Doom Metal, tal aconteceu porque tinha de acontecer e não porque planeámos conscientemente fazer algo assim. O “...One Day Less” é sobretudo o fechar de um ciclo para a banda, e provavelmente o próximo registo vai soar categoricamente diferente, mas essa diferença tem de acontecer de forma natural, e não porque assim se decide. A Arte, no seu geral, deveria ser isenta da necessidade de argumento, especialmente do próprio artista, ou neste caso, a banda.

Tocaram recentemente ao lado de Moonspell e Kreator, possivelmente a oportunidade que tiveram para expor o vosso trabalho perante uma plateia mais vasta. Como foi essa experiência?

Penso que a expressão é mesmo “Experiência”. Tivemos desde início a noção que, tendo em conta a natureza sectária do underground, que seríamos, juntamente com F.E.V.E.R., uns “fish out of the water”. Tirando algumas falhas no som (devido a alguns atrasos na logística que nos obrigaram inclusive a reduzir o set em 10 minutos), a actuação propriamente dita correu bem, e foi muito interessante poder partilhar um palco (especialmente o do Coliseu do Porto) com dois headliners monstruosos. Penso que “atingimos” quem tínhamos de atingir, e dado o número de pessoas que nos abordaram após o concerto, o saldo é mais do que positivo.

O que podemos esperar dos Before the Rain a curto/médio prazo?

O nosso objectivo presente visa a promoção ao vivo do “...One Day Less”, o mais possível, mas existe um desejo comum de começar a explorar algumas das ideias que já surgiram, para o próximo registo.

Últimas palavras, lamentos ou pensamentos…

Oiçam música com a abertura de espírito e dignidade que merece, seja ela qual for.

Peace

sexta-feira, julho 20, 2007

em entrevista...HIPNOTICA

No regresso do OPUSKULO às entrevistas resolvemos desviar-nos um pouco das sonoridades mais habitualmente divulgadas nestas páginas e concentrar atenções em paisagens mais alternativas e de fusão. Os eleitos foram os portugueses HIPNOTICA, banda que condenada a ver os seus discos tornarem-se referências no música alternativa portuguesa, sendo que a novidade «New Comunities for Better Days» não constituirá excepção. Aqui fica o relato da conversa mantida com a banda.

Cada disco que editam figura automaticamente entre os melhores do ano. Isso coloca-vos algum tipo de pressão na hora de compor um novo disco?

Não propriamente, a maior pressão que sentimos quando partimos para a composição de um novo álbum é o desafio de fazermos sempre melhores musicas. Ao início há sempre muita discussão para definir os caminhos que queremos percorrer, mas depois há factores incontroláveis associados com a inspiração e a criatividade, a junção desses factores imprevisíveis associada com o nosso empenho é que vai moldando o resultado. É bom que haja uma certa tensão sempre presente.

Quais as maiores diferenças a assinalar entre este novo disco e o anterior?

É um disco com uma vertente mais rock e com momentos de explosão. Permanece a influência do jazz e da electrónica, mas mais diluídos do que no disco anterior. Também a componente melódica e harmónica dos temas foi mais explorada.

Em termos de colaborações exteriores e novas experimentações parece-me um disco mais ambicioso. Concordam?

Sim, buscamos sempre pessoas com as quais possamos estabelecer afinidade musical e criativa e isso tem acontecido com músicos de diversos países e de diversas tendências. Mas como disse anteriormente, a ambição é em primeiro lugar associada à música. Temos tido sorte de encontrar excelentes músicos que se prontificam a compor connosco e a alargar a nossa comunidade.


Em termos líricos, o que aborda este disco?

Relações entre pessoas, amigos, amantes, observação social, os rumos que podemos tomar, fragmentos de histórias como curtas metragens, alguns elementos surrealistas e algumas expressões mais poéticas.


Apesar do sucesso em Portugal que têm vindo a alcançar o mesmo não se tem verificado a um nível internacional. Porquê?

O tema dos outros mercados é recorrentes, mas temos tido alguns resultados, como por exemplo a recente edição de 1 tema numa compilação de uma editora japonesa que é a KSR ao lado de nomes como os Koop, Andy Caldwell e os The Poems. É uma luta difícil e desigual pois grande parte dos países europeus já perceberam que a exportação da sua música é uma forma muito eficaz de promover a imagem do próprio país. Não há só bons jogadores de futebol em Portugal, há grandes bandas e que numa acção concertada e com subsídios bem aplicados poderiam por Portugal no mapa europeu.

Que reacções vos chegam do estrangeiro?

Quando a nossa música lá chega, a opinião é excelente e aliás conseguimos chegar às pessoas que gostam das bandas e da musica que nós também gostamos de ouvir o que é um óptimo termómetro para nós. Pelo MYSPACE que é um dos meios mais eficazes de lá chegar essa é a percepção que temos tido, aliás temos vendido alguns álbuns através desse tipo de meios.


Qual a vossa opinião quanto ao actual estado da música alternativa portuguesa? Pode dizer-se que existe um movimento cada vez mais forte e organizado?

Nem por isso, há boas bandas, algumas iniciativas já bem estruturadas, mas o circuito de concertos ainda é limitado em termos de condições e o acesso aos media, tirando algumas louváveis excepções, ainda é muito escasso. Ultimamente a Internet tem servido para proliferação de sites e páginas dedicados à musical nacional e o próprio youtube e myspace permitem circular os vídeos que as bandas produzem e que muitas vezes não tinham acesso a nenhum canal de televisão.
A vossa sonoridade contempla um cocktail de diferentes paisagens musicais. Como definiriam o vosso som?

Cocktail molotov? …Perguntas difíceis ( risos). Como diria Dizzy Gillespie “a musica fala mais alto do que as palavras”.

O que podemos esperar da vossa parte em termos de concertos? Alguma digressão planeada?

Estamos a planear uma tour nacional a iniciar em Setembro e a prolongar-se até ao fim de Novembro.

Últimas palavras…

Que as pessoas procurem a nossa música , pode ser através do www.myspace.com/hipnoticapt , que façam download nos P2P, que gravem dos amigos, enfim que a ouçam ….se realmente gostarem e se vos “entrar”, comprem o original que é que nos permitirá continuar discos.
Peace&love

segunda-feira, maio 07, 2007

em entrevista...ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL - OS CANTOS DE MALDOROR

A relação dos Mão Morta à componente teatral não é propriamente novidade, basta recordar o espectáculo "Müller no Hotel Hessischer Hof" que teve como protagonista Adolfo Luxúria Canibal e seus pares e que ficou imortalizado num DVD editado recentemente. "Os Cantos de Maldoror" recuperam esse formato e lançam os Mão Morta numa nova aventura que promete tornar-se num espectáculo singular a não perder. Em vésperas de estrear a nível nacional, o Opuskulo teve o prazer de conversar com o enigmático e incontornável figura desta trama, Adolfo Luxúria Canibal...

Para quem não está familiarizado com a obra que deu origem a este espectáculo, «Os Cantos de Maldoror», é possível fazer um breve resumo da mesma?

Não. Poderia dizer que é construída como uma epopeia clássica mas em que, contrariamente a esta, o herói não é um herói do bem mas um herói do mal – e não seria mentira –, mas isso era deixar o essencial do livro de fora. Porque o que o torna interessante não é propriamente a história que conta – e não conta uma história, antes se perde por milhentos farrapos de histórias – nem a forma genérica que aparenta, mas a maneira como a escrita se desenrola. Não estamos a falar de um romance ou de uma novela, mas de poesia e de poesia moderna – e é insensato imaginar que se possa resumir um poema sem, com isso, perder o poema!

Como surgiu a ideia de passar essa obra para este formato original? Porquê esta obra?

O livro Os Cantos de Maldoror é uma obra já várias vezes referenciada por nós e que nos ocupa a cabeceira da cama desde a adolescência. Tendo a literatura tanta importância no trabalho dos Mão Morta, quer a nível temático quer como inspiração para a composição, quer como objecto de trabalho, seria previsível que um livro que nos é tão querido viesse, mais cedo ou mais tarde, a ser abordado pelo nosso labor criativo. E efectivamente há muito tempo que o Miguel Pedro insistia em fazermos um espectáculo sobre Os Cantos de Maldoror, ideia que eu ia sistematicamente recusando por me parecer que a complexidade da obra, e o nível estritamente literário em que ela opera, não seria susceptível de transposição para outro tipo de linguagem. Mas o Miguel Pedro tanto insistiu que lá nos conseguiu convencer a todos a metermo-nos nessa loucura e o convite do Theatro Circo, para inaugurarmos a sua vertente de produção de espectáculos, acabou por surgir no momento certo para dar viabilidade ao projecto… As dificuldades de transposição que eu temia aconteceram, mas não nos fizeram desistir e acabamos por encontrar um mecanismo que nos possibilitou a construção de um espectáculo que, acreditamos, não atraiçoa o livro.

Esta simbiose entre a música, o vídeo e a declamação não deixa de ser original, especialmente em Portugal. Sentem-se de alguma forma percursores de algo?

Não tenho assim tanta certeza que seja algo tão original quanto isso! Seja como for, importa dizer que não fizemos qualquer levantamento de quem antes de nós já tinha utilizado a multidisciplinaridade de linguagens e de mídias, mas acreditamos piamente que já muita gente o fez… E isso para nós não é importante! Essa utilização acontece no Maldoror não pela vontade em ser percursor ou para ostentar meios, mas porque achamos que a construção do espectáculo o exigia – espelha, de certo modo, as diferentes vozes que no livro se entrecruzam.

Achas que o público português está preparado para acolher um espectáculo deste género? Que expectativas têm quanto aos espectáculos que ai vêm?

Esse conceito de público parece-nos um conceito demasiado abstracto… Nós partimos para a feitura de um espectáculo (ou de um disco) por necessidade nossa, pelo prazer criativo de mergulharmos numa coisa nova e de partilharmos a sua construção entre todos, e um bom resultado final, um resultado que nos satisfaça e com o qual nos sintamos recompensados, faz parte dessa alegria criativa. Se esse resultado final nos agradar, não há motivo para não poder agradar também às pessoas que forem ver o espectáculo – não há necessidade objectiva de haver uma qualquer preparação especial para isso acontecer – e se efectivamente agradar então a nossa felicidade torna-se perfeita!... Neste momento, que ainda não temos um resultado final, estamos amplamente satisfeitos com o trabalho realizado e cheios de expectativas positivas!

A componente cénica e dramática esteve sempre bastante presente na música de Mão Morta. Esta foi uma forma de materializarem essa mesma componente?


Efectivamente sempre houve uma componente cénica muito acentuada em toda a música dos Mão Morta, quer em espectáculo quer em disco, que deriva essencialmente da intensidade interpretativa. Neste Maldoror, como já tinha acontecido no Müller no Hotel Hessischer Hof, fazemos a exploração plástica, submetendo toda a apresentação em palco a um trabalho mais apurado, dessa componente cénica preexistente na interpretação. E com isso criamos um híbrido, que ainda não é teatro mas que já não é só música…

Em traços gerais, o que podemos esperar deste espectáculo? Qual a mensagem que no final pretendem transmitir ao público?

Não pretendemos transmitir qualquer mensagem… Damo-nos por muito satisfeitos se aqueles que conhecem e gostam dos Cantos de Maldoror, ao verem o espectáculo, se tenham sentido transportados sensorialmente para o interior do livro e que os que não o conhecem saiam do espectáculo com a curiosidade desperta e tentados a conhecê-lo.

Inicialmente limitado a poucas datas, encaram a hipótese de estender este espectáculo por um maior número de salas e localidades?

Sim, a ideia é fazer uma itinerância e levar o espectáculo a todo o lado que disponha de uma sala com capacidade técnica para o receber. Já há vários contactos nesse sentido, mas por agora as únicas datas firmes são as de Braga, a 11 e 12 de Maio, e a de Portalegre, a 19 de Maio.

Podemos esperar futuras participações dos Mão Morta neste tipo de espectáculos ou é uma experiência isolada?

Não é uma experiência isolada, até porque já não é a primeira – há dez anos aconteceu outro espectáculo similar que foi o Müller no Hotel Hessischer Hof. Mas pela sua própria natureza, pelos meios que implica, pelo tempo que necessita e pela entrega a que obriga, este tipo de espectáculos só pode ter um carácter esporádico.

Quanto à banda propriamente dita, há já algum novo disco a ser preparado? O que podes adiantar?

O nosso novo disco de originais será este espectáculo, no qual estamos a trabalhar exaustivamente há ano e meio. As apresentações no Theatro Circo vão ser gravadas e filmadas para depois ser feita uma edição em CD e DVD, à imagem do que aconteceu com o Müller no Hotel Hessischer Hof.

sexta-feira, março 09, 2007

em entrevista...ANOMALLY

Terra de estonteante e inquestionável beleza, os Açores são também um verdadeiro viveiro de talentos no que à música de peso diz respeito. Sempre atento ao que se vai passando nesse território insular, foi com satisfação e alguma surpresa que tomei conhecimento dos ANOMALLY, banda que começa a dar os seus primeiros mas seguros passos. O Opuskulo quis conhecer melhor este projecto. Fica o resultado.





Tendo em conta que são um nome desconhecido para a generalidade do público, apresenta-nos os Anomally…

Os Anomally são uma banda de Death Metal melódico com influências góticas proveniente da ilha Terceira que surgiu em 2005.

Editaram recentemente a vossa primeira demo, no entanto sei que a ideia inicial era para que este registo fosse mais para”consumo interno” da banda, certo? O que levou à mudança de estratégia?

Foi à praticamente um ano atrás que editámos a nossa primeira demo. Um trabalho produzido pela própria banda apenas com o intuito de ouvir como estavam a ficar os temas por nós compostos até então. Devido aos fracos recursos possuídos por nós no que diz respeito a equipamento para gravação e claro está, pela falta de experiência neste campo a gravação ficou longe daquilo que pretendíamos a nível de qualidade sonora. No entanto após concluída a gravação e edição dos temas gravados foi de opinião da banda aproveitar aquela gravação para fins promocionais tendo em conta que ninguém nos conhecia e que seria complicado gravar algo melhor do que aquela demo, assim sendo esta seria uma boa aposta para dar a conhecer os Anomally.

Que reacções têm recebido a este trabalho de estreia?

Apesar de termos apostado neste trabalho de estreia para promover a banda, inicialmente não tivemos muita oportunidade para o divulgar. Isso deveu-se ao facto de primeiro querermos captar a atenção do público da nossa ilha e, devido ao facto de não temos ninguém paralelo à banda que nos ajude nesta área torna-se complicado preparar concertos e ao mesmo tempo tratar de toda a divulgação. Felizmente foi possível ainda durante o verão promover um pouco esse nosso trabalho de estreia por outras paragens que não a nossa ilha. As críticas foram sempre muito positivas tanto por parte da imprensa local, onde fomos considerados a melhor revelação de 2006 nos Açores como por parte de rádios continentais onde foi divulgado o nosso trabalho. Temos consciência de que a qualidade sonora deste nosso trabalho está longe daquilo que pretendíamos e é precisamente por este factor que não apostamos em promover ainda mais mas mesmo assim acho que o resultado dessa pequena promoção foi bastante positivo para a banda e é satisfatório ver que todo o trabalho de divulgação foi bem recompensado.

Está já a ser preparado o seu sucessor? O que nos podes adiantar em relação a isso?

É com grande satisfação que posso dizer que material não nos falta para o sucessor. Dentro em breve serão colocados online em www.myspace.com/theanomally três novos temas produzidos mais uma vez pela própria banda, mas apenas com a intenção de mostrar algo novo, mostrar que estamos mais vivos do que nunca. Esta gravação nem será utilizada para divulgação pois prevê-se para o fim do verão entrarmos finalmente em estúdio como já referi. Ainda não posso adiantar nada em concreto nem em relação a datas nem ao estúdio mas tudo indica que em Setembro estaremos de malas e bagagens para o Porto onde iremos gravar 3 temas e ai sim, iremos apostar em grande na divulgação deste novo trabalho pois por aquilo que já ouvimos de gravações do estúdio que pretendemos gravar, tem uma excelente qualidade e tendo um trabalho nas nossas mãos com o nível que em principio ficará já nos sentiremos mais à vontade para o promover sem correr o risco de sermos penalizados devido à qualidade de gravação.


Sendo provenientes dos Açores, julgo que não ficam imunes às mesmas limitações que outras bandas insulares alegam…

Basta ver o facto de termos de ir ao Porto para gravar. Na ilha Terceira o único estúdio profissional que existe a pessoa que está responsável por ele não tem rigorosamente relacionamento nenhum com metal e por isso preferimos nem arriscar pois corríamos o risco de acabar com uma gravação completamente diferente daquilo que pretendíamos. Felizmente já começam a aparecer alguns estúdios em S. Miguel mas mesmo assim continua a ser tão complicado para nós ir gravar a S. Miguel como ir gravar a um estúdio no continente tendo em conta que uma passagem para S. Miguel custa quase tanto como uma para o continente, isso para não falar nos preços que acaba quase por sair mais em conta ir gravar ao continente. No que diz respeito a divulgação acho que muita coisa mudou. A Internet veio dar um grande auxilio quebrando as barreiras que antes existiam, no entanto acho que se pode tornar uma faca de dois gumes pois qualquer pessoa pode gravar seja o que for e colocar online, mesmo que não tenha qualidade absolutamente nenhuma e a meu ver isso pode acabar por prejudicar aqueles que realmente trabalham arduamente com o intuito de algum dia conseguirem o tão desejado contrato. De momento continuo a achar que cá nos Açores há boas bandas mas infelizmente aquilo que vejo é que para além de estarmos um pouco limitados pelo facto de sermos dos Açores também há alguma falta de força de vontade por parte das bandas que parece que continuam à espera que lhes caia tudo do céu.

Concordas se eu disser que uma banda nas vossas condições, oriunda de uma ilha, tem de se esforçar o dobro para alcançar o mesmo que uma banda do continente alcança?

Sem dúvida. Esta questão vem de encontro ao que acabei de exemplificar em relação à gravação de um registo num estúdio profissional. Enquanto que para qualquer banda do continente basta apanhar o comboio ou até tem mesmo a sorte de ter um estúdio na sua terra para poderem gravar, para nós, oriundos dos Açores temos sempre de contar com as passagens que cada vez são mais caras e os apoios são nulos. Mas este é apenas um exemplo, porque quem fala em gravações fala também em actuações, concursos realizados no continente, tudo coisas que para nós se torna impossível participar. De qualquer maneira, não é por isso que desistimos de fazer aquilo que mais gostamos, e talvez por essa razão, nos dê cada vez mais vontade de mostrar aquilo que fazemos a quem nos dê o devido mérito.

No entanto, apesar das dificuldades, os Açores continuam a oferecer um leque interessante de bandas, embora a longevidade das mesmas seja normalmente reduzida…Concordas?

As bandas açorianas têm vindo a mostrar que apesar de estarmos aqui “isolados” temos tanta ou mais capacidade do que algumas bandas provenientes do continente. Infelizmente é uma triste realidade o facto de estas não conseguirem levar avante aquilo que tão bem sabem fazer. Neste momento a banda mais antiga dos Açores são os Morbid Death que contam já com 17 anos de carreira e 4 álbuns já editados. Mas ficaram para trás bandas como Obscenus, Luciferian Dementia, Sanctimoniously, Gnosticism, Gods Sin, tudo bandas que na altura em que estavam activas deram provas de que se tivessem continuado seriam sem dúvida um grande orgulho para todos os metaleiros açorianos. O facto de termos de ir estudar fora da nossa ilha, a falta de motivação devido à falta de concertos, à dificuldade em gravar algo decente, a dificuldade em encontrar os membros certos para as bandas são os principais factores apontados como responsáveis para este problema. Extinguem-se umas surgem outras e a meu ver este ciclo vai manter-se, pois os factores infelizmente tendem em permanecer ao longo destes anos e dificilmente serão ultrapassados. Mas mesmo assim ainda temos alguns exemplos de bandas que contam já com alguns anos de carreira tais como Morbid Death, In Peccatum que já existem desde 1998 mas que infelizmente continuam sem uma boa gravação que os leve mais além pois é uma banda a ter em conta, Enuma Elish que conta já com 12 anos de carreira, Hiffen activos desde 1996, Manifesto formados em 1997. Entre estas encontram-se bandas mais recentes que tenho a certeza que ainda levarão o seu nome e o nome dos Açores bem mais longe do que aquilo que se possa pensar. Nós estamos a trabalhar para isso e espero que não sejamos mais uma banda a ficar na história apenas como a banda que já acabou mas que na altura tinha muito para dar.

Podemos esperar uma visita dos Anomally ao continente para algumas actuações?

Existe uma enorme vontade da nossa parte em actuar no continente, mas como podes imaginar torna-se extremamente complicado para nós suportar todos os custos que acarreta uma actuação fora da nossa ilha. De qualquer maneira estamos dispostos e seria um grande prazer para nós poder actuar no continente. Os objectivos da banda no ano transacto foram praticamente todos realizados, para este ano faz parte dos nossos planos pelo menos uma actuação no continente, uma em S. Miguel e claro está uma gravação em estúdio profissional. Tendo em conta que recentemente foi-nos feita uma proposta por parte de uma agência em que um dos pontos seria organizar alguns concertos no continente pode ser que esse objectivo seja cumprido. No entanto não é nossa politica actuar em determinado sitio sem que antes haja uma acção de divulgação, por essa razão pretendemos primeiro apostar um pouco na divulgação da banda pelo continente pois temos noção de que são poucos os apreciadores de Metal que nos conheçam, no entanto se eventualmente surgir essa oportunidade obviamente não a poderemos recusar, falta só mesmo é alguém que mostre interesse e que apresente uma proposta para que nós actuemos no continente.

Últimas linhas…

Queria agradecer o facto de nos ter sido dada esta oportunidade para apresentar e divulgar uma banda desconhecida pela grande maioria e já agora sugiro que dêem uma vista de olhos no nosso site oficial
www.anomally.com e ainda no site www.myspace.com/theanomally e estejam atentos pois dentro em breve serão colocados novos temas online.

sexta-feira, março 02, 2007

em entrevista...GREEN MACHINE

Da irreverência do rock'n'roll à alma da soul, os portugueses Green Machine afiguram-se como um cocktail explosivo e electrizante que tem em «Themes for the Hidebounds» - o disco editado no final de 2006 - a perfeita materialização. O Opuskulo não quis passar ao lado desta original e interessante proposta e partiu à conversa com a banda.




A pergunta que se impõe: Quem é Sonhouse?

O Sunhouse é um Bluesman dos antiguinhos e que nos influencia desde sempre.

Como estão a correr as coisas com «Themes for the Hidebounds»? Pelo que tenho lido as críticas ao disco têm sido díspares…

Com o disco tem corrido bem, é verdade que temos tido criticas muito diversificadas em relação ao disco, mas mesmo assim estamos contentes com o resultado. E até agora o disco tem dado muitos frutos, isso dá para ver no numero de pessoas que tem aparecido nos concertos.

Apesar de se terem formado em 1999, apenas em 2005 se começou a ouvir falar de Green Machine. O que andaram fazer durante esses anos?

Foi uma banda sem orientação e que andava um bocado perdida, mas com a entrada de dois novos elementos, o baterista (Pedro Oliveira) e o baixista (Ângelo Sousa) a banda teve uma viragem natural, começou a pensar de uma maneira mais séria e mais organizada. Basicamente despertamos por completo para isto.

Do que é composta a vossa sonoridade? Irreverência e energia estão claramente presentes…

Blues, rock’n’roll, garage, soul e musica negra entre muitas outras coisas, todos temos influências completamente diferentes e tudo misturado dá a nossa este resultado final. Nos concertos tentamos transmitir toda a energia da música daí eles sejam um bocado libertinos e irreverentes.

Vão buscar claras influências à música negra. Não deixa de ser uma influência algo estranha a uma banda portuguesa…

Acabamos por ser um bocado reflexo daquilo que conhecemos e que ouvimos independentemente de parecer estranho, é um tipo de sonoridade que nos agrada e que gostamos de fazer. E penso que nos vamos continuar a orientar por esse campos, mas o futuro só ao Sunhouse diz respeito.

Uma questão básica mas que me suscita alguma curiosidade: Porquê Green Machine?

É um nome com fonética simples e que transmite a energia maquinal que os concertos têm adquirido.

Contam já com alguns concertos dados por Espanha. Acham que as fronteiras estão finalmente a abrir-se para a música portuguesa ou parte tudo do trabalho de cada banda?

Não sabemos se as fronteiras se estão a abrir, mas estamos certos de que estamos a abrir as nossas fronteiras, ou pelo menos temos feito por isso. Temos tido algum espírito de sacrifício/aventureiro que nos tem levado a dar alguns concertos fora do país e gostamos da maneira como temos encarado tudo isso e vamos certamente continuar assim.

O movimento alternativo português vive um momento particularmente interessante. Muitas e boas bandas têm por aí aparecido. Concordam? Achas que lá fora já se começa a falar na “cena” portuguesa?

Não sei, sei que pelo menos em Portugal se tem notado uma crescente afirmação das bandas nacionais e, depois de um período de marasmo que foi entre 2000/2005 em que havia poucos locais para se tocar, já se começa a despertar para um nova realidade e a encarar a musica portuguesa como uma mais valia para a nossa cultura. Existem realmente, e a nosso ver, bandas nacionais com tanta ou maior qualidade que aqueles que consideramos os grandes nomes da música mundial, destaco por exemplo os Dead Combo (entre outras).

O que podemos esperar desse lado nos próximos tempos?

Concertos, muitos concertos! E quem sabe um disco no final do ano. Mas sem grandes compromissos.

Últimas palavras…

Apareçam nos concertos, é aí que gostamos de ver as pessoas.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

em entrevista...ANTIMATTER

Senhores de uma discreta mas brilhante carreira, os britânicos ANTIMATTER orgulham-se de ter no seu catálogo discos de uma sensibilidade à flor da pele e de uma melancolia envolvente capaz de arrepiar o mais insensível dos seres humanos. Numa entrevista exclusiva gentilmente cedida ao Opuskulo, um simpático Mick Moss – cérebro da banda – adiantou-nos alguns detalhes relativamente ao quarto disco da banda a editar brevemente e segredou-nos alguns dos seus desejos e dificuldades com que esta excelente banda estranhamente se tem deparado. Em directo e em exclusivo….ANTIMATTER


O que nos podes adiantar acerca do próximo álbum de Antimatter?

Bem, o álbum irá chamar-se «Leaving Éden» e será editado no próximo dia 13 de Abril. Reúne uma série de canções que há muito andavam na minha mente e que se não as realizasse finalmente daria em louco. Sinto-me muito sortudo por poder exprimir os meus sentimentos e ideias através da música e deixar isso registado para sempre. Espero que o possa continuar a fazer por muitos anos.

Em termos de sonoridade segue a mesma linha que o anterior disco ou há mudanças significativas?

Sim, há enormes mudanças relativamente ao último álbum. «Planetary Confinement» foi um trabalho muito agradável de realizar e é um disco que me orgulha imenso. Partiu de uma ideia muito inteligente do Duncan de realizar um disco baseado apenas em sonoridades acústicas, mas na altura de escrever este novo disco resolvi desenvolver ideias muito diferentes sobre aquilo que eu desejaria obter de um novo álbum.

Podemos esperar algumas surpresas, como por exemplo músicos convidados ou algo do género?

O line-up é praticamente o mesmo do álbum anterior. Como convidados temos o Danny de Anathema que contribuiu com algumas partes de guitarra.




Na tua opinião, porque achas que os Antimatter ainda não alcançaram a popularidade de uns Anathema? Acabam por ser uma sonoridade muito semelhante…

Desde a sua génese que os Anathema fizeram imensos concertos e digressões, e isso é muito importante na construção de uma carreira e na constituição de uma sólida base de fãs. Eu também desejo fazer digressões com os Antimatter, mas as coisas não se têm proporcionado dessa forma. Conseguimos apenas fazer algumas digressões esporádicas mas nada que se assemelhe a ter a banda como o nosso emprego a full-time.

Penso que nunca fizeram uma digressão europeia digna desse nome…

Nós tocámos onde e quando achámos que seria indicado. De facto, em 2003 tivemos um ano muito activo em termos de concertos, mas isso não encaixava sequer com aquilo que eu e o Duncan queríamos para a banda na altura, o que nos levou a tocar de forma mais esporádica. Desde que o Duncan saiu da banda que eu tento retomar uma actividade mais regular ao vivo, tenho recebido convites e alguns são mesmo impossíveis de recusar. Já recusámos participar em digressões que nos dariam uma enorme exposição, quer seja por assuntos pessoais, profissionais, etc.. Gostaria de estar numa posição na qual pudesse aceitar todos os convites que nos surgissem.




Há a perspectiva de algum dia vos vermos a tocar em Portugal?

Não te consigo dizer. Tenho feito algumas datas acústicas com o Danny Cavanagh e o Sean Jude…pode ser que consigamos agendar alguma coisa para Portugal…seria óptimo!

A música de Antimatter é especialmente triste e melancólica. Que influências vos assaltam para a obtenção desse resultado?

Penso que só o facto de escrever sobre assuntos muito pessoais acaba por tornar as letras mais emotivas. Muitas situações pessoais acabam por fazer um outro sentido quando as transponho para um verso ou um refrão.

O que podemos esperar dos Antimatter nos próximos meses?

Bem, neste momento estou a preparar um vídeo com trechos das sessões de gravação de «Leaving Éden» para colocar no Youtube. Estou também a reunir esforços no sentido arranjar um line up para me acompanhar ao vivo, o que é sempre algo complicado de se concretizar. Em breve estará também disponível um tema de apresentação do novo disco em www.antimatteronline.com ouwww.myspace.com/antimatterband.

terça-feira, janeiro 30, 2007

em entrevista...GOD

Banda única no panorama de peso nacional ( e porque não internacional) os GOD foram uma das sensações do ano 2006 muito por culpa do seu mais recente EP, «Hell & Heaven». Tendo uma carreira já consolidada no seu país de origem, a Roménia, os irmãos Lăpuşneanu ( cérebros do projecto) rumaram a Portugal e reergueram a banda em terras lusas. Foi sobre este começar de novo e sobre o que os espera para um futuro próximo que partimos para a conversa com Castor, vocalista da banda.
Como estão a correr as coisas com Hell & Heaven? Satisfeitos com as reacções e o resultado final?

Posso dizer com a mão no coração que até agora estamos globalmente satisfeitos com o novo EP Hell & Heaven (claro que há coisas que podiam sair sempre melhor!). Temos recebido um feedback muito positivo com reacções muito boas de todos os que ouviram este trabalho e de vários países, tais como da Roménia, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Rússia, Grécia, Itália, Espanha, Áustria, Letónia...entre outros. Para todos que ainda não ouviram o nosso EP vou fazer um convite para visitar os próximos links:
www.khaeotica.com/GOD_HellHeaven ( Para ouvir o EP Hell & Heaven na totalidade!!!)
www.god-band.pt.vu (O site oficial da banda)
www.myspace.com/godthehorde (O site da banda no Myspace)
O novo EP GOD – Hell & Heaven pode ser encomendado por e-mail:
mailorder@khaeotica-productions.com ou godro@excite.com

Hell & Heaven reflecte dois pólos opostos. Significa, de certa forma, a multiplicidade de sonoridades que encontramos na vossa música?

Sim, sem duvida. O nome do EP reflecte dois pólos opostos, duas palavras muito usadas, muito fortes e com muito significado. Escolhemos este nome porque queríamos transmitir uma mensagem... o “inferno” pelo qual nós passámos nos últimos anos (mas sem perder a fé, sem parar de lutar e acreditar sempre que com a ajuda dos deuses podemos sair vitoriosos numa nova terra longe da casa, das nossas raízes mas ainda com o sangue dos nossos antepassados nas veias!). Actualmente estamos satisfeitos com a “ressurreição, a vida depois de um longo sonho de morte”!!! Claro que em termos musicais também podemos falar das diversas sonoridades que se encontram no nosso estilo musical, muito melódico e épico alternando com passagens brutais de Death & Black Metal, nuances Góticas e atmosféricas...Todo o nosso som todo é cheio da energia, e da raiva guerreira dos Deuses!!!

Têm uma forte componente Folk na vossa música. Essa influência advém das vossas raízes romenas ou já incorporam alguns elementos das tradições portuguesas?

Sim, os elementos Folk estão bastante presentes na nossa musica e vão ser ainda mais utilizadas para o próximo álbum, Forefathers. Até agora baseavam-se nas nossas origens romenas, mas tentamos pelo menos com letras em português em algumas musicas dar um ambiente lusitano...

Quando chegaram a Portugal traziam já um background enquanto banda iniciada na Roménia. Foi fácil dar continuidade à banda no nosso país?

Sim, desde 1994 quando fizemos os GOD na Romenia passaram muitos anos que marcaram a banda e fizeram da banda (antes de vir para Portugal) um estatuto de “banda cult” (fomos a banda mais popular em termos de concertos e também a banda romena que obteve mais sucesso desde sempre, só atrás dos Negura Bunget!). Esse estatuto acabou por ajudar o nosso início aqui, mas não foi nada fácil. Tivémos de lutar, de acreditar e de ficar firmes em decisões... não sei se podia fazer isso mais uma vez (crescer outra vez quase do nada!) só de pensar em todas as dificuldades que enfrentámos!!!
O crescimento da banda esteve na base da vossa decisão de se fixarem em Portugal?

Com certeza, tudo dependia disso. Queremos lutar e levar a banda o mais longe na cena underground portuguesa!

Comparando a cena romena com a portuguesa, que diferenças mais flagrantes apontas?

Mmm... acho que na Roménia as bandas dispõem de mais apoio do publico, os fans compram os álbuns e t-shirts das bandas, vão a muitos concertos (tivémos festivais onde tocámos com GOD para mais de 1000 pessoas, coisa que aqui não se vê muito!). E o que é mais importante é que lá as bandas recebem dinheiro por cada concerto, depois também descontam os custos do transporte, têm direito a quartos em hotéis, alimentação, bebida...Acaba por ser muito melhor para as bandas, para o publico e para todos que estão envolvidos na cena Metal!

O facto de estarem numa editora alemã poderá abrir-vos algumas portas na Europa. Como estão a correr as coisas a nível da exposição internacional?

Claro, uma editora da Alemanha é uma editora da Alemanha, mesmo sendo uma editora pequena. Lá é que há movimento e lá é que se dá a grande batalha (vamos lembrar os MOONSPELL quando foram assinar na Alemanha!!!)... Até agora tudo está a andar muito bem, com muito boas criticas em revistas, webzines, radios... (foram 300 CDs promos enviados para todo o mundo ate agora!)... O álbum já se vende bem (com distribuidoras na Roménia, Alemanha, Áustria e Suiça) e aqui em Portugal ainda estamos à procura de distribuidores…

Conceptualmente julgo que os vossos temas baseiam-se em contos ancestrais. Estarei certo? Podes elucidar-nos melhor quanto a isso?

O conceito das nossas letras é sobre a mitologia antiga do povo Dacio, “o melhor povo dos Tracios” (como foi descrito por Herodot há mais de 2000 anos atrás). As tradições, a espiritualidade e o folclore dos nossos antepassados vivem na música dos GOD! Por outro lado, trata-se de uma guerra de cada dia que nós tivemos de travar desde que deixámos a nossa terra, as nossas famílias, amigos... somos guerreiros que lutamos há muitos anos e que agora estamos a travar outras batalhas em terras (prometidas?) novas!!!

Em termos de concertos, está alguma coisa planeada para breve? Não é frequente ver os GOD em cartazes. A que se deve essa fraca actividade ao vivo?

No inicio do próximo ano já temos algumas datas (por confirmar) marcadas em clubes como: Freiras Bar, In Live Cafe, ambas na Moita, e algumas aqui no Barreiro... Não sei bem, é possível que os organizadores dos concertos não estejam a apostar em nós (não deves esquecer que não é fácil crescer assim do nada como nos, uma banda desconhecida de um pais longíquo ,etc...)

O que podemos esperar de vós a curto/médio prazo?

Estamos a preparar uma “grande ofensiva” para 2007: uma tour em Portugal por volta dos meses de Março e Abril (juntos com os Opus Draconis) e também já temos marcadas a tour na Roménia em Outubro de 2007 (muitas datas por toda a Roménia que durará duas semanas seguidas e que inclui também uma participação como cabeça de cartaz num grande festival da capital romena, o “Bucharest Metal Nights”!!!)

Últimas palavras…

Tentamos trazer algo de novo para a cena de metal portuguesa (com muito boas bandas, mas um pouco mais limitada quando falamos dos estilos musicais!) na esperança de podermos mudar algumas coisas. Devido ao nosso estilo musical muito próprio e à nossa imagem em palco (cotas de malha que cobrem os nossos corpos, tatuagens que nos cobrem os braços e as pernas e outros acessórios como espadas, um grande martelo de madeira que também serve como suporte para o microfone, escudos, bandeiras pintadas com símbolos bárbaros, cornos por onde nos bebemos o Hydromel ou cerveja, etc.) tentamos melhorar a imagem de Portugal além-fronteiras. “Nao podemos esquecer as tradiçoes, as raizes e o sangue dos nossos antepassados... Fell the Barbarian Spirit!!!”
Contactos:
Webpage: www.god-band.pt.vu
Label: www.khaeotica-productions.com
Promo: www.khaeotica.com/GOD_HellHeaven
MySpace: www.myspace.com/godthehorde
YouTube: www.youtube.com/profile?user=GODband
LastFM: www.last.fm/music/god
E-mail: godthehorde@googlemail.com