quarta-feira, janeiro 28, 2009

em entrevista...CRYSTALLINE DARKNESS

De forma discreta mas extremamente sólida, parece estar a emergir em Portugal uma nova vertente da música extrema que tanto deve ao black metal como ao funeral doom, tudo envolto numa profunda angústia e palpável desespero do qual emana uma certa portugalidade. De entre os vários nomes que têm vindo a apresentar trabalhos bastante interessantes dentro deste espectro nos últimos meses, os CRYSTALLINE DARKNESS são um dos mais interessantes. A banda liderada por Demoniac mostra na estreia «Melancólica Nostalgia» uma apurada sensibilidade no momento de transformar em música todo um rol de sentimentos que o músico nos ajudou a descobrir na entrevista gentilmente cedida ao Opuskulo. Aqui fica o resultado.



quinta-feira, janeiro 08, 2009

em entrevista...THERIOMORPHIC

Referência incontornável do panorama death metal português, os THERIOMORPHIC chegam ao sempre complicado segundo álbum com uma vitalidade e força invejáveis. «The Beast Brigade» apresenta-se como um disco mais negro comparativamente à estreia «Enter the Mighty Theriomorphic» sem, no entanto, perder em qualidade e tenacidade. Jó, o eterno líder da banda e uma figura emblemática do nosso underground, continua às rédeas desta besta de peso, melodia e agressividade, revelando-se igualmente um afável interlocutor com o qual o Opuskulo tem o máximo prazer partilhar algumas ideias.
«The Beast Brigade» surge como um todo mais negro e obscuro quando comparado com o vosso álbum de estreia. Concordas? Alguma razão especial para isso?
Concordo, mas é algo que surgiu naturalmente. Tanto em termos de letras, como de música, aquilo que vivemos e o que nos rodeia têm a sua influência, porque a música é uma forma de libertarmos o que vai dentro de nós. Vivemos tempos difíceis e isso fez com que o álbum saísse assim. Também a parte gráfica contribuiu para isso, penso eu. As ilustrações dão uma obscuridade que não se sentiria só com a música. Desta vez, houve um acompanhamento maior nesse aspecto, porque fui trocando ideias com o Micky e explicando o que pretendia. Ele já gostava de Theriomorphic e apresentou a sua visão das criaturas do primeiro álbum. Enviei-lhe algumas letras, inicialmente, para ele fazer os primeiros esboços e depois os temas, quando já estavam gravados, e ele fez algumas das ilustrações depois de já conhecer a música. No final, acho que foi uma excelente combinação.

Contam com alguns convidados neste disco. Podes elucidar-nos melhor da importância dessas participações?

Estávamos a preparar temas para o álbum com o Cláudio, quando, a dada altura, tivemos que pensar em sair do local onde ensaiávamos, e onde ele já tocava antes com os Sannedrin. As coisas não estavam a funcionar bem, devido à disponibilidade de cada um e à distância a que a maior parte de nós estava. Como ele tinha despesas com aquele local e era complicado estar a pagar outro, esteve para sair da banda. Concordou em gravar o álbum, que tinha mesmo que avançar, para não estarmos a perder meses recomeçando tudo com outra pessoa. Dois dos temas, “Dark Sky Above” e “The Necroid”, já tocávamos desde 2005 e, quando ele entrou, a preocupação maior foi com temas ainda incompletos, ou que estavam a sofrer pequenas adaptações, e esses dois foram ficando de parte. Até à gravação também não conseguimos arranjar forma de ele os aprender. Como seria trabalhoso e moroso fazê-lo na altura de gravar, lembrámo-nos de convidar o Sid para os gravar. Foram os primeiros temas que escrevemos com ele. O primeiro álbum estava composto, excepto os solos e alguns arranjos da sua autoria, e sabíamos que ele gostaria de deixar algo em que tivesse participado criativamente. “A Final Journey” é um tema mais antigo que não tocávamos desde 2001, ou coisa parecida. Nesse caso, nem o Sid o sabia tocar. O Zé era para gravar as guitarras todas, mas lembrámo-nos de convidar o Hugo, o nosso produtor e um óptimo guitarrista, para o gravar e ainda mais dois leads, noutros dois temas gravados com o Cláudio. O Hugo tinha-se disponibilizado para gravar guitarras, caso o Cláudio não participasse na gravação, e foi uma forma de ele também deixar o seu cunho neste álbum. No fundo, éramos 3 membros naquela altura, e o próprio Cláudio também era praticamente um convidado, havia essa liberdade de convidar quem quiséssemos. Foi uma forma de simplificar o processo de gravação, porque o prazo era relativamente curto, mas também de agradecer ao Sid e ao Hugo por aquilo que já tinham feito por nós. Em relação a vozes, “A Final Journey” era um tema para o qual sempre tive uma pessoa em mente, desde há anos, mas acabou por não ser possível fazê-lo naquela altura. O W, dos Decayed, é um velho amigo, já se tinha falado em ele participar num tema, em concerto, e lembrei-me de o convidar. O Paulo, dos Shadowsphere, tinha estado a assistir a um ensaio, onde ainda fez umas vozes, por brincadeira, e o André sugeriu que ele participasse num tema do álbum, que acabou por ser “Flesh Denied”. Há outros dois temas em que participam ambos, mas são apenas 4 ou 5 palavras em cada, com as vozes deles em simultâneo. Tinha até mais umas ideias para vozes mas, com a rapidez com tudo teve que ser feito, acabámos por não ter tempo de pensar melhor nisso.

De que forma as mudanças de formação verificadas ao longo destes últimos dois anos influenciaram o resultado final deste novo disco? Há uma efectiva participação dos restantes elementos no processo de composição dos Theriomorphic?

No que toca ao resultado final, todos acabam por ter a sua influência, obviamente. O André, como baterista, não participa propriamente com riffs, embora haja um tema neste álbum em que um riff surgiu de uma parte de bateria, mas ajuda a moldar e estruturar os temas. Normalmente, trabalhamos os temas em conjunto, a partir de riffs isolados que vão surgindo a um ou outro membro. Eu tenho alguns riffs que me vão surgindo e o Zé, como sempre, contribui com grande parte das ideias. A maior parte dos temas foram feitos com o Sid ainda na banda, há alguns riffs dele e algumas partes mais orientadas para solos relativamente longos. Noutros, o Cláudio já participou e há temas com riffs de ambos, que estavam incompletos quando ele se juntou a nós. Aliás, a participação dele foi fundamental para completar esses temas, porque estávamos a ter alguma dificuldade em fazê-lo. O Sid tinha gostos muito diferentes e, se por um lado isso nos permitiu ter alguns resultados excelentes, por outro, também havia uma certa dificuldade em se encontrar o ponto de equilíbrio entre os gostos de todos. Sempre nos habituámos a ter uma maior sintonia na composição e era frequente fazer-se um tema em um ou dois ensaios, a partir de uma ideia que surgia. Com o Cláudio, senti que voltou a haver esse tipo de entrosamento em termos de gostos e as coisas pareceram voltar a sair mais fácil e espontaneamente. Durante as gravações, ele manifestou vontade de continuar a trabalhar connosco e de se tentar encontrar uma forma de conjugarmos os ensaios, e, embora já tivéssemos começado a abordar outros guitarristas, a sua permanência fazia todo o sentido. Vamos ver o que vem aí, já que acabámos por não compor ainda muita coisa com ele.

Apesar do sucesso do primeiro disco não surgem vinculados a nenhuma editora com alguma dimensão. Foi mera opção da banda ou simplesmente não surgiu qualquer oportunidade?

Opção, não foi. Sou eu que acabo por tratar de tudo o que envolve a banda e, como o tempo e a cabeça não dão para mais, é difícil andar em contacto com editoras. Tentámos algumas, mas com a dificuldade crescente que há em investir em CDs, e a quantidade de bandas que surgem de todos os lados, não é fácil. Acabou por surgir a possibilidade desta edição e resolvi avançar, para não estarmos indefinidamente à espera de algo melhor, que poderia nem aparecer, ou levar mais alguns meses.

Há algum plano para uma edição internacional do disco? Que reacções vos chegam lá de fora?



Para já, ainda não há planos. Gostaria, pelo menos, de conseguir alguém interessado em editar este ou o primeiro álbum em vinil. As reacções de fora, neste momento, ainda só são relativas ao “Enter The Mighty Theriomorphic”, estou a enviar algum material e a negociar umas trocas com alguma editoras, dentro das minhas limitações, mas as críticas ainda não começaram a aparecer. Penso que em breve haverá uma divulgação mais intensa, com alguma ajuda que devo ter. Só então poderei comentar. Se forem reacções tão boas como algumas relativas ao anterior, será óptimo.

Voltam a trabalhar com o Hugo Camarinha na produção. É um voto de confiança em mais um produtor português, o que não deixa de ser importante…
Sim, é um bom profissional e um velho amigo, o que para nós foi fundamental. Acho que deveria haver mais gente a pensar em trabalhar com ele. Vale a pena, não só pela qualidade do resultado, mas pelo rigor que impõe. E isso sobressai, não só nos nossos álbuns, mas também nos dois últimos de Decayed, no de Bleeding Display e, mais recentemente, nos EPs de Undersave e Sannedrin. Está na moda gravar com o Daniel Cardoso, que é um excelente produtor e por quem tenho grande estima, mas penso que algumas bandas vão mais à procura do nome dele, para ostentar na publicidade, tipo selo de garantia, do que daquilo que realmente pretendem ter, em termos de sonoridade e identidade. Acabam por não se aperceber que há outros bons profissionais cá em Portugal, com quem se pode obter um resultado com qualidade superior e sem o risco de se repetir o que já aconteceu antes noutros estúdios, em que começam a surgir várias bandas com produções semelhantes, porque, por vezes, elas próprias não têm uma ideia bem definida de como querem soar.

Em termos de conceito por onde se move «The Beast Brigade»?

Pelos mesmos trilhos que toda a música que fazemos. Há uma certa ligação entre os três primeiros temas do álbum, “Rise Of The Theriomorphic”, “Dark Sky Above” e “The Beast Brigade (part I)”, que também estão relacionados com a própria banda, em certo aspectos. No entanto, isso surgiu naturalmente nas alturas em que foram compostos, não houve qualquer intencionalidade. Na altura de definir o alinhamento é que se tornou mais óbvio que deveria haver uma sequência com eles. A haver um conceito, é proveniente de uma mesma forma de ver o mundo que nos rodeia, por isso há sempre uma certa relação entre todos os temas, não só os deste álbum e do primeiro, mas também todos os outros que fizémos e os que ainda faremos.

Quem compõe a «Beast Brigade»?

Eu, ou tu, ou todos aqueles que se identifiquem com ela, de alguma forma. Acaba por ser um seguimento do tema “Theriomorphic”, do primeiro disco, onde se exalta a existência do Homem como produto de uma evolução e não de uma criação divina. É o Homem sem deuses ou religiões, livre de preconceitos, com o (perigoso) poder de decidir o seu destino e, até, o do nosso planeta e de todos os outros seres vivos.

Como encaras o actual estado do movimento underground português? Achas que finalmente estão reunidas as condições para que as bandas portuguesas evoluam em termos de reconhecimento e de qualidade?

Acho que ainda não, sinceramente. Parte tudo da necessidade de haver um verdadeiro movimento em que as bandas se apoiem umas às outras, remando no mesmo sentido. Há sempre bandas que têm problemas com outras, seja por não tocarem o mesmo género, ou porque não se gosta do que determinada banda toca, ou por questões mesmo mesquinhas, em que é mais fácil dizerem todos mal uns dos outros sem perceberem que, na verdade, isso nem é benéfico para eles mesmos. Enquanto não houver a noção de que tem que haver um respeito e um interesse comuns, não sairemos do mesmo buraco onde estamos há anos. É um facto que a nossa posição geográfica e a falta de apoios neste país são grandes obstáculos, mas julgo que um esforço conjunto poderia fazer muito por mudar o rumo das coisas. Simplesmente, ninguém está verdadeiramente interessado em lutar por essa mudança. As poucas bandas que se conseguem alhear disso e conseguem lançar por editoras lá de fora, continuam a ser casos esporádicos, nada que indique que realmente haja um despertar de atenções para o bom Metal que se faz em Portugal. Se virmos, que apesar das várias iniciativas por todo o país, é sempre uma festa quando se tem mais de 50 ou 100 pessoas a ver um concerto, mesmo com algumas bandas estrangeiras, e que quando vêm cá os Metallica saem milhares da toca, incluindo os que não gostam deles, facilmente se percebe que não há, de facto, um movimento digno desse nome. Quando se vê que bandas portuguesas, abrindo ou não concertos de bandas estrangeiras, tocam para salas praticamente vazias porque para muita gente o que realmente importa é o preço e a quantidade de cerveja que se bebe, mais se percebe que realmente estamos muito longe de lá chegar.
Funcionando como uma contra corrente ao advento tecnológico que a Internet possibilitou, começa a sentir-se um certo regresso a formatos tradicionais como a demo tape ou o vinil. Sentes isso? Qual a tua opinião? Como encaras a relação Internet/Música/Underground?


É uma relação um pouco perigosa. Claro que poderá ser um instrumento muito útil de divulgação, quando usado de forma responsável. O que se nota é que, para muita gente, é apenas uma forma de sugar quantidades enormes de álbuns à borla, e poucos percebem que também é preciso contribuir para que as bandas e editoras tenham condições de continuar a gravar e editar. No concerto de apresentação, vendemos 11 discos. No dia seguinte, sem haver ainda a possibilidade de se encontrar o disco à venda sem ser através de nós, e sem ter havido cópias promocionais que alguém pudesse ter disponibilizado na Internet, o álbum estava em vários blogs, com links para download, inclusivé da Rússia, Chile e outros países do género. Atendendo a que lá constavam links para o site ou o myspace da banda, poderia haver quem facilmente nos contactasse para adquirir o CD, se o quisesse, mas o facto é que os únicos contactos foram de pessoas que já conheciam a banda anteriormente e que já aguardavam pela edição para o poderem comprar. O espertalhão ou espertalhões que espalharam o álbum, sem o nosso conhecimento ou consentimento, poderão aliviar as suas consciências dizendo que agora o nosso reconhecimento lá fora será muito maior, mas eu não sinto grande orgulho em saber que esse “reconhecimento” se traduz em alguns megabytes de espaço em disco ocupados em vários computadores, mundo fora, quando grande parte das pessoas provavelmente nunca o ouviu, alguns ouviram um ou dois temas sem prestar qualquer atenção e só muito poucos podem realmente dizer que conhecem o álbum. E desses poucos, nenhuns manifestaram interesse em saber como adquirir uma cópia original, até agora, por isso continuo a preferir aqueles que o compraram, alguns praticamente sem o terem ouvido, do que os que ouvem sem o comprar. Há quem tente comparar com o tape-trading que se fazia há uns anos, mas nessa altura, havia investimento nas cassetes, nos portes de correio, e quando se conseguia encontrar os discos originais fazia-se o possível para os comprar. E acho que havia maior preocupação em se ouvir e em conhecer as bandas. Agora, até isso é cada vez menor, interessa é sacar tudo e mais alguma coisa, sem se ouvir ou conhecer quase nada. Por isso é que as bandas dão importância ao merchandise, ao vinil e às cassetes. Porque não se podem sacar de borla da net. Mesmo no caso das cassetes e do vinil, que se podem passar para mp3, é algo que requer mais trabalho, mais tempo e nem todos o sabem fazer, logo, não se espalha tão facilmente. Eu também já tinha pensado em editar o álbum em vinil e cassete, sem ser tanto por causa desta questão da Internet, mas mais porque são formatos menos vulgares e que para algumas pessoas ainda despertam interesse, principalmente por coleccionismo. Enquanto não havia previsões para a edição em CD, pareceu-me ser uma forma interessante de lançar o álbum e eventualmente chegar a algumas pessoas a quem o CD poderá passar ao lado. A edição em cassete concretizou-se através da Praise Unholy Records, como lançamento de estreia da editora. Apesar de não ser uma edição profissional, tem os temas todos e é mais barata, por isso também desperta algum interesse. Até houve quem comprasse as duas versões, em CD e cassete. Também estou a pensar numa edição do primeiro álbum em cassete, vamos ver se isso acontece para breve...

Quais os planos para os Theriomorphic a curto prazo? Digressão nacional?
Uma digressão, é sempre algo subjectivo. Na prática, acabam por ser vários concertos isolados, porque também não há condições para se fazer uma verdadeira digressão. O que acontece é que, quando alguns desses concertos calham em datas mais próximas, o alinhamento dos temas mantém-se ou não sofre grandes alterações. Nem sequer são concertos planeados em conjunto, vão surgindo convites e, dentro da disponibilidade de todos, vamos aceitando os que se justificam ou quando pensamos ter condições para fazer algo bem feito. Por agora, estamos a tentar aproveitar essas oportunidades, visto que estivemos bastante tempo sem dar concertos, primeiro, para podermos acabar de escrever e gravar o álbum e, depois, para não tocarmos sem haver uma ideia de quando ele poderia estar editado. Não faria muito sentido darmos concertos sem essa edição e, relativamente pouco tempo depois, voltarmos a tocar nos mesmos locais, para o divulgar. Tendo em conta que o álbum já foi gravado há um ano, talvez seja altura de também pensarmos em começar a preparar o próximo, até porque isso não é coisa que se faça em apenas 2 ou 3 meses. Não tem havido oportunidade, porque acabamos por andar sempre todos um pouco ocupados com diversas coisas, mas já tenho algumas ideias em relação ao que gostaria de fazer e, também, alguns títulos e riffs em mente.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

em entrevista...CRONAXIA


Banda com largos anos de carreira no panorama de peso nacional, os CRONAXIA só agora editam o seu EP de estreia, «The Solution Above Continuity», uma demonstração de peso e técnica, resultando num dos trabalhos mais interessantes ao nível do death metal brutal e complexo "made in Portugal". O Opuskulo chegou à fala com a banda e fica aqui o resultado.

É caso para dizer finalmente! O que vos ocorre ao verem o primeiro trabalho de Cronaxia editado após mais de dez anos de carreira?

Vitória! Faça às adversidades que a banda passou, sabe bem termos o nosso primeiro trabalho gravado, após 11 anos de trabalho e mudanças de formação, compensou termos persistido até aos dias de hoje e termos finalmente uma amostra do que temos vindo a fazer ao longo dos anos.

Apesar de contarem já com uma carreira longa, os Cronaxia têm vindo a passar um pouco ao lado da cena de peso nacional. Encontras alguma razão concreta para isso?

Sim, é verdade, as razões principais têm a ver com alguns problemas pessoais e problemas de formação a nível de baixista e vocalista. Álem disso também demorou algum tempo a compor os nossos temas e a executá-los de forma coesa para apresentar tanto em gravação como ao vivo.

Como está a ser recebido «The Solution Above Continuity»?

Apesar do ainda recente lançamento do nosso EP, temos tido já algum feedback, tanto da parte da imprensa, de entidades relacionadas com eventos como de ouvintes. As críticas têm sido tanto boas como menos boas. Estamos ainda na fase em que as críticas vão chegando aos poucos, e dentro de algum tempo já teremos uma melhor percepção da aceitação do nosso trabalho.

Desta vez é mesmo para continuar ou teremos de esperar mais dez anos para uma nova aparição dos Cronaxia?

Embora nunca tenhamos tocado regularmente ao vivo nem editado nada anteriormente, a banda nunca parou ao longo de todos estes anos, além dos temas que tocamos ao vivo continuamos a compor temas novos com intenção de gravar o nosso próximo registo em formato álbum.

Em termos de sonoridade baseiam-se no brutal death metal técnico e arrastado. Achas que o interesse em torno desse estilo tem vindo a esmorecer ao longo dos anos?

Sem dúvida, nós notamos que actualmente tem vindo a esmorecer um pouco o interesse neste estilo musical, e nós estamos a sentir um pouco isso, Temos um pouco a sensação que aparecemos na altura errada, mas contudo pensamos que tem a ver com uma questão de ciclos, o que não nos impede que sigamos o nosso caminho.


Em Portugal assistiu-se a um desaparecimento de inúmeras bandas que se movimentavam dentro desse género. Achas que relaciona-se tudo com uma questão de hypes sazonais?

Sim, como referimos anteriormente estamos a atravessar uma época em que este estilo musical não está nos melhores dias no nosso país, mas isso não significa que o panorama do Death Metal não melhore futuramente.

Em termos de imaginário parecem entrar pelo mundo da ficção científica. Podes elucidar-nos melhor acerca disso?

Em primeiro lugar é uma temática que nos agrada e achamos interessante incorporá-la na nossa música, o que nos proporciona uma grande margem de exploração a nível de temas. No que diz respeito a temas e em particular no nosso EP, abordamos a continuidade do tempo e a eternidade, bem como a evolução e manipulação da mente humana e também formas de perpetuar o legado cientifico e tecnológico das espécies.

Apesar de todas as facilidades que a Internet oferece, parece haver um interesse renovado em alimentar o movimento mais underground, reflectindo-se na compra de discos, demo tapes e vinis. Sentem isso em relação aos Cronaxia? O pessoal compra o vosso disco?

Como referimos anteriormente o nosso EP foi lançado recentemente, as vendas ainda não foram significativas, mas também apostamos mais na venda de discos nos nossos concertos.

O que podemos esperar dos Cronaxia em breve? Concertos, novo disco, editora…?

Os nossos planos para o futuro consistem em continuar a tocar ao vivo para promover o nosso recente lançamento, e estamos também a trabalhar em novas músicas e conceitos, que irão constar num futuro longa duração para o qual procuramos uma editora.

sábado, novembro 22, 2008

em entrevista...THE LAST OF THEM

Das cinzas de bandas tão distintas como Sonic Flower, In Dementia ou Downthroat nascem os THE LAST OF THEM que, segundo o nosso entrevistado, constituem o reduto do metal aveirense. «Slow Motion Chaos» é o EP de apresentação da banda sobre o qual já aqui falámos e que serve de mote para a conversa com o baterista PN.



Como está a ser recebido «Slow Motion Chaos»? Está a exceder as vossas expectativas?

Até agora, as críticas e opiniões que recebemos sobre o EP têm sido positivas e motivadoras, ainda que todo o trabalho de promoção não esteja concluído…em relação às nossas expectativas penso que correu tudo bem, até porque nós nunca chegámos a traçar nenhum objectivo concreto com este lançamento, serviu apenas para apresentar a banda e mostrar o trabalho que tinha sido desenvolvido até aqui.

Os The Last of Them têm na sua formação elementos de bandas tão díspares quanto os Sonic Flower, Downthroat ou InDementia. Como acabaram todos num projecto em comum?

Quase todos nós já éramos amigos ou conhecidos…Eu já tocava nos Downthroat quando me juntei ao Zé e ao Vitó nos Sonic Flower, após algumas alterações/experiências na formação acabaríamos por contactar o Rui e o Renan que faziam parte dos InDementia e que nós conhecíamos através do estúdio Covil em Águeda que é propriedade do Hugo e do Rui, onde na altura estávamos a começar as gravações do EP.

O vosso EP de estreia revela uma banda a explorar sonoridades distintas, desde o black metal ao thrashcore, passando pelo death metal. Esta foi uma opção consciente ou faz parte de uma procura de cimentar a vossa personalidade?

Foi consciente e nós já sabíamos que haveria questões sobre esse assunto…desta vez decidimos aproveitar todas as músicas/malhas que nós gostássemos independentemente de soar a heavy, thrash ou death …perguntámos a nós mesmos qual era o nosso “estilo” e a resposta foi ´metal´, então não haveria barreiras/limites nos estilos e sub-estilos que se fazem dentro do metal. Iremos soar sempre diferente de tema para tema desde o rock ao black passando pelo metalcore…um pouco de tudo, isto também devido aos mais variados gostos pessoais de cada membro dos The Last of Them.

Qual o significado da expressão The Last of Them como designação para a banda?

A ideia do nome surgiu numa conversa acerca do pessoal que se mantinha na “cena” há vários anos e aquele que por uma ou outra razão se tinha afastado do meio musical. Como nós somos dos poucos restantes que na nossa zona ainda anda aqui por amor à camisola e tal, falou-se, “ …somos os últimos a restar…” e foi mais ou menos daí que surgiu.

Estando já calejados pela vossa passagem em anteriores bandas, como encaram a evolução das sonoridades ligadas ao metal ao longo dos últimos anos? Acham que é agora mais fácil gravar e editar um registo digno?

A evolução é normal dentro de qualquer estilo, depois há este ou aquele estilo que acaba por ficar mais “na moda” e, ou começa a saturar devido há grande procura/oferta de bandas num determinado estilo de música…o que depois vem penalizar as boas bandas que por vezes são metidas no mesmo “saco” só porque tocam este ou aquele tipo de metal…Não se compara…hoje em dia conseguem-se fazer coisas que há uns anos atrás eram impensáveis…Desde material sofisticado a pessoal já especializado e com bons estúdios, hoje encontra-se tudo aqui à mão de semear!

Estão a trabalhar no sentido de fazer chegar o vosso trabalho além fronteiras ou esse ainda não é um objectivo premente da banda?

Por enquanto ainda não a 100%... já foram enviadas algumas cópias para editoras e zines estrangeiras mas a prioridade é darmo-nos a conhecer primeiro em Portugal…explorar o mercado nacional e ver-mos qual a reacção do público.

O tema «New Addiction» foi usado por uma produtora norte-americana nos créditos finais da série «War of the Dead Z.E.R.O.». Como se deu esse convite?

O convite surgiu através do myspace da banda…o Mike DiSario, que é o realizador da série ouviu o tema, disse que tinha gostado muito e perguntou se nós estávamos interessados em pôr o “New Addiction” nos créditos finais do episódio 2 da série…nós dissemos que sim!

Achas que o futuro do metal e da música em geral passa pela fusão de géneros? Estarão os géneros musicais ditos tradicionais condenados? Até que ponto poderá ir a procura de originalidade?


Acho que já não há muita opção nessas fusões de estilos…Ainda aparece de vez em quando uma ou outra banda inovadora mas é cada vez mais difícil ser original nos dias que correm…Condenados…penso que não, pelo menos a curto prazo…acho que ainda há muito público a gostar dos tradicionais em vez dos chamados modernos e inovadores. A procura não irá ter fim…agora até que ponto é que será uma originalidade com pés e cabeça para andar e vencer…isso não sabemos.

Já há planos para um álbum de estreia? O que podemos esperar?

Talvez para o ano… estamos a trabalhar em novos temas e queremos passar ao próximo passo…o álbum! Enquanto que no EP a grande maioria dos temas já tinham alguns anos e sofreram arranjos, o próximo trabalho será material mais recente e composto pela actual formação da banda. Vai haver sempre temas lentos, temas rápidos, uns mais melódicos outros mais brutais mas esse será sempre o fio condutor da banda…o “METAL”!!....

quinta-feira, novembro 13, 2008

em entrevista... DANIEL CARDOSO

Produtor e músico de créditos firmados no panorama metálico nacional, Daniel Cardoso surge associado a nomes como Sirius, Heavenwood, Head Control System, Oblique Rain, entre muitos outros. Perante a sua crescente importância no actual momento da música independente portuguesa quisémos falar sobre os seus projectos, visões e ambições.
O teu trabalho vem provar que é possível construir um nome e uma reputação em Portugal na área da produção. Concordas?

Não é inédito existir um nome sonante ou uma reputação na área da produção em Portugal. Creio no entanto que o meu nome e a minha reputação se estendem para fora dessa área. Para já aquilo que posso provar é que é possível fazer face à crise e ao caos da indústria musical actual se o trabalho que se apresenta for competente. Se estivéssemos há 10 anos atrás, os Ultrasoundstudios, com o nome que têm actualmente e o número de bandas com que temos trabalhado, já me teriam comprado um Porsche. Para já terei que esperar....

O que te levou a investir na área da produção e num estúdio próprio? Foi um investimento ganho?

Investi inicialmente como músico, ou seja, quis criar uma forma de poder exteriorizar a minha música da forma mais profissional possível sem ter que depender de ninguém. E o facto de ter uma margem de manobra financeira muito reduzida fez com que começasse com pouco e fosse ampliando gradualmente. Isso ensinou-me a obter os melhores resultados do mínimo material possível. Hoje em dia quem me diz "aquele estúdio tem material como o caraças" bem me pode dizer "esta cebola está podre" que para mim é igual. O material para mim é extremamente secundário. Produzi alguns trabalhos, que foram eventualmente editados, no meu próprio apartamento com quase nada. O reconhecimento que veio a partir daí fez-me investir num local dedicado com material melhor. Mas o rider técnico actual dos Ultrasoundstudios não impressiona ninguém. Quanto ao investimento, ainda o estou a pagar. Na verdade embora não pareça sou um péssimo gerente. Tenho muita tendência para a vida do rock n' roll...Não é fácil. Tenho mesmo que ser bom para ir aguentando o barco, é o que me vale.

Achas que a tendência das bandas em escolherem determinado produtor para trabalharem pode conhecer ciclos? Lembro-me por exemplo que a determinada altura inúmeras bandas recorriam ao Peter Tagtren, ao Mika Jussila ou ao Waldemar Sorychta, entre outros, e que de um momento para o outro deixaram de ser tão solicitados. Isso preocupa-te?

Sim, pode ser cíclico. Mas sou muito pragmático em relação a e isso e acho que o fim de um ciclo que determina que o estúdio da moda agora é o X é apenas consequência de Y estar a fazer um melhor ou mais actual trabalho. De certa forma terei pena se um dia aparecer alguém a fazer um trabalho melhor que o meu mas será apenas culpa ou incapacidade minha. O melhor que posso fazer, é continuar a garantir que faço o melhor.

Pretendes expandir o teu nome a nível internacional e atrair bandas ao nosso país para gravarem nos Ultrasound? Achas essa hipótese possível?

Esse processo de internacionalização já se iniciou no passado, essencialmente como músico. Em relação aos USS, tivemos este ano dois trabalhos para o estrangeiro, um para a Grécia outro para os Estados Unidos e vários pedidos de orçamento. É bem provável que vão surgindo mais. Projecção internacional não só é uma hipótese possível, como neste momento é uma realidade.

Quanto à tua actividade como músico, tens colaborado com várias bandas. Fazes realmente parte de alguma como elemento permanente?

Sim, faço parte Oblique Rain e, claro, de Head Control System. Sinto-me parte também de Heavenwood, embora não seja um membro oficial. Gosto muito do convívio, do ambiente e do som.

Qual o trabalho mais aliciante que te passou pelas mãos enquanto produtor? E enquanto músico?

Head Control System enquanto ambos.

Que bandas mais gostarias de produzir no teu estúdio? E com as quais sonhas tocar um dia?

Eu gosto de produzir tudo o que tiver qualidade. Mas gostava de trabalhar com mais estilos para além do metal. Além de ser extremamente didáctico é também bom para descansar os ouvidos de tanta pressão sonora. O mesmo diria como músico...Não sou um gajo do jazz, mas não me importava nada de fazer uma tour com algum artista pop bem mainstream. Só que estou tão enraizado neste submundo que não sei se iria respirar fora dele. Mas não tenho qualquer preconceito. Felizmente na música aquilo que não me compensar apenas pelo prazer, agora compensa-me financeiramente. É a vantagem ou desvantagem de ser um profissional do meio.



Achas que o Ultrasound veio um pouco ocupar o lugar dos Rec’n’Roll enquanto o principal estúdio de gravação de trabalhos ligados ao metal em Portugal?

Bem, eu cresci a ouvir falar no nome Rec n' Roll. Era um estúdio de referência na altura. Imaginar que dez anos depois possa haver miudos que cresçam a ver nos USS uma referência é animador. Espero não estar a ocupar o lugar de ninguém. Não estou aqui para competir com ninguém. estou aqui para fazer o melhor possível. Se isso for fazer melhor do que alguém, diria "azar".

Estás ligado ao metal português e à música alternativa em geral há largos anos. Como tens visto a sua evolução? É hoje mais fácil editar um disco e obter algum reconhecimento?

Não, hoje tudo é mais difícil. Seja editar ou fazer-se notar no meio do turbilhão de bandas que existem actualmente. Na indústria está tudo muito negro. Mas as bandas estão a evoluir. Isso noto claramente. Fui surpreendido pela qualidade com que alguns trabalhos me vieram parar ás mãos. Surpreendente também é ver grande parte dos álbuns Ultrasound a conseguirem contratos discográficos com boas editoras, incluindo algumas internacionalizações. Suponho que apesar de tudo estejamos a fazer um bom trabalho.

Como está a tua agenda enquanto produtor e músico para os próximos meses?

Está ocupada. É sinal que apesar da crise as pessoas procuram bons trabalhos, mesmo que tenham que arranjar forma de os pagar. Também não há espaço para falsas modéstias na minha agenda.

Não resisto em tocar no assunto Sirius. Sendo tu um dos principais mentores dessa banda, o que se passou realmente para um final tão abrupto? Ficou alguma frustração no sentido de que poderiam ter construído uma carreira respeitosa a nível internacional? Todos os indícios levavam a que isso acontecesse…

Pois, não te posso esclarecer muito acerca disso. Eu sai da banda antes do seu fim, portanto nem eu sei ao certo o que se passou. Mas diria que simplesmente as pessoas que ficaram não souberam gerir as suas carreiras e aquilo que me foi dado a conhecer é que os elementos foram saindo a conta-gotas, o que já não era um processo estranho dentro do seio da banda. Mesmo com todo o tipo de transições na minha vida, fui o único elemento de SiriuS que se manteve realmente activo ao longo dos tempos ou cuja carreira musical foi realmente ascendente. Houve também Re:aktor mas tanto a banda como o seu criador estão desaparecidos em combate.

A exemplo dos Heavenwood, existe a possibilidade de os Sirius regressarem com um novo disco?

Sim, pelo que percebi existe essa hipótese e fui eventualmente assediado nesse sentido por um dos elementos fundadores da banda. Mas se por um lado não é de todo impossível voltar a haver uma reunião de SiriuS, por outro lado dificilmente acontecerá comigo na banda. Estarei no entanto disponível para produzir o álbum ou ser contratado como membro de sessão. Há que dar currículo aos patrocinadores...

Julgo que os teus gostos musicais tenham mudado bastante ao longo dos últimos anos. Que discos tens neste momento junto à aparelhagem ou no rádio do carro?

Ando menos de carro agora. Tenho um jipe que a beber pensa que é um camelo. Além disso estou com a carta apreendida. É a tal vida do rock...Em casa não oiço tanta música como antes, passo o dia a levar com música no estúdio, portanto vejo uns filmes, uns cartoons dementes ou então faço amor por trás. Mas se tiver que mencionar uma banda que ainda vou ouvindo, diria The Mars Volta. Gosto bastante, são mesmo diferentes.

quinta-feira, outubro 09, 2008

em entrevista...ANONYMOUS SOULS

Com edição prevista para muito breve, «Agony» é o segundo álbum dos ANONYMOUS SOULS, sucedendo a um surpreendente «Condolences». O Opuskulo segue de perto a carreira desta banda e prepara algumas acções de promoção à mesma, sendo esta entrevista a, espera-se, primeira de muitas.



Quais as expectativas para este segundo álbum?

É difícil criar expectativas altas quando se grava um álbum de Death/Trash Metal em Portugal. Principalmente quando não se tem editora, por isso quando começamos a gravar este segundo álbum, não tínhamos objectivos definidos nem expectativas criadas. Queríamos apenas registar os novos temas da banda, para que os nossos seguidores tivessem a oportunidade de os ouvir sempre quisessem. Á medida que o álbum começou a ganhar forma, começamos a ter uma melhor noção daquilo que tínhamos nas mãos e começamos a acreditar que com este álbum podemos levar a nossa música um pouco mais além. O nosso grande objectivo com o “AGONY” é o de chamar a atenção das editoras e entidades de agenciamento, para tentarmos conseguir um tipo de distribuição e divulgação que sozinhos nunca conseguiremos. Mas, enquanto não aparece alguém que acredite em nós, e como não somos de ficar parados à espera, vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, e divulgar o álbum pelos nossos próprios meios.

Sentiram o peso do sempre complicado segundo álbum?

Sim e não! Não, porque temos a perfeita noção que, musicalmente falando o “AGONY” apresenta uns ANONYMOUS SOULS com uma sonoridade evoluída. Sim, porque aquilo para nós é a evolução, pode não o ser para quem nos ouve. Existe sempre um nervoso miudinho relacionado com a incógnita em que consiste a aceitação dos ouvintes. No entanto essa preocupação não está constantemente presente nas nossas cabeças, estamos a preparar o álbum com um prazer imenso, e com plena confiança no nosso trabalho.

Quais as grandes diferenças entre «Agony» e «Condolences»?

Imensas. Inúmeros factores determinam essas diferenças, começando pela experiencia vivida nos 3 anos entre o lançamento do “Condolences” e do “AGONY”. Muita coisa aconteceu, tivemos o muito bom e o muito mau. No entanto, o simples facto de termos um novo guitarrista que participou de forma muito activa na composição dos temas do “AGONY”, gera por si só uma enorme diferença em relação ao “Condolences”. Musicalmente falando, os traços que identificam a sonoridade da banda mantêm-se intactos, no entanto estamos mais técnicos. Exploramos muito mais os extremos entre a melodia e a agressividade. Os temas apresentam um nível de coerência que pensamos ser superior aos do “Condolences”.

Como foi o processo de gravação do disco? Com quem trabalharam, em que estúdios, porquê?

Decidimos apostar em realizar o todo o trabalho no nosso próprio estúdio “DARKSTUDIOS”, em Sta. Maria da Feira. O processo de gravação e produção está a ser liderado pelo nosso teclista André Almeida. Foi uma decisão bastante discutida entre os elementos da banda, uma vez que as gravações do “Condolences” haviam sido feitas nos “Ultrasound Studios” com o experiente Daniel Cardoso. Gravar novamente com o Daniel Cardoso, ou com outro produtor experiente dar-nos-ia alguma segurança a nível da qualidade da produção, no entanto gravar nos nossos próprios estúdios dá-nos outra liberdade. Temos todo o tempo à nossa disposição, não existem pressões de horários ou orçamentos, estamos em família o que naturalmente nos deixa mais à vontade. E esse à vontade reflecte-se naquilo que se ouve no disco. O processo está a ser bastante demorado, até porque é a nossa primeira experiência de auto-produção e queremos que tudo esteja de acordo com as nossas exigências. Acreditamos que a produção do álbum estará ao melhor nível.

O que esperam alcançar com este disco que ficou por alcançar com «Condolences»?

Como havíamos dito anteriormente, ver o nosso trabalho editado e distribuído é o nosso grande objectivo com este segundo álbum. Independentemente disso, vamos tentar dar a conhecer o nosso nome por todo o país.

Para quando podemos esperar a edição do disco e como o poderemos adquirir?

Prevemos ter o álbum pronto em meados de Setembro. E nessa altura 4 temas vão estar no nosso myspace para serem ouvidos e disponíveis para download. Ao mesmo tempo, o álbum poderá ser encomendado por um valor simbólico no nosso myspace (www.myspace.com/anonymoussouls) ou através do nosso email (anonymoussouls@gmail.com). O lançamento oficial está marcado para o dia 31 de Outubro (Halloween Night), no Cine-Teatro António Lamoso, em Sta. Maria da Feira, mas os concertos de divulgação arrancam em Setembro, pelo que poderão adquirir o álbum nos locais dos concertos. Numa fase mais avançada, depois de termos o álbum na mão, vamos tentar fazer com que esteja presente nas prateleiras de algumas lojas conhecidas e outras específicas de metal.

terça-feira, setembro 30, 2008

em entrevista...CORPUS CHRISTII

Paulatinamente os Corpus Christii souberam trilhar uma carreira impar dentro do black metal português e tornarem-se numa verdadeira instituição a nível nacional e num nome respeitável além fronteiras. Em vésperas de sair para o mercado o novo EP da banda, «Carving a Pyramid of Toughts», falámos com o líder inconstestável dos CC e sempre controverso , Nocturnus Horrendus.


Fala-nos do EP «Carving a Pyramid of Toughts» a editar muito em breve. Em que contexto se insere esse trabalho?

Este será o último capitulo da passada trilogia «Torment», o elemento fulcral para fechar esta longa jornada. Consiste em cinco temas, um do «Tormented Belief» que só esteve disponivel na versão vinyl do mesmo, depois dois temas nunca lançados da sessão do «The Torment Continues» e finalmente dois temas da sessão do «Rising». Tudo temas que não foram inseridos nos trabalhos por multiplas razões, não porque não as achava à altura, houve sim outras questões. Este material é muito importante e especial para mim, não poderia de forma alguma deixar “na gaveta”.

O que podemos esperar deste trabalho? Sei que o artwork terá uma especial atenção. Será uma edição limitada?

O artwork está a cargo de um talentoso holandês da Ba´al Graphics, trabalhamos juntos neste trabalho e as coisas foram relativamente facéis. Eu já tinha uma ideia do que queria, tinha de ser simples e encher doze páginas tendo um seguimento de imagens já usadas nos trabalhos da trilogia. Este mCD não será limitado, pode sim vir a ser a versão vinyl caso seja feita. Não temos a certeza ainda. Haverá também novas tshirts referente a este novo trabalho e, essas sim, serão limitadas.

Em termos conceptuais por onde anda «Carving a Pyramid of Toughts»? O título é bastante enigmático.

Este trabalho é basicamente um resumo do que foi feito nesta trilogia, nestes vários anos. A mudança, o sacrificio, o alcançar de um patamar acima do Homem. É-me difícil explicar e resumir estes últimos três álbuns e este mCD, é um culminar de emoções que vão além fronteiras. Cabe a cada um ouvir, ver, ler e simplesmente saborear estes complexos trabalhos.

Este novo EP vai ainda ser editado pela Agonia Records, mas sei que assinaram recentemente um acordo com a Candlelight. Como surgiu essa oportunidade? Achas que é o reconhecer de uma carreira marcante no black metal português?

A Candlelight já tinha proposto um acordo ainda antes de ter saido o «Rising», mas na altura o acordo não foi nada satisfatório portanto decidi lançar eu mesmo, assim pelo menos sempre tinha garantido o underground. No entanto, com o desenrolar do último ano, de dificuldades monetárias e falta de tempo decidi que seria mesmo altura de tirar algum cargo dos meus ombros e passar a tarefa a uma editora professional. Chegámos a um acordo melhor, ao nivel do que tinhamos com a Undercover e seguimos em frente. Assim sendo eles vão reeditar o «Rising» e um ou dois novos álbuns. O acordo com a Agonia foi por acaso, tinha este mCD para lançar, na altura ainda não tinhamos assinado com a Candlelight e a Agonia insistiu em lançar algo nosso. Estava reticente visto que há muitos maus rumores deles mas decidi arriscar. Tanto que eles estão bastante empenhados neste lançamento e é isso que gosto de ver. E espero também que com eles não precise de ajudar na promoção e tudo mais como outrora fazia com outras editoras.

Tradicionalmente a Candlelight é muito elitista em relação às bandas que assina. O seu catálogo é de extrema qualidade. Sentem que têm algo de especial em relação à maioria das bandas de black metal e que isso chamou a atenção da editora?

Acho que eles sabem o potencial da banda e de certeza que já ouviam falar da banda. Temos rolado lá fora, tocado em fests e algumas tours, as coisas têm corrido minimamente bem. Por acaso nunca tocámos na Inglaterra mas pode ser que isso mude agora com este “deal”. Gostaria de mencionar o seguinte, nunca lambemos as botas a ninguém, tudo alcançado pela banda foi devido à minha dedicação e esforço, à minha insistência. Puta que pariu os cromos que acham que alcançamos isto “á pala” de “ass licking”. Vocês são verdadeiramente patéticos e nunca passarão de nada. Fodam-se!

Para quando a estreia pela Candlelight? Quando podemos esperar um próximo longa duração?

Ainda não me deram uma data para a reedição do «Rising» mas conto que seja em Outubro. No final do ano irei começar a trabalhar no próximo álbum mas não tenho qualquer ideia quando irá ser lançado. Não estou nada preocupado com isso de momento, vou demorar o tempo que for necessário, mas estou certo que um novo album saia em 2009.


São neste momento considerados a principal banda de black metal portuguesa. Sentem o peso dessa responsabilidade ou é algo que te é indiferente?

É-me totalmente indiferente, e seja como for a maior das pessoas do meio não estão de acordo com o que dizes. Eu simplesmente faço aquilo que quero fazer e se tiver quem me apoie e lance o que gravo tudo bem, mas se amanhã ninguém acreditar no que faço e só possa lançar em tape seria também tudo bem por mim. Só quero permanecer a fazer o que mais gosto e que sinto que é a minha missão. Há aqui causas bem acima do que acho que quero e tudo mais, a Sua presença e influência é constante e determinante.

Como encaras o que se vai fazendo por cá ao nível da música extrema? São cada vez mais as bandas portuguesas que conseguem um reconhecimento que há alguns anos seria impensável.


Isso deve-se ao facto que hoje em dia há boas bandas, há uns anos atrás nem por isso e também porque bandas como Decayed, C.C., Morte Incandescente, etc. abriram portas ao que se faz cá dentro. Não me tinha apercebido de tal coisa até começar a ouvir isto de pessoas lá fora. Com sorte as coisas continuarão a evoluir, a haver mais boas bandas e lançamentos mas nunca sairemos da “cepa torta” devido à “cromice” de certos individuos, que faz com que este meio seja simplesmente patético.

Sei que és uma pessoa com uma mente bastante aberta a outras sonoridades e influências. Achas que isso acaba por reflectir-se em Corpus Christii?

Sem dúvida, é dificil uma pessoa deixar de parte certos riffs e melodias que ouve em certas bandas, especialmente num periodo no qual esteja a criar nova música. Já por isso mesmo é que quase não oiço (Black) Metal quando estou a trabalhar, evito haver influências mas é claro que inconscientemente isso pode sempre vir a acontecer. De momento tenho ouvido bastante Amália Rodrigues, Ladytron, Portishead e Warning, pouco Black Metal visto que ainda estou a terminar o novo de Morte Incandescente e o debut de The Hanged.

quinta-feira, setembro 11, 2008

em entrevista...BURNING SUNSET





Satisfeitos com as reacções que «Bruma» tem vindo a receber? Na generalidade parece-me que tem sido muito bem recebido…

Estamos contentes, sim. Tem sido bem recebido e as críticas têm surgido com um cariz construtivo bastante interessante. Não se têm remetido à ilustração normal de uma crítica, mas têm apontado sempre pormenores a melhorar para um novo passo. O que só significa que a nossa música marca de alguma forma e as pessoas sentem que há potencial para construir algo mais forte no futuro.

Um dos motivos de maior interesse na vossa sonoridade é a inclusão de guitarra portuguesa. Essa é uma componente a explorar futuramente? Prevêem alargar o leque de instrumentos a incluir na vossa sonoridade?

A guitarra portuguesa é algo que tráz um brilho diferente à nossa música. Não é inovador, pois os Thragedium ou os Dwelling já exploraram a sonoridade no meio, mas não com a densidade e a agressividade do death metal como nós procuramos. Sem dúvida que é algo para explorar futuramente, seja experimentalmente ou como um reforço melódico, dado que tem um traço único que pode distinguir qualquer sonoridade portuguesa dos demais. Em relação a outros instrumentos a incluir, esperamos mais tarde colocar, de forma gradual. No início tinhamos só o violino e brincavamos com o cavaquinho, depois entrou a guitarra portuguesa e só um ano mais tarde, o violoncelo. Agora temos várias ideias e pequenos apontamentos, que esperamos ser concretizados, como o saxofone, trompete, voz feminina ou um segundo baixo. Vamos ver para onde nos levam as novas composições.



A vossa sonoridade indicia uma certa “portugalidade” que vos distingue de qualquer outra banda. Têm consciência disso?

Não existe uma consciência presente e premeditada aquando da composição, mas acontecem uma série de factores que provocam e finalizam essa sensação de portugalidade. O mais gritante é a utilização da guitarra portuguesa, que na sua associação directa ao fado, remete-nos para um universo único da alma lusitana. Mas não passa disso, pois não trabalhamos como os Ava Inferi, que instrumentalmente executam as cadências do fado ou os Process of Guilt, que exacerbam o sentido melancólico português com excelência. Nós somos, de certa forma, mais epidérmicos. Temos os instrumentos, como a guitarra, a língua e os temas do fado, (mar, tristeza, angústia), e procuramos dar-lhe uma nova roupagem, novas forma de o utilizar. Não é uma comparação directa, mas um expoente máximo, seria conseguir fazer o mesmo que os Naifa fazem na pop/electrónica, mas com o metal. A portugalidade está, talvez, anunciada, mas ainda não a atingimos.

Que tipo de reacções têm recebido do estrangeiro?

As reacções têm sido bastante entusiastas. Há uma grande curiosidade referente ao idioma e aos instrumentos clássicos. Dada a guitarra portuguesa, que entendem ser algo como uma sítara, somos várias vezes comparados a bandas do Médio Oriente, ou simplesmente, com arranjos árabes, pois não reconhecem o instrumento e é mais fácil colocar a crítica em terrenos que dominam.


Acham que este tipo de bandas que incorporam na sua sonoridade elementos étnicos conseguem mais rapidamente ter uma maior visibilidade?

Isso não se reflecte em nós. Nós procuramos já há algum tempo mostrar o nosso trabalho e temos tido feedback em casos muito pontuais. É muito mais fácil tomar atenção a géneros cimentados, do que a novas bandas que procuram experimentar. Como Fernando Pessoa dizia: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Já trabalham em novos temas? Que linha estão a seguir?

Sim, temos trabalhado novos temas e nos concertos temos apresentado as músicas que não estão incluídos no EP “ Bruma”. Agora vamos parar para descansar uns dos outros e deixar respirar as músicas para voltarmos a compôr sobre aquelas e experimentar novas ideias. A linha a seguir prende-se com a exploração mais orquestral dos instrumentos étnicos, a introdução de momentos mais directos, mais headbang, mas com a procura de manter a toada progressiva bem vincada.

Podemos contar com um próximo trabalho dos Burning Sunset num formato mais profissional e com o apoio de uma editora ou continuarão por vossa conta e risco?

Não temos tido feedback positivo de editoras e isso só prova que temos muito trabalho pela frente. É necessário calo, robustez, experiência e realizar melhores escolhas. Vamos construíndo e vamos trabalhando ao nosso ritmo, tentando completar um novo EP ou um álbum. Nós costumamos dizer que só agora é que estamos prontos para gravar o EP que acabamos de apresentar, o que é absoluta verdade. Este foi um enorme processo de aprendizagem, quer a nível de produção, gravação e promoção. Agora que sabemos algumas regras, vamos aprofundar e esperar que surja a oportunidade de uma editora. Até lá, devagar e sempre, até concluir o novo trabalho.


Quais as maiores dificuldades que têm vindo a encontrar no vosso percurso enquanto banda no sentido de promover e desenvolver o vosso trabalho?

As maiores dificuldade prendem-se com a falta de apoios e de interesses na nossa zona de Aveiro. O provincianismo português, que diz que o que é nacional é pior do que vem de fora, acontece muito por cá, aliado ao elitismo pseudo-artístico, que é comandado pelas revistas que impõem o artista estrangeiro que tem que vir tocar a Aveiro. Não há espaços em Aveiro para tocar metal; tirando o Blindagem Metal Show (programa de rádio) que nos apoia, não há elementos da nossa cidade que se interesse. E é aí a dificuldade, é taco-a-taco que temos de sair da toca, para o resto do país. Depois é complicado fazer valer a edição de autor. Enquanto que nós entendemos que quem faz uma edição de autor, tem capacidade, valor e coragem para trabalhar, há quem veja a edição de autor como uma não capacidade para estar numa editora, logo falta de qualidade. É uma diferente perspectiva que discrimina logo determinadas bandas / artistas. Isto sob uma perspectiva artistica, pois a nível prático, não temos tido propriamente dificuldades em cumprir os objectivos a que nos propusemos enquanto banda. Temos tocado bastante ao vivo, as pessoas têm correspondido e gostam de nos ver e o EP tem recebido boas reviews.


Últimas palavras

Obrigado à Opuskulo pelo interesse no nosso trabalho. E à possibilidade de o apresentarmos. Ouçam os nossos temas em www.myspace.com/theburningsunset, contactem-nos para burningsunsetpt@hotmail.com e obrigado a quem nos acompanha e nos tem dado força.

sexta-feira, agosto 22, 2008

em entrevista...TODESBONDEN

Apesar de concentrar grande parte da sua atenção no que se vai passando a nível nacional, o Opuskulo abre as suas portas a projectos internacionais que demonstrem vontade em trabalhar conosco. Foi o que aconteceu com os norte-americanos TODESBONDEN, uma banda que tem como figura de proa Laurie Ann Haus, bela e competente vocalista com um passado ligado aos Autumn Tears, Rain Fell Within entre outros nomes marcantes do gothic metal. «Sleep Now, Quiet Forest» marca a estreia do seu novo projecto, um híbrido entre o mais majestoso gothic metal e a envolvência da música folk. Foi este trabalho que serviu de base para uma interessante conversa com esta simpática senhora.


Sendo uma banda desconhecida para a maioria dos nossos leitores, podes explicar-nos melhor as vossas origens?

Todesbonden foi um conceito para um projecto que me surgiu em 1994 após ter ouvido o álbum «Sorrow» dos The 3rd and the Mortal, aliado também a uma série de outras influências, mas que por várias razões só em 2003 consegui pôr essa ideia em prática. Inicialmente era suposto ser um projecto a solo no qual eu iria compor toda a música. No entanto, após ter escrito grande parte do nosso EP de estreia com a ajuda do Jason Aaron e do Patrick Geddes, decidi incorporar mais elementos na banda de forma a conseguir pôr este projecto em palco. Com a incorporação do teclista James Lamb e do baixista Jason Ian-Vaughn Eckert verifiquei que seria bastante proveitoso tê-los a contribuir no processo de composição, sendo o resultado de um esforço conjunto que podem ouvir no nosso álbum de estreia.

O formato ao vivo é então uma parte integrante dos Todesboden?

Sim, já tocámos ao vivo com esta formação. Na realidade essa foi uma das motivações pela qual esta banda foi formada. Despendemos imenso tempo a preparar os nossos concertos, mais até do que os nossos discos. Agora que o álbum foi editado queremos voltar à estrada após dois anos de hiato. Temos um concerto de apresentação do disco marcado para 18 de Outubro.

Todesbonden não é propriamente a típica banda norte-americana. Concordam se eu disser que em termos de sonoridade e influências são muito mais europeus do que norte-americanos?

Essa é uma questão que me tem sido colocada com frequência. Concordo que a nossa sonoridade tem muito de europeu, no entanto, em termos de influências não nos restringimos apenas à Europa, aí assemelhamo-nos muito mais à world music do que a qualquer outra coisa. De facto, não há muito de americano em Todesbonden, no entanto tenho andado a ler algumas coisas sobre a guerra civil americana e possivelmente poderei focar esse aspecto num próximo trabalho.



Sendo assim, quais são as principais influências que marcam este trabalho? Liricamente parece ter uma forte ligação à natureza.

Sim, tens razão. Eu expresso uma grande admiração pela natureza nas minhas letras e costumo recorrer a metáforas relacionadas com a natureza para expressar um determinado sentimento. No entanto este trabalho é muito mais do que isso, ele aborda toda uma série de assuntos que vão desde acontecimentos históricos a sentimentos muito íntimos. Musicalmente continuo a nutrir uma grande paixão pelo doom metal, no entanto nota-se uma forte influência da world music em Todesbonden, mais até do que aquela que inicialmente idealizava para este projecto.

Essa influência da world music de que falas torna-se evidente pela utilização de diversos instrumentos tradicionais e referências étnicas na vossa música. De onde vêem essas influências?
Este é o estilo de música que gosto de ouvir. Adoro música medieval, celta, folk e por aí fora. Sempre desejei fazer parte de uma banda que incorporasse essas influências noutras sonoridades que também ouço, como por exemplo o doom metal. Na realidade eu até gostava que a nossa música fosse ainda mais étnica do que aquilo que é. Mas tendo em conta que são várias pessoas a escrever e a dar opiniões, procuramos chegar a um consenso. Logo se verá para onde irá evoluir a nossa música.



Podemos então esperar um segundo álbum de Todesboden?

Sim, sem dúvida. Já idealizei algumas directrizes para um novo trabalho e pretendo que seja mais étnico, mais poderoso, mais apaixonado. Encontramo-nos já a escrever para um novo disco e o meu objectivo é que aproveitemos apenas o melhor do melhor.

O teu passado está ligado a bandas como Autumn Tears ou Rain Fell Within. Sentes que isso poderá ter uma influência positiva na promoção e visibilidade que Todesbonden poderá receber?

Sim, principalmente a minha relação aos Autumn Tears, já que a minha colaboração com os Rain Fell Within foi muito vaga. O meu nome tornou-se conhecido na cena e isso pode levar as pessoas a sentirem curiosidade sobre o meu novo projecto. No entanto, o meu objectivo com Todesbonden passa por chegar a uma audiência que ainda não me conhece e posso dizer que isso está a ser muito bem conseguido através do excelente trabalho de promoção que a nossa editora está a realizar.

Alguma vez ponderaste mudares-te para a Europa, tendo em conta que a vossa editora é europeia e a vossa sonoridade tem muito mais tradição e visibilidade por cá?

A mudança para a Europa é uma conversa que tenho comigo própria diversas vezes. No entanto, as razões que me levam a considerar essa hipótese não estão relacionadas com a minha carreira musical. A crise económica que se vive nos EUA, aliada a questões políticas e sociais têm vindo a contribuir para me sentir cada vez mais desconfortável neste país. Irei permanecer por aqui mais uns anos para ver qual o caminho que as coisas levarão e tomar uma decisão final. Há outras coisas que me prendem aos EUA, por exemplo a minha família, os meus companheiros na banda, a minha casa, etc. É complicado de um momento para o outro atirares tudo para trás das costas e começares tudo de novo noutro sítio qualquer. Das vezes que já estive na Europa senti-me como uma outsider devido à barreira linguística e, acima de tudo, por ser norte-americana, e esse é um sentimento com o qual eu não sei se conseguiria lidar a longo termo. No entanto, apesar de tudo isso, a mudança para a Europa é uma opção que considero. Não faço ideia se isso seria benéfico para a minha carreira musical.

O que achas da indústria musical norte-americana actualmente? Há por aí mais tesouros como os Todesbonden bem guardados?

Se me fizesses essa questão há seis anos atrás estaria em condições de te dar uma resposta mais concreta. Ao longo dos últimos anos tenho andado menos atenta ao que se vai passando na cena norte-americana, mas pelo que vejo através do nosso myspace há boas bandas nos EUA a praticar gothic metal, embora num registo muito diferente do nosso.


Contacto: http://www.todesbonden.net/

quarta-feira, agosto 13, 2008

em entrevista...KATABATIC

O post-rock instrumental tem vindo a conhecer no nosso país um desenvolvimento assinalável, sendo de realçar as diversas edições que surgiram dentro deste espectro recentemente. «Vago», a estreia dos KATABATIC, foi uma das que causou maior supresa pela qualidade e sensibilidade da sua música. O Opuskulo não quis deixar passar a oportunidade de conhecer melhor esta promissora banda.


Que tal as reacções a «Vago»? Superaram as vossas expectativas?

A partir do momento em que ficou disponível no myspace e também nos concertos, começámos a obter várias reacções e comentários positivos. Um pouco por todo o mundo o EP foi sendo “distribuído” e fomos estabelecendo diversos contactos entre editoras (Japão, Estados Unidos, Alemanha), promotores (Porto, Espanha), bandas e público - foi uma grande ajuda para uns primeiros passos mais consistentes. Podemos dizer que foi um bom suporte para comunicar a nossa primeira experiência de gravação mais a sério. Queríamos mostrar o que fazíamos em estúdio até então, depois de muito tempo de procura por uma sonoridade própria.

A vossa sonoridade pode ser definida como envolvente e contemplativa. Concordam? Quais as principais influências para a criação desta sonoridade?

Sim, concordamos. Grande parte das músicas têm drones e algo de psicadélico na repetição de riffs e criação de ambientes... Percebemos facilmente como esses adjectivos possam descrever a nossa música. É difícil indicar especificamente aquilo que nos influencia na composição das músicas. Acho que as nossas influências acabam por ser uma reunião de várias experiências, aquilo que vemos, ouvimos ou sentimos. Acho também que somos bastante influenciados pelo próprio processo criativo, ou seja, pelo feeling que um riff inicial dita ou pelas ideias de estrutura que sugere.

O pos-rock instrumental no qual se inserem parece estar a conhecer um impressionante reconhecimento nos últimos anos. Os Katabatic são um fruto desse “hype” que se vive em torno do estilo ou a vossa existência e ideais enquanto banda já estavam definidos mesmo antes deste estilo conhecer uma maior divulgação?

Falar em hype é muito subjectivo, porque são os media que utilizam o hype para comercializar, massificar e lucrar com música - só por isso se definem obrigatoriamente “estilos de música”. Pensamos que as bandas ao seguirem esse caminho estão a condenar a sua existência a regras pré-estabelecidas e a dogmas desnecessários e não a fazer música como veículo artístico. Os Katabatic nunca fizeram nada forçado, nunca tivemos de criar para sobreviver ou sustentar “máquinas” comerciais. Fazemos aquilo que gostamos e que na altura nos inspira. Estivemos muito tempo a construir a nossa identidade e fazemo-lo de uma forma descomprometida, o que nos garante definirmos o nosso próprio espaço e espectro sonoro. Não queremos que isto seja entendido como algo pretensioso ou aspiracional, apenas nos divertimos com aquilo que fazemos sem qualquer necessidade de seguirmos um movimento ou hype. O nosso primeiro concerto com esta formação foi em 2003 e nessa altura este movimento era quase inexistente em Portugal. Bandas como os lemur ou bypass, com quem tocámos nesse concerto, são duas das poucas bandas com quem nos conseguiamos associar um pouco estilisticamente há alguns anos atrás.

Em Portugal parece estar a assistir-se a um enorme interesse em torno deste estilo. Prova disso são as várias bandas que têm editado trabalhos nos últimos meses. Como encaram isso?

Para nós é positivo porque eventualmente surgirão também mais oportunidades de concertos e de promoção da banda em geral. É sempre bom saber que há mais pessoas que partilham dos mesmos interesses musicais que nós.



Encaram o trabalho de bandas como Riding Pânico ou Catacombe como concorrência ou como um estimulo à troca de ideias e ao crescimento do estilo?

Conhecemos os Riding Pânico nos Black Seep Studios, onde viemos também a conhecer mais bandas e mais pessoas que partilhavam pontos de vista parecidos com os nossos quanto à forma de sentir e pensar a música. Há muito de familiar naquele local. Quando começámos a ensaiar ali rapidamente nos apercebemos que era um espaço diferente, onde conseguiamos trocar ideias com facilidade e isso é algo que nos estimula bastante para crescer como banda. A nossa relação com os Riding Pânico só pode ser interpretada nesta perspectiva de apoio e amizade. Catacombe conhecemos via myspace e também temos mantido contacto para futuras colaborações. Na verdade acho que nós nem temos muito a dizer sobre o estilo... No nosso ponto de vista é sempre bom estarmos rodeados de pessoas que estão a construir coisas diferentes. Isso dá-nos a oportunidade de assimilar universos distintos e inovadores. Estamos mais interessados em desenvolver a nossa “voz” e em diversos desafios criativos que nem têm de estar necessariamente ligados à música.

Ponderariam a inclusão de um vocalista na vossa sonoridade? Conseguem imaginar como soaria?

Talvez sim, talvez não... O futuro o dirá mas não é algo em que pensemos actualmente. Algumas das nossas músicas têm vocalizações.Conseguimos imaginar como soaria porque já tivemos uma voz feminina na banda. Chegámos a dar um concerto onde tocámos alguns temas instrumentais e outros com voz.

Podemos contar com uma edição dita mais profissional dos Katabatic para breve?

Sim, no entanto não temos ainda uma data definida. É bastante provável que tenhamos novidades ainda este ano, mas podemos adiantar que ainda não será um albúm.

Como encaram o estado actual da música alternativa nacional? Parece que nunca conheceu um momento tão profícuo, na minha opinião. Concordam? Acham que poderão beneficiar deste momento?

A nossa opinião é que a música alternativa nacional tem vindo a melhorar progressivamente e isso é em grande parte um reflexo da qualidade das gravações que se têm feito e também da própria originalidade das várias bandas incluidas neste nicho.Sendo estes dois factores muito importantes e influentes em quem procura ouvir música nova, achamos que também nós podemos beneficiar deste momento.

O que podemos esperar dos Katabatic em breve?

Para além das datas agendadas para Setembro (razão pela qual não podemos deixar de agradecer ao André da Amplificasom que tem feito um esforço enorme para que as coisas aconteçam) pensamos em gravar outra edição com novos temas que temos vindo a desenvolver e que iremos tocar nesses próximos concertos. Talvez menos leve vs pesado e mais dos espaços intermédios.

Últimas palavras…

Temos algumas datas de concertos marcadas - visitem o nosso profile no myspace (myspace.com/katabatic) para saberem os detalhes e apareçam se puderem. Muito obrigado pelo teu interesse e apoio!