segunda-feira, junho 09, 2014

Lembram-se dos Inhuman? E do Pedro Garcia?



Lembram-se dos Inhuman? Banda algarvia que na segunda metade da década de 90 editou dois discos que marcaram o metal português - «Strange Desire» e «Foreshadow» - e que, durante algum tempo, alimentaram a ideia de que teríamos aqui a próxima banda a seguir o trilho de internacionalização e de sucesso dos Moonspell? Pois bem, o Pedro Garcia foi o vocalista dessa banda e com ela gravou os dois álbuns atrás citados. Foi, por isso, com grande prazer – até porque sou um admirador confesso de Inhuman e da obra que deixaram – que cheguei à fala com o Pedro, não tanto com o objectivo de dissecar a carreira de Inhuman, mas mais para conhecer um outro lado do Pedro: o de coleccionador de discos e, acima de tudo, de apaixonado por música. Obviamente que acabei por não resistir à tentação e quis saber um pouco mais sobre a sua experiência com Inhuman, mas quanto a isso teremos mais novidades dentro de dias. Para já, vamos conhecer o fã e coleccionador Pedro Garcia. 

quarta-feira, junho 04, 2014

O bom filho à casa torna...entrevista com João Oliveira

 

Cartão do Melómano 

Nome: João Oliveira.

Idade: 40 anitos.

Coleccionador há: A aquisição com a intenção de ser para coleção só tem expressão a partir de 2010. Até 2010 foi um acumular aleatório de música Metal em diversos formatos (vinil, CD, Cassete, VHS, DVD, BluRay). Por isso só me considero colecionador há 2 anos.

Coração de: Metal. Mas o espectro vai desde o Rock ao mais brutal do Grindcore. 

Primeiro Disco: Iron Maiden, “Number of the Beast”, comprado no Centro Comercial OKAY na Amadora.

Último Disco: Candlemass, “Psalms For The Dead”.

segunda-feira, junho 02, 2014

O lado extremo de João Caldeira




Nome: João Caldeira

Idade: 35

Coleccionador há: Desde a juventude que gasto dinheiro em música, mas coleccionar mesmo só uns anos mais tarde é que comecei a olhar para isto de outra forma.

Coração de: Leão..(risos)…agora mais a sério, gosto sobretudo de música extrema, rótulo que costumo usar para descrever aquilo que mais ouço e mais me agrada que vai desde o Black-Metal, Death-Metal, Sludge e coisas assim, mas não me fico só por ai.

Primeiro Disco: Os primeiros álbuns que comprei em formato físico mesmo acho que foram o “World Demise” de Obituary o “Dirt” de Alice In Chains e o mcd “The Grotesque” de Benediction. Antes e depois era mais a febre do tape-trading, nessa altura chegava a receber duas a três TDK ou Sony por dia vindas de todo o pais e de fora de Portugal. Não dava para mais e no sítio onde moro era complicado encontrar material. Para além do mais, estamos a falar de um puto no secundário com uma mesada muito estranha, mas acredito que o tal bichinho nasceu aqui com certos sacrifícios que se faziam, alguns até incluíam gastar o dinheiro dos almoços da escola, para comprar as tapes. Estas coisas vistas com esta distância podem parecer parvas, mas era mesmo o que acontecia. Nos dias de hoje é tudo fácil e o pessoal deixou de ter aquele afeto pelas coisas e passou-se a consumir desenfreadamente, o que leva a que muita coisa não tenha aquele sentido “mistico” e até mesmo eu por vezes acabo por cair nessa armadilha e só passado uns tempos e que digo “epah isto merecia ter tido um pouco mais de atenção”.

Último Disco: Sonne Adam-“The Sun Dead “(7´) e The Great Old Ones-“Al Azif”

Sonho todos os dias com: Hum, não sou muito sonhador nesse sentido, existem álbuns que gostaria de ter, mas nos dias de hoje com a febre das primeiras edições e tanta pirataria nunca se sabe bem aquilo que se está a comprar por vezes..e depois existem sítios por esse mundo fora que se divertem a tentar enganar o pessoal, é triste mas existem cromos que tentam ganhar a vida assim.


sábado, outubro 19, 2013

Heterogeneidade Qualidade Personalidade

De gosto musical eclético e refinado, Gonçalo Cunha acolheu-nos calorosamente no seio de uma colecção na qual discos que constituíram a base de géneros musicais e se tornaram clássicos intemporais se cruzam com obras que em 2012 procuram ainda criar algo novo e original. Dono de uma mente aberta pouco comum, Gonçalo não renega as suas origens, mas recusa  manter-se agarrado ao passado, procurando evoluir e adaptar o seu gosto musical a sonoridades desafiantes e inovadoras. Em discurso directo, esclarecido e apaixonado,  Gonçalo Cunha.


CARTÃO DO MELÓMANO


Nome: Gonçalo Cunha
Idade: Nasci 10 dias depois do Homem pisar a lua.
Coleccionador há: Desde 1982.
Coração de: Metal e derivados/Jazz-Rock/Electrónica/Prog/Avant-Garde/Etc.
Primeiro Disco: Street Kids – “Trauma”
Último Disco:  Foram 4: últimos de Cynic, Jeff Loomis e OSI e um promo de David Bowie. Quando terminar esta entrevista já espero que sejam outros! (risos)
Sonho todos os dias com: Hum...difícil, porque são vários. Assim de repente, lembro-me da demo-CD de Virus “Demo 2000”, limitada a 72 cópias.

sábado, outubro 12, 2013

O regresso ao vício!


É um vício, admito! É um vício ouvir música, é um vício viver a música, é um vício sentir a música, é um vício falar sobre música, é um vício partilhar este vício. Mas é um vício bom!

Queijos, vacas, relógios e....discos!


Chama-se Ivo Seabra, é português e vive na Suiça. Nada de novo e, aparentemente, algo que volta a ser cada vez mais frequente. Radicado no país do chocolate e dos relógios há cerca de dez anos, o nosso entrevistado antecipou o convite que os nossos governantes amavelmente dirigiram aos jovens no sentido destes procurarem uma vida melhor lá fora e encontra-se hoje perfeitamente estabilizado e integrado na Suiça, inclusive no que à sua grande paixão diz respeito: a música, o metal e os discos.  Foi sobre essa paixão que o Ivo acedeu falar com o Opuskulo, oferecendo-nos uma interessante perspectiva sobre como é ser colecionador e fã de música num contexto diferente do nosso.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

em entrevista...CRYSTALLINE DARKNESS

De forma discreta mas extremamente sólida, parece estar a emergir em Portugal uma nova vertente da música extrema que tanto deve ao black metal como ao funeral doom, tudo envolto numa profunda angústia e palpável desespero do qual emana uma certa portugalidade. De entre os vários nomes que têm vindo a apresentar trabalhos bastante interessantes dentro deste espectro nos últimos meses, os CRYSTALLINE DARKNESS são um dos mais interessantes. A banda liderada por Demoniac mostra na estreia «Melancólica Nostalgia» uma apurada sensibilidade no momento de transformar em música todo um rol de sentimentos que o músico nos ajudou a descobrir na entrevista gentilmente cedida ao Opuskulo. Aqui fica o resultado.



quinta-feira, janeiro 08, 2009

em entrevista...THERIOMORPHIC

Referência incontornável do panorama death metal português, os THERIOMORPHIC chegam ao sempre complicado segundo álbum com uma vitalidade e força invejáveis. «The Beast Brigade» apresenta-se como um disco mais negro comparativamente à estreia «Enter the Mighty Theriomorphic» sem, no entanto, perder em qualidade e tenacidade. Jó, o eterno líder da banda e uma figura emblemática do nosso underground, continua às rédeas desta besta de peso, melodia e agressividade, revelando-se igualmente um afável interlocutor com o qual o Opuskulo tem o máximo prazer partilhar algumas ideias.
«The Beast Brigade» surge como um todo mais negro e obscuro quando comparado com o vosso álbum de estreia. Concordas? Alguma razão especial para isso?
Concordo, mas é algo que surgiu naturalmente. Tanto em termos de letras, como de música, aquilo que vivemos e o que nos rodeia têm a sua influência, porque a música é uma forma de libertarmos o que vai dentro de nós. Vivemos tempos difíceis e isso fez com que o álbum saísse assim. Também a parte gráfica contribuiu para isso, penso eu. As ilustrações dão uma obscuridade que não se sentiria só com a música. Desta vez, houve um acompanhamento maior nesse aspecto, porque fui trocando ideias com o Micky e explicando o que pretendia. Ele já gostava de Theriomorphic e apresentou a sua visão das criaturas do primeiro álbum. Enviei-lhe algumas letras, inicialmente, para ele fazer os primeiros esboços e depois os temas, quando já estavam gravados, e ele fez algumas das ilustrações depois de já conhecer a música. No final, acho que foi uma excelente combinação.

Contam com alguns convidados neste disco. Podes elucidar-nos melhor da importância dessas participações?

Estávamos a preparar temas para o álbum com o Cláudio, quando, a dada altura, tivemos que pensar em sair do local onde ensaiávamos, e onde ele já tocava antes com os Sannedrin. As coisas não estavam a funcionar bem, devido à disponibilidade de cada um e à distância a que a maior parte de nós estava. Como ele tinha despesas com aquele local e era complicado estar a pagar outro, esteve para sair da banda. Concordou em gravar o álbum, que tinha mesmo que avançar, para não estarmos a perder meses recomeçando tudo com outra pessoa. Dois dos temas, “Dark Sky Above” e “The Necroid”, já tocávamos desde 2005 e, quando ele entrou, a preocupação maior foi com temas ainda incompletos, ou que estavam a sofrer pequenas adaptações, e esses dois foram ficando de parte. Até à gravação também não conseguimos arranjar forma de ele os aprender. Como seria trabalhoso e moroso fazê-lo na altura de gravar, lembrámo-nos de convidar o Sid para os gravar. Foram os primeiros temas que escrevemos com ele. O primeiro álbum estava composto, excepto os solos e alguns arranjos da sua autoria, e sabíamos que ele gostaria de deixar algo em que tivesse participado criativamente. “A Final Journey” é um tema mais antigo que não tocávamos desde 2001, ou coisa parecida. Nesse caso, nem o Sid o sabia tocar. O Zé era para gravar as guitarras todas, mas lembrámo-nos de convidar o Hugo, o nosso produtor e um óptimo guitarrista, para o gravar e ainda mais dois leads, noutros dois temas gravados com o Cláudio. O Hugo tinha-se disponibilizado para gravar guitarras, caso o Cláudio não participasse na gravação, e foi uma forma de ele também deixar o seu cunho neste álbum. No fundo, éramos 3 membros naquela altura, e o próprio Cláudio também era praticamente um convidado, havia essa liberdade de convidar quem quiséssemos. Foi uma forma de simplificar o processo de gravação, porque o prazo era relativamente curto, mas também de agradecer ao Sid e ao Hugo por aquilo que já tinham feito por nós. Em relação a vozes, “A Final Journey” era um tema para o qual sempre tive uma pessoa em mente, desde há anos, mas acabou por não ser possível fazê-lo naquela altura. O W, dos Decayed, é um velho amigo, já se tinha falado em ele participar num tema, em concerto, e lembrei-me de o convidar. O Paulo, dos Shadowsphere, tinha estado a assistir a um ensaio, onde ainda fez umas vozes, por brincadeira, e o André sugeriu que ele participasse num tema do álbum, que acabou por ser “Flesh Denied”. Há outros dois temas em que participam ambos, mas são apenas 4 ou 5 palavras em cada, com as vozes deles em simultâneo. Tinha até mais umas ideias para vozes mas, com a rapidez com tudo teve que ser feito, acabámos por não ter tempo de pensar melhor nisso.

De que forma as mudanças de formação verificadas ao longo destes últimos dois anos influenciaram o resultado final deste novo disco? Há uma efectiva participação dos restantes elementos no processo de composição dos Theriomorphic?

No que toca ao resultado final, todos acabam por ter a sua influência, obviamente. O André, como baterista, não participa propriamente com riffs, embora haja um tema neste álbum em que um riff surgiu de uma parte de bateria, mas ajuda a moldar e estruturar os temas. Normalmente, trabalhamos os temas em conjunto, a partir de riffs isolados que vão surgindo a um ou outro membro. Eu tenho alguns riffs que me vão surgindo e o Zé, como sempre, contribui com grande parte das ideias. A maior parte dos temas foram feitos com o Sid ainda na banda, há alguns riffs dele e algumas partes mais orientadas para solos relativamente longos. Noutros, o Cláudio já participou e há temas com riffs de ambos, que estavam incompletos quando ele se juntou a nós. Aliás, a participação dele foi fundamental para completar esses temas, porque estávamos a ter alguma dificuldade em fazê-lo. O Sid tinha gostos muito diferentes e, se por um lado isso nos permitiu ter alguns resultados excelentes, por outro, também havia uma certa dificuldade em se encontrar o ponto de equilíbrio entre os gostos de todos. Sempre nos habituámos a ter uma maior sintonia na composição e era frequente fazer-se um tema em um ou dois ensaios, a partir de uma ideia que surgia. Com o Cláudio, senti que voltou a haver esse tipo de entrosamento em termos de gostos e as coisas pareceram voltar a sair mais fácil e espontaneamente. Durante as gravações, ele manifestou vontade de continuar a trabalhar connosco e de se tentar encontrar uma forma de conjugarmos os ensaios, e, embora já tivéssemos começado a abordar outros guitarristas, a sua permanência fazia todo o sentido. Vamos ver o que vem aí, já que acabámos por não compor ainda muita coisa com ele.

Apesar do sucesso do primeiro disco não surgem vinculados a nenhuma editora com alguma dimensão. Foi mera opção da banda ou simplesmente não surgiu qualquer oportunidade?

Opção, não foi. Sou eu que acabo por tratar de tudo o que envolve a banda e, como o tempo e a cabeça não dão para mais, é difícil andar em contacto com editoras. Tentámos algumas, mas com a dificuldade crescente que há em investir em CDs, e a quantidade de bandas que surgem de todos os lados, não é fácil. Acabou por surgir a possibilidade desta edição e resolvi avançar, para não estarmos indefinidamente à espera de algo melhor, que poderia nem aparecer, ou levar mais alguns meses.

Há algum plano para uma edição internacional do disco? Que reacções vos chegam lá de fora?



Para já, ainda não há planos. Gostaria, pelo menos, de conseguir alguém interessado em editar este ou o primeiro álbum em vinil. As reacções de fora, neste momento, ainda só são relativas ao “Enter The Mighty Theriomorphic”, estou a enviar algum material e a negociar umas trocas com alguma editoras, dentro das minhas limitações, mas as críticas ainda não começaram a aparecer. Penso que em breve haverá uma divulgação mais intensa, com alguma ajuda que devo ter. Só então poderei comentar. Se forem reacções tão boas como algumas relativas ao anterior, será óptimo.

Voltam a trabalhar com o Hugo Camarinha na produção. É um voto de confiança em mais um produtor português, o que não deixa de ser importante…
Sim, é um bom profissional e um velho amigo, o que para nós foi fundamental. Acho que deveria haver mais gente a pensar em trabalhar com ele. Vale a pena, não só pela qualidade do resultado, mas pelo rigor que impõe. E isso sobressai, não só nos nossos álbuns, mas também nos dois últimos de Decayed, no de Bleeding Display e, mais recentemente, nos EPs de Undersave e Sannedrin. Está na moda gravar com o Daniel Cardoso, que é um excelente produtor e por quem tenho grande estima, mas penso que algumas bandas vão mais à procura do nome dele, para ostentar na publicidade, tipo selo de garantia, do que daquilo que realmente pretendem ter, em termos de sonoridade e identidade. Acabam por não se aperceber que há outros bons profissionais cá em Portugal, com quem se pode obter um resultado com qualidade superior e sem o risco de se repetir o que já aconteceu antes noutros estúdios, em que começam a surgir várias bandas com produções semelhantes, porque, por vezes, elas próprias não têm uma ideia bem definida de como querem soar.

Em termos de conceito por onde se move «The Beast Brigade»?

Pelos mesmos trilhos que toda a música que fazemos. Há uma certa ligação entre os três primeiros temas do álbum, “Rise Of The Theriomorphic”, “Dark Sky Above” e “The Beast Brigade (part I)”, que também estão relacionados com a própria banda, em certo aspectos. No entanto, isso surgiu naturalmente nas alturas em que foram compostos, não houve qualquer intencionalidade. Na altura de definir o alinhamento é que se tornou mais óbvio que deveria haver uma sequência com eles. A haver um conceito, é proveniente de uma mesma forma de ver o mundo que nos rodeia, por isso há sempre uma certa relação entre todos os temas, não só os deste álbum e do primeiro, mas também todos os outros que fizémos e os que ainda faremos.

Quem compõe a «Beast Brigade»?

Eu, ou tu, ou todos aqueles que se identifiquem com ela, de alguma forma. Acaba por ser um seguimento do tema “Theriomorphic”, do primeiro disco, onde se exalta a existência do Homem como produto de uma evolução e não de uma criação divina. É o Homem sem deuses ou religiões, livre de preconceitos, com o (perigoso) poder de decidir o seu destino e, até, o do nosso planeta e de todos os outros seres vivos.

Como encaras o actual estado do movimento underground português? Achas que finalmente estão reunidas as condições para que as bandas portuguesas evoluam em termos de reconhecimento e de qualidade?

Acho que ainda não, sinceramente. Parte tudo da necessidade de haver um verdadeiro movimento em que as bandas se apoiem umas às outras, remando no mesmo sentido. Há sempre bandas que têm problemas com outras, seja por não tocarem o mesmo género, ou porque não se gosta do que determinada banda toca, ou por questões mesmo mesquinhas, em que é mais fácil dizerem todos mal uns dos outros sem perceberem que, na verdade, isso nem é benéfico para eles mesmos. Enquanto não houver a noção de que tem que haver um respeito e um interesse comuns, não sairemos do mesmo buraco onde estamos há anos. É um facto que a nossa posição geográfica e a falta de apoios neste país são grandes obstáculos, mas julgo que um esforço conjunto poderia fazer muito por mudar o rumo das coisas. Simplesmente, ninguém está verdadeiramente interessado em lutar por essa mudança. As poucas bandas que se conseguem alhear disso e conseguem lançar por editoras lá de fora, continuam a ser casos esporádicos, nada que indique que realmente haja um despertar de atenções para o bom Metal que se faz em Portugal. Se virmos, que apesar das várias iniciativas por todo o país, é sempre uma festa quando se tem mais de 50 ou 100 pessoas a ver um concerto, mesmo com algumas bandas estrangeiras, e que quando vêm cá os Metallica saem milhares da toca, incluindo os que não gostam deles, facilmente se percebe que não há, de facto, um movimento digno desse nome. Quando se vê que bandas portuguesas, abrindo ou não concertos de bandas estrangeiras, tocam para salas praticamente vazias porque para muita gente o que realmente importa é o preço e a quantidade de cerveja que se bebe, mais se percebe que realmente estamos muito longe de lá chegar.
Funcionando como uma contra corrente ao advento tecnológico que a Internet possibilitou, começa a sentir-se um certo regresso a formatos tradicionais como a demo tape ou o vinil. Sentes isso? Qual a tua opinião? Como encaras a relação Internet/Música/Underground?


É uma relação um pouco perigosa. Claro que poderá ser um instrumento muito útil de divulgação, quando usado de forma responsável. O que se nota é que, para muita gente, é apenas uma forma de sugar quantidades enormes de álbuns à borla, e poucos percebem que também é preciso contribuir para que as bandas e editoras tenham condições de continuar a gravar e editar. No concerto de apresentação, vendemos 11 discos. No dia seguinte, sem haver ainda a possibilidade de se encontrar o disco à venda sem ser através de nós, e sem ter havido cópias promocionais que alguém pudesse ter disponibilizado na Internet, o álbum estava em vários blogs, com links para download, inclusivé da Rússia, Chile e outros países do género. Atendendo a que lá constavam links para o site ou o myspace da banda, poderia haver quem facilmente nos contactasse para adquirir o CD, se o quisesse, mas o facto é que os únicos contactos foram de pessoas que já conheciam a banda anteriormente e que já aguardavam pela edição para o poderem comprar. O espertalhão ou espertalhões que espalharam o álbum, sem o nosso conhecimento ou consentimento, poderão aliviar as suas consciências dizendo que agora o nosso reconhecimento lá fora será muito maior, mas eu não sinto grande orgulho em saber que esse “reconhecimento” se traduz em alguns megabytes de espaço em disco ocupados em vários computadores, mundo fora, quando grande parte das pessoas provavelmente nunca o ouviu, alguns ouviram um ou dois temas sem prestar qualquer atenção e só muito poucos podem realmente dizer que conhecem o álbum. E desses poucos, nenhuns manifestaram interesse em saber como adquirir uma cópia original, até agora, por isso continuo a preferir aqueles que o compraram, alguns praticamente sem o terem ouvido, do que os que ouvem sem o comprar. Há quem tente comparar com o tape-trading que se fazia há uns anos, mas nessa altura, havia investimento nas cassetes, nos portes de correio, e quando se conseguia encontrar os discos originais fazia-se o possível para os comprar. E acho que havia maior preocupação em se ouvir e em conhecer as bandas. Agora, até isso é cada vez menor, interessa é sacar tudo e mais alguma coisa, sem se ouvir ou conhecer quase nada. Por isso é que as bandas dão importância ao merchandise, ao vinil e às cassetes. Porque não se podem sacar de borla da net. Mesmo no caso das cassetes e do vinil, que se podem passar para mp3, é algo que requer mais trabalho, mais tempo e nem todos o sabem fazer, logo, não se espalha tão facilmente. Eu também já tinha pensado em editar o álbum em vinil e cassete, sem ser tanto por causa desta questão da Internet, mas mais porque são formatos menos vulgares e que para algumas pessoas ainda despertam interesse, principalmente por coleccionismo. Enquanto não havia previsões para a edição em CD, pareceu-me ser uma forma interessante de lançar o álbum e eventualmente chegar a algumas pessoas a quem o CD poderá passar ao lado. A edição em cassete concretizou-se através da Praise Unholy Records, como lançamento de estreia da editora. Apesar de não ser uma edição profissional, tem os temas todos e é mais barata, por isso também desperta algum interesse. Até houve quem comprasse as duas versões, em CD e cassete. Também estou a pensar numa edição do primeiro álbum em cassete, vamos ver se isso acontece para breve...

Quais os planos para os Theriomorphic a curto prazo? Digressão nacional?
Uma digressão, é sempre algo subjectivo. Na prática, acabam por ser vários concertos isolados, porque também não há condições para se fazer uma verdadeira digressão. O que acontece é que, quando alguns desses concertos calham em datas mais próximas, o alinhamento dos temas mantém-se ou não sofre grandes alterações. Nem sequer são concertos planeados em conjunto, vão surgindo convites e, dentro da disponibilidade de todos, vamos aceitando os que se justificam ou quando pensamos ter condições para fazer algo bem feito. Por agora, estamos a tentar aproveitar essas oportunidades, visto que estivemos bastante tempo sem dar concertos, primeiro, para podermos acabar de escrever e gravar o álbum e, depois, para não tocarmos sem haver uma ideia de quando ele poderia estar editado. Não faria muito sentido darmos concertos sem essa edição e, relativamente pouco tempo depois, voltarmos a tocar nos mesmos locais, para o divulgar. Tendo em conta que o álbum já foi gravado há um ano, talvez seja altura de também pensarmos em começar a preparar o próximo, até porque isso não é coisa que se faça em apenas 2 ou 3 meses. Não tem havido oportunidade, porque acabamos por andar sempre todos um pouco ocupados com diversas coisas, mas já tenho algumas ideias em relação ao que gostaria de fazer e, também, alguns títulos e riffs em mente.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

em entrevista...CRONAXIA


Banda com largos anos de carreira no panorama de peso nacional, os CRONAXIA só agora editam o seu EP de estreia, «The Solution Above Continuity», uma demonstração de peso e técnica, resultando num dos trabalhos mais interessantes ao nível do death metal brutal e complexo "made in Portugal". O Opuskulo chegou à fala com a banda e fica aqui o resultado.

É caso para dizer finalmente! O que vos ocorre ao verem o primeiro trabalho de Cronaxia editado após mais de dez anos de carreira?

Vitória! Faça às adversidades que a banda passou, sabe bem termos o nosso primeiro trabalho gravado, após 11 anos de trabalho e mudanças de formação, compensou termos persistido até aos dias de hoje e termos finalmente uma amostra do que temos vindo a fazer ao longo dos anos.

Apesar de contarem já com uma carreira longa, os Cronaxia têm vindo a passar um pouco ao lado da cena de peso nacional. Encontras alguma razão concreta para isso?

Sim, é verdade, as razões principais têm a ver com alguns problemas pessoais e problemas de formação a nível de baixista e vocalista. Álem disso também demorou algum tempo a compor os nossos temas e a executá-los de forma coesa para apresentar tanto em gravação como ao vivo.

Como está a ser recebido «The Solution Above Continuity»?

Apesar do ainda recente lançamento do nosso EP, temos tido já algum feedback, tanto da parte da imprensa, de entidades relacionadas com eventos como de ouvintes. As críticas têm sido tanto boas como menos boas. Estamos ainda na fase em que as críticas vão chegando aos poucos, e dentro de algum tempo já teremos uma melhor percepção da aceitação do nosso trabalho.

Desta vez é mesmo para continuar ou teremos de esperar mais dez anos para uma nova aparição dos Cronaxia?

Embora nunca tenhamos tocado regularmente ao vivo nem editado nada anteriormente, a banda nunca parou ao longo de todos estes anos, além dos temas que tocamos ao vivo continuamos a compor temas novos com intenção de gravar o nosso próximo registo em formato álbum.

Em termos de sonoridade baseiam-se no brutal death metal técnico e arrastado. Achas que o interesse em torno desse estilo tem vindo a esmorecer ao longo dos anos?

Sem dúvida, nós notamos que actualmente tem vindo a esmorecer um pouco o interesse neste estilo musical, e nós estamos a sentir um pouco isso, Temos um pouco a sensação que aparecemos na altura errada, mas contudo pensamos que tem a ver com uma questão de ciclos, o que não nos impede que sigamos o nosso caminho.


Em Portugal assistiu-se a um desaparecimento de inúmeras bandas que se movimentavam dentro desse género. Achas que relaciona-se tudo com uma questão de hypes sazonais?

Sim, como referimos anteriormente estamos a atravessar uma época em que este estilo musical não está nos melhores dias no nosso país, mas isso não significa que o panorama do Death Metal não melhore futuramente.

Em termos de imaginário parecem entrar pelo mundo da ficção científica. Podes elucidar-nos melhor acerca disso?

Em primeiro lugar é uma temática que nos agrada e achamos interessante incorporá-la na nossa música, o que nos proporciona uma grande margem de exploração a nível de temas. No que diz respeito a temas e em particular no nosso EP, abordamos a continuidade do tempo e a eternidade, bem como a evolução e manipulação da mente humana e também formas de perpetuar o legado cientifico e tecnológico das espécies.

Apesar de todas as facilidades que a Internet oferece, parece haver um interesse renovado em alimentar o movimento mais underground, reflectindo-se na compra de discos, demo tapes e vinis. Sentem isso em relação aos Cronaxia? O pessoal compra o vosso disco?

Como referimos anteriormente o nosso EP foi lançado recentemente, as vendas ainda não foram significativas, mas também apostamos mais na venda de discos nos nossos concertos.

O que podemos esperar dos Cronaxia em breve? Concertos, novo disco, editora…?

Os nossos planos para o futuro consistem em continuar a tocar ao vivo para promover o nosso recente lançamento, e estamos também a trabalhar em novas músicas e conceitos, que irão constar num futuro longa duração para o qual procuramos uma editora.

sábado, novembro 22, 2008

em entrevista...THE LAST OF THEM

Das cinzas de bandas tão distintas como Sonic Flower, In Dementia ou Downthroat nascem os THE LAST OF THEM que, segundo o nosso entrevistado, constituem o reduto do metal aveirense. «Slow Motion Chaos» é o EP de apresentação da banda sobre o qual já aqui falámos e que serve de mote para a conversa com o baterista PN.



Como está a ser recebido «Slow Motion Chaos»? Está a exceder as vossas expectativas?

Até agora, as críticas e opiniões que recebemos sobre o EP têm sido positivas e motivadoras, ainda que todo o trabalho de promoção não esteja concluído…em relação às nossas expectativas penso que correu tudo bem, até porque nós nunca chegámos a traçar nenhum objectivo concreto com este lançamento, serviu apenas para apresentar a banda e mostrar o trabalho que tinha sido desenvolvido até aqui.

Os The Last of Them têm na sua formação elementos de bandas tão díspares quanto os Sonic Flower, Downthroat ou InDementia. Como acabaram todos num projecto em comum?

Quase todos nós já éramos amigos ou conhecidos…Eu já tocava nos Downthroat quando me juntei ao Zé e ao Vitó nos Sonic Flower, após algumas alterações/experiências na formação acabaríamos por contactar o Rui e o Renan que faziam parte dos InDementia e que nós conhecíamos através do estúdio Covil em Águeda que é propriedade do Hugo e do Rui, onde na altura estávamos a começar as gravações do EP.

O vosso EP de estreia revela uma banda a explorar sonoridades distintas, desde o black metal ao thrashcore, passando pelo death metal. Esta foi uma opção consciente ou faz parte de uma procura de cimentar a vossa personalidade?

Foi consciente e nós já sabíamos que haveria questões sobre esse assunto…desta vez decidimos aproveitar todas as músicas/malhas que nós gostássemos independentemente de soar a heavy, thrash ou death …perguntámos a nós mesmos qual era o nosso “estilo” e a resposta foi ´metal´, então não haveria barreiras/limites nos estilos e sub-estilos que se fazem dentro do metal. Iremos soar sempre diferente de tema para tema desde o rock ao black passando pelo metalcore…um pouco de tudo, isto também devido aos mais variados gostos pessoais de cada membro dos The Last of Them.

Qual o significado da expressão The Last of Them como designação para a banda?

A ideia do nome surgiu numa conversa acerca do pessoal que se mantinha na “cena” há vários anos e aquele que por uma ou outra razão se tinha afastado do meio musical. Como nós somos dos poucos restantes que na nossa zona ainda anda aqui por amor à camisola e tal, falou-se, “ …somos os últimos a restar…” e foi mais ou menos daí que surgiu.

Estando já calejados pela vossa passagem em anteriores bandas, como encaram a evolução das sonoridades ligadas ao metal ao longo dos últimos anos? Acham que é agora mais fácil gravar e editar um registo digno?

A evolução é normal dentro de qualquer estilo, depois há este ou aquele estilo que acaba por ficar mais “na moda” e, ou começa a saturar devido há grande procura/oferta de bandas num determinado estilo de música…o que depois vem penalizar as boas bandas que por vezes são metidas no mesmo “saco” só porque tocam este ou aquele tipo de metal…Não se compara…hoje em dia conseguem-se fazer coisas que há uns anos atrás eram impensáveis…Desde material sofisticado a pessoal já especializado e com bons estúdios, hoje encontra-se tudo aqui à mão de semear!

Estão a trabalhar no sentido de fazer chegar o vosso trabalho além fronteiras ou esse ainda não é um objectivo premente da banda?

Por enquanto ainda não a 100%... já foram enviadas algumas cópias para editoras e zines estrangeiras mas a prioridade é darmo-nos a conhecer primeiro em Portugal…explorar o mercado nacional e ver-mos qual a reacção do público.

O tema «New Addiction» foi usado por uma produtora norte-americana nos créditos finais da série «War of the Dead Z.E.R.O.». Como se deu esse convite?

O convite surgiu através do myspace da banda…o Mike DiSario, que é o realizador da série ouviu o tema, disse que tinha gostado muito e perguntou se nós estávamos interessados em pôr o “New Addiction” nos créditos finais do episódio 2 da série…nós dissemos que sim!

Achas que o futuro do metal e da música em geral passa pela fusão de géneros? Estarão os géneros musicais ditos tradicionais condenados? Até que ponto poderá ir a procura de originalidade?


Acho que já não há muita opção nessas fusões de estilos…Ainda aparece de vez em quando uma ou outra banda inovadora mas é cada vez mais difícil ser original nos dias que correm…Condenados…penso que não, pelo menos a curto prazo…acho que ainda há muito público a gostar dos tradicionais em vez dos chamados modernos e inovadores. A procura não irá ter fim…agora até que ponto é que será uma originalidade com pés e cabeça para andar e vencer…isso não sabemos.

Já há planos para um álbum de estreia? O que podemos esperar?

Talvez para o ano… estamos a trabalhar em novos temas e queremos passar ao próximo passo…o álbum! Enquanto que no EP a grande maioria dos temas já tinham alguns anos e sofreram arranjos, o próximo trabalho será material mais recente e composto pela actual formação da banda. Vai haver sempre temas lentos, temas rápidos, uns mais melódicos outros mais brutais mas esse será sempre o fio condutor da banda…o “METAL”!!....